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	<title>no-media // portugal &#187; Cultura</title>
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	<pubDate>Sun, 30 Nov 2008 23:32:54 +0000</pubDate>
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		<title>MEDITAÇÃO SOBRE PORTUGAL</title>
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		<pubDate>Sun, 30 Nov 2008 14:55:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>viktortora</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>

		<category><![CDATA[História]]></category>

		<category><![CDATA[Política]]></category>

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O dualismo político da Península deve fazer parte do ideário de qualquer legitimista português. Não é uma questão nostálgica. A tradição nada tem de conservadora &#8212; é um valor permanente e, por isso, actual!
 
A criação deste dualismo no passado, quando eram bem menos graves as razões que o ditaram, parece-me um desígnio da Providência. Nessa [...]]]></description>
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<div class="post hentry"><a name="6273558925540941643"></a></p>
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<p class="AbWriteCorponormal" style="margin-top: 0pt; font-size: 11pt; margin-bottom: 0pt; margin-left: 113pt; text-indent: 113pt; font-style: italic; text-align: justify;">O dualismo político da Península deve fazer parte do ideário de qualquer legitimista português. Não é uma questão nostálgica. A tradição nada tem de conservadora &#8212; é um valor permanente e, por isso, actual!</p>
<p class="AbWriteNormal" style="margin-left: 113pt; text-indent: 113pt; font-style: italic; text-align: justify;"> </p>
<p class="AbWriteNormal" style="margin-left: 113pt; text-indent: 113pt; font-style: italic; text-align: justify;">A criação deste dualismo no passado, quando eram bem menos graves as razões que o ditaram, parece-me um desígnio da Providência. Nessa altura, tratou-se de um impulso nacional. Hoje, ele impõe-se em nome de um motivo que transcende sonhos renovados de grandeza territorial, atrás dos quais se escondem interesses predominantemente ou mesmo exclusivamente materiais. O porquê do dualismo político na Península está na necessidade de salvar uma civilização.</p>
<p class="AbWriteNormal" style="margin-left: 113pt; text-indent: 113pt; font-style: italic; text-align: justify;"> </p>
<p class="AbWriteNormal" style="margin-left: 113pt; text-indent: 113pt; font-style: italic; text-align: justify;">Portugal e Espanha, os dois povos que, na história do Cristianismo, mais longe levaram a semente do Evangelho e a lançaram em terras virgens da palavra eterna; Portugal e Espanha, duas nações provadíssimas na defesa da ortodoxia, tantas vezes selada com o sangue dos seus melhores filhos, têm agora ocasião soberba de voltar a dar ao mundo um exemplo ainda mais expressivo do que a lição de quinhentos. Numa Europa, que cresce em dimensão geográfica na proporção do seu decaimento político, as duas nações peninsulares podem ensinar que a unidade moral não exige que se risquem fronteiras.</p>
<p class="AbWriteNormal" style="font-size: 11pt; margin-left: 113pt; text-indent: 113pt; font-style: italic; text-align: justify;"> </p>
<p class="AbWriteNormal" style="font-size: 11pt; margin-left: 113pt; text-indent: 113pt; font-style: italic; text-align: justify;">Nunca precisei de odiar Espanha para amar Portugal. E amá-lo como ele merece é tão exigente que não me sobra tempo para sentimentos mesquinhos. De resto, nutro por Espanha sincera amizade e muita admiração. O que, de modo nenhum, diminui a minha preocupação constante, depois do amor a Deus <span style="font-style: normal;">&#8212;</span> servir Portugal como devo e até onde for capaz.</p>
<p class="AbWriteNormal" style="font-size: 11pt; margin-left: 113pt; text-indent: 113pt; font-style: italic; text-align: justify;"> </p>
<p class="AbWriteNormal" style="font-size: 11pt; margin-left: 113pt; text-indent: 113pt; font-style: italic; text-align: justify;">O texto que segue esforçou-se por ser eminentemente português. E, dentro da vocação universalista de Portugal, não é contra povo algum.</p>
<p class="AbWriteNormal" style="font-size: 11pt; margin-left: 113pt; text-indent: 113pt; font-style: italic; text-align: justify;"> </p>
<p class="AbWriteNormal" style="font-size: 11pt; margin-left: 113pt; text-indent: 113pt; font-style: italic; text-align: justify;">Só Espanha cumpriu missão idêntica à nossa: daí, o laço moral que seria trágico esquecer! Mas se é o mesmo o carácter, já os temperamentos revelam distintas particularidades: por isso, deve prevalecer o dualismo político!</p>
<p class="AbWriteNormal" style="font-size: 11pt; text-align: justify;"> </p>
<p class="AbWriteNormal" style="font-size: 11pt; text-align: justify;"> </p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"> </p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Vou discorrer sobre Portugal e quero fazê-lo numa perspectiva de passado, presente e futuro.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Porém, antes de dar entrada nesta matéria, que meta deve ser a nossa? &#8212; Muito simplesmente isto e nunca menos do que isto: orientar a Nação no sentido do seu destino transcendente, para voltar a ligá-la aos valores da civilização que ela espalhou e da cultura que ela transmitiu.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Alguns retorquirão talvez que Portugal, quando iniciou a sua epopeia, era pequeno, mas possuía uma vida estuante, e hoje encontra-se exangue. Dir-me-ão que estamos na indigência e lembrar-me-ão até o ditado: &#8216;Casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão.&#8217; Perfeito: não serei eu quem negue valor a esse adágio de colorido recorte popular, embora lhe contraponha isto que julgo ainda mais verdadeiro: &#8216;Casa onde não há razão, cedo ou tarde todos ficarão sem pão.&#8217; Portanto, trate-se primeiro de pôr ordem na casa; o resto virá depois.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Não me resigno à ideia deprimente de que Portugal morreu. A Pátria está muito doente, entrou mesmo em colapso, mas não é a primeira vez que isto lhe sucede e, conquanto seja esta a mais grave, de todas ela tem saído quase como das cinzas renascia a Fénix mitológica. Eu não acredito no determinismo. O destino fatal só existe quando os homens descrêem de Deus e cruzam os braços. Não vejo causa para desespero total, apesar de muita coisa altamente apreensiva.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">A força de Portugal sempre se afirmou bastante mais no espírito incomensurado do que na matéria extensa: em pequeno corpo pode habitar uma alma grande.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Olhemos melhor o quadro de Portugal:</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Portugal é, nos dias que correm, um País divorciado das glórias que ainda lhe estavam reservadas. E isto, porquê? &#8212; Porque a sua vocação histórica foi abafada, a sua rota foi desviada e tudo aconteceu e permanece de um modo abusivo e traiçoeiro.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">A sua missão era civilizar. Contudo, a partir de certa altura, os seus homens públicos mais eminentes deram a impressão de se envergonhar desse objectivo sublime, parece que começaram a detestar a tarefa entre todas bela que era a de fazer Cristandade. Só ensinando pela palavra e mostrando pelo exemplo a religião católica, se pode realizar obra civilizadora. Assim o entenderam e praticaram os antigos portugueses e, enquanto o entenderam e praticaram, a presença de Portugal no mundo foi fecunda.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">No entanto, aconteceu que a Nação, devido à má política dos que a dirigiam, se apartou a pouco e pouco da sua finalidade principal até que algozes abjectos a manietaram no cadafalso, em que são justiçadas a desonra e a infâmia, como se a Pátria tivesse outra culpa que não fosse a vulnerabilidade à desgraçada sorte de expiar aos pés dos traidores de hoje os crimes de uns traidores de um passado mais ou menos recente.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">De qualquer forma, não seja esta vileza inqualificável, que na sequência de outras prostrou o País, não seja ela, repiso, um peso que diminua as nossas forças para reagir, porque é de esperar que tudo aquilo que de imensamente bom se fez, ao longo de um esforço prolongado de séculos, não ficará estragado pela torpeza de uma demissão execranda. Recordemos a história da nossa Pátria e nela acharemos fartos motivos para cobrar alento e tirar Portugal da miséria em que se atolou. A história contém essas lições admiráveis, e como não estão ainda sepultadas as virtudes ancestrais da Raça, dessa Raça que deu de si «as armas e os barões assinalados» (1), conforme regista o épico, confiemos em que Portugal se erguerá uma vez mais.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">A gesta cantada nas estrofes rimadas de <span style="font-style: italic;">Os Lusíadas </span>perpetua, em certeza e em beleza, a memória de um povo. Quem se envergonha dela? A ignomínia está no quotidiano que vivemos. O passado foi invulgarmente bonito porque estava orientado para um fim grandioso.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Custará muito recuperar essa dimensão, mas Portugal tem de ser redimido. Eu sei que esta ideia é considerada por bastante gente um sonho. Seja! Porém, meditemos bem e já veremos como sonhar redimir Portugal é um anseio lindo. É um anseio lindo, repito, porque depois do sonho pode seguir-se a obra.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Não sonharam aqueles que se passaram a Ceuta, alcançaram a Índia, tocaram no Brasil, atingiram o Oriente, derramaram a civilização e espalharam uma cultura sobre todo este planeta e «isto navegando por tantas mil léguas que vêm a ser antípodas de sua própria Pátria», como disse João de Barros? (2) Eu pergunto, de novo: não sonharam eles? E, no entanto, os oceanos foram sulcados; os continentes estreitaram-se; o nome de Portugal tornou-se conhecido; e as nações habituaram-se a admirá-lo.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Foi uma empresa descomunal para os exíguos recursos materiais de um povo, mas concretizou-se porque os nossos avós souberam converter em realidade aquilo que sonharam. Homens com esperança, eram também homens de acção. E nós, seus herdeiros, devemos seguir-lhes o exemplo, hoje mais do que nunca, porque hoje cumpre-nos apagar a tremenda afronta cuspida sobre as ossadas dos nossos mortos, e lavar o ultraje sem nome que foi lançado sobre a sua veneranda memória.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Junto à povoação da Batalha, levanta-se, conforme é do conhecimento geral, um formosíssimo mosteiro. Recordar aquele monumento consiste, para mim, entre outras coisas, em recordar Mestre Afonso Domingues e o que ele fez. Cabe aqui mais uma interrogação: não sonhou o grande arquitecto? &#8212; Ele não via. Contudo, na noite luminosa da sua cegueira física, descortinou um astro resplandecente de beleza e rutilante de luz. Afonso Domingues, honra e glória da arquitectura nacional, sonhou primeiro e o seu génio criador ofertou-nos, depois, a obra-prima que é a abóboda da sala do capítulo.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">E, de cada encontro com o Mosteiro, fica-me sempre para relatar outra coisa bem mais singular. Acho-me incapaz de dizer que ele pode ser contemplado por qualquer um que chegue à sua beira. Não sei, porque vou ao ponto de admitir que é o Mosteiro a olhar o visitante e que, da sua mudez de pedra, saem palavras sentidas e comovidas que nos contam a razão da sua existência:</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">O Mosteiro nasceu em cumprimento de um voto e assim já deu testemunho, testemunha e testemunhará, enquanto Deus o quiser, a tarde épica que se viveu sobre os campos que lhe são vizinhos, ele traz-nos, no fino lavor da sua traça, os ecos formidáveis de Aljubarrota.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Aljubarrota foi uma polémica rápida, mas uma polémica gigantesca e medonha, em que se respondeu com o tinir de ferros de parte a parte, e a tinta que ali correu era sangue, porque a questão que se dirimia era uma questão de vida ou de morte, era um ponto de honra ou opróbrio, era escolher entre consolidar uma independência ou desaparecer como nação. Os nossos antepassados decidiram-se pelo caminho da honra e, por isso, Portugal sobreviveu para ir ao encontro das glórias que o esperavam, porque, sendo capaz de as ver, soube querê-las e, durante largo tempo, foi digno delas.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Começava um período deslumbrante para a nação portuguesa. Portugal arrancava para escrever na história páginas de um brilho que a memória dos homens não esquecerá, Portugal ia deixar profundamente gravada a lembrança de feitos que são causa de justo orgulho para a nação que os pratica.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Mas em 1587, nos areais adustos de África, uma derrota militar cortou o fio do nosso destino histórico. Ao insucesso bélico somou-se a perfídia de muita defecção. Então, como mais tarde, quando as tropas de Napoleão pisaram o nosso solo, os que franquearam as portas ao estrangeiro, eram naturais da nossa terra. Aí, como no presente, foram estas felonias praticadas por quem firmava em língua portuguesa. Monstruosa aberração!</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Hoje, aquilo a que assistimos, para lá de algumas semelhanças, é uma situação sem paralelo na nossa história, enfim, há uma novidade. E como todas as novidades, também esta desperta curiosidade, embora o seu conteúdo seja muito triste e imensamente trágico. Por isso, antes de prosseguir, convém que ela seja analisada.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Como a seguir à morte de D.Fernando, como depois de Alcácer-Quibir, como durante a regência do futuro D.João VI, o <span style="font-style: italic;">25 de Abril </span>soltou um cortejo de traidores aos sagrados interesses de Portugal. Renegar o chão pátrio é renegar a identidade nacional. Uma miséria dessas, uma baixeza assim profunda, esteve para acontecer depois de 1383, praticaram-na os descendentes dos preclaros varões do início de quinhentos, saborearam-na com gozo os que saíram a receber Junot, e hoje temo-la, mais uma vez, diante dos olhos. Até aqui, as parecenças.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Vou recapitular e desenvolver um pouco mais estas três situações que bem necessário é para poder continuar:</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Com a morte de D.Fernando, surgiu em Portugal uma crise dinástica que trouxe o País na iminência de não chegar a firmar-se como nação livre e independente. Mas devido à actuação de um homem providencial, esse herói e santo que foi Nuno Álvares, flor imarcessível da Cavalaria da Idade Média, devido à sua actuação, torno a insistir, levantava-se o fermento da reacção que depressa se iria espalhando por todo o Reino impedindo assim a fusão do nosso País com Castela. Iniciava-se aí o sábio dualismo político que, volvido um século, faria a glória tanto de Portugal como da vizinha Espanha.