<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	>

<channel>
	<title>no-media // portugal &#187; História</title>
	<atom:link href="http://pt.no-media.info/historia/feed" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://pt.no-media.info</link>
	<description>a rede independente de informação</description>
	<pubDate>Sun, 30 Nov 2008 23:32:54 +0000</pubDate>
	<generator>http://wordpress.org/?v=2.6.2</generator>
	<language>en</language>
			<item>
		<title>MEDITAÇÃO SOBRE PORTUGAL</title>
		<link>http://pt.no-media.info/1015/meditacao-sobre-portugal</link>
		<comments>http://pt.no-media.info/1015/meditacao-sobre-portugal#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 30 Nov 2008 14:55:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>viktortora</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>

		<category><![CDATA[História]]></category>

		<category><![CDATA[Política]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pt.no-media.info/?p=1015</guid>
		<description><![CDATA[
 








O dualismo político da Península deve fazer parte do ideário de qualquer legitimista português. Não é uma questão nostálgica. A tradição nada tem de conservadora &#8212; é um valor permanente e, por isso, actual!
 
A criação deste dualismo no passado, quando eram bem menos graves as razões que o ditaram, parece-me um desígnio da Providência. Nessa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="descriptionwrapper">
<p class="description"> </p>
</div>
<div id="content-wrapper">
<div id="main-wrapper">
<div id="main" class="main section">
<div id="Blog1" class="widget Blog">
<div class="blog-posts hfeed">
<div class="post hentry"><a name="6273558925540941643"></a></p>
<div class="post-body entry-content">
<p class="AbWriteCorponormal" style="margin-top: 0pt; font-size: 11pt; margin-bottom: 0pt; margin-left: 113pt; text-indent: 113pt; font-style: italic; text-align: justify;">O dualismo político da Península deve fazer parte do ideário de qualquer legitimista português. Não é uma questão nostálgica. A tradição nada tem de conservadora &#8212; é um valor permanente e, por isso, actual!</p>
<p class="AbWriteNormal" style="margin-left: 113pt; text-indent: 113pt; font-style: italic; text-align: justify;"> </p>
<p class="AbWriteNormal" style="margin-left: 113pt; text-indent: 113pt; font-style: italic; text-align: justify;">A criação deste dualismo no passado, quando eram bem menos graves as razões que o ditaram, parece-me um desígnio da Providência. Nessa altura, tratou-se de um impulso nacional. Hoje, ele impõe-se em nome de um motivo que transcende sonhos renovados de grandeza territorial, atrás dos quais se escondem interesses predominantemente ou mesmo exclusivamente materiais. O porquê do dualismo político na Península está na necessidade de salvar uma civilização.</p>
<p class="AbWriteNormal" style="margin-left: 113pt; text-indent: 113pt; font-style: italic; text-align: justify;"> </p>
<p class="AbWriteNormal" style="margin-left: 113pt; text-indent: 113pt; font-style: italic; text-align: justify;">Portugal e Espanha, os dois povos que, na história do Cristianismo, mais longe levaram a semente do Evangelho e a lançaram em terras virgens da palavra eterna; Portugal e Espanha, duas nações provadíssimas na defesa da ortodoxia, tantas vezes selada com o sangue dos seus melhores filhos, têm agora ocasião soberba de voltar a dar ao mundo um exemplo ainda mais expressivo do que a lição de quinhentos. Numa Europa, que cresce em dimensão geográfica na proporção do seu decaimento político, as duas nações peninsulares podem ensinar que a unidade moral não exige que se risquem fronteiras.</p>
<p class="AbWriteNormal" style="font-size: 11pt; margin-left: 113pt; text-indent: 113pt; font-style: italic; text-align: justify;"> </p>
<p class="AbWriteNormal" style="font-size: 11pt; margin-left: 113pt; text-indent: 113pt; font-style: italic; text-align: justify;">Nunca precisei de odiar Espanha para amar Portugal. E amá-lo como ele merece é tão exigente que não me sobra tempo para sentimentos mesquinhos. De resto, nutro por Espanha sincera amizade e muita admiração. O que, de modo nenhum, diminui a minha preocupação constante, depois do amor a Deus <span style="font-style: normal;">&#8212;</span> servir Portugal como devo e até onde for capaz.</p>
<p class="AbWriteNormal" style="font-size: 11pt; margin-left: 113pt; text-indent: 113pt; font-style: italic; text-align: justify;"> </p>
<p class="AbWriteNormal" style="font-size: 11pt; margin-left: 113pt; text-indent: 113pt; font-style: italic; text-align: justify;">O texto que segue esforçou-se por ser eminentemente português. E, dentro da vocação universalista de Portugal, não é contra povo algum.</p>
<p class="AbWriteNormal" style="font-size: 11pt; margin-left: 113pt; text-indent: 113pt; font-style: italic; text-align: justify;"> </p>
<p class="AbWriteNormal" style="font-size: 11pt; margin-left: 113pt; text-indent: 113pt; font-style: italic; text-align: justify;">Só Espanha cumpriu missão idêntica à nossa: daí, o laço moral que seria trágico esquecer! Mas se é o mesmo o carácter, já os temperamentos revelam distintas particularidades: por isso, deve prevalecer o dualismo político!</p>
<p class="AbWriteNormal" style="font-size: 11pt; text-align: justify;"> </p>
<p class="AbWriteNormal" style="font-size: 11pt; text-align: justify;"> </p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"> </p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Vou discorrer sobre Portugal e quero fazê-lo numa perspectiva de passado, presente e futuro.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Porém, antes de dar entrada nesta matéria, que meta deve ser a nossa? &#8212; Muito simplesmente isto e nunca menos do que isto: orientar a Nação no sentido do seu destino transcendente, para voltar a ligá-la aos valores da civilização que ela espalhou e da cultura que ela transmitiu.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Alguns retorquirão talvez que Portugal, quando iniciou a sua epopeia, era pequeno, mas possuía uma vida estuante, e hoje encontra-se exangue. Dir-me-ão que estamos na indigência e lembrar-me-ão até o ditado: &#8216;Casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão.&#8217; Perfeito: não serei eu quem negue valor a esse adágio de colorido recorte popular, embora lhe contraponha isto que julgo ainda mais verdadeiro: &#8216;Casa onde não há razão, cedo ou tarde todos ficarão sem pão.