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		<title>Quão livres nos mantemos?</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Apr 2010 08:26:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/1460/quao-livres-nos-mantemos" title="Quão livres nos mantemos?"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/uploads/yapb_cache/25deabril.cvuj7swwvyo8kow40coks0k4g.9wzo4bhiyewwwccsss80skos.th.jpeg" width="80" height="106" alt="Quão livres nos mantemos?" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a>Comemorado o 36º aniversário do 25 de Abril, em que ponto se encontra a nossa liberdade? É um balanço que muito poucos têm feito, alarmante para os poucos que o fazem. No que diz respeito ao campo partidário, Portugal é dos países europeus onde mais exigências se fazem para a fundação de um novo partido, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/1460/quao-livres-nos-mantemos" title="Quão livres nos mantemos?"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/uploads/yapb_cache/25deabril.cvuj7swwvyo8kow40coks0k4g.9wzo4bhiyewwwccsss80skos.th.jpeg" width="80" height="106" alt="Quão livres nos mantemos?" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a><p>Comemorado o 36º aniversário do 25 de Abril, em que ponto se encontra a nossa liberdade? É um balanço que muito poucos têm feito, alarmante para os poucos que o fazem. No que diz respeito ao campo partidário, Portugal é dos países europeus onde mais exigências se fazem para a fundação de um novo partido, é verdade que isso evita que surjam entre nós partidos tão folclóricos como o Partido da Cerveja (comum em muitas nações europeias) ou o Partido Anarquista Pogo (partido existente na Suíça, na Áustria e na Alemanha com propósito humorístico), mas evita também que surjam partidos legítimos, com ideias novas.</p>
<p>No que toca à liberdade de imprensa, embora pontualmente surjam casos mediáticos como o de Mário Crespo, não existe qualquer regulação política. Contudo, a comunicação social de massas encontra-se dependente de duas prerrogativas: 1) é preciso manter a publicidade milionária que mantém os jornais, afinal estamos num país no qual os hábitos de leitura são quase inexistentes; 2) para manter a dita publicidade há que evitar irritar ou provocar os anunciantes e fazer com que a publicação venda mais que os concorrentes, logo a opção é captar a atenção do potencial leitor, chocar em vez de informar. Hoje, como antes, a imprensa local e regional é a que maior liberdade detém.</p>
<p>Agora passemos ao crucial, pelo menos o que nos tem preocupado, aos poucos que se têm dado ao trabalho de analisar as novas leis europeias, nem mencionarei aqui as quotas recentemente impostas à Polícia de Segurança Pública, prefiro nem pensar o que poderá acontecer quando, chegando perto do final do prazo para as cumprir, esta opte por deter e multar ao desbarato só para as cumprir. Pois bem, passemos então às leis europeias, que têm primazia sobre as leis nacionais. Curioso que todas as medidas mais “radicais” da famosa Constituição Europeia constem dos anexos, e não do corpo da própria Constituição (ou Tratado de Lisboa, como foi rebaptizada para ser aprovada sem recurso a referendo).</p>
<p>Liberdade de expressão e de informação: esta passa a poder ser sujeita a diversas formalidades, condições e restrições, de entre elas destaco “a defesa da ordem” e a “protecção da moral”, a “protecção da reputação” (caso já estivesse em vigor, sempre nos tinha poupado do triste espectáculo do processo da Casa Pia) e “impedir a divulgação de informações confidenciais” (os jornalistas de investigação bem se podem reformar, as negociatas e as corrupções por norma são confidenciais, logo mais vale dedicarem-se à pesca). Estes são só alguns pontos que realço de uma lista maior.</p>
<p>No que diz respeito à vigilância, é permitida também a vigilância dos cidadãos europeus – nos quais, portugueses e açorianos, nos incluímos – por razões de “segurança nacional (…) defesa da ordem (…) protecção da moral”. PIDE quanto baste, dirão alguns, vago o suficiente para sermos todos, ou quase, vigiados por uma qualquer polícia dos costumes.</p>
<p>Aliás, o ponto anterior é reforçado noutro ponto que permite a detenção de quaisquer cidadãos sob suspeita de uma possível infracção e, numeram no anexo 12, pessoas consideradas &#8220;contagiosas&#8221;, &#8220;alienadas&#8221;, &#8220;toxicómanas&#8221; ou &#8220;vagabundos&#8221;!!!??</p>
<p>Finalmente, a União Europeia na qual, individualmente, nenhum dos países membros mantém a pena de morte como punição, um exemplo humanista como há poucos, é a mesma UE que, por intermédio do Tratado de Lisboa, reintroduz a pena de morte em todos os países membros… Isso mesmo, “em caso de sublevação, insurreição ou ameaça de guerra” passa a ser aplicada a pena de morte! Será considerada uma insurreição quando um país decida abandonar a União Europeia? Uma greve, como a que houve dos camionistas, que paralise o país será considerada uma sublevação? Esperemos que não. É só o que podemos fazer.</p>
<p>Há também uma cláusula interessante sobre a requisição de qualquer cidadão para trabalhos forçados como “parte das obrigações cívicas normais”.</p>
<p>Poderemos manter as liberdades de Abril sem abandonar a União Europeia?<br />
<em><br />
<a href="http://www.jornalincentivo.com/">Incentivo</a></em><br />
26 de Abril, 2010</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Quanto custa uma bandeira?</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Apr 2010 08:24:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Recortes de imprensa]]></category>

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		<description><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/1458/quanto-custa-uma-bandeira" title="Quanto custa uma bandeira?"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/uploads/yapb_cache/valenca.5j3ilibl0oow4oc4cwk0ck48o.9wzo4bhiyewwwccsss80skos.th.jpeg" width="80" height="38" alt="Quanto custa uma bandeira?" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a>Creio que a maior parte da população nacional, mesmo entre aqueles que ainda pensam em Portugal como sendo uma Pátria de pleno direito e não como uma mera região administrativa dos Estados Unidos da Europa, não se apercebeu plenamente do risco inerente dos últimos actos, espero que irreflectidos, ocorridos em Valença. Uma “comissão de utentes” [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/1458/quanto-custa-uma-bandeira" title="Quanto custa uma bandeira?"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/uploads/yapb_cache/valenca.5j3ilibl0oow4oc4cwk0ck48o.9wzo4bhiyewwwccsss80skos.th.jpeg" width="80" height="38" alt="Quanto custa uma bandeira?" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a><p>Creio que a maior parte da população nacional, mesmo entre aqueles que ainda pensam em Portugal como sendo uma Pátria de pleno direito e não como uma mera região administrativa dos Estados Unidos da Europa, não se apercebeu plenamente do risco inerente dos últimos actos, espero que irreflectidos, ocorridos em Valença.</p>
<p>Uma “comissão de utentes” insatisfeitos com o encerramento do Serviço de Atendimento Permanente por parte do governo português decidiu demonstrar o seu descontentamento adquirindo, desconhecemos precisamente onde, mil bandeiras espanholas e hasteá-las por toda a cidade, a começar pela fortaleza local.</p>
<p>E se é certo que compreendemos a legítima indignação da população valenciana, escusado será dizer que os sectores espanhóis mais entusiastas da anexação de Portugal – e como conferencista habitual, quer de entidades de esquerda, quer de direita, nas terras de sua majestade Juan Carlos, estou plenamente a par da transversalidade de tal sentimento – ficaram deliciados com tamanho desprezo para com a nossa independência.</p>
<div>Transversal legado franquista?</div>
<p>Já em 1940 o ditador espanhol, Francisco Franco, pedira ao seu Estado Maior que elaborasse um plano para a invasão de Portugal, estes factos deveriam estar relativamente frescos na mente do público português uma vez que ainda no ano passado foi publicada a obra “A Grande Tentação: Os Planos de Franco Para Invadir Portugal”, da autoria de Manuel Rós Agudo, pela Casa das Letras.</p>
<p>Em diversos órgãos iberistas, na ausência de um termo geopolítico mais correcto – dado que pelo termo iberismo se subentende a posterior existência de uma qualquer federação de nações ibéricas enquanto que na eventualidade de uma anexação passaríamos a ser uma província do Reino de Espanha, logo o termo não é o mais correcto – a euforia não podia ser maior, o periódico Minuto Digital vangloriava-se com a manchete “Portugueses salen a la calle al grito de ¡Viva España!”, que nem me dignarei a traduzir, enquanto que no fórum Hispanismo, frequentado quer por franquistas espanhóis quer por ‘portugueses’ defensores de uma integração no Reino da Espanha, os ânimos estavam em alta com diversos utilizadores a recordar que já nem em Barcelona se assiste a tal fervor ‘patriótico’ espanholista, salvo quando joga a selecção (aparentemente, um mal semelhante ao nosso).</p>
<p>Para os leitores que tenham dúvidas acerca do igual fervor iberista por parte da esquerda espanhola, e deste poder ser de igual modo um legado franquista, gostaria de vos chamar a atenção para uma obra ainda inédita em Portugal, “Yo Tenía Un Camarada”, da autoria de César Alonso de los Rios, publicado pela Áltera em 2007, em cujo esclarecedor trabalho ficamos a par do passado de muitos dos principais intelectuais de esquerda espanhóis, franquistas convictos no anterior regime, socialistas e antifascistas credenciados na actual democracia monárquica.</p>
<p>Conclui-se pois que, no que toca ao entusiasmo de voltar a ver Portugal como mera província do Reino de Espanha, a transversalidade da extrema-esquerda à extrema-direita origina numa mesma escola partilhada no anterior regime é certo, mas também dum desejo recalcado que conta já com algumas centenas de anos.</p>
<div>Espanha avança!</div>
<p>Caso a coisa tivesse morrido por aqui, com a Guarda Nacional Republicana a velar somente para que não se hasteassem bandeiras espanholas nos edifícios públicos, um ultraje punido com dois anos de prisão, não haveriam quaisquer consequências de maior.</p>
<p>Por mais que possamos compreender a legítima indignação da população para com o Estado português pelo encerramento do SAP, tamanho protesto irreflectido – embora dada a quantidade de bandeiras reunidas em tão pouco tempo, o protesto aparente ser o resultado de uma prévia planificação – indicia, aos sectores iberistas dispersos por toda a administração civil e pelas Forças Armadas, uma certa receptividade. Recordo que já em 2006 o resultado de uma sondagem, de acordo com o semanário Sol, demonstrava que 28% dos portugueses, note-se que se trata de mais de um quarto da nossa população, preferiam ser espanhóis.</p>
<p>Acontece que a coisa não morreu por aqui, no passado dia 8 a Lusa anunciou uma preocupante novidade: com base num acordo celebrado entre o governo de José Sócrates e o reino espanhol na Cimeira Ibérica de Zamora, em Janeiro do ano passado, publicado na edição de 19 de Março do Diário da República, uma associação constituída por cinco municípios do Alto Minho e dezasseis municípios galegos, anunciaram que irão avançar com um estudo que possibilite a utilização dos serviços de saúde transfronteiriços.</p>