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Este movimento vinha dois anos depois a sentar no trono o filho do Justiceiro e de Teresa Lourenço. Nessa hora tremenda da sua vida colectiva, os Portugueses erguiam-se como se formassem um só corpo e juravam fidelidade àquele a quem, familiarmente, tratavam por Mestre. Chegava-se, assim, às Cortes de Coimbra de 1385 que outra coisa não foram senão a cerimónia oficial do que era a expressão de uma legitimidade insofismável: a Nação, devidamente representada, reconhecia a dignidade real de D.João, Mestre de Avis, porque ele reunia às razões fortíssimas do sangue os motivos ainda mais ponderosos de se identificar com os interesses da grei.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Passo agora a panorama diverso, e detenho-me no ano de 1580, quando, pela ausência de chefes, o País soçobrou, enquanto se verificava um ou outro esboço de reacção tíbia da parte de um povo enfraquecido por um lento processo de decomposição moral, de que lhe era dado o tom pela classe dirigente, esquecida das suas obrigações históricas.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Dois anos antes, mergulhara Portugal no desastre material de Alcácer-Quibir. Desastre material, disse eu, porque esse foi o aspecto em que fracassou a jornada de Marrocos. No mais, essa batalha ficará para sempre como uma tentativa do espírito querendo sacudir o jugo da acção que já principiava a desenhar-se: era o esforço para relançar as bases de um império belo e florescente, um império justo e forte, regido por um poder temporal inspirado nos princípios cristãos.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Encabeçou esse movimento o moço Rei D.Sebastião, que não viu concretizado o seu empenho. Deixou-se levar por um temperamento excessivamente arrebatado; cometeu exageros, é certo; e não terá sido um político, muito menos um político frio e calculista. Todavia, foi indubitavelmente a personificação de algo superior e a elevadíssima missão, que projectou, coroada pelo seu trágico desaparecimento, conferiu-lhe uma dimensão histórica invulgar.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Desgraçadamente, com D.Sebastião não se foi só um exército: uma nação em peso, a nação portuguesa, completamente desarticulada, era desviada de um percurso que, cerca de dois séculos antes, se lhe abrira num sorriso esplêndido em Aljubarrota. Quedou-se, pois, Portugal sem rei nem roque, com um Prior do Crato animado, talvez, de bons propósitos, mas incapaz de dar governo a um país desnorteado.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Poucos anos antes, tirara Camões da sua pena estes versos: «O favor com que mais se acende o engenho / Não no dá a Pátria, não, que está metida / No gosto da cobiça e na rudeza / Duma austera, apagada e vil tristeza.» (3). Desta decadência era culpado o escol. E o povo, de rastos, sem chefes há muito tempo, era um imenso corpo passivo e presa fácil do duque de Alba, o qual, à cabeça dos seus aguerridos terços, acabou por entrar em Portugal, garantindo previamente, pela força das armas, as pretensões de Filipe II de Espanha.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Foram já lembrados dois momentos de crise. Examinarei, em seguida, o último que me propus ver com algum vagar, o qual deixou marcas profundíssimas, cujos efeitos se fazem ainda sentir desde que, em Évora-Monte, foi imolada a legitimidade.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Sendo regente o filho de D.Maria I, foi invadido o território de Portugal. Eram os exércitos do tigre da Córsega, que traziam os erros da Revolução de 1789, pretenso remédio a esse mal que foi o regalismo absolutista, gerado com alguma antecedência no mesmo ventre daninho e aplicado entre nós, intencionalmente e com mão de mestre, pelo desumano ministro de D.José I. Precipitavam-se os acontecimentos:a família real retirava-se para o Brasil; no Reino, ficava uma Junta que pouco tempo teria de vida, pois Junot haveria de dissolvê-la. E, no meio dos mais variados acontecimentos, sofrendo o País o luto, a dor e a miséria, que três invasões lhe causaram, lá se conseguiu definitivamente expulsar o inimigo.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Contudo, o ar ficou empestado. Caldeadas e debatidas nas lojas secretas, servidas por um exército bem treinado &#8212; o jacobinismo &#8212; as ideias do século, ajudadas pelas armas triunfantes de Napoleão, que não foi só um fenómeno concomitante, mas o homem que as ocorrências da época pediam, vieram explodir na Revolução de 1820. E, desde então, parece que a paz fugiu do seio da família portuguesa. A Revolução prendeu, nas suas garras afiadas, o corpo de Portugal.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Porém, eu salientei que existia uma novidade na situação implantada pelo <span style="font-style: italic;">25 de Abril</span> . Referi-o há pouco e vou dar provas. </span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Desta vez, ao contrário das outras, Portugal não foi pisado por exércitos vindos de fora, mas aparece trucidado. Quem o julgou e condenou? &#8212; A Revolução Universal! </span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Interporei duas palavras para tentar explicar como eu a entendo, à luz do pensamento religioso e filosófico. Ela é a desobediência aos mandados de Deus e requer ser vista de diferentes ângulos: o ângulo da ordem absoluta; o da ordem relativa; e ainda um terceiro que é a ausência de ordem.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Quando se viola uma ordem que observa os ditames de Deus, estamos perante a Revolução no seu expoente mais formal, porque assistimos a uma atitude que é revolucionária num critério absoluto. Contudo, se contra um ordenamento jurídico iníquo se levanta uma oposição também esquecida da lei eterna, aí temos a Revolução numa dimensão revolucionária relativamente à ordem estabelecida, sem que por isso a ordem ameaçada perca a nota revolucionária que também a inquina. Por fim, sempre que se cai na ausência de ordem ou anarquia, vemos que desse frenesi animal não sai qualquer espécie de ordem e, se nem toda a ordem exclui a Revolução, onde falta ordem está a Revolução!</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Em Portugal, neste momento, está consagrada uma ordem má e, a par dela, impera a anarquia porque a autoridade constituída nem sequer é capaz de impor essa ordem. A Revolução triunfa, pois, em toda a linha. Eis o ser medonho que proferiu a sentença contra a Pátria, sentença executada pelos facínoras que se acobertavam cá dentro. Essa quadrilha de desnaturados sacrificou Portugal como o bandido faz com a sua vítima: implacável e com crueza!</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">O inglês Francis Bacon afirmava o seguinte: «Quando os quatro pilares do governo (que são a religião, a justiça, o conselho e o tesouro) estão abalados ou enfraquecidos pode o povo fazer preces por melhores tempos.» (4). Acontece que em Portugal estremecem os quatro precisamente ao mesmo tempo: a religião católica que, censitariamente, é dominante no País, vê fé e costumes, os dois bens máximos que a informam, entregues nas mãos de um clero onde poucos são os que guardam fidelidade aos votos assumidos; de tribunais, nem falar; os ministérios, que se sucedem uns aos outros, parecem concorrer na ânsia de ver qual é o mais incompetente e o mais abjecto; por último, é lícito perguntar se os cofres públicos, para lá das sonoras declarações políticas sobre a crise mundial, guardam alguma coisa mais de todo este processo de vesânia colectiva <span style="font-style: italic;">.</span> </span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">A desgraça, que atingiu Portugal, alcançou proporções nunca dantes vistas: o País apresenta-se materialmente arrasado e está muito desapoiado porque a asa tutelar dos seus maiores desguarneceu-o desde que a traição e a malvadez, subindo a um grau impensável, inverteram os valores chamando virtude ao crime e infâmia à honra. A subversão instalou-se; a corrupção grassa assustadoramente; e conseguiu-se a proeza espantosa de criar um sentimento de revolta, que é quase geral e toca campos diametralmente opostos.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">É ponto incontroverso que a vida política do País se mostra agitada. Quem o provoca? Quais os culpados? &#8212; Os responsáveis principais são aqueles que, à sombra de uma legislação perversa, permitem um regime de licenciosidade e espalham a certeza da impunidade. Com isto, regresso à afirmação feita atrás de que a Revolução, em Portugal e agora, ganha em todos os campos.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Não continuo sem chamar a atenção de todos e alertá-los contra a enorme e perniciosa influência de certas forças secretas apostadas na ruína da civilização. A sua principal mola está na Maçonaria, que impele a Revolução com o maior dinamismo e a mais certeira táctica. Na funesta acção que desenvolve, ela não hesita em jogar com o conluio de dois poderes pecaminosos: o ateísmo, que rodeia toda a casta de totalitarismos, e a agiotagem da alta finança internacional.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Para escapar à servidão e evitar a almoeda, Portugal precisa de guerreiros, de muitos e santos guerreiros que hão-de pelejar o bom combate. E, acima destes guerreiros, reclama o chefe legítimo. Porque declaro eu isto? &#8212; Pela simples razão de que sustento que não há comunidade sem chefe, porque acho que só ligados estes dois elementos, têm os povos existência digna e saudável, no conjunto harmonioso das figuras vivas dos seus <span style="font-style: italic;">optimates</span>, <span style="font-style: italic;">honorabiles </span>e <span style="font-style: italic;">vulgus</span>, num tempo ditado por razões históricas e num espaço que essas mesmas razões confinam.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Passei de corrida alguns fastos de Portugal. Procurei fazê-lo com clareza e, sobretudo, dentro da verdade. Agora, volvendo os olhos para trás, resta-me esta impressão que infunde ânimo: sempre que os valores supremos da nacionalidade perigaram, os Portugueses pareciam recordar-se do grito lendário de Santa Maria de Almacave &#8212; &#8216;Nós e o nosso Rei somos livres; as nossas mãos nos libertaram!&#8217;</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Os partidos dão-nos essa liberdade? &#8212; Por mim, reputo da mais elementar higiene mental a distinção entre ter ou estar num partido e tomar partido.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Se, na batalha de S.Mamede, seguir o pendão do Infante em lugar de entrar no bando de Fernão Peres de Trava significou tomar partido, também eu havia de tomar partido porque me contariam no meio dos primeiros. Mais tarde, se ir atrás do Mestre de Avis em vez de aclamar D.Beatriz ou mesmo os Infantes D.João ou D.Dinis, é tomar partido, de novo eu o tomaria porque me ligava à sorte do futuro D.João I. Depois, se nas Cortes de Almeirim, imitar Febo Moniz se traduz em tomar partido, lá tomaria eu partido porque as minhas palavras não seriam diferentes das daquele integérrimo procurador do povo. Se lançar-se um homem na procura de rei natural, como sucedeu em 1640, é tomar partido, mais uma vez eu o tomaria porque logo aclamaria o chefe da sereníssima Casa de Bragança. Se, quando os Franceses avançaram sobre Lisboa, ingressar na dura e penosa reacção contra eles, queria dizer que se tomou partido, esse seria o meu comportamento.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">E, ao lado destes exemplos, há mais: há o das lutas intestinas em que nos envolvemos o século passado. Então, se com o regresso de D.Miguel à Pátria, em 1828, dar voz por ele contra o Portugal bastardo, que principiava a instalar-se, é tomar partido, aí voltava eu ao mesmo. Se, mais tarde, aproveitando a revolta contra os Cabrais, entrar na tentativa de restauração tradicionalista, ainda isso é tomar partido, lá me veriam no campo da Legitimidade. Daí para diante, bom, daí para diante, a catástrofe engrossava qual vaga alterosa, para tragar, agora um pouco, logo a seguir mais, este martirizado País.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Tomar partido é, pois, uma coisa boa e deve ser feita quantas vezes for preciso; ter ou estar num partido, nunca! Jogo com palavras? &#8212; Não! Elas são de uma transparência cristalina e encerram um sentido bastante preciso: tomar partido é sinónimo de ir à guerra e voltar; ter partido é um estado contínuo de guerra, pelo menos latente. Neste momento, fiel aos meus princípios, não estou em nenhum partido, mas tomo partido por Portugal e tomo partido pela Tradição. </span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">A Pátria pede que a salvem. Como a Ala dos Namorados, como a peonagem dos concelhos, nós seremos a geração que, estranha aos funambulismos da democracia, não renuncia ao direito de escolher o futuro; como os homens dessa tarde imorredoira ou os conjurados da manhã do 1.º de Dezembro ou, ainda, como os que investiram contra os Franceses, não nos deixaremos entravar com as peias de uma legalidade duvidosa, nem vamos consentir que nos adormeçam com fábulas ocas e utopias vãs.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Ao longo desta meditação e quando me parecia adequado, fui entremeando versos de Camões. Não desejo fechar sem recomendar aos que me lêem a necessidade de se voltarem cada vez mais atentos para <span style="font-style: italic;">Os Lusíadas. </span>E imediatamente formulo os meus votos mais calorosos para que se compreenda o significado da epopeia que aquele poema nos transmite, e se palpite ao vibrar das notas desse hino de encanto, porque se a Pátria já uma vez se sumiu no olvido da chama crepitante que Camões lhe legou, bem pode acontecer agora que a Pátria reviva, se revivermos a mensagem de Camões!</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: right;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Joaquim Maria Cymbron</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: right;"> </p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: right;"> </p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"> </p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;">_______________________________________</p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"> </p>
<ol type="1">
<li class="AbWriteNormal">Os <span style="font-style: italic;">Lusíadas</span> , I, v.1.</li>
<li class="AbWriteNormal">Década <span style="font-style: normal;">I, Livro IV, cap.XI.</span></li>
<li class="AbWriteNormal">Os Lusíadas <span style="font-style: normal;">, X, vv.5-8.</span></li>
<li class="AbWriteNormal">Ensaios<span style="font-style: normal;">, 2.ª ed., trad. de Álvaro Ribeiro, cap.XV, Guimarães Editores, Lisboa, 1972.</span></li>
</ol>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"> </p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"> </p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;">NOTA: Hoje, aniversário da data que consagrou o <span style="font-style: italic;">25</span> <span style="font-style: italic;">de</span> <span style="font-style: italic;">Abril</span> , achei oportuno recordar um texto meu publicado há trinta anos. Com as alterações impostas pelo tempo e os necessários reajustamentos formais, ele aqui fica.</p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><a href="http://legitimismo.blogspot.com/">http://legitimismo.blogspot.com/</a></p>
</div>
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		<title>Semana de língua portuguesa com muito pouca afluência</title>
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		<pubDate>Sat, 29 Nov 2008 13:11:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>goncalvf</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>