&#8217; Portanto, trate-se primeiro de pôr ordem na casa; o resto virá depois.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Não me resigno à ideia deprimente de que Portugal morreu. A Pátria está muito doente, entrou mesmo em colapso, mas não é a primeira vez que isto lhe sucede e, conquanto seja esta a mais grave, de todas ela tem saído quase como das cinzas renascia a Fénix mitológica. Eu não acredito no determinismo. O destino fatal só existe quando os homens descrêem de Deus e cruzam os braços. Não vejo causa para desespero total, apesar de muita coisa altamente apreensiva.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">A força de Portugal sempre se afirmou bastante mais no espírito incomensurado do que na matéria extensa: em pequeno corpo pode habitar uma alma grande.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Olhemos melhor o quadro de Portugal:</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Portugal é, nos dias que correm, um País divorciado das glórias que ainda lhe estavam reservadas. E isto, porquê? &#8212; Porque a sua vocação histórica foi abafada, a sua rota foi desviada e tudo aconteceu e permanece de um modo abusivo e traiçoeiro.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">A sua missão era civilizar. Contudo, a partir de certa altura, os seus homens públicos mais eminentes deram a impressão de se envergonhar desse objectivo sublime, parece que começaram a detestar a tarefa entre todas bela que era a de fazer Cristandade. Só ensinando pela palavra e mostrando pelo exemplo a religião católica, se pode realizar obra civilizadora. Assim o entenderam e praticaram os antigos portugueses e, enquanto o entenderam e praticaram, a presença de Portugal no mundo foi fecunda.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">No entanto, aconteceu que a Nação, devido à má política dos que a dirigiam, se apartou a pouco e pouco da sua finalidade principal até que algozes abjectos a manietaram no cadafalso, em que são justiçadas a desonra e a infâmia, como se a Pátria tivesse outra culpa que não fosse a vulnerabilidade à desgraçada sorte de expiar aos pés dos traidores de hoje os crimes de uns traidores de um passado mais ou menos recente.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">De qualquer forma, não seja esta vileza inqualificável, que na sequência de outras prostrou o País, não seja ela, repiso, um peso que diminua as nossas forças para reagir, porque é de esperar que tudo aquilo que de imensamente bom se fez, ao longo de um esforço prolongado de séculos, não ficará estragado pela torpeza de uma demissão execranda. Recordemos a história da nossa Pátria e nela acharemos fartos motivos para cobrar alento e tirar Portugal da miséria em que se atolou. A história contém essas lições admiráveis, e como não estão ainda sepultadas as virtudes ancestrais da Raça, dessa Raça que deu de si «as armas e os barões assinalados» (1), conforme regista o épico, confiemos em que Portugal se erguerá uma vez mais.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">A gesta cantada nas estrofes rimadas de <span style="font-style: italic;">Os Lusíadas </span>perpetua, em certeza e em beleza, a memória de um povo. Quem se envergonha dela? A ignomínia está no quotidiano que vivemos. O passado foi invulgarmente bonito porque estava orientado para um fim grandioso.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Custará muito recuperar essa dimensão, mas Portugal tem de ser redimido. Eu sei que esta ideia é considerada por bastante gente um sonho. Seja! Porém, meditemos bem e já veremos como sonhar redimir Portugal é um anseio lindo. É um anseio lindo, repito, porque depois do sonho pode seguir-se a obra.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Não sonharam aqueles que se passaram a Ceuta, alcançaram a Índia, tocaram no Brasil, atingiram o Oriente, derramaram a civilização e espalharam uma cultura sobre todo este planeta e «isto navegando por tantas mil léguas que vêm a ser antípodas de sua própria Pátria», como disse João de Barros? (2) Eu pergunto, de novo: não sonharam eles? E, no entanto, os oceanos foram sulcados; os continentes estreitaram-se; o nome de Portugal tornou-se conhecido; e as nações habituaram-se a admirá-lo.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Foi uma empresa descomunal para os exíguos recursos materiais de um povo, mas concretizou-se porque os nossos avós souberam converter em realidade aquilo que sonharam. Homens com esperança, eram também homens de acção. E nós, seus herdeiros, devemos seguir-lhes o exemplo, hoje mais do que nunca, porque hoje cumpre-nos apagar a tremenda afronta cuspida sobre as ossadas dos nossos mortos, e lavar o ultraje sem nome que foi lançado sobre a sua veneranda memória.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Junto à povoação da Batalha, levanta-se, conforme é do conhecimento geral, um formosíssimo mosteiro. Recordar aquele monumento consiste, para mim, entre outras coisas, em recordar Mestre Afonso Domingues e o que ele fez. Cabe aqui mais uma interrogação: não sonhou o grande arquitecto? &#8212; Ele não via. Contudo, na noite luminosa da sua cegueira física, descortinou um astro resplandecente de beleza e rutilante de luz. Afonso Domingues, honra e glória da arquitectura nacional, sonhou primeiro e o seu génio criador ofertou-nos, depois, a obra-prima que é a abóboda da sala do capítulo.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">E, de cada encontro com o Mosteiro, fica-me sempre para relatar outra coisa bem mais singular. Acho-me incapaz de dizer que ele pode ser contemplado por qualquer um que chegue à sua beira. Não sei, porque vou ao ponto de admitir que é o Mosteiro a olhar o visitante e que, da sua mudez de pedra, saem palavras sentidas e comovidas que nos contam a razão da sua existência:</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">O Mosteiro nasceu em cumprimento de um voto e assim já deu testemunho, testemunha e testemunhará, enquanto Deus o quiser, a tarde épica que se viveu sobre os campos que lhe são vizinhos, ele traz-nos, no fino lavor da sua traça, os ecos formidáveis de Aljubarrota.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Aljubarrota foi uma polémica rápida, mas uma polémica gigantesca e medonha, em que se respondeu com o tinir de ferros de parte a parte, e a tinta que ali correu era sangue, porque a questão que se dirimia era uma questão de vida ou de morte, era um ponto de honra ou opróbrio, era escolher entre consolidar uma independência ou desaparecer como nação. Os nossos antepassados decidiram-se pelo caminho da honra e, por isso, Portugal sobreviveu para ir ao encontro das glórias que o esperavam, porque, sendo capaz de as ver, soube querê-las e, durante largo tempo, foi digno delas.