<p>O alcaide de Tui, do outro lado da fronteira, prestou-se a oferecer aos cidadãos portugueses o usufruto do Centro de Saúde do lado espanhol da fronteira, no qual tampouco é necessário o pagamento de quaisquer taxas moderadoras, tendo inclusive prometido um reforço de médicos e restante pessoal auxiliar.</p>
<div>Suicídio geopolítico?</div>
<p>Fazendo eu parte de uma inclinação geopolítica que defende o correcto reconhecimento da Galiza como nação lusófona com direito a assento na CPLP, estou plenamente consciente que a actual situação desencadeou um risco que nenhum de nós ponderara: a utilização da Galiza como porta de entrada do espanholismo. Não foram bandeiras galegas as hasteadas em Valença, foram bandeiras do Reino de Espanha. Os próprios galegos quando protestam possuem bandeira própria, não hasteiam a bandeira da monarquia espanhola. Como referiu ao JN um turista galego que se encontrava em Valença aparentemente avesso ao protesto dos locais, “por coisa nenhuma poria uma bandeira portuguesa hasteada em casa”.</p>
<p>Caso os valencianos desconheçam porque razões chegaram a tamanho desespero, permitam-me partilhar convosco os resultados das últimas legislativas: PPD/PSD – 37,45% dos votos expressos, PS – 35,17%. E vejamos as anteriores, em 2005: PS – 44,06% dos votos expressos, PPD/PSD – 34,92%.</p>
<p>E fico-me por aqui. Caríssimos conterrâneos, compreendo a vossa indignação, mas não seria mais fácil deixar de votar nos do costume do que renegar a nacionalidade do mais antigo Estado-Nação europeu hasteando um milhar de bandeiras de uma potência estrangeira?</p>
<p><em><a href="http://jornalodiabo.blogspot.com/">O Diabo</a></em><br />
13 de Abril, 2010</p>
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		<title>Entrevista com Aleksandr Dugin</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Apr 2010 08:14:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/1453/entrevista-com-aleksandr-dugin" title="Entrevista com Aleksandr Dugin"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/uploads/yapb_cache/aleksandrdugin.bj7hecp0yjsocsksso0k4o44g.9wzo4bhiyewwwccsss80skos.th.jpeg" width="80" height="60" alt="Entrevista com Aleksandr Dugin" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a>Doutor em história das ciências e em ciência política, desde há  muito director do Centro de Análise Geopolítica da Duma, Aleksandr Dugin é titular da cátedra de geopolítica na Universidade Lermontov de Moscovo (Universidade Estatal de Moscovo). O teórico mais conhecido do neo-eurasismo, é considerado como tendo uma grande influência nos meios políticos e militares [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/1453/entrevista-com-aleksandr-dugin" title="Entrevista com Aleksandr Dugin"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/uploads/yapb_cache/aleksandrdugin.bj7hecp0yjsocsksso0k4o44g.9wzo4bhiyewwwccsss80skos.th.jpeg" width="80" height="60" alt="Entrevista com Aleksandr Dugin" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a><p>Doutor em história das ciências e em ciência política, desde há  muito director do Centro de Análise Geopolítica da Duma, Aleksandr Dugin é titular da cátedra de geopolítica na Universidade Lermontov de Moscovo (Universidade Estatal de Moscovo). O teórico mais conhecido do neo-eurasismo, é considerado como tendo uma grande influência nos meios políticos e militares russos. Foi publicada, muito recentemente, a sua primeira obra em língua portuguesa: <a href="http://www.sitiodolivro.pt/pt/livro/a-grande-guerra-dos-continentes/9789898336057/" target="_blank"><em>A Grande Guerra dos Continentes</em></a>, pela <a href="http://antagonistaeditora.blogspot.com" target="_blank">Antagonista Editora</a>.</p>
<p><strong>Christian Bouchet: Obrigado por ter aceitado responder às nossas questões. Há tantos acontecimentos políticos e geopolíticos sobre os quais gostaríamos que nos esclarecesse, que nos é difícil começar…<br />
Em 29 de Março  último, a cidade de Moscovo foi vítima de duas explosões terroristas em estações de metro. No Ocidente, a pista dos islamitas do Cáucaso foi a única a ser privilegiada pela comunicação social de massas, contudo, algumas vozes discordantes afirmaram que se tratavam de acções «sob falsa bandeira» e que os incitadores de tais atentados bem podiam ser os serviços secretos georgianos, senão mesmo a CIA.<br />
O que é que sabe acerca disto e qual é a sua opinião? </strong></p>
<p><strong>Aleksandr Dugin -</strong> A participação de islamitas nesses atentados é quase certa e Doku Umarov reinvindicou a sua responsabilidade. Existem, com efeito, no Cáucaso do Norte – no Daguestão, na Ingúchia e na Chechénia – pequenos grupos islamitas que continuamente travam uma luta armada contra a Rússia.</p>
<p>Ao mesmo tempo, também é certo que os serviços secretos georgianos, que se querem vingar da derrota do seu País na Ossétia do sul e na Abecásia, estão cada vez mais implicados no apoio a estas guerrilhas islamitas.</p>
<p>Para além disso, nos estados Unidos, com Barack Obama, e os democratas no poder, os apoiantes de Zbigniew têm de novo influência. E estes são favoráveis a um apoio aos rebeldes islamitas na Rússia a fim de desestabilizar a Federação Russa, tornando-a mais dependente do Ocidente.</p>
<p>Assim sendo, podemos pois, de uma forma mais ou menos esquemática, resumir a situação da seguinte maneira: os atentados de Moscovo foram, segundo tudo indica, cometidos por islamistas com o apoio da Geórgia e o incitamento de Washington.</p>
<p><strong>Christian Bouchet &#8211; O governo saído da revolução laranja, dita das túlipas, acaba de cair no Quirguistão e o governo alaranjado ucraniano teve recentemente uma amarga derrota eleitoral. Parece que os governos originados por revoluções coloridas estão todos em dificuldades. Será isto correcto, e já agora generalizado? Poderemos pensar que tal se insere numa mudança geral de orientação das repúblicas originadas pela implosão da União Soviética? </strong></p>
<p><strong>Aleksandr Dugin -</strong> O que se passou no Quirguistão foi consequência das correlações de força geopolíticas e domésticas.</p>
<p>É evidente que quer a Rússia quer os Estados Unidos têm interesse em controlar o governo de Bichkek em exercício. Washington depende muito da base de Manas para os aviões militares que intervêm no Afeganistão. Moscovo quer controlar essa base para que Bichkek não se arrogue demasiadas liberdades.</p>
<p>Contudo, não creio que por detrás dos motins se possa discernir a mão dos russos ou dos americanos. Bakiev tinha falhado na reorganização do seu País e na consolidação da sociedade. Era odiado por uma parte importante dos Quirguizes e havia razões bastantes, ligadas à sua política interna, para justificar o eclodir dos motins.</p>
<p>Rosa Otumbaeva que acaba de lhe suceder é, simultaneamente, liberal, pró-russa e pró-americana.</p>
<p>Actualmente, procura o apoio de Putin, mas ninguém sabe como é que ela se irá comportar de seguida, nem tão pouco se conseguirá manter o poder por muito tempo.</p>
<p>Para mais, O Quirguistão está  dividido em duas regiões, setentrional e meridional. Nesta última, há muitos islamitas e a etnia uigur tem aí lugar de destaque. Bakiev, que é originário dali, refugiou-se lá antes de se exilar na Bielorrússia. Portanto não é de excluir que possa estalar, a termo, uma guerra civil entre o Sul e o Norte.</p>
<p>No que às outras repúblicas ex-soviéticas diz respeito, é preciso sublinhar uma coisa importante: é a Rússia e não os Estados Unidos que garante a integridade desses países. Se os seus dirigentes simpatizam com Moscovo não têm problemas de separatismo. É o caso do Cazaquistão, da Arménia, da Bielorrússia. Pelo contrário, os países cujos dirigentes são hostis à Rússia &#8211; como a Moldávia, a Geórgia, a Ucrânia, no tempo de Yuschenko, ou o Azerbaijão – são ameaçados pelo separatismo. Basta que modifiquem a sua atitude face a Moscovo para que os seus problemas acabem. Hoje em dia apenas Saakachvili se recusa a compreende-lo, continuando a lutar contra Moscovo. É isto que pode explicar a continuação da ameaça à integridade da Geórgia, já depois da Ossétia e da Abecásia terem declarado a sua independência, pelo secessionismo da Mingrélia, da Svanétia e da Javakhetia arménia.</p>
<p>Creio que a ineficácia das revoluções coloridas já ficou provada. Não conseguiram instaurar governos estáveis. Deste ponto de vista creio que a Rússia ganhou o combate de influências no espaço pós-soviético.</p>
<p><strong>Christian Bouchet &#8211; O discurso de Vladimir Putin em Katyn teria um significado particular a nível geopolítico? A ser esse o caso, o acidente de avião que causou a morte do presidente da República Polaca, é de molde a modificar as relações entre Moscovo e Varsóvia? </strong></p>
<p><strong>Aleksandr Dugin -</strong> No que a Katyn diz respeito, Putin já tinha admitido a culpabilidade russa. Somente o repetiu. Por seu lado, Lech Kaczynsky queria utilizar a ocasião proporcionada pelo aniversário do acontecimento para, uma vez mais, criminalizar os russos e os soviéticos. Para ele era um pretexto simbólico da mais alta importância. Também simbolicamente não se poderia imaginar um acontecimento que melhor pudesse demonstrar à maioria dos russos que os polacos estavam a utilizar os factos do passado com um objectivo russófobo.</p>
<p>Putin já se resignara a isso, foram as forças da justiça imanente que emergiram neste extraordinário acidente de avião. Aquele que queria humilhar, uma vez mais, os russos, morreu por sua própria culpa. Simultaneamente, no avião morreram todos os representantes da russofobia mais extremada que viajavam com Kaczynsky. É extraordinário!</p>
<p>Excluo totalmente que Moscovo possa estar implicada no acidente. É absolutamente impossível. Na realidade, a justiça imanente foi mais forte que a vontade dos dirigentes da Rússia que são preferencialmente favoráveis a um compromisso com o Ocidente.</p>
<p>Que isso venha a modificar as relações entre a Polónia e a Rússia, é possível e tal não poderá deixar de as melhorar. Donald Tusk, que acederá sem dúvida à presidência da República Polaca, sempre teve mais boa vontade face a Moscovo. Mais uma vez é a justiça imanente…</p>
<p><strong>Christian Bouchet &#8211; A 26 de Março  último cumpriu-se o décimo aniversário da ascensão ao poder de Vladimir Putin. Como analisa este decénio? Diz-se por vezes que existiriam desacordos entre Vladimir Putin e Dimitri Medvedev. Isto é verdade e se sim, sobre o quê? </strong></p>
<p><strong>Aleksandr Dugin -</strong> Ninguém sabe exactamente. Há as imagens e há a realidade. As imagens fazem pensar que Medvedev é mais liberal e que Putin é mais patriota. Mas tudo isto não está formalmente organizado e os especialistas questionam-se se existirão realmente diferenças reais ou se assistimos unicamente a uma encenação para sossegar os americanos.</p>
<p>É claro que os Estados Unidos são favoráveis a Medvedev m<a href="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/uploads/DuginAleksandr_AGrandeGuerradosContinentes.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-1454" title="A Grande Guerra dos Continentes" src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/uploads/DuginAleksandr_AGrandeGuerradosContinentes-201x300.jpg" alt="" width="201" height="300" /></a>as não podemos dizer onde acaba o jogo e começa a realidade. Só Putin é, aos olhos das massas, legítimo, e isto enquanto homem e enquanto incarnação de uma política favorável ao retorno da Grande Rússia.</p>