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		<description><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/1012/semana-de-lingua-portuguesa-com-muito-pouca-afluencia"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/plugins/yet-another-photoblog/YapbThumbnailer.php?post_id=1012&amp;w=80" width="80" height="58" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a>A Segunda Semana da Língua Portuguesa em Moscovo, realizada entre 24 e 28 de Novembro pelas embaixadas de Portugal e do Brasil na capital russa, ficou, este ano, marcada pela baixa afluência de participantes.
Este evento cultural, apoiado pelo Instituto Camões e o Departamento Cultural do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, está virado para os [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/1012/semana-de-lingua-portuguesa-com-muito-pouca-afluencia"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/plugins/yet-another-photoblog/YapbThumbnailer.php?post_id=1012&amp;w=80" width="80" height="58" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a><p>A Segunda Semana da Língua Portuguesa em Moscovo, realizada entre 24 e 28 de Novembro pelas embaixadas de Portugal e do Brasil na capital russa, ficou, este ano, marcada pela baixa afluência de participantes.<br />
Este evento cultural, apoiado pelo Instituto Camões e o Departamento Cultural do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, está virado para os mais de duzentos professores e alunos que se dedicam ao estudo da língua portuguesa em vários institutos e universidades de Moscovo, bem como cidadãos de países de expressão portuguesa residentes na capital russa, mas os organizadores não conseguiram captar as suas atenções.</p>
<p>Na cerimónia de abertura do evento, realizada na passada segunda-feira com a presença de cerca de trinta pessoas na Biblioteca de Literaturas Estrangeiras, Manuel Marcelo Curto, Embaixador de Portugal na Rússia, discursou em russo para agradecer à direcção da biblioteca pela hospitalidade e lembrar o bom momento que atravessam as relações russo-portuguesas.</p>
<p>A intervenção mais marcante foi feita por Guilherme d’Oliveira Martins, Presidente do Tribunal de Contas e Presidente do Centro Nacional de Cultura, dedicada ao tema “Criação Contemporânea e Culturas de Língua Portuguesa”.</p>
<p>“O Dr. Oliveira Martins falou de um tema complexo, mas num português claro, acessível à maioria dos alunos presentes. Destacou a importância da língua portuguesa como plataforma de união entre os países lusófonos”, declarou uma das alunas presentes.</p>
<p>No primeiro dia, usaram também da palavra, Luis Felipe Silvério Fortuna, conselheiro da Embaixada do Brasil, que dedicou a sua comunicação à obra do escritos Machado Assis, e Dmitri Gurevitch, professor da Universidade de Moscovo, que se debruçou sobre o tema: “O Brasil e a Rússia: Encontro de Culturas e Descoberta Mútua”.</p>
<p>No segundo dia do evento, que juntou cerca de vinte pessoas, o Dr. Rui Coimbra, da Universidade do Porto, dissertou sobre o tema: “Vieira, os gentios e o Brasil”; o Maestro João Santos, do Conservatório de São Petersburgo, debruçou-se sobre “Relações musicais luso-russas” e a Dra. Arlete Cavaliere, da Universidade de São Paulo, falou de “Meyerhold e a cena brasileira: territórios e fronteiras”.</p>
<p>Hoje, último dia da semana da língua portuguesa, também marcada por uma presença reduzida de ouvintes, Pedro Patrício, representante da AICEP em Moscovo, abordou o tema: “Relacionamento entre Portugal e a Rússia: investimentos, comércio e turismo”, e a Dra. Ludmila Okuneva, do Instituto da América Latina, falou dos “Questões chave da política brasileira contemporânea”.</p>
<p>A Embaixada brasileira na Rússia aproveitou o evento para distribuir livros em língua russa sobre o Brasil: “Paladares do Brasil”, “Música Clássica Brasileira”, bem como obras bilingues do clássico brasileiro Machado de Assis e do maior poeta russo Alexandr Pushkin.</p>
<p>P.S. Talvez, acho eu, seja bom repensar a forma como realizar eventos do gênero para que neles participem mais pessoas. Por exemplo, alguns dos oradores falavam num português tão rebuscado e tão rápido que penso que os poucos estudantes presentes tiveram dificuldade em compreender as comunicações, embora pudessem colocar uns auriculares e ouvir a tradução russa.</p>
<p>Nesse sentido, como já escrevi acima, o discurso do Dr. Oliveira Martins é um exemplo a ser seguido.<br />
Esperemos que as coisas corram melhor para o ano.</p>
<p>In <a href="http://darussia.blogspot.com/" target="_blank"><em>Da Rússia</em></a>, 28 de Novembro de 2008</p>
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		<title>Castelo perigosos</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Nov 2008 16:55:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>viktortora</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>

