Não venho falar-vos da intrujice do “novo” portátil. Já foi tudo explicado na blogosfera. Quero apenas acrescentar que nem tudo é mau no projecto. O nome escolhido é um achado. Magalhães foi o português que realizou a primeira viagem de circum-navegação, entre 1519 e 1521, ao serviço da Espanha. Parece que por ter sido ostracizado na corte de D. Manuel, foi obrigado a demandar outras paragens para alcançar proveito e glória. Não há melhor denominação para o portátil dos miúdos que, entre os 6 e os 10 anos, aprendem a ler, a escrever e a contar — se a nova pedagogia ainda os não desobrigou de tais tarefas em tão tenra idade. É que também eles, como Magalhães, terão a seu tempo de ganhar a vida servindo potências estrangeiras, também eles serão obrigados a angariar os fins-de-mês lá fora. Dantes emigravam alguns dos mais necessitados; hoje emigram os portugueses todos: os pedreiros, os lavradores, os médicos, os engenheiros, os investigadores, os cientistas — enfim, todos os filhos desta democracia de sucesso. Há 50 anos era um sinal do nosso atraso; hoje (di-lo o menino de ouro) é a prova da nossa vocação universalista.
Magalhães morreu longe da Pátria, nas Filipinas. Assim também os novos portugueses cairão na Inglaterra, nos Estados Unidos, na Alemanha, em Angola — em qualquer pocilga que haja escapado a enfiar os retratos de Vasco Gonçalves, Soares, Cunhal, Cavaco e Sócrates na galeria dos seus governantes recentes. Sim, Magalhães é um belo nome.
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