<p>Quanto a julgar a década de Vladimir Putin, confesso-lhe que estou um pouco desencantado. Putin fez, imediatamente após a sua chegada ao poder, coisas excelentes. Salvou a Rússia do abismo e manteve a sua integridade.</p>
<p>Tudo aquilo que foi feito nos primeiros anos, em 2000-2001, era magnífico e prometedor. Depois disso, parou com as suas reformas de tipo eurásico e ligou-se aos liberais e ao ocidente. O pior aconteceu depois do 11 de Setembro, quando decidiu apoiar os americanos no Afeganistão. Foi um erro grave. É certo que continuou a levar a cabo uma política mais ou menos correcta mas o ritmo das suas acções começou a colocar problemas aos patriotas. O facto de ter proposto Medvedev para lhe suceder não foi compreendido por estes. Esperamos que Putin volte ao poder em 2012, mas alguns já temem que, mais uma vez, ele não venha a fazer nada de definitivo.</p>
<p>O seu balanço é positivo mas o interregno de Medvedev levanta questões e dúvidas quanto aos seus projectos futuros. Não mudou nada no clima cultural da Rússia, não resolveu os graves problemas sociais. Tolerou os liberais e não propôs receitas alternativas contra a crise. Não lutou efectivamente contra a corrupção. Comportou-se mais como um pragmático do que como um patriota convicto.</p>
<p>Sentem-se os primeiros indícios de desencantamento face a Putin na população, mas ao mesmo tempo, estamos perante uma ausência total de alternativas, o que torna a situação difícil e o futuro obscuro.<br />
<strong><br />
Christian Bouchet &#8211; Acabámos de saber que o gigante russo do Petróleo, Lukoïl, parou o seu comércio com o Irão, incluindo quer o fornecimento de combustível a partir dos seus terminais no Médio Oriente, bem como o transporte de crude desde o mar Cáspio até ao porto iraniano de Neka. Isto não é, sem dúvida, uma decisão neutra… Qual é pois a posição real de Moscovo face ao dossier nuclear iraniano? </strong></p>
<p><strong>Aleksandr Dugin -</strong> Moscovo hesita entre um apoio firme ao Irão e um apoio às pressões do Ocidente. A Rússia quer desempenhar o papel de país neutro que apazigua os ocidentais, mas que igualmente se afasta do Irão quando este tenta dotar-se de uma bomba nuclear prematuramente. Moscovo não vê Teerão – mesmo dotada de uma bomba nuclear – como um perigo, mas não quer muito simplesmente ser arrastado pelo Irão para o confronto deste com o Ocidente. Há aqui flutuações e não mudanças de rumo.</p>
<p><strong>Christian Bouchet &#8211; 2010 será  o ano comemorativo da amizade Franco-Russa. Temos, em França, a impressão que Nicolas Sarkozy está a regressar aos fundamentos da diplomacia tradicional francesa, ensaiando uma ruptura estratégica com o atlantismo das suas origens. O que é que acham disto em Moscovo e o que é que o Kremlin espera do Eliseu? </strong></p>
<p><strong>Aleksandr Dugin -</strong> Certamente que esta evolução não pode senão ser apreciada e aceite de uma maneira muito favorável.</p>
<p>Há aquilo que é contingente e há o fundamental. Há a lógica do espaço político, da geopolítica, da qual não nos podemos desembaraçar. Esta lógica obriga a França a defender os interesses da Europa Continental e a levar a cabo uma política telurocrata. Pode afastar-se deste rumo mas não pode libertar-se dele sem correr o risco de se deslegitimar.</p>
<p>Espero que o vosso presidente persista na sua nova orientação e que as relações russo-francesas se venham a tornar cada vez mais calorosas, tal como o eram na época de Jacques Chirac.</p>
<p><strong>Christian Bouchet &#8211; Para concluir, uma questão sensível na Europa: a da integração da Turquia na União Europeia. O que pensa o Kremlin disto e o que acha, na sua qualidade de geopolítico, desta? </strong></p>
<p><strong>Aleksandr Dugin -</strong> O Kremlin opõe-se em absoluto à entrada da Turquia na União Europeia porque a Rússia quer desenvolver relações estratégicas com uma Turquia que cada vez se afasta mais dos Estados Unidos. Os próprios patriotas turcos são hostis ao facto do seu país vir a integrar a União Europeia. Quanto a mim, partilho a posição do Kremlin e das massas patrióticas turcas que temem perder a sua identidade nacional e cultural ao aderirem à União Europeia.</p>
<p>(c) <a href="http://www.flashmagazine.fr/" target="_blank"><em>Flash</em></a>, jornal gentil e acutilante.</p>
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		<title>A morte da sentinela, uma entrevista com Pierre-Olivier Sabalot</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Apr 2010 13:30:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Internacional]]></category>

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		<description><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/1426/a-morte-da-sentinela-uma-entrevista-com-pierre-olivier-sabalot" title="A morte da sentinela, uma entrevista com Pierre-Olivier Sabalot"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/uploads/yapb_cache/pierresabalot.e8zxjrfd0zk0cc48cs0g88og.9wzo4bhiyewwwccsss80skos.th.jpeg" width="80" height="98" alt="A morte da sentinela, uma entrevista com Pierre-Olivier Sabalot" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a>Pierre-Olivier Sabalot é diplomado pelo Instituto de estudos Políticos de Aix-en-Provence e titular de um Diploma de Estudos Avançados em «História Ultramarina» pela Universidade de Aix-en-Provence. Viveu na África do Sul, tendo ensinado Ciências Económicas e Sociais no Liceu Francês de Joanesburgo. Questionado por Christian Bouchet, desencripta o significado do recente assassinato de Eugene Terreblanche, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/1426/a-morte-da-sentinela-uma-entrevista-com-pierre-olivier-sabalot" title="A morte da sentinela, uma entrevista com Pierre-Olivier Sabalot"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/uploads/yapb_cache/pierresabalot.e8zxjrfd0zk0cc48cs0g88og.9wzo4bhiyewwwccsss80skos.th.jpeg" width="80" height="98" alt="A morte da sentinela, uma entrevista com Pierre-Olivier Sabalot" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a><p><em>Pierre-Olivier Sabalot é diplomado pelo Instituto de estudos Políticos de Aix-en-Provence e titular de um Diploma de Estudos Avançados em «História Ultramarina» pela Universidade de Aix-en-Provence. Viveu na África do Sul, tendo ensinado Ciências Económicas e Sociais no Liceu Francês de Joanesburgo. Questionado por Christian Bouchet, desencripta o significado do recente assassinato de Eugene Terreblanche, célebre militante da resistência bóer.</em></p>
<p><strong>Christian Bouchet &#8211; Pierre-Olivier Sabalot, o que pensa do assassinato de Eugene Terreblanche? Analisa-o como tendo sido um crime crapuloso ou como um crime político? </strong></p>
<p>Pierre-Olivier Sabalot &#8211; O assassinato, a dois de Abril último, de Eugene Terreblanche parece à primeira vista crapuloso, mas os motivos de ordem particular (de resto reais) adiantados pelos media não foram provavelmente senão um pretexto, dado que o assassinato de Terreblanche se inscreve num movimento de fundo mais geral de «re-etnicização do politico».</p>
<p>No preciso momento em que a África do Sul se apresta a acolher o Campeonato do Mundo de Futebol (Entre os próximos 10 de Junho a 10 de Julho, naquele que é o primeiro Campeonato do mundo organizado em solo africano) e que os projectores das grandes cadeias mundiais de televisão se começam a focar nela; a administração política dominada pelo ANC faz de conta que (re)descobriu que as tensões raciais continuam a ser bem palpáveis  e que a crise económica mundial – que atingiu o País em cheio – mais não fez do que reavivá-las.</p>
<p>Nos campos, no seio do platteland, no País profundo Afrikaner, o problema crucial da redistribuição das terras dos fazendeiros brancos aos camponeses negros, velha reivindicação politica do ANC, cristalizou o ódio racial, maquilhando como sendo acções crapulosas a vontade latente de «vingança racial» dos negros face aos Afrikaners.</p>
<p>Em dezasseis anos, já foram assassinados cerca de 1.600 fazendeiros brancos nas suas terras por verdadeiros comandos &#8211; agindo de forma concertada – que aplicam aquilo a que não se pode chamar outra coisa senão uma forma de «limpeza étnica», similar à que viveu há alguns anos a Rodésia, o actual Zimbabué.</p>
<p>Eugene Terreblanche, reconvertido à agricultura desde 1968, encarnava uma forma de resistência da «alma» afrikaner, a dos campos, coração da Nação. Lembremo-nos que o termo Boers não só significa «camponeses» em afrikaans, como também designa o próprio povo afrikaner, mais precisamente ainda os seus antepassados, heróis de uma epopeia grandiosa no século XIX, a da conquista do Far North afro-austral e a resistência ao imperialismo genocída britânico. Para além do facto inusitado, provavelmente crapuloso, Terreblanche foi também assassinado enquanto símbolo Boer, o do arreigamento visceral dos Afrikaners à terra dos seus antepassados, dos Afrikaners originários da fusão em terra africana de colonos holandeses, germano-escandinavos e também de huguenotes desde 1652. Terreblanche era ele próprio descendente de um huguenote natural de Touloun, estabelecido no Cabo em 1704.</p>
<p><strong>Christian Bouchet &#8211; O meu comentário poder-lhe-á parecer provavelmente ingénuo, mas há uma coisa que me surpreende, é que com o seu passado, Eugene Terreblanche tenha continuado a viver na RAS e que tenha usado mão-de-obra Negra…</strong></p>
<p><strong><br />
</strong>Pierre-Olivier Sabalot &#8211; Isso aconteceu muito simplesmente porque a África do Sul também é – e sem dúvida, em primeiro lugar – o País dos Afrikaners (o seu etnónimo significa precisamente «Africanos») sendo a «Tribo Branca de África», retomando a feliz expressão de David Harrison, constitui um dos elementos constitutivos essenciais da alma deste País. Terreblanche sempre se definiu como Boer, no duplo sentido do termo evocado acima, tendo retomado, em 1968, a direcção da quinta familiar em Ventersdorp, no oeste do antigo Transvaal, após a sua reforma antecipada das unidades especiais de polícia. A sua visão das relações sociais entre Afrikaners e Negros continuava a ser a da Baasskap, a supremacia tradicional dos Afrikaners rurais, dirigindo os Negros de maneira paternalista; depois do parêntesis ideológico radical do Dr. Verwoerd (1958-1966), que segundo a lógica da separação racial completa e definitiva, recusava toda a mão-de-obra de cor.</p>
<p>Nesta visão do Baasskap, os Negros – essas crianças grandes – têm o seu lugar na África do Sul dos Brancos, um lugar inferior, sob as ordens esclarecidas do Branco Benfeitor, inspirado pelo Deus ultramontano e Bicho-Papão do Calvinismo. Note-se que a cidade de Ventersdorp, onde nasceu e residia Terreblanche, tem cerca de 2.000 habitantes, quase todos afrikaners e que esta se encontra englobada na «municipalidade» de Ventersdorp (36.000 habitantes no recenseamento de 2007) com o seu satélite, a cidade negra (de população tswana) de Tshing, onde os fazendeiros brancos recrutam os seus empregados negros, exactamente como nos «bons velhos tempos» do apartheid segregacionista de Vorster e Botha.</p>
