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Ossétia

Ossétia

A região do Cáucaso é lar de variados povos, alguns bem pouco numerosos, falando variadas línguas de variadas origens, escritas em variados alfabetos. A potência nacional que qisesse dominá-la iria sofrer de uma enorme dor de cabeça. A Rússia czarista qui-lo e foi encontrar graves sarilhos. São muito conhecidos os escritos, tanto em prosa como em verso,  do poeta romântico Mikhail Lermontov, dos quais evola um encanto e uma sedução muito particulares. Também o sumo poeta russo Alexandre Pushkin escreveu .”Eu sei como usar um punhal — nasci no Cáucaso”. Também Leão Tolstói escreveu so bre o Cáucaso.

A Geórgia foi anexada pela Rússia em 1801 sem guerra, mas o Daguestão, vizinho da Tchétchnia, ofereceu grande resistência, que se tornou uma penosa guerra até 1861. Pode-se imaginar as tremendas dificuldades encontradas pelo exército russo na conquista do Cáucaso, que apresentava ao invasor medonhas paredes rochosas quase impenetráveis de altura elevadíssima.

Quem escreve sobre os povos caucasianos, descreve extremos. E quem escreve sobre os russos, fala em excessos. Estes extremos e estes excessos deram como resultado uma campanha extremamente terrível.
A cordilheira caucasiana estende-se grosso modo numa orientação NO-SE. A sul da cordilheira está, a oeste, a Avkházia com costa sobre o mar Negro, e com capital em Sukhumi, ao centro, a república da Georgia, e a leste, o Azerbaidjão. Também a sul da cordilheira, encravada na Geórgia, está a Ossétia do Sul, que faz fronteira com a Ossétia do Norte, do outro lado da cordilheira. A Avkházia era no tempo da URSS uma república autónoma. Diga-se desde já que esta tem uma língua própria, o Avkhaz, língua caucasiana (à falta de melhor classificação), muito complexa. A Geórgia tem como língua o kartvélio, também uma língua caucasiana com alfabeto próprio. Esta língua tem sido o único meio reconhecido de instrução e há literatura nesta língua desde o século V. É uma língua altamente desenvolvida e possui uns dez dialectos. A Ossétia tem também a sua língua, o ossete, língua bizarramente indo-europeia, do grupo iraniano, e constituia na URSS um território autónomo. A leste,  no Azerbaidjão, temos o azer, língua altaica (túrquica).

O estatuto político da Geórgia na URSS (república, teoricamente independente),  semelhante ao do Azerbaidjão, era superior ao da Avkházia (república autónoma) e ao da Ossétia do Sul (território autónomo). Desmembrada a URSS, a Geórgia readquire a sua independência real, e, pelo que nos sugerem os acontecimentos actuais, a Avkházia e a Ossétia do Sul ficam numa situação incerta: têm a independência que desejam, ou integram-se na Geórgia, a potência local, já que estão do lado sul da Cordilheira do Cáucaso? Julgo que esta última hipótese é a proposta pela Geórgia, que apoiando-se na ajuda ocidental, muito particularmente dos Estados Unidos e de Israel, organiza o seu exército, instruído pelos israelitas, e arma-se de tal modo que passa pela cabeça dos seus governantes, outros loucos como os há muitos, poderem eliminar os problemas postos pelos vizinhos contíguos, eliminando a Ossétia do Sul (fala-se em genocídio dos ossetianos), muito particularmente porque são um perigo latente para a pipe-line que leva o petróleo do Mar Cáspio para o Mediterãneo, onde os petrolistas americanos se servem a contento. Simplesmente a Rússia não se deixa ludibriar e não pode (Deus a ajude!) permitir que lhe queimem as barbas impunemente. E a Rússia, protectora responsável dos ossetas, sente-se naturalmente obrigada a vir em socorro do pequeno povo, indefeso perante o ataque cartvélio. Se as coisas não são rigorosamente assim, devem ser mais ou menos assim. Entre russos e israelo-americanos, prefiro sem dúvida os primeiros, que, dada a decadência desta Europa de cobardes, parece constituir a nossa última esperança política e militar.

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