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Crise no Cáucaso

Crise no Cáucaso

Mais uma vez a arrogância dos Estados Unidos pela voz do seu presidente Bush e pela da sua fiel seguidora Condoleezza Rice no seu papel de guardiões da moral, da democracia e da ordem… e infelizmente muitos europeus aplaudem com servil subserviência as baboseiras dos “polícias do mundo” como alguém lhes chamou.

 

Os americanos estão a ver uma Rússia que se ergue dos escombros de uma desastrosa Era pós comunista e que se prepara para desempenhar o seu papel de grande potência. Tentam pois colar a imagem da actual Rússia ao comunismo do passado, conseguindo assim granjear apoios entre algumas nações europeias.

 

Infelizmente os ressentimentos anti soviéticos das novas nações nascidas do desmantelamento da URSS e do Pacto de Varsóvia estão a ser convenientemente alimentados por Washington, que não perde uma única oportunidade para provocar a Rússia: foi assim com a independência do Kosovo, para contrariar a Sérvia, aliada de Moscovo, foi assim com o projecto que vai colocar na Polónia um escudo anti-míssil pretensamente para defender a Europa da ameaça iraniana, mas que se destina exclusivamente a controlar os movimentos dos mísseis russos em território russo, e é assim no Cáucaso, na questão da Ossétia do Sul e da Geórgia.

 

A integração da Ossétia do Sul na Geórgia teve como única razão critérios geográficos. Na verdade os ossetas, que são cerca de 45.000 em comparação com os 17.500 georgianos, votaram já em dois referendos a favor da união com a Rússia, mas o governo da Geórgia sempre ignorou a vontade de mais de 70% da população. A situação sempre foi tensa, pois a minoria georgiana era privilegiada no acesso a empregos e a benefícios estatais. Apesar de apenas 45 mil, os ossetas criaram movimentos cívicos separatistas e uma milícia que na verdade nunca representou uma ameaça real para os georgianos. No entanto, ao abrigo do “ruído” da abertura dos jogos olímpicos, a Geórgia reforçou a presença militar no território a perseguiu os seus oponentes. Não foram mortos milhares de ossetas como se receava, mas o número real andará pelas centenas, todos civis. Há testemunhos de um edifício destruído pelos atacantes onde pereceram 49 pessoas, uma cave onde se refugiaram algumas dezenas de pessoas e que foi atacada à granada e um automóvel onde seguia uma família osseta foi destruído por um tanque.

 

Como seria de esperar a Rússia aproveitou este ataque para invadir o território sob o pretexto de proteger os ossetas. Na verdade a Rússia quer reaver territórios que lhe foram retirados mas que pertencem ao seu espaço natural, mesmo sendo insignificantes como a Ossétia do Sul com uma área equivalente ao distrito de Coimbra e pouco mais de 60 mil habitantes, uma população que caberia inteira em alguns estádios desportivos. E neste sentido também a Abcásia, junto ao Mar Negro é um objectivo russo pois os abcásios vêem com bons olhos a sua anexação à Mãe Rússia.

 

É necessário ver a situação do Cáucaso sob um ponto de vista local. É uma zona politicamente instável e as crises que ali surgem devem ser geridas pela Rússia e moderadas pela diplomacia europeia, não pela NATO, que não está preparada para lidar com aquele tipo de situações. Como era de esperar Bush não perdeu tempo para provocar a Rússia e com a habitual arrogância apoiou a Geórgia e impôs aos russos uma retirada imediata. Como era de prever Moscovo estabeleceu o seu próprio calendário para a retirada após conversações com Sarkosy.

Este tipo de conflitos não pode ser gerido com declarações públicas como tem sido timbre dos americanos que obrigam a tomadas de posição contrárias. As conversações devem ser à porta fechada e as cedências não podem transparecer para o exterior sob a pena de descredibilização dos políticos.

 

O desenrolar deste conflito veio provar que a NATO já não tem qualquer papel a desempenhar, funcionando apenas como uma base de apoio à política imperialista americana.

Apesar de não sermos propriamente seus admiradores, felicitamos daqui o presidente Sarkosy que em nome da União Europeia poderá ter evitado o pior.

In Movimento Pró Pátria, 26 de Agosto de 2008

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