<p><strong>Christian Bouchet &#8211; Uma vez que conhece bem o movimento nacional na RAS, pode recordar-nos a acção passada de Eugene Terreblanche e do seu Afrikaner Weerstandsbeweging(« Movimento de Resistência Afrikaner, ou AWB)e dizer-nos que avaliação faz desta? Será que este grupo ainda tem uma actividade e uma audiência reais?</strong></p>
<p>Pierre-Olivier Sabalot &#8211; O AWB inscreve-se na herança ideológica da defunta Ossewabrandwag (OB, 1938-1952), a «Sentinela do carro de bois» o maior movimento cultural nacionalista de massas da história do povo afrikaner, o qual contava com 300.000 membros em 1940, ou seja 40% dos adultos afrikaners dessa época. É preciso realçar que a organização paramilitar do AWB – cujos membros encapuçados se vestiam com uma farda negra – foi baptizada como Brandwag, literalmente «A Sentinela», numa referência directa à OB.</p>
<p>O L’Afrikaner Weerstandsbeweging ou AWB foi fundado – sob a foram de uma sociedade secreta – a 7 de Julho de 1973 (a 7 do 7 por conseguinte, o número 7 remete-nos para uma forma simbólica de esoterismo calvinista, o da exaltação da obra de Deus e do mundo que ele criou em 7 dias…) em Heidelberg (na periferia de Joanesburgo) por (mais uma vez!) sete policias e ex-policias de extrema-direita, desavindos com o jovem Herstigte Nasionale Party, o Partido Nacionalista reconstituído da África do Sul.</p>
<p>Relembremos o contexto: depois do assassinato em pleno parlamento do Primeiro Ministro, o Dr. Hendrik Frensch Verwoerd, a 6 de Setembro de 1966, o seu sucessor, Balthazar Johannes «John» Vorster, (muito provavelmente parte integrante do complot que levou ao assassinato do Dr. Verwoerd), voltou progressivamente as costas aos princípios do «desenvolvimento separado» social-nacionalista para regressar à boa velha politica de segregação racial favorável aos interesses económicos do grande patronato capitalista local e a uma aliança estratégica com a entidade sionista, que rejeitava Verwoerd. A partir de Outubro de 1969, os verwoerdistas, reagrupados em torno do Dr. Albert Hertzog, deixaram o Partido Nacional e criaram o Herstigte Nasionale Party (HNP).</p>
<p>Em Julho de 1973, sete polícias e antigos polícias, entre os quais Eugene Terreblanche (antigo membro das forças especiais da policia, nomeadamente no Sudoeste Africano, reconvertido à agricultura a partir de 1968) fundavam o AWB. Muito bom orador ( provavelmente o melhor orador afrikaner  desde Verwoerd)  e excelente organizador, Terreblanche ficou à cabeça de um grupo que foi desde o inicio uma provocação policial, dirigida contra o HNP, destinada a atemorizar os eleitores brancos tentados pelas sereias do voto contestatário verwoerdista e a desacreditar politicamente qualquer movimento situado à direita do Partido Nacional, o qual pouco a pouco se transforma num partido favorável ao liberalismo abandonando a dinâmica de separação racial.</p>
<p>Foi então sabiamente orquestrada toda uma «panóplia folclórica»: trajes paramilitares, desfiles com archotes e paradas a cavalo em Pretória, provocações públicas, comícios electrizantes, acções mediáticas nas quais se inclui a punição pública infligida ao Professor FA Van Jaarsveld, que culpado de blasfémia aos olhos do AWB, foi besuntado com alcatrão e penas em plena universidade…, cantos e fogos de campo nos acampamentos de verão no veld, etc. Quanto à controversa bandeira vermelho sangue do Movimento, possui no disco branco central uma curiosa tríscele que faz lembrar facilmente a suástica, embora oficialmente represente um «triplo sete» cristão, um «777» que se opõe ao «666», o número do Anticristo. Contudo a águia que orna os emblemas e os documentos internos do AWB é um quase decalque da do Ossewabrandwag, organização abertamente pró nazi na sua época.</p>
<p>O AWB foi incontestavelmente um movimento de tipo neonazi, mas esse neonazismo foi indirecto, originário da sua filiação com o OB. Provocação policial nos seus começos, o AWB indo cada vez mais longe na radicalização e na auto marginalização ideológica, irá autonomizar-se a partir dos anos 1980, tornando-se num movimento político por direito próprio, um actor autónomo tendo rompido os seus laços originais com a polícia e os serviços especiais do aparelho de Estado. Contudo, o seu «folclore» orgulhosamente reivindicado continuará a servir de espantalho, de contraste, a uma grande parte do eleitorado branco que (lobotomizado pela propaganda lenitiva e pelo «legitimismo» politico tradicional do Partido Nacional) preferirá entregar o poder à maioria negra do que combater ao lado desses incómodos «resistentes».</p>
<p>Apelando á criação de um Volkstaat (Estado do povo) afrikaner separado, no nordeste do País, o AWB irá conhecer um sucesso crescente em grandes camadas da população afrikaner, especialmente nas zonas rurais, chegando a agrupar 70.000 membros no seu apogeu ( cerca de 2% da população afrikaner total, o que não deixa de ser alguma coisa), no momento da transição dos anos 1990- 1994, que marca o fim do poder branco no País.</p>
<p>A sua derrota militar na «Batalha do Bophutatswana », travada contra o exército sul-africano, aquando da reintegração na RAS deste Bantustão  independente, situado na fronteira com o Botwsana e dirigido pelo presidente Lucas Mangope, marca o principio do refluxo para o Movimento, desacreditado pela sua impotência real face aos acontecimentos, embora tivesse vaticinado que iria desencadear uma guerra racial apocalíptica. Os problemas Judiciais, a título pessoal, subsequentes de Terreblanche (foi condenado em 2001 a seis anos de prisão pela agressão a um gasolineiro negro e pela tentativa de assassínio de um trabalhador agrícola)e a sua conduta pessoal (alcoolismo crónico e infidelidades conjugais), pouco compatíveis com a moral calvinista rigorista advogada pelo AWB, aceleraram o declínio do movimento no principio dos anos 2000. Depois da sua saída da prisão em 2004, Terreblanche acaba por reactivar o AWB em Março de 2008, com o fito de defender os interesses dos fazendeiros afrikaners cada vez mais transformados em alvos nos campos. A imprensa sul-africana calcula hoje os seus partidários em cerca de 5.000, cerca de catorze vezes menos que há dezasseis anos.</p>
<p><strong>Christian Bouchet &#8211; As eleições legislativas, que se desenrolaram há quase um ano, testemunharam a vitória do ANC e a chegada à presidência da República de Jacob Zuma. A situação evoluiu muito durante este ano?</strong></p>
<p>Pierre-Olivier Sabalot &#8211; De facto, a situação só tem piorado, sob o efeito da crise económica mundial que golpeou em cheio o País. Mas a hipocrisia política do antigo presidente Thabo Mbeki deu lugar ao realismo puro e cru do presidente Jacob Zuma, o primeiro Zulo após o grande rei Shaka (1787 -1828) a aceder a cargos políticos tão importantes. Com ele, assistimos ao regresso de uma África do Sul verdadeiramente africana, a da África das etnias, em ruptura com a visão centralista, mundialista, ocidentalizada, dos círculos dirigentes (essencialmente xhosas e sothos) do ANC. No limite – e mesmo que Zuma se inscreva na linhagem dos seus inimigos hereditários – os afrikaners estão mais em consonância nos planos cultural, histórico e ideológico, com este Zulu populista, polígamo tradicional, que com os tecnocratas ocidentalizados da burguesia negra do ANC, apartados das realidades étnicas africanas.</p>
<p>O Campeonato do mundo de futebol, de Junho &#8211; Julho próximo tinha sido concebido como a apoteose da «nação arco-íris» incensada pelo arcebispo negro anglicano do Cabo, Monsenhor Desmond Tutu. Mas as máscaras caíram e a festa acabou. Doravante as câmaras das cadeias de televisão mundiais já não poderão esconder a verdadeira face da África do Sul, dezasseis anos depois da tomada do poder pelo ANC: Aprofundamento das desigualdades sociais (incluindo o desenvolvimento de uma burguesia negra que deve a sua posição e os seus privilégios à sua sujeição ao ANC), pobreza extrema (incluso entre a população branca) , desemprego (40% da população activa), imigração ilegal em massa( 5 milhões de imigrantes clandestinos, ou seja mais de 10% da população do País), SIDA (12% da população sul-africana é seropositiva), insegurança(50 assassinatos por dia), degradação do ensino público, o problema não resolvido da redistribuição de terras, envelhecimento das infra-estruturas económicas e generalização da corrupção.  Uma situação que já seria explosiva em qualquer outro lado que não no Continente africano…</p>
<p>Christian Bouchet é editor do portal <a href="http://www.voxnr.com" target="_blank"><em>VoxNR</em></a>.</p>
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		<title>Alberto João Jardim &#8211; «O PSD não tem juízo!»</title>
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		<pubDate>Sat, 17 Apr 2010 21:34:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Recortes de imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Regionalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/1450/alberto-joao-jardim-%c2%abo-psd-nao-tem-juizo%c2%bb" title="Alberto João Jardim &#8211; «O PSD não tem juízo!»"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/uploads/yapb_cache/albertojoaojardim.bv1zsz2x0408c8swcw44cw8gc.9wzo4bhiyewwwccsss80skos.th.jpeg" width="80" height="53" alt="Alberto João Jardim &#8211; «O PSD não tem juízo!»" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a>Quando se explica ao presidente do Governo Regional da Madeira os temas da entrevista, a resposta corta qualquer dúvida pela raiz: «Pergunte o que quiser.» É o género de afirmação que o entrevistador gosta de ouvir e de, durante o diálogo, ver como é que Jardim reage às questões mais inesperadas. Umas vezes faz um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/1450/alberto-joao-jardim-%c2%abo-psd-nao-tem-juizo%c2%bb" title="Alberto João Jardim &#8211; «O PSD não tem juízo!»"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/uploads/yapb_cache/albertojoaojardim.bv1zsz2x0408c8swcw44cw8gc.9wzo4bhiyewwwccsss80skos.th.jpeg" width="80" height="53" alt="Alberto João Jardim &#8211; «O PSD não tem juízo!»" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a><div>
<p>Quando se explica ao presidente do  Governo Regional da Madeira os temas da entrevista, a resposta corta  qualquer dúvida pela raiz: «Pergunte o que quiser.» É o género de  afirmação que o entrevistador gosta de ouvir e de, durante o diálogo,  ver como é que Jardim reage às questões mais inesperadas. Umas vezes faz  um breve silêncio para encaixar a pergunta, outras ajeita-se na cadeira  e pesa as palavras e, quando acha que foi longe de mais e que pode  haver uma suavização das suas palavras, aponta o dedo para o gravador e  avisa: «Isto é para sair mesmo como eu disse.» Certo, senhor presidente,  será feita a sua vontade e quem se sentir ofendido que reclame  directamente para a Quinta da Vigia.</p>
</div>
<p>DA VARANDA DO  PALÁCIO vê-se o «jardim» que Alberto João, o eterno presidente do  Governo Regional, controla há mais de três décadas. Chamam-lhe Madeira e  também Pérola do Atlântico, tem hotéis por todo o lado, está furada por  dezenas de túneis ligados a viadutos como um queijo suíço e o povo vota  sempre nele. Por isso ninguém lhe faz frente na ilha, não teme o  Governo da República e aprecia brincar com os primeiros-ministros e  presidentes da República que os continentais elegem. Todos sabem que o  seu PSD tem o pé bem firme em cada metro quadrado da ilha e que nada se  faz sem a sua aprovação, mas ninguém lhe encontra os escândalos que  envolvem a classe política portuguesa nem lhe apontam um enriquecimento  por favorecer interesses.</p>