		<category><![CDATA[Curtas]]></category>

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		<description><![CDATA[Céline publicado pela Ulisseia
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://annualia-verbo.blogs.sapo.pt/86302.html"><span style="color: #bb3300;">Céline publicado pela Ulisseia</span></a></p>
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		<title>Memórias de Adriano</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Nov 2008 16:54:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>viktortora</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>

		<category><![CDATA[Curtas]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;A Espuma do Tempo. Memórias do Tempo de Vésperas&#8221;
Adriano Moreira iniciou a publicação das suas memórias, na Almedina.
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			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;<strong>A Espuma do Tempo. Memórias do Tempo de Vésperas</strong>&#8221;<br />
<a href="http://www.almedina.net/catalog/product_info.php?products_id=7956"><span style="color: #bb3300;">Adriano Moreira iniciou a publicação das suas memórias, na Almedina.</span></a></p>
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		<title>Jogos Africanos</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Nov 2008 16:52:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>viktortora</dc:creator>
		
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		<category><![CDATA[Curtas]]></category>

		<category><![CDATA[História]]></category>

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		<description><![CDATA[Jaime Nogueira Pinto também publicou memórias:
Jogos Africanos, na Esfera dos Livros.
Para apresentar a obra concedeu uma entrevista ao Correio da Manhã.
E apareceu uma &#8220;pré-publicação&#8221; no Jornal de Noticias.
 
http://viriatos.blogspot.com/
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Jaime Nogueira Pinto também publicou memórias:<br />
<a href="http://www.esferadoslivros.pt/livros.php?id_li=124"><span style="color: #bb3300;">Jogos Africanos, na Esfera dos Livros.</span></a><br />
Para apresentar a obra concedeu uma <a href="http://www.correiomanha.pt/noticia.aspx?contentid=5FCEFF43-7AF7-4DEF-B433-A774810B14EB&amp;channelid=00000019-0000-0000-0000-000000000019"><span style="color: #bb3300;">entrevista ao Correio da Manhã</span></a>.<br />
E apareceu uma &#8220;pré-publicação&#8221; no <a href="http://jn.sapo.pt/Domingo/Interior.aspx?content_id=1048608"><span style="color: #bb3300;">Jornal de Noticias</span></a>.</p>
<p> </p>
<p><a href="http://viriatos.blogspot.com/">http://viriatos.blogspot.com/</a></p>
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		<title>Charles Maurras</title>
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		<pubDate>Sun, 16 Nov 2008 18:39:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>viktortora</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>

