Analistas russos consideram que o plano Sarkozy-Medvedev com vista à solução do conflito entre a Rússia e a Geórgia constitui uma vitória para o Kremlin, embora reconheçam que ainda será preciso esperar que a Geórgia e os Estados Unidos o aceitem.
“A Rússia apresentou à Geórgia e à comunidade mundial seis pontos para regularizar definitivamente o conflito. Entre eles não se encontra o “respeito pela integridade territorial da Geórgia” – escreve o diário electrónico gazeta.ru, comentando o encontro entre o Presidente francês, Nicola Sarkozy, e o seu homólogo russo, Dmitri Medvedev.
Segundo o documento aprovado no Kremlin, as partes devem comprometer-se a não “recorrer à força”, a “cessar as hostilidades de modo definitivo”, assegurar um “acesso livre à ajuda humanitária”, as forças militares georgianas devem regressar “ao seu local habitual de acantonamento”, enquanto as forças russas devem retirar-se “para as linhas anteriores ao início das hostilidades.
O sexto ponto prevê “a abertura de discussões internacionais sobre o futuro estatuto e as modalidades de segurança duradoura na Abkházia e na Ossétia do Sul”, os dois territórios separatistas pró-russos da Geórgia.
“O sexto e último ponto substituiu aquele que previa a garantia da integridade territorial da Geórgia, o que constitui uma sensível vitória para Moscovo” – declarou à Lusa uma fonte diplomática contactada por telefone, que acrescentou que “resta agora saber se Tbilissi vai aceitar isso ou não. Muito vai depender não só de Saakachvili, mas da posição norte-americana face ao novo plano de cessar de fogo”.
Alexandre Konovalov, director do Instituto de Avaliações Estratégicas da Rússia, considera que, “agora, não deixarão aproximar-se a Geórgia nem da Abkházia, nem da Ossétia”.
“Só à distância de um tiro de canhão” – frisou o analista político.
Segundo ele, “a Geórgia não poderá agora exigir nada, enquanto a Rússia exigirá da Geórgia uma declaração juridicamente obrigatória sobre que renuncia ao emprego da força nas regiões e retira as suas tropas para uma distância segura”.
No entanto, Alexei Vlassov, vice-director do Centro para o Estudo dos Processo Sócio-Políticos na Comunidade dos Estados Independentes, considera que o mais difícil está para vir.
“O acordo sobre o não emprego da força, seja sob que formato for, irá demorar a ser conseguido e o formato do documento será a pedra angular. Cada uma das partes irá insistir na sua proposta” – declarou este analista.
“Saakachvili – continua Alexei Vlassov – irá insistir em aumentar o máximo possível a pressão sobre a Rússia e transferir a discussão desse formato para um campo em que a Rússia será apresentada como participante directo do conflito. E esta posição é apoiada pelos Estados Unidos. A posição da União Europeia será revelada à noite, depois de analisada a situação”.
Segundo ele, “a direcção russa já declarou que, devido às circunstâncias criadas, o formato das forças de manutenção da paz na Ossétia do Sul e na Abkházia será alterado. Resta saber até que ponto a Geórgia aceitará essa abordagem e até que ponto a Rússia conseguirá conquistar os mediadores internacionais para a sua posição”.
“O problema consiste em saber que acordos e documentos anteriormente assinados servirão de base nas conversações e, por enquanto, não são claras que possibilidades alternativas serão propostas aos nossos parceiros de conversações” – concluiu o perito.
In Da Rússia, 12 de Agosto de 2008
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