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Começava um período deslumbrante para a nação portuguesa. Portugal arrancava para escrever na história páginas de um brilho que a memória dos homens não esquecerá, Portugal ia deixar profundamente gravada a lembrança de feitos que são causa de justo orgulho para a nação que os pratica.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Mas em 1587, nos areais adustos de África, uma derrota militar cortou o fio do nosso destino histórico. Ao insucesso bélico somou-se a perfídia de muita defecção. Então, como mais tarde, quando as tropas de Napoleão pisaram o nosso solo, os que franquearam as portas ao estrangeiro, eram naturais da nossa terra. Aí, como no presente, foram estas felonias praticadas por quem firmava em língua portuguesa. Monstruosa aberração!</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Hoje, aquilo a que assistimos, para lá de algumas semelhanças, é uma situação sem paralelo na nossa história, enfim, há uma novidade. E como todas as novidades, também esta desperta curiosidade, embora o seu conteúdo seja muito triste e imensamente trágico. Por isso, antes de prosseguir, convém que ela seja analisada.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Como a seguir à morte de D.Fernando, como depois de Alcácer-Quibir, como durante a regência do futuro D.João VI, o <span style="font-style: italic;">25 de Abril </span>soltou um cortejo de traidores aos sagrados interesses de Portugal. Renegar o chão pátrio é renegar a identidade nacional. Uma miséria dessas, uma baixeza assim profunda, esteve para acontecer depois de 1383, praticaram-na os descendentes dos preclaros varões do início de quinhentos, saborearam-na com gozo os que saíram a receber Junot, e hoje temo-la, mais uma vez, diante dos olhos. Até aqui, as parecenças.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Vou recapitular e desenvolver um pouco mais estas três situações que bem necessário é para poder continuar:</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Com a morte de D.Fernando, surgiu em Portugal uma crise dinástica que trouxe o País na iminência de não chegar a firmar-se como nação livre e independente. Mas devido à actuação de um homem providencial, esse herói e santo que foi Nuno Álvares, flor imarcessível da Cavalaria da Idade Média, devido à sua actuação, torno a insistir, levantava-se o fermento da reacção que depressa se iria espalhando por todo o Reino impedindo assim a fusão do nosso País com Castela. Iniciava-se aí o sábio dualismo político que, volvido um século, faria a glória tanto de Portugal como da vizinha Espanha.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Este movimento vinha dois anos depois a sentar no trono o filho do Justiceiro e de Teresa Lourenço. Nessa hora tremenda da sua vida colectiva, os Portugueses erguiam-se como se formassem um só corpo e juravam fidelidade àquele a quem, familiarmente, tratavam por Mestre. Chegava-se, assim, às Cortes de Coimbra de 1385 que outra coisa não foram senão a cerimónia oficial do que era a expressão de uma legitimidade insofismável: a Nação, devidamente representada, reconhecia a dignidade real de D.João, Mestre de Avis, porque ele reunia às razões fortíssimas do sangue os motivos ainda mais ponderosos de se identificar com os interesses da grei.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Passo agora a panorama diverso, e detenho-me no ano de 1580, quando, pela ausência de chefes, o País soçobrou, enquanto se verificava um ou outro esboço de reacção tíbia da parte de um povo enfraquecido por um lento processo de decomposição moral, de que lhe era dado o tom pela classe dirigente, esquecida das suas obrigações históricas.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Dois anos antes, mergulhara Portugal no desastre material de Alcácer-Quibir. Desastre material, disse eu, porque esse foi o aspecto em que fracassou a jornada de Marrocos. No mais, essa batalha ficará para sempre como uma tentativa do espírito querendo sacudir o jugo da acção que já principiava a desenhar-se: era o esforço para relançar as bases de um império belo e florescente, um império justo e forte, regido por um poder temporal inspirado nos princípios cristãos.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Encabeçou esse movimento o moço Rei D.Sebastião, que não viu concretizado o seu empenho. Deixou-se levar por um temperamento excessivamente arrebatado; cometeu exageros, é certo; e não terá sido um político, muito menos um político frio e calculista. Todavia, foi indubitavelmente a personificação de algo superior e a elevadíssima missão, que projectou, coroada pelo seu trágico desaparecimento, conferiu-lhe uma dimensão histórica invulgar.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Desgraçadamente, com D.Sebastião não se foi só um exército: uma nação em peso, a nação portuguesa, completamente desarticulada, era desviada de um percurso que, cerca de dois séculos antes, se lhe abrira num sorriso esplêndido em Aljubarrota. Quedou-se, pois, Portugal sem rei nem roque, com um Prior do Crato animado, talvez, de bons propósitos, mas incapaz de dar governo a um país desnorteado.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Poucos anos antes, tirara Camões da sua pena estes versos: «O favor com que mais se acende o engenho / Não no dá a Pátria, não, que está metida / No gosto da cobiça e na rudeza / Duma austera, apagada e vil tristeza.» (3). Desta decadência era culpado o escol. E o povo, de rastos, sem chefes há muito tempo, era um imenso corpo passivo e presa fácil do duque de Alba, o qual, à cabeça dos seus aguerridos terços, acabou por entrar em Portugal, garantindo previamente, pela força das armas, as pretensões de Filipe II de Espanha.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Foram já lembrados dois momentos de crise. Examinarei, em seguida, o último que me propus ver com algum vagar, o qual deixou marcas profundíssimas, cujos efeitos se fazem ainda sentir desde que, em Évora-Monte, foi imolada a legitimidade.