		<category><![CDATA[Internacional]]></category>

		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/968/charles-maurras"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/plugins/yet-another-photoblog/YapbThumbnailer.php?post_id=968&amp;w=80" width="80" height="109" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a>Charles Maurras (20 de Abril de 1868 - 16 de Novembro de 1952) foi jornalista, dirigente e principal fundador do jornal Action Française.
Charles Maurras, o grande doutrinador francês
Tradução e selecção de Alexandre A. Pinto Coelho do Amaral (In Mensagem, n.º 8, págs. 7/8, 15.12.1947)
Uma análise objectiva do pensamento do grande escritor da Action Française, revela, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/968/charles-maurras"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/plugins/yet-another-photoblog/YapbThumbnailer.php?post_id=968&amp;w=80" width="80" height="109" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a><p><a class="link" href="http://pt.no-media.info/cms/wp-admin/Charles%20Maurras%20(20%20de%20Abril%20de%201868%20-%2016%20de%20Novembro%20de%201952)%20foi%20jornalista,%20dirigente%20e%20principal%20fundador%20do%20jornal%20Action%20Française." target="_new"><span style="color: #5588aa;">Charles Maurras (20 de Abril de 1868 - 16 de Novembro de 1952) foi jornalista, dirigente e principal fundador do jornal Action Française.</span></a></p>
<p><strong>Charles Maurras, o grande doutrinador francês<br />
Tradução e selecção de Alexandre A. Pinto Coelho do Amaral (In Mensagem, n.º 8, págs. 7/8, 15.12.1947)</strong></p>
<p>Uma análise objectiva do pensamento do grande escritor da Action Française, revela, indubitavelmente, que as suas ideias representam no terreno político-ideológico, uma superação do positivismo tal como ele era entendido no último quartel do século XIX. O apelo à experiência sensível que constitui a realidade toda e que o espírito reproduz por meio de luz científicas, é substituído em Maurras pelo apelo à inteligência hierarquizadora e ordenadora, que descobre através da história as realidades criadoras, as realidades valiosas e perenes. Quer dizer; o racionalismo passa a superar o experimentalismo.<br />
Em face desta posição inicial devem ser analisadas as doutrinas do Mestre. O combate à liberdade-liberal é inspirado, na essência, pela contradição que esta encerra em si: por um lado afirmando-se contra qualquer norma; por outro afirmando-se a si própria como norma. A apologia do nacionalismo, numa finíssima intuição dialéctica das relações entre indivíduo e Estado: «o homem chama-se sociedade» e por isso «todo o perigo social encerra um perigo para o indivíduo». A forma actual e corrente de sociedade é a Nação. Ou seja demonstrada a insubsistência da pura vontade autónoma, não parte Maurras para a supremacia de qualquer ser externo e opressivo, antes e justamente concebe como o ‘substractum’ próprio do homem a sua integração no todo social.</p>
<p>Junto da razão, porém, descobre o autor de «Les Amants de Venise», um elemento diverso e oposto: é o sentimento. O sentimento deve subordinar-se à razão, sem dúvida, mas não é a ela redutível, nem ambos podem unir-se em qualquer síntese superior (o paganismo de Maurras, segundo ele próprio o confessa, consiste na aceitação das dualidades antinómicas). Daí a separação, por vezes exposta em termos ambíguos e paradoxais, entre a moral e política. A primeira situa-se na ordem subjectiva, a segunda na ordem objectiva e intelectual. Na construção perfeita das coisas «a moral» torna-se «uma política suprema», pela interiorização na consciência das verdades sociais; mas tal interiorização reclama — uma crença, uma religião, e daí a aceitação pragmática da Igreja católica cuja ideia de Deus ao contrário da protestante, não constitui um perigo para a sociedade.</p>
<p>Em tudo isto se revela a grandeza e a fraqueza de Maurras: o vigor rigoroso e subtil da sua crítica, a sua ausência trágica duma metafísica que mostrasse a razão e o sentimento numa harmonia recíproca, que a ambos alicerçasse, numa sólida concepção do Mundo e que desse plenitude sistemática às suas construções políticas. Metafísica essa que só poderia ser um vasto e compreensivo Idealismo objectivo «da linha Aristóteles-S.Tomás-Hegel».</p>
<p>Tais são os princípios que inspiraram o subtil crítico do «Romantisme Féminin». À sua luz concluiu ele pela Monarquia tradicional (ditador e rei) e pelo classicismo, contra a República e contra o Romantismo. Foram estas atitudes, defendidas com uma energia a toda a prova, que o celebrizaram, criando-lhe os mais entusiásticos admiradores e os mais rancorosos inimigos.</p>
<p>Toda a sua vida serviu sem tibieza à França e ao Rei desde os longínquos artigos da «Gazete de France» até às polémicas continuadas de «l’Action Française». Abandonado e reprovado por aqueles a quem mais directamente servia a sua acção, Maurras nunca soube desanimar ou recuar. Até ao fim ele combateu os cúmplices do Kremlin, os provocadores da guerra, os falsos ‘aliados’, os que arrastaram a sua Pátria à catástrofe, até ao fim sem uma hesitação, sem um gesto de temor.</p>
<p>Hoje, o inimigo acérrimo e injusto da Alemanha, jaz num cárcere como traidor, enquanto os quatro estados confederados — judeu, mação, protestante e meteco — de novo tripudiam na pátria de S. Luís e Joana d’Arc; hoje as multidões esquecidas não recordam mais os mártires do 6 de Fevereiro, nem os de Oran e Mers-el-Kibir, e alanceadas pelo medo aglomeram-se, timidamente, em volta dum dos responsáveis pelo regresso da Democracia a terras de França. Sim, hoje jaz no cárcere Charles Maurras!</p>
<p>Mas não serão as vinganças rancorosas, nem as calúnias grosseiras, nem os uivos de insaciáveis ódios que conseguirão apagar do firamento da inteligência o brilho da sua admirável obra, nem da recordação de todos nós e a lição inexcedível e o exemplo sem par da sua acção e da sua vida.</p>
<p>***</p>
<p><em>Politique d`abord</p>
<p>Quando dizemos politique d`abord, dizemos: a política primeiro, primeiro na ordem do tempo, de modo algum na ordem da dignidade. É o mesmo que dizer que a estrada deve ser tomada antes de se chegar ao ponto terminal; a flecha e o arco devem ser pegados antes de se ferir o alvo; o meio de acção precederá o centro do destino.</p>
<p>***</p>
<p>Em política, a nossa mestra é a experiência.</p>
<p>A Monarquia</p>
<p>A necessidade da Monarquia demonstra-se como um teorema. Uma vez posta em postulado a vontade de conservar a nossa pátria francesa, tudo se encadeia, tudo se deduz num movimento inelutável.</p>
<p>A fantasia, a escolha, não têm aí cobrimento: se resolvestes ser patriotas, sereis obrigatoriamente monárquicos. Mas, se sois assim conduzidos à Monarquia, não tendes a liberdade de obliquar para o liberalismo, o democratismo ou os seus sucedâneos. A razão assim o quer. É preciso segui-la e ir até onde ela conduz.</p>
<p>O menor mal, a possibilidade do bem</p>
<p>Não sendo charlatães da Monarquia, como há charlatães da Democracia, nós nunca ensinámos que a Monarquia afasta, apenas pela sua presença, os males com que a guerra civil ou a guerra estrangeira, as epidemias físicas ou as pestes morais podem ameaçar as nações. O que dizemos é que, em países que são constituídos como a França, a Monarquia hereditária reúne não as melhores, mas as únicas condições de defesa contra estes flagelos. A Monarquia não é incapaz de erros, mas está melhor armada que qualquer outro poder para lhes fazer face, se prevenir, e em caso de desgraça regressar à verdade procedendo às reparações necessárias. Que uma brusca evolução económica se imponha, pode a Monarquia presidir a ela, senão sempre com felicidade, ao menos com um mínimo de desgastes. Se tomados por um ciclone, como a história os viu por vezes desencadearem-se, se tenta alguma revolução brutal, a passagem é menos rude, a subversão menos completa, quando ele se produz sob um chefe, sob um príncipe cuja sucessão, estando de antemão regulada, excluirá todo o conflito de competidores. Assim, em Monarquia, os interesses superiores, os mais vastos, os mais graves, estão situados numa atmosfera bastante elevada e bastante serena para que seja de esperar que o furacão chegue até lá. Se, apesar de tudo, ele lá chegar, então, tanto pior! O género humano no máximo da sua miséria sempre terá gozado do máximo de garantias possíveis. Nessa desgraça imensa, o mal seria mais frequente, mais completo e mais doloroso se o poder supremo estivesse colocado mais baixo.</p>
<p>Mesmo decaída, desmoralizada, desvairada, a Monarquia implica, ela mesma, o sentimento, e deixa após ela a noção duma responsabilidade, duma memória, duma previsão, tudo coisas de que os Parlamentos democráticos são desprovidos.</p>
<p>A Monarquia real confere à política as vantagens da personalidade humana: consciência, memória, razão, vontade; o regime republicano dissolve os seus desígnios e os seus actos numa colectividade sem nome, sem honra nem humanidade. Por isso, como a Monarquia representa naturalmente a capacidade do maior bem e do menor mal, a República representa a personalidade permanente do pior mal, do menor bem. Quanto aos elementos do mal e do bem, isso são dados que dependem das circunstâncias e dos homens: nenhum regime cria homens nem as suas circunstâncias intelectuais e morais.</p>
<p>***</p>
<p>Sim, a República é o mal, sim o mal inevitável em República. E o que nós dizemos da Monarquia é que ela é a passibilidade do bem. O bem público, impossível em República; mesmo numa Monarquia que se afaste do seu fim, o mal público permanece muito menos nocivo que em república, pois está sempre sujeito a acabar, com o mau ministro ou o mau rei, e o mal republicano, sendo inerente à República, só com ela poderá terminar.</p>
<p>***</p>
<p>Para a maior parte dos homens do séc. XIX, e hoje ainda absolutismo é sinónimo de despotismo, de poder caprichoso e ilimitado.</p>
<p>É absolutamente inexacto: poder absoluto significa exactamente poder independente; a monarquia francesa era absoluta uma vez que não dependia de nenhuma outra autoridade, nem imperial, nem parlamentar, nem popular: mas nem por isso ela deixava de ser limitada, temperada por uma multidão de instituições sociais e políticas hereditárias ou corporativas, cujos poderes próprios a impediam de sair do seu domínio e da sua função. O seu direito confinava com uma multidão de direitos que a sustinham e equilibravam. A antiga França estava eriçada de liberdades.</p>
<p>***</p>
<p>É preciso regressar a um regime que restabeleça a distinção entre Governo, encarregado de governar, e a Representação encarregada de representar.</p>
<p>***</p>