<p>Este fim-de-semana, Jardim recebe José  Sócrates, o seu mais recente amigo, que se desloca à região para  participar da Festa da Flor, em solidariedade com a tragédia que se  abateu em Fevereiro sobre a Madeira. Na semana passada falhou o  congresso que entronizava o novo presidente social-democrata. São dois  passos da última cartada que joga antes de se reformar de uma vida em  grande parte dedicada à política, desde que em Maio de 1974 foi um dos  fundadores do PPD.</p>
<p>Administra a Madeira a partir de um palácio  onde os turistas entram sem pedir autorização, tiram fotografias para  recordar o momento e podem abordar Alberto João Jardim ao cruzarem-se  com ele. Faz questão de ter o portão sempre aberto e não esconde o que  lhe vai na alma logo na sala onde se aguarda pela hora de subir ao seu  gabinete. Nessa sala estão posters, cartões e fotografias espalhados  pela parede que entretêm a breve espera.</p>
<p>O primeiro que chama a  atenção é um postal de boas-festas que tem a assinatura de José  Sócrates. Seguem-se outros cartões, com frases: «Tenho sempre razão»;  «Vida longa aos inimigos para que assistam de pé à minha vitória»;  «Porquê questionar? Deixem-me seguir o meu próprio caminho» ou «Mais  tarde ou mais cedo os visionários provaram ser verdadeiros realistas».</p>
<p>Esta  última máxima é do antigo chanceler alemão Helmut Kohl, as anteriores  são ditados populares, frases que interpretam o instinto político  matador e os ideários de governabilidade de João Jardim, também expostos  em fotografias inesperadas como uma em que surge com a bandeira do  Partido Comunista Português nas mãos. No final do encontro, enquanto se  passeia pelos jardins do palácio, dirá uma frase que sustenta a sua  orientação económica: «Salazar defendia o equilíbrio orçamental. Viu-se o  resultado em Abril de 1974.»</p>
<p>Alberto João Jardim acabou de  almoçar mas não lhe falta apetite para a sobremesa. Coloca na ementa a  «inexistente» oposição madeirense, o velho e o novo PSD de Pedro Passos  Coelho, o apoio à reeleição de Cavaco Silva e a candidatura de Manuel  Alegre, entre outras questões polémicas. O presidente do Governo  Regional vai provando as sugestões do cardápio mas acaba por degustar  com mais prazer os pratos fortes e polémicos. De lado fica a obstinação  de Sócrates em legalizar o casamento gay com o argumento de que não vai  estragar a convergência que neste momento é necessária para discutir a  questão mas evita considerá-la uma garotice porque, diz, «cada um tem as  suas ideias e valores».</p>
<p>Quando se lhe faz a pergunta que está  dentro da cabeça de todos os portugueses – se alguma vez alguém o vai  meter na ordem? – a resposta é desabrida: «Espero que Nosso Senhor Jesus  Cristo, quando eu chegar ao céu. Porque senão vai ser uma marabunta lá  para cima.»</p>
<p><strong>Sai da tragédia que ocorreu na Madeira em  Fevereiro com um novo fôlego. Porquê?</strong><br />
Sim, reconheço que a  adrenalina subiu porque é um desafio enorme que tenho de vencer.  Primeiro pelo imprevisto, depois pela dimensão do que é preciso fazer.  Não é por acaso que os médicos me dizem que a minha melhor forma física é  quando faço eleições!</p>
<p><strong>Naqueles dias estava mais tenso e  preocupado do que o normal?<br />
</strong>Não era para menos.</p>
<p><strong>Foi  um dos momentos da sua vida mais&#8230;</strong><br />
Mais duros de  enfrentar. É uma ocasião em que perdemos o direito a chorar ou lamentar,  temos de demonstrar força, autoridade, capacidade e velocidade de  decisão. Nessas alturas, se queremos queixar-nos é com nós próprios e  junto da almofada.</p>
<p><strong>Neste novo presidente pós-temporal  também se nota uma alteração em relação ao primeiro-ministro da  República. É para durar?<br />
</strong>Não há um novo presidente  pós-temporal. Há uma pessoa que, conforme as responsabilidades que lhe  estão atribuídas, tem obrigação de actuar em função das circunstâncias  novas sem pôr de parte a ideologia e os valores em que acredito. Há, de  facto, uma convergência com o primeiro-ministro nos esforços para  reabilitar a Madeira e, também, em tudo aquilo em que eu possa ajudar o  Estado a não ser perturbado em termos de comprometer o auxílio à  Madeira.</p>
<p><strong>Mas aceitou um entendimento diferente do que era  habitual?</strong><br />
Perante a disponibilidade que o primeiro-ministro  revelou seria absolutamente imoral da minha parte não saber  corresponder.</p>
<p><strong>Até disse: «Serei aliado do engenheiro  Sócrates nem que seja contra o PSD.»</strong><br />
Não era a primeira vez.  A minha concepção da vida política define-se do seguinte modo: a  Madeira é o meu partido e Portugal a minha pátria. Repare que não digo  Estado ou país, digo pátria. A Madeira é o meu partido e Portugal a  minha pátria. Os partidos políticos em si são instrumentos para eu  concretizar o que entendo dever ser o meu serviço à Madeira e à pátria, a  partir daqui é só tirar as consequências.</p>
<p><strong>Não é a  primeira vez que está em desacordo com o PSD!<br />
</strong>Estar em  desacordo não significa conspirar. É a coisa mais natural no mundo  democrático haver pessoas que são do topo do partido e discordam do  líder ou da direcção política nacional. Isto não tem nada de dramático,  só em Portugal é que se fazem dramas com estas pequenas coisas. Quando  Cavaco Silva escolheu Freitas do Amaral para candidato a Presidente da  República eu apoiei Mário Soares por razões que então dei; quando Cavaco  apoiou Soares eu não apoiei ninguém e não votei em Soares. Tem havido  comportamentos autónomos porque o partido [na Madeira] é autónomo nos  estatutos do PSD e as decisões que visem a região são tomadas  autonomamente. Não estou a defender partidos regionais – obviamente uma  constituição democrática não proíbe partidos de qualquer tipo ou é  indecorosa –, nem preciso de criar um assim ou que tenha a sede em  Lisboa.</p>
<p><strong>Foi pelo interesse da Madeira que o vimos fazer  as pazes com José Sócrates?<br />
</strong>Não se trata de fazer pazes, até  porque isso dá uma impressão de guerras entre comadres. O que se passou  foi uma convergência no interesse nacional, que era recuperar do que se  tinha passado numa das parcelas do seu território.</p>
<p><strong>Mas é  uma convergência para continuar?</strong><br />
É uma convergência para  continuar desde que ninguém quebre os seus compromissos.</p>
<p><strong>José  Sócrates terá em si um companheiro durante esta legislatura?<br />
</strong>Sim,  considero que seria altamente negativo para a Madeira haver  instabilidade governativa na República.</p>
<p><strong>Considera, então,  que esta legislatura deve ir até ao fim?<br />
</strong>Vamos aguardar  pelas eleições presidenciais e, também, ver se a situação do país evolui  no sentido positivo. Porque, se daqui a um ano estivermos ainda pior do  que hoje, o pragmatismo e sobretudo o patriotismo obrigam-nos a uma  nova reflexão.</p>
<p><strong>Até porque o poder em Portugal costuma  alternar entre o PS e o PSD.</strong><br />
Desculpe, a Madeira é Portugal e  aqui não alterna.</p>
<p><strong>É a excepção?</strong><br />
Essa história  de se dizer que a alternância é uma regra da democracia não é bem  assim, o que é regra da democracia é que se expresse a vontade do povo  livremente.</p>
<p><strong>Deixe-me refazer a pergunta…</strong><br />
Não, a  pergunta é perfeita! Muitas vezes tem-se acusado a Madeira de défice  democrático porque até agora não houve alternância governativa, mas essa  é a prova de que a democracia não reside aí senão fazia-se isso por  decreto e não era preciso gastar dinheiro em eleições! A democracia  reside no povo escolher em liberdade.</p>
<p><strong>Acha que este PSD  teria capacidade, no continente, de substituir o actual Governo PS?</strong><br />
<em>(Com  esta pergunta confirma-se que a digestão do almoço não perturba Alberto  João Jardim. Imediatamente contrapõe que a entrevista poderia ser  publicada após o congresso que iria realizar-se no fim-de-semana passado  mas que as suas declarações eram feitas por antecipação. Portanto, «se  eu dissesse que tem capacidade estava a cair em demagogia». Mas,  salvaguarda: «Se eu dissesse que não tinha capacidade também estava a  ter má vontade com o rapaz.» Diz-se que com a sua experiência política e  o conhecimento que tem de Passos Coelho já terá noção se este PSD  poderá ou não ser capaz de ser alternativa no continente. Só então  responde.)<br />
</em>Poderei ter sentimentos pessoais para avaliar uma  determinada situação, mas como político direi de uma maneira já  objectiva que é cedo para poder ter um juízo.</p>
<p><strong>Não foi ao  congresso do PSD porque não se justificava?<br />
</strong>O anterior era  mais importante porque fui um dos que o defenderam em nome da discussão  sobre o partido. No entanto, eles foram para lá e nem discutiram coisa  nenhuma. Andaram em campanha eleitoral e depois é  maria-vai-com-as-outras e já vejo tudo no mesmo cesto. Eu não entro  nisso e não quero fazer parte desse espectáculo.</p>
<p><strong>Deu o seu  apoio a Paulo Rangel, que foi escolhido por Passos Coelho para ser o  cabeça de lista ao Conselho Nacional. Gostou?<br />
</strong>Não tenho de  gostar ou deixar de gostar! São feitios que eu não tenho.</p>
<p><strong>Paulo  Rangel seria o seu homem no PSD?<br />
</strong>Desculpe, mas homens não  tenho e mulheres só uma, por isso não estou ligado por qualquer vínculo a  personalidades do PSD.</p>
<p><strong>Não estranhou que Aguiar-Branco  tivesse aceite fazer revisão do programa do PSD?<br />
</strong>Eu não  percebo o que é rever o programa do PSD. É um partido social-democrata  de raiz social cristã que o distingue dos outros partidos da  Internacional Socialista cuja matriz é a luta de classes do século XIX.  Não estou a ver, portanto, o que é que vão mudar agora no programa do  PSD. Serei um dos que não admitirão que se toque nos valores e  princípios que trouxeram à fundação, à existência e à vida do PSD em  Portugal. Se há intenção de transformar o PSD num partido liberal, pode  contar com a minha guerra.</p>
<p><strong>A sua única sugestão é «deixe-o  ficar como está»?<br />
</strong>Aceito que se veja em função da evolução  tecnológica porque é cada vez mais acelerada, ou seja, uma actualização e  não uma revisão do programa. As tecnologias evoluíram muito mas as  ideologias não tiveram qualquer evolução, pelo contrário, o  reaparecimento do neoliberalismo deu o resultado que estamos todos a  pagar agora. Os orçamentistas ainda nem se penitenciaram ou perceberam o  que têm de fazer para que o mundo recupere e, portanto, se não surgiu  nada depois da fundação do PSD que ideologicamente permita contestar  alguma coisa no plano dos valores e princípios do partido, não vejo  razão para se lhes tocar porque são mais do que actuais! O que apareceu  depois é uma autêntica chachada.</p>
<p><strong>No seu íntimo receia que  haja uma deriva de liberalismo na revisão?</strong><br />
