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Voto de protesto ressuscita extrema-direita austríaca

Voto de protesto ressuscita extrema-direita austríaca

Áustria. Os partidos de extrema-direita, de Heinz-Christian Strache e Jörg Haider, foram os únicos que conseguiram ganhar votos nas legislativas antecipadas de ontem. Os cenários de coligação começam agora a ser discutidos e não está excluído que, como em 2000, os radicais entrem no Governo Os partidos de extrema-direita foram os únicos que ganharam votos nas eleições legislativas antecipadas de ontem na Áustria. Esse resultado deve-se, em grande parte, ao voto de protesto dos austríacos, desiludidos com a Grande Coligação que esteve no governo nos últimos 20 meses. Os partidos que a compunham tiveram os piores resultados de sempre.

O Partido Social-Democrata (SPÖ) venceu as eleições com 29,7% dos votos, segundo dados provisórios avançados pelo Ministério do Interior e citados pelas agências. Os democratas-cristãos do Partido do Povo (ÖVP) registaram 25,6%. Os primeiros caíram mais de cinco pontos e meio em relação a 2006. Os segundos perderam quase nove.

Os mesmos resultados provisórios mostram que as duas formações da extrema-direita austríacas conseguiram, juntas, 29% dos votos. O Partido da Liberdade Austríaco (FPÖ), encabeçado por Heinz-Christian Strache, registou uma subida de sete pontos, conquistando 18% dos votos expressos. Já a Aliança para o Futuro da Áustria (BZÖ) quase triplicou a percentagem obtida há dois anos, tudo graças ao fenómeno Jörg Haider. A formação dissidente do FPÖ conquistou 11% dos sufrágios.

Os resultados definitivos só serão conhecidos no dia 6 de Outubro, altura em que serão divulgados os votos dos 580 mil eleitores que escolheram votar por correspondência. Esse número representa quase 10% do total de 6,3 milhões de cidadãos austríacos que têm direito de voto.

Mas entretanto estudam-se já várias hipóteses de coligação. O cenário mais provável é o de uma reedição da Grande Coligação SPÖ-ÖVP, embora essa seja uma hipótese que desagrada aos austríacos, depois do historial de desentendimentos que levou à dissolução da aliança em Julho.

Essa dita reedição obrigaria à substituição do líder dos democratas–cristãos, Wilhem Molterer, o qual fez cair o Governo quando os sociais-democratas decidiram que iriam passar a submeter todos os futuros tratados europeus a consulta popular. O sucessor do chanceler Alfred Gusenbauer na liderança dos sociais-democratas, Werner Faymann, indicou que está aberto a nova coligação, mas rejeita uma aproximação à extrema–direita de Strache ou Haider.

No entanto, durante a campanha, muito marcada pelo aumento do custo de vida, Faymann aprovou durante a última sessão parlamentar, do dia 24, a redução para metade da taxa de IVA sobre os medicamentos, a abolição de taxa de inscrição na universidade e o aumento das reformas. E, para isso, contou com o apoio dos deputados da extrema-direita e dos Verdes (que ontem obtiveram 9,8%).

Esta não seria a primeira vez que a extrema-direita chegaria ao poder. Isso já sucedeu em 2000, depois de Haider, então líder do FPÖ, se coligar com os democratas-cristãos do chanceler Wolfgang Schüssel. Algo que levou alguns países europeus a cortarem relações com o Governo austríaco de então.

Quanto ao bloco da extrema-direita, é tudo menos um bloco. Strache e Haider, antigos aliados, são hoje grandes inimigos. Alguns analistas dizem que muito dificilmente participariam na mesma coligação. Falta ver se mudam ou não de ideias, modificadas que estão as circunstâncias, pois ontem, na Áustria, a extrema-direita ressuscitou.

In Diário de Notícias, 29 de Setembro de 2008

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