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Sendo regente o filho de D.Maria I, foi invadido o território de Portugal. Eram os exércitos do tigre da Córsega, que traziam os erros da Revolução de 1789, pretenso remédio a esse mal que foi o regalismo absolutista, gerado com alguma antecedência no mesmo ventre daninho e aplicado entre nós, intencionalmente e com mão de mestre, pelo desumano ministro de D.José I. Precipitavam-se os acontecimentos:a família real retirava-se para o Brasil; no Reino, ficava uma Junta que pouco tempo teria de vida, pois Junot haveria de dissolvê-la. E, no meio dos mais variados acontecimentos, sofrendo o País o luto, a dor e a miséria, que três invasões lhe causaram, lá se conseguiu definitivamente expulsar o inimigo.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Contudo, o ar ficou empestado. Caldeadas e debatidas nas lojas secretas, servidas por um exército bem treinado &#8212; o jacobinismo &#8212; as ideias do século, ajudadas pelas armas triunfantes de Napoleão, que não foi só um fenómeno concomitante, mas o homem que as ocorrências da época pediam, vieram explodir na Revolução de 1820. E, desde então, parece que a paz fugiu do seio da família portuguesa. A Revolução prendeu, nas suas garras afiadas, o corpo de Portugal.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Porém, eu salientei que existia uma novidade na situação implantada pelo <span style="font-style: italic;">25 de Abril</span> . Referi-o há pouco e vou dar provas. </span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Desta vez, ao contrário das outras, Portugal não foi pisado por exércitos vindos de fora, mas aparece trucidado. Quem o julgou e condenou? &#8212; A Revolução Universal! </span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Interporei duas palavras para tentar explicar como eu a entendo, à luz do pensamento religioso e filosófico. Ela é a desobediência aos mandados de Deus e requer ser vista de diferentes ângulos: o ângulo da ordem absoluta; o da ordem relativa; e ainda um terceiro que é a ausência de ordem.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Quando se viola uma ordem que observa os ditames de Deus, estamos perante a Revolução no seu expoente mais formal, porque assistimos a uma atitude que é revolucionária num critério absoluto. Contudo, se contra um ordenamento jurídico iníquo se levanta uma oposição também esquecida da lei eterna, aí temos a Revolução numa dimensão revolucionária relativamente à ordem estabelecida, sem que por isso a ordem ameaçada perca a nota revolucionária que também a inquina. Por fim, sempre que se cai na ausência de ordem ou anarquia, vemos que desse frenesi animal não sai qualquer espécie de ordem e, se nem toda a ordem exclui a Revolução, onde falta ordem está a Revolução!</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Em Portugal, neste momento, está consagrada uma ordem má e, a par dela, impera a anarquia porque a autoridade constituída nem sequer é capaz de impor essa ordem. A Revolução triunfa, pois, em toda a linha. Eis o ser medonho que proferiu a sentença contra a Pátria, sentença executada pelos facínoras que se acobertavam cá dentro. Essa quadrilha de desnaturados sacrificou Portugal como o bandido faz com a sua vítima: implacável e com crueza!</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">O inglês Francis Bacon afirmava o seguinte: «Quando os quatro pilares do governo (que são a religião, a justiça, o conselho e o tesouro) estão abalados ou enfraquecidos pode o povo fazer preces por melhores tempos.» (4). Acontece que em Portugal estremecem os quatro precisamente ao mesmo tempo: a religião católica que, censitariamente, é dominante no País, vê fé e costumes, os dois bens máximos que a informam, entregues nas mãos de um clero onde poucos são os que guardam fidelidade aos votos assumidos; de tribunais, nem falar; os ministérios, que se sucedem uns aos outros, parecem concorrer na ânsia de ver qual é o mais incompetente e o mais abjecto; por último, é lícito perguntar se os cofres públicos, para lá das sonoras declarações políticas sobre a crise mundial, guardam alguma coisa mais de todo este processo de vesânia colectiva <span style="font-style: italic;">.</span> </span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">A desgraça, que atingiu Portugal, alcançou proporções nunca dantes vistas: o País apresenta-se materialmente arrasado e está muito desapoiado porque a asa tutelar dos seus maiores desguarneceu-o desde que a traição e a malvadez, subindo a um grau impensável, inverteram os valores chamando virtude ao crime e infâmia à honra. A subversão instalou-se; a corrupção grassa assustadoramente; e conseguiu-se a proeza espantosa de criar um sentimento de revolta, que é quase geral e toca campos diametralmente opostos.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">É ponto incontroverso que a vida política do País se mostra agitada. Quem o provoca? Quais os culpados? &#8212; Os responsáveis principais são aqueles que, à sombra de uma legislação perversa, permitem um regime de licenciosidade e espalham a certeza da impunidade. Com isto, regresso à afirmação feita atrás de que a Revolução, em Portugal e agora, ganha em todos os campos.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Não continuo sem chamar a atenção de todos e alertá-los contra a enorme e perniciosa influência de certas forças secretas apostadas na ruína da civilização. A sua principal mola está na Maçonaria, que impele a Revolução com o maior dinamismo e a mais certeira táctica. Na funesta acção que desenvolve, ela não hesita em jogar com o conluio de dois poderes pecaminosos: o ateísmo, que rodeia toda a casta de totalitarismos, e a agiotagem da alta finança internacional.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Para escapar à servidão e evitar a almoeda, Portugal precisa de guerreiros, de muitos e santos guerreiros que hão-de pelejar o bom combate. E, acima destes guerreiros, reclama o chefe legítimo. Porque declaro eu isto? &#8212; Pela simples razão de que sustento que não há comunidade sem chefe, porque acho que só ligados estes dois elementos, têm os povos existência digna e saudável, no conjunto harmonioso das figuras vivas dos seus <span style="font-style: italic;">optimates</span>, <span style="font-style: italic;">honorabiles </span>e <span style="font-style: italic;">vulgus</span>, num tempo ditado por razões históricas e num espaço que essas mesmas razões confinam.