No meu íntimo já  assisti a tudo em Portugal. A um povo inteiro a andar nas ruas contra o  primeiro-ministro e a seguir reelegê-lo e a outras coisas mais  fantásticas e absurdas. Depois de Durão Barroso ir para Bruxelas assisti  a uma vida kafkiana dentro do PSD, parece que só me falta ver um porco  andar de bicicleta!</p>
<p><strong>Quanto tempo de liderança dá a Pedro  Passos Coelho?<br />
</strong>Aquele tempo que a capacidade dele merecer.</p>
<p><strong>Muito  raramente tem estado a favor das lideranças do PSD. Como será desta  vez?</strong><br />
Uma vez eleito um líder nunca vi a partir da Madeira  qualquer conspiração para derrubar os dirigentes nacionais, mesmo às  vezes discordando, e estive sempre ao lado deles mesmo quando foram  derrotados por concorrentes ao cargo. Nunca me viram meter uma faca nas  costas do partido a nível nacional! Discordar é uma coisa, trair é  outra. O que se tem passado é: o partido na Madeira é autónomo e, como  disse, para mim o que conta é a Madeira e a pátria, os partidos são um  instrumento. E quando entendo discordar do partido discordo mesmo, mas  não traio.</p>
<p><strong>Manuela Ferreira Leite foi uma excepção na  relação consigo?</strong><br />
Fiquei-lhe devedor de duas coisas. Teve a  coragem de chamar mentirosas às pessoas que deturpavam a realidade  madeirense por razões políticas, pessoais ou até do foro psiquiátrico.  Em segundo lugar, deu o grande exemplo de ética política ao perder as  eleições porque se atreveu a não dizer apenas aquilo que o povo quer  ouvir.</p>
<p><strong>Por que razão não conseguiu aguentar o PSD?<br />
</strong>Porque  o partido não tem juízo! Há dois anos e meio fui a Lisboa quando eram  três os concorrentes: Santana, Ferreira Leite e o Passos Coelho. E  disse-lhes: «Pego nisto, faço uma equipa com todas as tendências e ganho  ao engenheiro Sócrates. Serão eleições duras e sem politicamente  correctos.» A resposta foi se quisesse que me candidatasse e passasse a  ser o quarto candidato porque andarem à pancadaria uns com os outros é  que era a riqueza do partido. Como não estava para aturar esta gente,  peguei na malinha e voltei à Madeira. Passou-se exactamente o mesmo  agora com Marcelo Rebelo de Sousa e deram-lhe com os pés porque queriam  era mais um à pancada!</p>
<p><strong>Está-se longe do suicídio colectivo  apregoado por Pinto Balsemão?<br />
</strong>Não me peça para fazer  futurologia.</p>
<p><strong>Mesmo com a sua experiência política?</strong><br />
Vou  ser franco: com a minha experiência, aquilo que receio, embora esteja  atenuado porque também se verifica nos outros partidos, é que o efeito  da mediocrização que se deu em Portugal no interior de todos os  partidos, sem excepção, possa ter reflexo na estabilidade de todos esses  mesmos partidos. Foi uma mediocridade que resultou do progresso do país  e que fez que as pessoas se sintam mais aliciadas por outras  actividades profissionais que não a política. Também o facto de as  pessoas se sentirem vulneráveis na praça pública perante um certo tipo  de jornalismo – não digo todo – que se fez e faz em Portugal, através do  qual de um momento para o outro, estando inocentes, vêem-se acusadas  das coisas mais inqualificáveis. E se há pessoas como eu que têm feitio  para andar à porrada, há outras que não o têm. Se os partidos se  mediocrizaram, fatalmente a democracia mediocrizou-se e o esforço de  qualquer líder nacional terá de ser no sentido de ir buscar os melhores  quadros para o bem do país e da qualidade da vida política.</p>
<p><strong>É  o chamado rejuvenescimento do PSD, uma nova geração como Passos Coelho,  Sócrates ou Portas?</strong><br />
Que eu saiba, eles não são assim tão  novos! Esta coisa de chamar renovação geracional aos cinquentões é um  pedacito caricato.</p>
<p><em>(João Jardim aproveita para falar da sua  renovação geracional: «Façam como eu fiz no meu segundo governo. Fui  buscar gente com vinte e tal anos e todos eles estão na política  activa.» Para o presidente, a reforma geracional é uma «panaceia que se  arranjou agora» e que significa apenas «saneiem os velhos». É, no seu  entender, mais uma forma de se desviar as atenções e dizer que o que  conta é a idade e não a qualidade: «É mais um modo de enganar os  portugueses» porque «há gente de qualidade muito nova como há gente  tonta bastante nova». Ou seja, diz, «é mais um bluff para empurrar o  país para a massificação e retirar qualidade à vida política»)</em></p>
<p><strong>Nem  o seu governo precisa de ser rejuvenescido?<br />
</strong>Os meus  governos têm durado três mandatos com a mesma equipa mas obedeço sempre à  regra de um terço de juventude e caras novas. Não há reforma geracional  se a par da nova geração não estiver a experiência e a qualidade.</p>
<p><strong>Depois  deste temporal, considera que ainda tem muito para dar à Madeira?<br />
</strong>Costumo  dizer que essas coisas pertencem a Deus – porque sou crente – e ao povo  madeirense.</p>
<p><strong>Antes admitira cessar funções em 2011, mas  agora refere uma solução intermédia. Qual é?</strong><br />
Essa era a  minha hipótese anterior porque antes disto ter sucedido estava tudo  encaminhado para já não concorrer nem à direcção do partido nem a  presidente do governo. Entretanto, deu-se o que se deu e seria  vergonhoso da minha parte, com tanto drama que havia aí, aparecer a  dizer «agora amanhem-se que eu daqui a um ano vou-me embora». Não, essa é  a altura em que ninguém pode dizer «eu vou abandonar» mas sim de  afirmar «atenção, que eu não decidi abandonar!»</p>
<p><strong>Como será  então?<br />
</strong>As eleições regionais são em Outubro de 2011, temos  ano e meio para eu e o partido reflectirmos. Como se diz na Madeira,  nada de pôr o carro à frente dos bois. Mas, para já, a palavra sair ou  abandonar…</p>
<p><strong>Estão riscadas?<br />
</strong>Estão riscadas do  vocabulário, até porque há muitas maneiras de estar.</p>
<p><strong>O que  quer dizer com uma solução intermédia?<br />
</strong>Já disse tudo: há  muitas maneiras de estar.</p>
<p><strong>Explique a quem conhece menos a  política madeirense…</strong><br />
A Madeira é um sistema parlamentar,  como no continente&#8230;</p>
<p><strong>Portanto, manter-se-á como deputado?<br />
</strong>Isso  depois vê-se.</p>
<p><strong>Mas é uma opção?<br />
</strong>Há várias  hipóteses. Estive a conceber várias hipóteses porque eu raciocino sempre  de uma forma militar – opção A, B, C e D – e cheguei à conclusão de que  o ideal seria fazer o congresso regional depois da Páscoa de 2011, a  cinco meses de eleições regionais, onde será eleita a comissão política  que terá pela frente escolher o governo que sairá das eleições de 2011  se o PSD ganhar na Madeira. Terá também de escolher os autarcas, porque  há muitos a atingir o final de mandato permitido por lei, e candidatos a  outras eleições.</p>
<p><em>(João Jardim gosta de personalizar a  entrevista e ao questioná-lo se tem dúvidas sobre o PSD continuar a  ganhar na Madeira faz a seguinte tirada: «Como é que pode não ter  dúvidas se não é eleitor na Madeira?» Respondo que a tendência de todas  as eleições é no sentido do reforço dos resultados mas a resposta é: «Se  eu raciocinasse assim tornava-me um preguiçoso.» Continua o vaivém e  digo-lhe que vê-se que aproveitou bem o tempo em que foi oficial de  Acção Psicológica na vida militar: «Olhe, eu saí do curso de Direito  sabendo pouco e mal, com as teorias todas do senhor tal e do senhor tal  que na vida prática valiam zero. De facto devo à minha vida militar ter  aprendido muitas coisas.»)</em></p>
<p><strong>Quem vai ser o seu delfim?<br />
</strong>Por  definição, enquanto não houver um novo presidente da comissão política  regional, Alberto João Jardim é o delfim do Alberto João Jardim. É  preciso ver que não sou eu quem vai designar o sucessor, são os  militantes do PSD. Foi o primeiro sítio no país onde se fez isto, o voto  universal, individual e secreto de todos os militantes. Não me digam  que um partido que já está no poder na Madeira desde 1976 ao fim de 34  anos não tem maturidade suficiente para fazer uma mudança de líder na  maior paz do mundo.</p>
<p><strong>E a sociedade madeirense vai aceitar  essa mudança de líder?<br />
</strong>Aí é que está a grande questão. Não é  por acaso que me farto de dizer no partido – e era bom que o PSD a  nível nacional primeiro se convencesse disto – que quem vota não são os  filiados do partido, que elegem direcções partidárias, mas sim o povo  soberano. Até podem pintar de ouro o líder que quiserem escolher, quem  vai decidir é o povo e ainda bem que assim é.</p>
<p><strong>E o povo vai  pedir-lhe opinião ao confrontar-se com a sucessão?<br />
</strong>Se o  povo me pedir opinião eu terei de ser, porque se trata de umas eleições,  solidário com o meu partido. Agora, o povo que me conhece muito bem –  até por um simples trejeito de beiços – vai ver se estou convencido do  que estou a dizer ou não. O povo vai acreditar no que eu estou dizendo  ou não vai acreditar no que eu estou dizendo.</p>
<p><strong>Livre da  Madeira, ainda o teremos como candidato a presidente da República?<br />
</strong>Eu  conheço o princípio de Peter, o que muita gente em Portugal não sabe!  Para mim isso é um assunto resolvido! O professor Cavaco deve  candidatar-se e eu vou apoiá-lo. Nem sequer me preocupo a pensar nisso.  Algumas vezes discordei dele enquanto primeiro-ministro, mas como  Presidente só uma vez, quando promulgou a anterior Lei das Finanças  Regionais, que era francamente inconstitucional. Não sei se a promulgou  em nome daquilo que na altura se chamava de forma engraçadíssima a  «cooperação estratégica». De resto, nunca o tive por pessoa  irresponsável, pelo contrário, se há pedra que não se lhe pode atirar é a  de falta de responsabilidade. E não acredito que, com o sentido de  responsabilidade que tem, por vontade própria, alguma vez se recusasse à  recandidatura. Não me passa sequer pela cabeça.</p>
<p><strong>Já se  aborreceu muito com ele, até lhe chamou senhor Silva.<br />
</strong>Desculpe,  no avião ninguém o trata por doutor nem por engenheiro. As hospedeiras  dizem a toda a gente «senhor tal». Eu aprendi com as hospedeiras.</p>
<p><strong>A  sua forma de ser traz-lhe problemas?<br />
</strong>Eu acarretei sobre mim  ódios históricos em certos sectores da colónia britânica da Madeira.  Havendo dois jornais diários na Madeira e um sendo propriedade de  empresários britânicos, esse diário bate-me todos os dias desde que em  Outubro de 1974 eu assumi a direcção do outro, o Jornal da Madeira, do  qual só saí em 1978 para tomar posse como presidente do governo.</p>
<p><strong>Não  deve ter gostado da mentira do 1 de Abril que o Diário de Notícias da  Madeira fez?</strong><br />
Gostei mais da do Jornal da Madeira, que dizia  que o PS já estava a preparar as listas e que o facto de deixar de fora  jornalistas e empresários que nos apoiam tinha dado resultado. Vinha lá o  nome de todos os jornalistas que eram contra o PSD e que iam fazer  parte das listas do PS. E acrescentava que os ingleses, os seus  proprietários, só não faziam parte porque cidadãos estrangeiros não  podem concorrer às eleições regionais. Penso que esta tem mais piada do  que estar há vinte anos a criticar eu usar a residência oficial a que  tenho direito no Porto Santo só porque eles, coitados, não têm  residência no Porto Santo. A inveja…</p>