<p>A República tem a necessidade de se impor às consciências, uma vez que repousa sobre as vantagens. Ela tem necessidade do entusiasmo dos seus súbditos, que são os eleitores a que, nominalmente, constitucionalmente, têm nas suas mãos o seu destino.</p>
<p>Ao contrário, a Monarquia existe pela sua própria força suâ mole stat. Não tem necessidade de consultar a cada instante um pretenso soberano eleitor. Basta-lhe, em suma, ser tolerada, suportada, e no entanto ela tem sempre mais e melhor, precisamente porque o seu princípio não a obriga a importunar as pessoas, a ei-las a intimar constantemente a acharem-na bela.</p>
<p>A República é uma religião. A Monarquia é uma família. Esta de nada mais necessita do que a achem aceitável. Aquela exige que sigamos os seus ritos, os seus dogmas, os seus sacerdotes, os seus partidos.</p>
<p>O Rei</p>
<p>Corruptível enquanto homem, o Rei tem como Rei uma vantagem imediata e sensível em não ser corrompido: a sua regra de sensibilidade é de se mostrar insensível a tudo o que não afecte senão o particular, o seu género de interesse é o de ser naturalmente desprendido dos interesses que, abaixo dele, solicitam todos os outros: este interesse é o de se tornar independente.</p>
<p>O Rei pode-o desfazer, pode-o esquecer. Ponhamos as coisas no pior. Um espírito medíocre, um carácter fraco expõe-no ao erro e ao desprezo. Nada disso importa! O seu valor, o valor de um homem é incomparavelmente superior ao da resultante mecânica das forças, à expressão de uma diferença entre dois totais.</p>
<p>Pouco que valha o seu carácter ou o seu espírito, ainda assim ele é um carácter, um espírito, é uma carne de homem, e a sua decisão representará humanidade, enquanto que o voto de 5 contra 2 ou de 4 contra 3 representa o conflito de 5 ou de 4 forças contra 2 ou 3 outras forças. As forças podem ser, nelas mesmas, pensantes, mas o voto que as exprime não pensa: quanto a ele, não é uma decisão, um juízo, um acto corrente e motivado, tal como o desenvolve e encarna o Poder pessoal de uma autoridade consciente, nominativa, responsável.</p>
<p>***</p>
<p>Este poder julga em qualidade. Aprecia os testemunhos em lugar de contar as testemunhas.</p>
<p>Bem ou mal, é assim que ele procede, e este processo é, em si, superior ao processo de adição e subtracção.</p>
<p>Tendo interesse em saber a verdade afim de fazer justiça, ele encoraja uns, tranquiliza outros e por vezes não ouve senão um, se um só lhe parece digno de ser ouvido. Se for caso disso, ele defende-o contra as ciladas e as tentações dos poderosos. Este discernimento humano dos valores intelectuais e morais difere, como o dia da noite, do processo cego e grosseiro das democracias. A ideia de tudo reduzir a uma espécie de combate singular ou a uma batalha geral dos interesses em causa é uma regressão, reflecte sob uma força nova e muito menos bela, aqueles duelos judiciários de que os predecessores de S. Luís já se mostravam indignados.</p>
<p>Só a barbárie pode ter confiança nas soluções das maiorias e do número. A civilização faz intervir, sempre que possível, o discernimento da verdade, o culto do direito. Mas isso supõe que o Um, tomado por juiz e por chefe, se distingue das forças chamadas a ser arbitradas por ele. O soberano não é súbdito, o súbdito não é o soberano. Misturando-os, a democracia baralha tudo, complica tudo, retarda tudo, e a sua degressão devolve tudo aos mais baixos estádios do antigo passado.</em></p>
<p><a class="link" href="http://www.causanacional.net/index.php?itemid=265" target="_new"><span style="color: #996699;">FONTE</span></a></p>
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		<title>Uma tarde com Alberto Buela</title>
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		<pubDate>Wed, 12 Nov 2008 13:32:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>goncalvf</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/950/uma-tarde-com-alberto-buela"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/plugins/yet-another-photoblog/YapbThumbnailer.php?post_id=950&amp;w=80" width="80" height="54" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a>Na passada sexta-feira tive a honra de conhecer pessoalmente o filósofo argentino (e subsecretário para o Desenvolvimento e o Fomento Social do Ministério do Interior argentino) Alberto Buela, sou leitor do mesmo pela internet e creio que inclusive cheguei a traduzir textos seus há alguns anos embora, não recordo bem porquê, tenha acabado por me [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/950/uma-tarde-com-alberto-buela"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/plugins/yet-another-photoblog/YapbThumbnailer.php?post_id=950&amp;w=80" width="80" height="54" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a><p>Na passada sexta-feira tive a honra de conhecer pessoalmente o filósofo argentino (e subsecretário para o Desenvolvimento e o Fomento Social do Ministério do Interior argentino) <a href="http://www.rebanadasderealidad.com.ar/Notas_de_buela.htm">Alberto Buela</a>, sou leitor do mesmo pela internet e creio que inclusive cheguei a traduzir textos seus há alguns anos embora, não recordo bem porquê, tenha acabado por me convencer que era um pensador um tanto ou quanto reaccionário e conservador&#8230; erro meu, erro gravíssimo até, Alberto Buela consegue ser mais intelectualmente rebelde que eu próprio e é um espírito jovem apesar da sua já avançada idade.</p>
<p>Após o almoço deixaram-me a mim, e aos dois companheiros que me acompanhavam, a sós com Buela e a conversa esticou-se por algumas horas, a sua paixão por Oliveira Martins, Fernando Pessoa e Eça de Queirós vieram ao de cima, o contacto com <a href="http://movimentolusofono.wordpress.com/">António José de Brito</a> e outros portugueses, inclusive (mundo pequeno) com um separatista açoriano que conheceu na Argentina.</p>
<p>Soubemos também dos seus encontros com Hugo Chávez (encontrou-se pessoalmente com o comandante três vezes) e incluso que o patriota e socialista presidente venezuelano manteve (talvez ainda mantenha) contacto com&#8230; <a href="http://www.alaindebenoist.com/">Alain de Benoist</a>!!!</p>
<p>Foi uma tarde em cheio repleta de bom humor (Buela faz-nos sentir bem dispostos com a sua mera presença e as suas brincadeiras constantes) no decorrer da qual se discutiu sobre tudo um pouco, desde Platão até aos tempos modernos passando pela Pérsia.</p>
<p>Na bagagem trago alguns livros que o mesmo insistiu em me oferecer e a promessa de um contacto contínuo doravante, é que o veterano Buela ficou rendido com a profundidade (palavras do mesmo) da filosofia da acção vertical que a delegação portuguesa promoveu nas conferências que ocorreram posteriormente, citou diversas vezes a intervenção de <a href="http://solidariedadecomoirao.blogspot.com/">Filipe Ferreira</a>.</p>
<p>Aliás, as <a href="http://jornadasdeladisidencia.blogspot.com/">III Jornadas da Dissidência</a> ficaram marcadas pela inovação portuguesa, não nos faltaram elogios e citações posteriores por parte de diversos intervenientes, sendo o mais apaixonado deles Alberto Buela.</p>
<p>In <em><a href="http://admiravelmundonovo-1984.blogspot.com" target="_blank">Admirável Mundo Novo</a></em>, 11 de Novembro de 2008</p>
<p><strong>Foto:</strong> Alberto Buela, ao centro, numa actividade de promoção da cultura gaucha.</p>
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		<title>Festival de BD da Amadora</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Nov 2008 23:54:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>goncalvf</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/923/festival-de-bd-da-amadora"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/plugins/yet-another-photoblog/cache/flash.82be8wub7zoc8gkcsogs0gcwg.9wzo4bhiyewwwccsss80skos.th.jpeg" width="80" height="60" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a>Decorre até ao próximo domingo a 19º edição do Festival Internacional de BD da Amadora. O tema central da edição deste ano é “Tecnologia e Ficção Científica”. O evento decorre no Fórum Luís de Camões, sito na Brandoa.
A exposição é abrangente em termos temporais, expondo-se trabalhos mais recentes e clássicos do género. O ponto alto, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/923/festival-de-bd-da-amadora"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/plugins/yet-another-photoblog/cache/flash.82be8wub7zoc8gkcsogs0gcwg.9wzo4bhiyewwwccsss80skos.th.jpeg" width="80" height="60" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a><p>Decorre até ao próximo domingo a <a href="http://www.amadorabd.com/19fibda2008/">19º edição do Festival Internacional de BD da Amadora.</a> O tema central da edição deste ano é “Tecnologia e Ficção Científica”. O evento decorre no Fórum Luís de Camões, sito na Brandoa.</p>
<p>A exposição é abrangente em termos temporais, expondo-se trabalhos mais recentes e clássicos do género. O ponto alto, a meu ver, é a parte dedicada ao Flash Gordon do grande Alex Raymond (além de “Flash”, autor de “Jim das Selvas” e de “Rip Kirby”), com reprodução em tamanho grande de tiras dos anos 30, onde se pode apreciar a arte do americano, a expressividade (medo, ansiedade, maldade) dos personagens e a beleza do traço. Na mesma sala, um clássico mais recente, Valerian, com reprodução de várias obras dos últimos 30 anos da série de Mézières e Christin.</p>
<p>Não foram esquecidos alguns autores portugueses clássicos, como Jaime Cortez, Fernando Bento, Vítor Péon, José Garcês e Jorge Brandeiro, para além do ainda activo José Ruy, em reproduções de revistas históricas como “Mosquito”, “Diabrete”, “Papagaio” e “Mundo de Aventuras”.</p>
<p>De entre os autores mais actuais, destaca-se Luís Henriques que, não fazendo bem o meu género, mostra talento e segurança, além de uma imaginação transbordante. Há também uma mostra colectiva de autores chineses, a conhecer.</p>
<p>Os trabalhos dos autores jovens são amiúde desencorajadores. Embora muitos tenham talento, chega a ser penoso constatar como tantos, em tenra idade, absorveram já o credo politicamente correcto dos nossos dias, sem pinta de espírito crítico.</p>
<p>O balanço é positivo e todos os amantes da BD não perderão o seu tempo, até porque é importante conhecer-se o que se vai fazendo por esse mundo fora e, neste particular, o FIBDA não tem limitado fronteiras.</p>
<p>In <a href="http://atrida.wordpress.com/" target="_blank"><em>Odissei</em></a><a href="http://atrida.wordpress.com/" target="_blank">a</a>, 03 de Novembro de 2008</p>
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		<title>Knut Hamsun de volta</title>
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		<pubDate>Sat, 01 Nov 2008 14:17:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>goncalvf</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>