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Passei de corrida alguns fastos de Portugal. Procurei fazê-lo com clareza e, sobretudo, dentro da verdade. Agora, volvendo os olhos para trás, resta-me esta impressão que infunde ânimo: sempre que os valores supremos da nacionalidade perigaram, os Portugueses pareciam recordar-se do grito lendário de Santa Maria de Almacave &#8212; &#8216;Nós e o nosso Rei somos livres; as nossas mãos nos libertaram!&#8217;</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Os partidos dão-nos essa liberdade? &#8212; Por mim, reputo da mais elementar higiene mental a distinção entre ter ou estar num partido e tomar partido.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Se, na batalha de S.Mamede, seguir o pendão do Infante em lugar de entrar no bando de Fernão Peres de Trava significou tomar partido, também eu havia de tomar partido porque me contariam no meio dos primeiros. Mais tarde, se ir atrás do Mestre de Avis em vez de aclamar D.Beatriz ou mesmo os Infantes D.João ou D.Dinis, é tomar partido, de novo eu o tomaria porque me ligava à sorte do futuro D.João I. Depois, se nas Cortes de Almeirim, imitar Febo Moniz se traduz em tomar partido, lá tomaria eu partido porque as minhas palavras não seriam diferentes das daquele integérrimo procurador do povo. Se lançar-se um homem na procura de rei natural, como sucedeu em 1640, é tomar partido, mais uma vez eu o tomaria porque logo aclamaria o chefe da sereníssima Casa de Bragança. Se, quando os Franceses avançaram sobre Lisboa, ingressar na dura e penosa reacção contra eles, queria dizer que se tomou partido, esse seria o meu comportamento.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">E, ao lado destes exemplos, há mais: há o das lutas intestinas em que nos envolvemos o século passado. Então, se com o regresso de D.Miguel à Pátria, em 1828, dar voz por ele contra o Portugal bastardo, que principiava a instalar-se, é tomar partido, aí voltava eu ao mesmo. Se, mais tarde, aproveitando a revolta contra os Cabrais, entrar na tentativa de restauração tradicionalista, ainda isso é tomar partido, lá me veriam no campo da Legitimidade. Daí para diante, bom, daí para diante, a catástrofe engrossava qual vaga alterosa, para tragar, agora um pouco, logo a seguir mais, este martirizado País.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Tomar partido é, pois, uma coisa boa e deve ser feita quantas vezes for preciso; ter ou estar num partido, nunca! Jogo com palavras? &#8212; Não! Elas são de uma transparência cristalina e encerram um sentido bastante preciso: tomar partido é sinónimo de ir à guerra e voltar; ter partido é um estado contínuo de guerra, pelo menos latente. Neste momento, fiel aos meus princípios, não estou em nenhum partido, mas tomo partido por Portugal e tomo partido pela Tradição. </span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">A Pátria pede que a salvem. Como a Ala dos Namorados, como a peonagem dos concelhos, nós seremos a geração que, estranha aos funambulismos da democracia, não renuncia ao direito de escolher o futuro; como os homens dessa tarde imorredoira ou os conjurados da manhã do 1.º de Dezembro ou, ainda, como os que investiram contra os Franceses, não nos deixaremos entravar com as peias de uma legalidade duvidosa, nem vamos consentir que nos adormeçam com fábulas ocas e utopias vãs.</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Ao longo desta meditação e quando me parecia adequado, fui entremeando versos de Camões. Não desejo fechar sem recomendar aos que me lêem a necessidade de se voltarem cada vez mais atentos para <span style="font-style: italic;">Os Lusíadas. </span>E imediatamente formulo os meus votos mais calorosos para que se compreenda o significado da epopeia que aquele poema nos transmite, e se palpite ao vibrar das notas desse hino de encanto, porque se a Pátria já uma vez se sumiu no olvido da chama crepitante que Camões lhe legou, bem pode acontecer agora que a Pátria reviva, se revivermos a mensagem de Camões!</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 130%;"></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: right;"><span style="font-size: 130%;"><span style="font-size: medium;">Joaquim Maria Cymbron</span></span></p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: right;"> </p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: right;"> </p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"> </p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;">_______________________________________</p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"> </p>
<ol type="1">
<li class="AbWriteNormal">Os <span style="font-style: italic;">Lusíadas</span> , I, v.1.</li>
<li class="AbWriteNormal">Década <span style="font-style: normal;">I, Livro IV, cap.XI.</span></li>
<li class="AbWriteNormal">Os Lusíadas <span style="font-style: normal;">, X, vv.5-8.</span></li>
<li class="AbWriteNormal">Ensaios<span style="font-style: normal;">, 2.ª ed., trad. de Álvaro Ribeiro, cap.XV, Guimarães Editores, Lisboa, 1972.</span></li>
</ol>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"> </p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"> </p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;">NOTA: Hoje, aniversário da data que consagrou o <span style="font-style: italic;">25</span> <span style="font-style: italic;">de</span> <span style="font-style: italic;">Abril</span> , achei oportuno recordar um texto meu publicado há trinta anos. Com as alterações impostas pelo tempo e os necessários reajustamentos formais, ele aqui fica.</p>
<p class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"><a href="http://legitimismo.blogspot.com/">http://legitimismo.blogspot.com/</a></p>
</div>
</div>
</div>
</div>
</div>
</div>
</div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pt.no-media.info/1015/meditacao-sobre-portugal/feed</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>Jogos Africanos</title>
		<link>http://pt.no-media.info/998/jogos-africanos</link>
		<comments>http://pt.no-media.info/998/jogos-africanos#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 25 Nov 2008 16:52:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>viktortora</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>

		<category><![CDATA[Curtas]]></category>

		<category><![CDATA[História]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pt.no-media.info/?p=998</guid>
		<description><![CDATA[Jaime Nogueira Pinto também publicou memórias:
Jogos Africanos, na Esfera dos Livros.