<p><strong>O Diário de Notícias  da Madeira acaba por ser a sua Manuela Moura Guedes?<br />
</strong>Desculpe,  mas ela tem mais qualidade. Eu diria até outra coisa, e aí é um elogio  que lhes faço porque também sei ver as qualidades dos adversários: a  oposição da Madeira é tão medíocre que se o Diário não a fizesse todos  os dias, o povo podia dizer que não havia oposição na Madeira! Até  porque é o jornal que dá o mote dos assuntos que a oposição depois  levanta.</p>
<p><strong>Até o seu «amigo» ministro Santos Silva reclamou  sobre os apoios ao Jornal da Madeira.</strong><br />
Foi uma manobra do  anterior governo socialista e uma tentativa de fechar toda a imprensa  que não fosse da cor do PS. Um assunto, aliás, que hoje está em equação  na vida pública portuguesa e não está esclarecido.</p>
<p><strong>Vê-se  que não esqueceu o seu tempo de jornalista!<br />
</strong>É uma paixão.  Tenho dois amores: a política e o jornalismo.</p>
<p><strong>Ainda sonha  voltar ao jornalismo?<br />
</strong>Por amor de Deus!</p>
<p><strong>Está  vacinado contra jornalistas?<br />
</strong>Adoro os jornalistas porque  preciso de me pegar com eles.</p>
<p><strong>A Festa da Flor serve para  mostrar que Alberto João sabe tratar bem do seu jardim?<br />
</strong>A  floricultura não tem uma grande expressão mas é um sector de venda e de  exportação em franca expansão e, como a Madeira é um destino turístico,  temos de ter vários eventos programados. A Festa da Flor é um deles.</p>
<p><strong>Como  é que convenceu José Sócrates a vir à Festa da Flor?</strong><br />
Tenho  muito prazer em que ele venha e compreendo o seu interesse porque vai  fazer dois meses que aconteceu o temporal e o primeiro-ministro quererá  ver o que é que estes tipos conseguiram fazer. Também o interpreto como  um gesto de solidariedade para com o povo da Madeira e, julgo, que se o  primeiro-ministro compreender como é que nós aqui trabalhamos também vai  ajudar na Lei de Meios que o Governo vai apresentar à Assembleia da  República para tratar especificamente da reconstrução na região  autónoma.</p>
<p><strong>Sentiram uma solidariedade inesperada do  continente?<br />
</strong>Não era inesperada, eu sempre disse que não  havia um conflito entre a Madeira e o continente mas sim com certos  sectores da comunicação social e da classe política.</p>
<p><strong>Quanto  mais longe estão do Funchal, mais as pessoas se queixam sobre a demora  da recuperação. Porquê este atraso?<br />
</strong>Passado o susto, há umas  pessoas que se entretêm a reclamar porque antes já reclamavam por outra  coisa qualquer. Compreendo que não é agradável estar na situação deles  mas, em vez de me refugiar em justificações tontas, vou ser muito  franco: a primeira coisa a fazer era limpar o Funchal porque é a  primeira imagem da região autónoma. Logo que estava a ser concluída a  limpeza do Funchal, foi desviada toda a maquinaria e pessoal para as  outras zonas afectadas, e ainda não recebemos apoios do Estado nem da  União Europeia.</p>
<p><strong>Para além de encontrar petróleo, o que é  que gostaria que acontecesse mais na Madeira?<br />
</strong>Não encontrar  petróleo! Porque iria servir para um confronto com o Governo da  República quando chamasse a si os proventos. Na Madeira já há o petróleo  branco porque tem muita água e dentro de cinquenta anos ela será mais  cara que o petróleo.<br />
<strong>Confissões políticas</strong><br />
«Não  teria preconceito em ser primeiro-ministro de uma coligação com o PCP»</p>
<p>Quando  se lembra a João Jardim que disse que os partidos comunistas deviam ser  eliminados da Constituição a resposta é: «Não foi isso! O que disse foi  que se a Constituição andava a proibir indecorosamente qualquer tipo de  ideologia, então tinha de proibir as totalitárias. Foi a esquerda que  chegou à conclusão de que o Partido Comunista Português (PCP) era  totalitário e não eu, que disse exactamente o contrário. A democracia,  embora sendo o regime que pelos seus valores éticos e morais tem às  vezes certas fragilidades, não tem de ter medo de qualquer tipo de  partidos mesmo quando eles são totalitários.»</p>
<p>Não será por acaso  que no Palácio está uma fotografia bem à vista onde Jardim segura uma  bandeira do PCP. Diz que é uma brincadeira mas que não tem preconceitos  sobre o tema: «Se calhar é um pouco escandaloso o que vou dizer, mas eu  não teria qualquer preconceito em ser primeiro-ministro de uma coligação  que tivesse o Partido Comunista. Agora há uma coisa que garanto, não  era eu a fazer a vontade ao PCP, como se via em 1974/75, era o Partido  Comunista que tinha que cumprir os compromissos assumidos comigo.»  Concorda-se que seria um acordo a necessitar de uma boa vigilância mas  isso não preocupa o presidente pois, garante, «não sou de dar água a  pintos».</p>
<p>Saindo de cenários hipotéticos, João Jardim recorda  situações históricas que se assemelham: «Quando uma coligação de  partidos que ia desde o Bloco de Esquerda, Partido Comunista, PSD e CDS –  ficando apenas de fora o PS – aprovou a nova Lei das Finanças  Regionais, que o Presidente da República promulgou, o que se passou foi  como na história recente de Itália – um compromesso storico. Eu alertei  que ao fazer-se esse compromisso histórico tinha acabado o mito de que  não havia uma alternativa maioritária ao governo minoritário socialista.  Claro que isto provocou escândalos e até no Conselho Nacional do PSD, a  12 de Fevereiro, vários elementos da tendência liberal Passos Coelho  atacaram-me acusando de querer fazer alianças com o PCP. Estou  convencido de que tendo o sistema político da III República falhado só  podemos recuperar o país através de um grande compromisso que envolva as  bases de todos os partidos e que leve todos a sentirem-se motivados  para dar um impulso positivo ao país.» Reafirma: «Como vê, não tenho  preconceitos.»</p>
<p><strong>Confissões presidenciais</strong><br />
«Preferia  Manuel Alegre a aturar uma tontaria qualquer»</p>
<p>A pergunta é  directa: Manuel Alegre nunca será seu candidato? A resposta é mais vaga e  percebe-se o porquê: «Eu gosto muito de uma coisa em Manuel Alegre, o  facto de rever-me um pouco naquela rebeldia face à disciplina  partidária. Identifico-me com ele na defesa sagrada do que é um regime  democrático e na maneira libertária de ver a vida.» E na ideologia?  «Claro que não me identifico com ele na ideologia política, mas se  aparecesse outra pessoa que não o professor Cavaco, e que eu julgasse  que ia aturar uma tontaria qualquer, eu era capaz também de considerar  essa hipótese.»</p>
<p>Quando se questiona se acha que Alegre pode ser um  bom presidente, Jardim é cauteloso: «Tenho muitos amigos poetas. O meu  receio é que a condução do Estado não seja compatível com os mecanismos  mentais de um poeta.» Mas também escreve romances, replica: «Estou a  dizer isto em tom de caricatura, obviamente, porque tenho muito respeito  pelos poetas e pelos grandes poetas que Portugal tem. O que quero dizer  é que a política é muito “pés na terra” e às vezes um excesso de  idealismo pode comprometer a eficiência da política.»</p>
<p><strong>Confissões  da juventude</strong><br />
«Ainda hoje, feito velho tonto, adoro  recordar-me da vida de estudante em Lisboa e Coimbra.»</p>
<p>Quando se  fala dos seus tempos de estudante, inicia-se a pergunta com um «sei que  passou dez anos em Coimbra». Alberto João Jardim corta a palavra e repõe  a verdade: «É mentira, foram oito. E não foram oito em Coimbra, calma  aí. Foram três em Lisboa, onde me diverti à grande e fiz apenas quatro  cadeiras do primeiro ano. Os outros cinco, fiz em Coimbra e as duas  últimas cadeiras já no regime militar. Claro que a oposição diz sempre  dez anos mas são oito.» Fica o acinte da oposição esclarecido apesar de  não ter sido essa a intenção.</p>
<p>Pergunta-se onde é que se divertiu  mais se em Lisboa ou em Coimbra? «Diverti-me mais em Lisboa, é que a  vida boémia de Coimbra é diferente. Na capital não é restrita a qualquer  grupo enquanto a boémia de Coimbra está mais fechada nas classes  estudantil e da academia.» Passada esta análise, sorri e acaba por se  denunciar: «Com o meu feitio, fui bem feliz tanto na boémia de Lisboa  como na de Coimbra. E não me arrependo!» Ainda tem mais para dizer: «Se  alguma coisa sei hoje devo-o ao tempo passado a ler e a conhecer um  pouco do que era o povo e a vida cultural portuguesa. Eu saí da ilha em  1960, de onde só se podia sair de barco e aonde só se vinha duas vezes  por ano em férias, e se hoje ainda tem constrangimentos em relação às  regiões continentalizadas, o que não seria nessa altura&#8230; Ainda hoje,  feito velho tonto com 67 anos, adoro recordar-me da vida de Lisboa e de  Coimbra enquanto estudante.»</p>
<p><strong>Confissões memorialistas</strong><br />
«Os  malucos que eu conheci»</p>
<p>Com uma vida cheia de tantas peripécias,  decerto Alberto João Jardim tem matéria para fazer um livro de memórias.  Não o pensa escrever porque acha que não vai ter tempo de vida para  isso. Considera que tem uma certa despreocupação com a história e a  posteridade e tem razão: «Destruí toda a correspondência privada com  políticos porque entendo que quando as cartas são privadas nem os meus  filhos têm o direito de ver o que é que o senhor A, B ou C me disseram a  certa altura.» Após a confissão fica a pensar e acaba por revelar que  só o faria «se não fosse uma coisa maçuda». Acrescenta que, a fazê-lo,  «seriam contadas com um certo humor». Sugere-se um registo à Eça de  Queirós a Jardim, que acaba por revelar o título: «Os malucos que eu  conheci.»</p>
<p>Enquanto não tem tempo para escrever as recordações de  muitas décadas de política activa, a Fundação Social-Democrata da  Madeira comprou a casa onde nasceu para fazer uma Casa-Museu onde João  Jardim vai deixar todo o seu espólio. Muitos livros que tem dentro de  caixotes que não abriu por falta de espaço na sua casa, comprada «ainda  estudante em Coimbra com a herança do meu pai».</p>
<p><em>Notícias Sábado</em>, 17 de Abril de 2010</p>
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		<title>Valença</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Apr 2010 15:40:58 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/1444/valenca" title="Valença"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/uploads/yapb_cache/bandeirasespanholas.6luybs3ggccgoc4osc80so4w0.9wzo4bhiyewwwccsss80skos.th.jpeg" width="80" height="119" alt="Valença" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a>Deixai-me dizer as minhas opiniões sobre o caso das bandeiras castelhanas hasteadas em Valença. A atitude tomada pelos valençanos (alguns) é uma atitude histérica de gente boçal e pouco culta. Irritados porque os privaram de um serviço, puseram-se a berrar, como faria uma mulherzinha do povo zangada com o seu homem, ameaçando matar-se. Se fosse [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/1444/valenca" title="Valença"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/uploads/yapb_cache/bandeirasespanholas.6luybs3ggccgoc4osc80so4w0.9wzo4bhiyewwwccsss80skos.th.jpeg" width="80" height="119" alt="Valença" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a><p>Deixai-me dizer as minhas opiniões sobre o caso das bandeiras castelhanas hasteadas em Valença.</p>