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		<description><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/904/knut-hamsun-de-volta"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/plugins/yet-another-photoblog/cache/knut_hamsun_pintado_por_alfredo_andersen.1i7hs4bv0wro4sscksssoo0c8.9wzo4bhiyewwwccsss80skos.th.jpeg" width="80" height="119" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a>Knut Hamsun, galardoado com o Prémio Nobel da Literatura em 1920, volta ao panorama editorial português pela mão da Cavalo de Ferro, com a publicação de “Fome”, traduzido do norueguês por Liliete Martins, com prefácio de Paul Auster e com a coragem de afirmar no breve texto de apresentação sobre o escritor: “figura social controversa, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/904/knut-hamsun-de-volta"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/plugins/yet-another-photoblog/cache/knut_hamsun_pintado_por_alfredo_andersen.1i7hs4bv0wro4sscksssoo0c8.9wzo4bhiyewwwccsss80skos.th.jpeg" width="80" height="119" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a><p>Knut Hamsun, galardoado com o Prémio Nobel da Literatura em 1920, volta ao panorama editorial português pela mão da <a href="http://www.cavalodeferro.com/">Cavalo de Ferro</a>, com a publicação de “<a href="http://www.cavalodeferro.com/index.php?action=product_info&amp;products_id=154">Fome</a>”, traduzido do norueguês por Liliete Martins, com prefácio de Paul Auster e com a coragem de afirmar no breve texto de apresentação sobre o escritor: “<em>figura social controversa, acusado de ser simpatizante nazi aquando da ocupação do seu país, tal como L.-F. Céline será, também ele, perseguido pela justiça depois da II Guerra Mundial e os seus livros queimados na praça pública</em>”. Sim, porque nem só os regimes considerados “malditos” hoje queimaram livros, como alguns nos querem impingir. E, já agora — porque nunca é demais dizê-lo —, para mim, queimar livros é um crime hediondo.</p>
<div><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5263625463159853314" style="margin: 0px auto 10px; display: block; width: 126px; height: 200px; text-align: center;" src="http://3.bp.blogspot.com/_VDG5Mp6GNnE/SQwneIpYEQI/AAAAAAAAAwA/XQHqSF0nUVk/s200/fome.jpg" border="0" alt="" /></div>
<div>No prefácio à edição portuguesa de “Pan”, publicada em 1955 pela Guimarães, o tradutor da obra, César de Frias, escreve: “<em>Não poucas críticas hão proclamado esta obra de Knut Hamsun como a culminante no seu avultado e precioso legado literário. Se hesitamos em assentir nisso é porque nos merece também, embora por diferentes atributos, franca admiração o romance</em> Fome <em>— que, diga-se por tangência, sofre do equívoco de muitos lhe atribuírem, antes de o lerem e tocados apenas pelo tom angustioso do título, o carácter de obra de intuitos panfletários, grito de revolta contra as desigualdades e injustiças sociais, quando é somente, mas em elevado grau de originalidade, um singular documento humano e como tal considerado único nos anais do género. Não há burguês, por mais egoísta e cioso de sua riqueza, que, ao lê-lo, perca o apetite e o sono, por se lhe afigurar que de aquelas páginas vão surdir acerbas invectivas e punhos cerrados contra o que mais estima no Mundo. A ordem pública não corre ali o risco de uma beliscadura sequer, nem erra por lá o acusador fantasma da miséria do povo, convocado por tantos outros romancistas. A tal respeito não se poderia exigir coisa mais inócua e mansarrona. Assim o juramos à fé de quem somos.</em></div>
<div><em>Agora o que</em> Pan <em>tem mais a seu favor, o que lhe requinta a sedução, é o facto de ser um livro trasbordante de claridade e de poéticas intuições. Tutela-o, inspira-o de lés a lés — e isso conduziu o autor a denominá-lo de tal jeito — essa divindade grotesca mas amável, simplória e prazenteira como nenhuma outra, da arraia miúda</em> <em>das velhas teogonias mas tão imortal como os deuses da alta, que, em se pondo a tanger a sua frauta, faz andar tudo num rodopio. Baila ele, bailam à sua volta as ninfas, não há nada que não baile. E assim também cada um de nós se sente irresistivelmente levado na alegre ronda, pois do seu teor se desprende uma sugestão optimista e festiva. E a despeito de lhe sombrear o desfecho a morte do herói, a cujo convívio nos habituára-mos e se entranhara na nossa afeição — morte que é nota esporádica da novelística do autor, um dos que menos &#8220;assassinaram&#8221; as suas personagens, preferindo deixá-las de pé e empenhadas em prosseguir sempre na grande aventura da Vida —, termina-se a leitura com o espírito deliciosamente impregnado de um súbtil, inefável sabor a Primavera.</em>”</div>
<div><em><strong>Referências blogosféricas para saber mais sobre Hamsun:</strong></em></div>
<ul>
<li>A <a href="http://avozportalegrense.blogspot.com/2006/07/biografia-de-knut-hamsun_16.html">Biografia</a> e a <a href="http://avozportalegrense.blogspot.com/2006/07/bibliografia-de-knut-hamsun.html">bibliografia</a> de Knut Hamsun e a <a href="http://avozportalegrense.blogspot.com/2008/09/crnica-de-nenhures_22.html">crónica</a> do Mário Martins, n&#8217;<a href="http://avozportalegrense.blogspot.com/">AVoz Portalegrense</a>.</li>
<li>A <a href="http://viriatos.blogspot.com/2006/07/knut-hamsun-em-portalegre.html">Bibliografia de Hamsun em português</a>, n&#8217;<a href="http://viriatos.blogspot.com/">O Sexo dos Anjos</a>.</li>
<li>O <a href="http://infoinconformista.blogspot.com/2008/10/knut-hamsun-pseudnimo-de-knud-pedersen.html">apontamento biográfico</a>, no <a href="http://infoinconformista.blogspot.com/">Inconformista</a>.</li>
</ul>
<p>In <a href="http://penaeespada.blogspot.com" target="_blank"><em>Pena e Espada</em></a>, 01 de Novembro de 2008</p>
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		</item>
		<item>
		<title>Angariação de fundos para cd evocativo dos 120 anos de Pessoa</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Oct 2008 14:51:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>viktortora</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>