Para apresentar a obra concedeu uma entrevista ao Correio da Manhã.
E apareceu uma &#8220;pré-publicação&#8221; no Jornal de Noticias.
 
http://viriatos.blogspot.com/
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Jaime Nogueira Pinto também publicou memórias:<br />
<a href="http://www.esferadoslivros.pt/livros.php?id_li=124"><span style="color: #bb3300;">Jogos Africanos, na Esfera dos Livros.</span></a><br />
Para apresentar a obra concedeu uma <a href="http://www.correiomanha.pt/noticia.aspx?contentid=5FCEFF43-7AF7-4DEF-B433-A774810B14EB&amp;channelid=00000019-0000-0000-0000-000000000019"><span style="color: #bb3300;">entrevista ao Correio da Manhã</span></a>.<br />
E apareceu uma &#8220;pré-publicação&#8221; no <a href="http://jn.sapo.pt/Domingo/Interior.aspx?content_id=1048608"><span style="color: #bb3300;">Jornal de Noticias</span></a>.</p>
<p> </p>
<p><a href="http://viriatos.blogspot.com/">http://viriatos.blogspot.com/</a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pt.no-media.info/998/jogos-africanos/feed</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>O pacifista</title>
		<link>http://pt.no-media.info/993/o-pacifista</link>
		<comments>http://pt.no-media.info/993/o-pacifista#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 23 Nov 2008 17:52:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>viktortora</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[História]]></category>

		<category><![CDATA[Internacional]]></category>

		<category><![CDATA[Política]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pt.no-media.info/?p=993</guid>
		<description><![CDATA[Ligo a televisão na rtp1 para ver o início das notícias. Fala-se do ataque contra a casa do presidente da Guiné-Bissau, Nino Vieira. Mais à frente, a simpática jornalista informa que o acontecimento sucedeu na sequência da vitória eleitoral que deu a maioria ao PAIGC, partido fundado pelo &#8220;pacifista Amílcar Cabral&#8221;. Ficamos a saber a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="post-body entry-content">Ligo a televisão na rtp1 para ver o início das notícias. Fala-se do ataque contra a casa do presidente da Guiné-Bissau, Nino Vieira. Mais à frente, a simpática jornalista informa que o acontecimento sucedeu na sequência da vitória eleitoral que deu a maioria ao PAIGC, partido fundado pelo &#8220;pacifista Amílcar Cabral&#8221;. Ficamos a saber a verdade, finalmente. Uma jornalista anónima, provavelmente após anos e anos de pesquisa, descobre que afinal Amílcar Cabral era um pacifista. A luta armada contra os portugueses na Guiné-Bissau nunca aconteceu. Entre 1964 e 1973 não morreu ninguém. Em cada mina anti-pessoal era uma mensagem de paz que ressoava. O politicamente correcto, a estupides e a ignomínia não têm realmente travão. O próximo passo é dizer que Agostinho Neto foi um novo Gandhi ou o Luther King africano e os massacres de 1977 um episódio necessário na construção do paraíso. Sempre que parece impossível, o impossível reaparece. Descer ainda mais, continuamente. E atenção: isto não é reescrever a história. Isto não é revisionismo. É o pacifismo e ai de quem se lembre de apodar de terrorista qualquer um dos integrantes do trio. Afinal, eles até foram recebidos pelo Papa, não foi?</div>
<div class="post-body entry-content"><a href="http://acidadedosossego.blogspot.com/">http://acidadedosossego.blogspot.com/</a></div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pt.no-media.info/993/o-pacifista/feed</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>1º de Dezembro 2008</title>
		<link>http://pt.no-media.info/970/1%c2%ba-de-dezembro-2008</link>
		<comments>http://pt.no-media.info/970/1%c2%ba-de-dezembro-2008#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 16 Nov 2008 18:42:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>viktortora</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Curtas]]></category>

		<category><![CDATA[História]]></category>

		<category><![CDATA[Política]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pt.no-media.info/?p=970</guid>
		<description><![CDATA[
Como é habitual, o PNR celebrará o Dia da Restauração da Independência Nacional, a 1 de Dezembro de 2008, com ponto de encontro marcado às 16h na Praça dos Restauradores (Lisboa).