<p>A atitude tomada pelos valençanos (alguns) é uma atitude histérica de gente boçal e pouco culta. Irritados porque os privaram de um serviço, puseram-se a berrar, como faria uma mulherzinha do povo zangada com o seu homem, ameaçando matar-se.</p>
<p>Se fosse um  acto de agradecimento aos vizinhos do norte, hasteariam bandeiras da Galiza, se é que sabem que elas existem, pois é da parte dos galegos que obtiveram um favor, não da parte dos castelhanos. Mas não, não foi um acto de agradecimento. Foi um acto de raiva, de desforço, contra o governo de Lisboa, não se apercebendo os seus autores, que o governo de Lisboa se está nas tintas.</p>
<p>O que o governo de Lisboa quer é precisamente destruir Portugal, entregando-o  de pés e mãos atadas à U. E. Logo, os protestos de Valença são favoráveis à política inconfessável do nosso governo.</p>
<p>Anjinhos foram os valençanos, possivelmente manipulados por alguns agentes anti-pátria.</p>
<p>Abaixo a U.E.! Abaixo o Iberismo! Abaixo este regime democrático que nos destrói! Viva Portugal independente e livre!</p>
<p>Perdoemos aos ingénuos de Valença e agradeçamos a boa vontade dos Galegos!</p>
<p style="text-align: left;"><a href="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/uploads/valencaeespanha.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1445" title="Valença é Espanha" src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/uploads/valencaeespanha.jpg" alt="" width="235" height="193" /></a>A imagem da esquerda foi retirada de <a href="http://diario.iol.pt/multimedia/oratvi/multimedia/imagem/id/13241817/235" target="_blank">http://diario.iol.pt/multimedia/oratvi/multimedia/imagem/id/13241817/235</a></p>
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		<title>RCTV: O Mito e os Factos</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Apr 2010 14:13:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comunicados]]></category>

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		<description><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/1441/rctv-o-mito-e-os-factos" title="RCTV: O Mito e os Factos"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/uploads/yapb_cache/rctvinternacional.9hf6hqxidv0o8kww44ock8gws.9wzo4bhiyewwwccsss80skos.th.jpeg" width="80" height="60" alt="RCTV: O Mito e os Factos" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a>No passado dia 24 de Janeiro, por deliberação da Comissão Nacional de Telecomunicações da Venezuela, foram cortadas as emissões de 6 (seis) canais de televisão por cabo por não estarem a cumprir a lei de registo junto do Registro de Serviços de Produção Nacional de Audiovisual, os canais eram os seguintes: TV Chile, American Network, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/1441/rctv-o-mito-e-os-factos" title="RCTV: O Mito e os Factos"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/uploads/yapb_cache/rctvinternacional.9hf6hqxidv0o8kww44ock8gws.9wzo4bhiyewwwccsss80skos.th.jpeg" width="80" height="60" alt="RCTV: O Mito e os Factos" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a><p>No passado dia 24 de Janeiro, por deliberação da Comissão Nacional de Telecomunicações da Venezuela, foram cortadas as emissões de 6 (seis) canais de televisão por cabo por não estarem a cumprir a lei de registo junto do Registro de Serviços de Produção Nacional de Audiovisual, os canais eram os seguintes: TV Chile, American Network, Ritmo Son, America TV, Momentum e a RCTV Internacional.<br />
De acordo com a lei venezuelana, os canais inserem-se em duas categorias: os de teor Nacional e os de teor Internacional, são considerados como sendo canais de teor Nacional todos os canais cuja programação inclua um conteúdo superior a 70% de produções nacionais.<br />
Os canais de teor Nacional estão sujeitos à emissão dos tempos de antena oficiais, uma vez que se encontram ao abrigo das leis de Serviço Público, como sucede em Portugal ou em qualquer outro país.<br />
Metade dos canais referidos já regularizou a sua situação legal junto das autoridades e, consequentemente, retomaram as suas emissões habituais. Sucede que um dos canais, a RCTV Internacional, persiste no incumprimento da lei.<br />
A RCTV Internacional é o principal canal televisivo da oposição ao governo de Chávez, de modo a evadir-se à obrigatoriedade legal de, como canal de teor Nacional, emitir os tempos de antena oficiais do governo o mesmo, ao abrigo da nova lei e fazendo – pretensamente – jus ao seu nome, declarou-se como sendo um canal de teor Internacional (cujo grosso das emissões consistem de programas produzidos no estrangeiro).<br />
Sucede que uma análise à programação da RCTV Internacional constatou que 94% dos programas desta são, na verdade, de produção nacional! Assim sendo, dificilmente um canal de teor flagrantemente Nacional poderia manter a sua categoria de canal Internacional.<br />
Contudo, em vez de regularizar a sua situação legal – registando-se no Serviço de Produção Nacional de Audiovisual e ficando sujeito à obrigação legal de emitir os tempos de antena oficiais (algo comum inclusive em Portugal, embora pouco utilizado) – a RCTV Internacional tem vindo a causar uma crise nacional – que causou já dois mortos – que tem vindo a ser transformada numa crise internacional pela oposição venezuelana, sendo apresentada como uma qualquer perseguição ou limitação à liberdade de expressão!!!<br />
O Círculo dos Revolucionários Livres vem por este meio manifestar a sua mais sincera solidariedade para com o governo e o povo venezuelanos e o seu mais sincero pesar pela morte dos dois manifestantes, vítimas da manipulação que a oposição tem criado em redor deste caso que, recorde-se, no seu cerne não passa de uma mera formalidade burocrática.<br />
Em nome da nossa simpatia Bolivariana! Em prol da nossa inclinação Pan-Latina!</p>
<p><a href="http://crl.eco-anarquista.org" target="_blank">Círculo de Revolucionários Livres</a><br />
Lisboa, 21 de Fevereiro de 2010</p>
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		<title>Valença e as bandeiras espanholas</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Apr 2010 14:07:32 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Não tenho a menor dúvida em dar razão às pessoas de Valença, que protestam contra o encerramento do seu serviço de saúde. Considero mesmo criminoso que o Estado abandone as populações de fronteira e vire as costas aos portugueses que vivem em todas as portas de entrada (e de saída) do País. Mas daí a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não tenho a menor dúvida em dar razão às pessoas de Valença, que protestam contra o encerramento do seu serviço de saúde. Considero mesmo criminoso que o Estado abandone as populações de fronteira e vire as costas aos portugueses que vivem em todas as portas de entrada (e de saída) do País.<span id="more-1438"></span></p>
<p>Mas daí a solidarizar &#8211; me com as bandeiras espanholas vai um passo do tamanho do planeta. Tenho as maiores dúvidas que do lado de lá da fronteira pegassem em bandeiras portuguesas, para protestarem contra o governo espanhol. Mesmo não gostando de Castela.</p>
<p>É um sinal dos tempos que correm. E um sinal grave e preocupante. Houve épocas em que as populações enfrentavam o poder, ainda que isso lhes pudesse custar a vida ou implicasse a prisão. Hoje erguem bandeiras de outro Estado. Lamento &#8211; o e critico -o. Faço aqui a critica e fá-la-ei brevemente em Valença, dando a cara perante as pessoas cuja acção agora contesto.</p>
<p>Se algo está mal temos direito à revolta, a iniciar protestos, a fazer revoluções, mas nunca a virar as costas à Pátria a que pertencemos. E a Pátria é muito mais do que governos e não se confunde com primeiros &#8211; ministros.</p>
<p><a href="http://arevoltapt.blogspot.com" target="_blank">http://arevoltapt.blogspot.com</a></p>
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		<title>Presidente polaco</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Apr 2010 14:06:17 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Internacional]]></category>

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		<description><![CDATA[Num trágico e brutal acidente morreu o Presidente POLACO. É sem dúvida uma perda grande para a POLÓNIA, mas é também uma perda para quantos se bateram, e batem, por uma Europa livre de directórios, leal à soberania dos Estados &#8211; Nação, solidária com o princípio da igualdade entre países grandes, médios e pequenos. A [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Num trágico e brutal acidente morreu o Presidente POLACO. É sem dúvida uma perda grande para a POLÓNIA, mas é também uma perda para quantos se bateram, e batem, por uma Europa livre de directórios, leal à soberania dos Estados &#8211; Nação, solidária com o princípio da igualdade entre países grandes, médios e pequenos.<span id="more-1436"></span></p>
<p>A sua força e determinação, digo mesmo a sua prova de coragem, ao defender os seus pontos de vista quando se discutia o Tratado de Lisboa, foram e serão um exemplo para quem não abdica dos princípios.</p>
<p>Ficámos mais pobres. Saibamos honrar o seu testemunho.</p>
<p>Paz à sua alma</p>
<p><a href="http://arevoltapt.blogspot.com" target="_blank">http://arevoltapt.blogspot.com</a></p>
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		<title>O mais recente Bilderberg do PSD</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Apr 2010 14:04:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Rangel convidado por Balsemão para encontro do grupo Bilderberg, pode ler-se no comunicado da Lusa reproduzido no IOL Diário. Para aqueles que não estão a par do que se trata, aconselho-vos a leitura do livro Toda a Verdade Sobre o Clube Bilderberg do meu conhecido Daniel Estulin (numas longas e merecidas férias desde que foi [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://diario.iol.pt/politica/balsemao-rangel-paulo-rangel-tvi24-bilderberg/1150218-4072.html">Rangel convidado por Balsemão para encontro do grupo Bilderberg</a>, pode ler-se no comunicado da Lusa reproduzido no IOL Diário. Para aqueles que não estão a par do que se trata, aconselho-vos a leitura do livro <a href="http://www.europa-america.pt/product_info.php?products_id=5600">Toda a Verdade Sobre o Clube Bilderberg</a> do meu conhecido <a href="http://danielestulin.com/">Daniel Estulin</a> <span id="more-1434"></span>(numas longas e merecidas férias desde que foi pai de gémeos) enquanto não chega às lojas o muito aguardado, pelo menos por mim, Diários Bilderberg do veterano <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Jim_Tucker_%28journalist%29">James P. Tucker</a>, pela chancela da <a href="http://antagonistaeditora.blogspot.com/">Antagonista Editor</a><a href="http://antagonistaeditora.blogspot.com/">a</a>, o jornalista que tem desde sempre perseguido o Clube Bilderberg, reunião após reunião. Aconselho também a leitura de <a href="http://cruxe.canal-alfa.net/blog/cultura/eu-sei-que-voce-sabe.html">Eu Sei Que Você Sabe</a> editado pelas Edições Polvo, da autoria de <a href="http://paramimtantofaz.blogspot.com/">Frederico Duarte Carvalho</a>.</p>
<p><a href="http://admiravelmundonovo-1984.blogspot.com" target="_blank">http://admiravelmundonovo-1984.blogspot.com</a></p>
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