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		<description><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/885/carta-de-um-amigo"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/plugins/yet-another-photoblog/cache/fernandopessoa.4bmq1absg9ic04kcowcc044g0.9wzo4bhiyewwwccsss80skos.th.jpeg" width="80" height="103" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a>Carta aos meus amigos
No tempo em que se festejam os 120 anos de Pessoa
Inspirado no poema Aniversário, de Álvaro de Campos, dei um nome a esta carta que vos dirijo, ao núcleo mais duro de fieis amigos, que me têm acompanhado na caminhada pessoana, pedindo-lhes ajuda e alguns conselhos para um projecto ambicioso.
A ideia é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/885/carta-de-um-amigo"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/plugins/yet-another-photoblog/cache/fernandopessoa.4bmq1absg9ic04kcowcc044g0.9wzo4bhiyewwwccsss80skos.th.jpeg" width="80" height="103" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a><p>Carta aos meus amigos</p>
<p>No tempo em que se festejam os 120 anos de Pessoa</p>
<p>Inspirado no poema Aniversário, de Álvaro de Campos, dei um nome a esta carta que vos dirijo, ao núcleo mais duro de fieis amigos, que me têm acompanhado na caminhada pessoana, pedindo-lhes ajuda e alguns conselhos para um projecto ambicioso.</p>
<p>A ideia é sensibilizar-vos para comemorarmos os 120 anos de Pessoa com a edição de um CD com poemas da Mensagem musicados e cantados por mim.</p>
<p>Para um solitário como eu, por feitio e pelas vicissitudes da vida, a opção é fazer tudo a pulso e com a prata da casa, como de costume.</p>
<p>Mas a casa não tem prata, tem apenas ideias e alguns talentos.</p>
<p>Para viabilizar este projecto, preciso da garantia de encomendas de CDs, comprometendo-me a entregá-los, a tempo dos presentes de Natal.</p>
<p>Feito o estudo financeiro, posso adiantar-vos que os CDs antecipadamente encomendados ficarão a 15 euros. Todos os outros CDs serão vendidos pelo preço de 17 euros.</p>
<p>Em conclusão, meus amigos, este projecto tornar-se-á automaticamente viável com um significativo número de encomendas que permita a sua gravação.</p>
<p>É então para este projecto que vos desafio, tendo, para o concretizar, que saber se estão efectivamente interessados e, se sim, quantos CDs pretendem adquirir.</p>
<p>A vossa resposta breve, e positiva, permitir-me-á avançar rapidamente para o estúdio.</p>
<p>A fechar esta mensagem, peço-vos ainda que promovam esta iniciativa junto dos vossos amigos, a quem pensem que possa interessar, de modo a gerar novas encomendas, provocando o tal efeito de bola de neve.</p>
<p>Vamos ver o que resulta deste trabalho em rede.</p>
<p>Darei notícias do desenrolar dos acontecimentos.</p>
<p>Um abraço a todos<br />
<strong>José Campos e Sousa</strong><br />
Lisboa 28 de Outubro de 2008<br />
Dirigir as encomendas para: <a href="mailto:largodocarmo@gmail.com">largodocarmo@gmail.com</a></p>
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