Segue-se uma marcha em direcção à Praça do Município, onde terá lugar um protesto contra a decisão da Câmara Municipal de Lisboa de retirar o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://1.bp.blogspot.com/_F0jj9UaqYRE/SSAM1JkCXiI/AAAAAAAAC-8/ZCm7uyaMTAI/s1600-h/pnr.gif"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5269225671263149602" style="float: right; margin: 0px 0px 10px 10px; width: 200px; cursor: hand; height: 133px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_F0jj9UaqYRE/SSAM1JkCXiI/AAAAAAAAC-8/ZCm7uyaMTAI/s200/pnr.gif" border="0" alt="" /></a><br />
Como é habitual, o PNR celebrará o <a class="link" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Restaura%C3%A7%C3%A3o_da_Independ%C3%AAncia" target="_new"><span style="color: #996699;">Dia da Restauração da Independência Nacional</span></a>, a 1 de Dezembro de 2008, com ponto de encontro marcado às 16h na Praça dos Restauradores (Lisboa).<br />
Segue-se uma marcha em direcção à Praça do Município, onde terá lugar um protesto contra a decisão da Câmara Municipal de Lisboa de retirar o cartaz de propaganda do PNR.<br />
Serão dadas mais informações neste tópico e no site do <a class="link" href="http://www.pnr.pt/" target="_new"><span style="color: #996699;">PNR</span></a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pt.no-media.info/970/1%c2%ba-de-dezembro-2008/feed</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>O Mediterrâneo não é a nossa mãe</title>
		<link>http://pt.no-media.info/919/o-mediterraneo-nao-e-a-nossa-mae</link>
		<comments>http://pt.no-media.info/919/o-mediterraneo-nao-e-a-nossa-mae#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 06 Nov 2008 23:33:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>goncalvf</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[História]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pt.no-media.info/?p=919</guid>
		<description><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/919/o-mediterraneo-nao-e-a-nossa-mae"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/plugins/yet-another-photoblog/cache/pierrevial1.9q0if1dsy3wo0s8cgww840g0w.9wzo4bhiyewwwccsss80skos.th.jpeg" width="80" height="98" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a>Trazendo para a órbita mediática o seu fumoso projecto de união mediterrânica, Sarkozy quis, com certeza, realizar um dos seus &#8220;golpes&#8221; de comunicação graças aos quais finge existir — ou pelo menos faz parecer. Mas, por trás da operação política, está uma operação muito mais importante, de natureza ideológica. Trata-se efectivamente de afirmar ao mundo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/919/o-mediterraneo-nao-e-a-nossa-mae"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/plugins/yet-another-photoblog/cache/pierrevial1.9q0if1dsy3wo0s8cgww840g0w.9wzo4bhiyewwwccsss80skos.th.jpeg" width="80" height="98" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a><p>Trazendo para a órbita mediática o seu fumoso projecto de união mediterrânica, Sarkozy quis, com certeza, realizar um dos seus &#8220;golpes&#8221; de comunicação graças aos quais finge existir — ou pelo menos faz parecer. Mas, por trás da operação política, está uma operação muito mais importante, de natureza ideológica. Trata-se efectivamente de afirmar ao mundo que o mundo mediterrâneo é um bloco unido, soldado por uma pertença comum a uma etnocultura única e destinado a integrar-se, tal e qual, à Europa. Ou, mais exactamente, a essa utopia que é a Euráfrica. No fundo, trata-se de justificar a imigração africana na Europa como sendo um fenómeno inevitável mas benéfico, que permitirá a instalação de uma civilização mestiça, trazida por uma população na qual europeus e africanos se vão fundir numa mistura harmoniosa, pelo exemplo dado pelo mundo mediterrâneo.</p>
<p>É preciso constatar, não sem lamento (pois esta revista trouxe muito ao debate ideológico, apesar de não partilharmos todas as suas posições), que o n.º 129 da revista «Éléments» se inscreve na mesma perspectiva, publicando um dossier intitulado &#8220;Mediterrâneo nossa mãe&#8221;. Um título talvez inspirado no que Thierry Maulnier deu ao seu óptimo livro &#8220;Cette Grèce où nous sommes nés&#8221; [Esta Grécia onde nascemos], publicado pela Flammarion em 1964.</p>
<p>Também no seu editorial Robert de Herte, ou seja Alain de Benoist, faz abundantemente referência à Grécia para exaltar as virtudes mediterrânicas. &#8220;Esquecendo&#8221; que alargar ao conjunto do Mediterrâneo o contributo decisivo, evidentemente incontestável, da Grécia à civilização europeia é um disparate histórico. Inspirado talvez nos conceitos de Danilo Zolo, professor de direito internacional em Florença, que, numa entrevista à «Éleménts», que deseja ver &#8220;reaparecer uma Europa enraizada na sua cultura milenária, com as suas raízes mediterrânicas&#8221;. É necessário recordar a este distinguido universitário que as raízes da Europa são pelo menos tanto célticas, germânicas e eslavas como greco-romanas? E, quando Robert de Herte-Alain de Benoist escreve que o Mediterrâneo &#8220;é um espaço entre terras, o que significa que tanto une como separa&#8221;, introduz necessariamente a ideia, se as palavras têm sentido, que o Mediterrâneo une, num mesmo conjunto, as populações instaladas, desde há milénios, nas terras banhadas por ele: Espanha e Catalunha, Languedoc e Provença, Itália, países balcânicos, Grécia, Turquia, Síria, Líbano, Israel, , Egipto, Líbia, Tunísia, Argélia, Marrocos. O que confirma a apresentação do diário de viagem de Ange-Marie Guerrini (intitulado muito significativamente &#8220;De Toledo a Cartago&#8221;): o Mediterrâneo &#8220;é um conjunto de povos, ligados entre si por influências marítimas e luminosas&#8221;.</p>
