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Sociedade

A ameaça nacionalista

A ameaça nacionalista

Realizou-se ontem, em Lagoa, o primeiro festival nacionalista de Verão. Pelo que li na imprensa e vi na radiotelevisão, a GNR montou um significativo dispositivo de segurança nas imediações do recinto do encontro, controlando entradas e saídas à procura não se sabe bem de quê, provavelmente dos documentos das viaturas, certificados de inspecção, seguros e por aí. Mais uma vez assistimos a uma triste actuação por parte das forças de segurança (ou de quem as controla) em relação aos militantes e simpatizantes nacionalistas. O zelo verificado ontem não se manifestou em relação ao be, aquele partidozito do sistema supostamente anti-sistema, que organizou o seu acampamento de Verão durante seis dias na Serra da Estrela. O dito acampamento, recorde-se, incluías workshops e palestras com temas tão inócuos como a “desobediência civil” e a “resistência à repressão”. Não consta que tenha existido fiscalização dos participantes por parte das autoridades. O mesmo zelo não se verificou, também, em relação a outras festas de Verão. Ainda hoje noticia o DN que o festival Boom foi visitado pelas forças de segurança, mas não havia notícia de qualquer ocorrência ou apreensão. Provavelmente ter-se-à tratado da tradicional “visita de médico” pois também hoje, à hora de almoço, era visível nas imagens televisivas o consumo de estupefacientes por parte de alguns participantes do saudável festival que leva milhares de jovens irreverentes ás margens da albufeira Marechal Carmona, no concelho de Idanha-a-Nova (já agora, quando é que mudam o nome fascista daquela barragem?).

Também não consta que exista o mesmo zelo por parte das autoridades quando grupos de jovens (e não só) africanos, brasileiros, ciganos ou de outras etnias decidem fazer as suas animadas festas, muitas vezes no meio da rua e sem qualquer pedido de autorização prévia aos governos civis - que no caso dos nacionalistas parece ser condição absolutamente necessária.

Mas, talvez não seja nada disto que se passa. No fundo, talvez a GNR tenha estado ontem presente de forma a garantir a segurança dos militantes e simpatizantes do PNR que se encontraram no Algarve. É sabido que, a 25 de Abril do ano passado, grupos de marginais de extrema-esquerda tentaram vandalizar a sede do partido, depois de causarem distúrbios na baixa lisboeta. Também é conhecida a propensão dessa rapaziada para a destruição de bens e propriedades na região algarvia. Dessa forma, quem nos garante que as forças de segurança não estavam ali para garantir a integridade e a segurança daqueles que iam participar sossegadamente numa simples festa? A ser assim, apenas há que agradecer a prestimosa colaboração das autoridades. A ser assim, compreende-se por que razão não estiveram preocupadas com o encontro do be nem com outros encontros de comunistas e afins. É que os nacionalistas, ao contrário da extrema-esquerda, não têm por hábito vandalizar, destruir, grafitar, apelar á desobediência civil, elogiar regicidas e por aí adiante. Dessa forma, as forças policiais sabem que não é necessária a sua presença nos encontros destes jovens. Não há perigo de se sentirem ameaçados. Ao contrário do que acontece com quem gosta do seu país e procura respeitar a lei.

In A Cidade do Sossego, 10 de Agosto de 2008

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