<p>Ora no curso da história do Mediterrâneo, longe de ser um traço de união, uma &#8220;ligação&#8221;, foi uma linha da frente. Mesmo quando o império romano fez a unidade política, provisória, do que os romanos chamavam Mare nostrum, foi após confrontos mortais entre Roma e Cartago no plano político e militar, Atenas e Jerusalém no plano filosófico e religioso.<br />
Confrontos que opunham concepções do mundo inconciliáveis — e que ficaram num império romano minado pelo veneno oriental. Confrontos retomados quando o islão tenta submeter a Europa à lei corânica. Como se pode conceber que pertencem ao mesmo espaço cultural e civilizacional Roma e Cartago, Atenas e Jerusalém, a Provença e o Magrebe? É preciso, para afirmar a unidade cultural do mundo mediterrâneo, apoiar-se num postulado ideológico que, como todos os postulados ideológicos, foi, é e será contradito, totalmente, pelo peso das realidades étnicas. Pois é esse o fundo do problema: não existe uma unidade étnica no Mediterrâneo; só há, até hoje, confrontação étnica. As ilusões do período colonial (com a muito famosa &#8220;integração&#8221;, de Dunkerque a Tamanrasset) desfizeram-se nos anos 1950-60, a guerra da Argélia veio lembrar o peso das realidades étnicas.</p>
<p>É no meio do Mediterrâneo que passa a fronteira entre dois mundos: o Norte e o Sul. Sabemos qual é a tese dos terceiro-mundistas (que contam nas suas fileiras com Alain de Benoist, depois da publicação, em 1986, do seu livro &#8220;Europe, Tiers monde même combat&#8221; [Europa, Terceiro mundo, o mesmo combate]): o Norte – quer dizer o mundo branco – é responsável pelas misérias do Sul – quer dizer o mundo não-branco. O Norte deve assim arrepender-se e expiar os seus pecados – particularmente subsidiando largamente e, melhor, acolhendo e sustentando em sua casa populações do Sul (que à época a revista Europe-Action chamava muito justamente não &#8220;subdesenvolvidos&#8221;, mas subcapazes). Qualquer observador minimamente atento e lúcido sabe que o século XXI será o do enfrentamento Norte-Sul, que já começou pois a fronteira mediterrânica é alegremente violada pela imigração. Com efeito, também, o campo ocidental traiu os homens do Norte justificando, pela ideologia dos &#8220;direitos do homem&#8221;, a invasão vinda do Sul. Razão de sobra para recusar tudo o que contribua para justificar essa invasão. Por exemplo, a exaltação de um islão trouxe os refinamentos de uma verdadeira civilização aos bárbaros do Norte.</p>
<p>Este cliché ideológico, que beneficia de uma larga orquestração mediática — vejam-se os protestos suscitados pela sólida obra de Sylvain Gouguenheim[1] — seduziu certos intelectuais (ou seja pessoas muitas vezes alheadas das realidades), desde o século XIX, na Alemanha e noutros sítios. Foi o caso de Nietzsche, a cuja autoridade recorre Robert de Herte apoiar a sua posição. Nietzsche que louvou a &#8220;maravilhosa civilização moura de Espanha&#8221;&#8230; Como a qualquer pessoa que não é perfeita, aconteceu, mesmo a Nietzsche, escrever asneiras — pode-se ser um grande filósofo e não ter uma sólida cultura histórica[2]. O destruidor do cristianismo não compreendeu, ou não quis compreender, que cristianismo e islão são irmãos inimigos porque provenientes da mesma matriz semítica, que é preciso procurar do lado do Sinai. Quanto ao Grande Meio-dia nietzscheano, referido também por Robert de Herte, é preciso lembrar, mesmo assim, que não tem nada que ver com o Sul já que se inscreve numa perspectiva puramente espiritual. Basta, para o saber, ler seriamente o autor de &#8220;Assim falava Zaratustra&#8221;. O que evita lastimáveis contra-sensos, ainda mais incómodos pois são instrumentalizados para justificar o injustificável.</p>
<p>Pierre Vial<br />
in «Terre &amp; Peuple» n.º 37</p>
<p>[1] Aristote au Mont-Saint-Michel. Les racines grecques de l&#8217;Europe chrétienne, Le Seuil, 2008. Veja-se, sobre o &#8220;affaire Gouguenheim&#8221; e as suas razões de ser ideológicas, o artigo de Bernard Fontaine na La Nouvelle Revue d&#8217;Histoire, n.º 37, Julho-Agosto de 2008.<br />
[2] A &#8220;maravilhosa civilização moura de Espanha&#8221; é ilustrada, do século XI ao século XIII, pelos Almorávidas e os Almóadas, fanáticos de Alá vindos de África para &#8220;regenerar&#8221;, em nome da jihad, um islão de Espanha julgado muito brando e precursores dos islamitas actuais no que respeita aos seus métodos &#8220;maravilhosamente civilizados&#8221;. Veja-se a este respeito Philippe Conrad, Histoire de la Reconquista, PUF, 1998. [Edição portuguesa: História da Reconquista, Europa-América, 2003.]</p>
<p>In <a href="http://www.terraepovo.com/" target="_blank"><em>Terra e Povo Portugal</em></a>, 05 de Novembro de 2008</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pt.no-media.info/919/o-mediterraneo-nao-e-a-nossa-mae/feed</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>Gostos&#8230;</title>
		<link>http://pt.no-media.info/902/gostos</link>
		<comments>http://pt.no-media.info/902/gostos#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 01 Nov 2008 03:24:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>goncalvf</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[História]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pt.no-media.info/?p=902</guid>
		<description><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/902/gostos"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/plugins/yet-another-photoblog/cache/estadonovo.ekihrsz4h5kcwcog00k0koogw.9wzo4bhiyewwwccsss80skos.th.jpeg" width="80" height="105" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a>Li  algures que alguém não gostava de Salazar e do Estado Novo predominantemente  por duas razões: a primeira era a “censura” e a “perseguição  política”, a segunda era o “fanatismo religioso”. Esse sujeito  tem todo o direito de não gostar, em retrospectiva,  de Salazar  nem do Estado Novo, por essas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/902/gostos"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/plugins/yet-another-photoblog/cache/estadonovo.ekihrsz4h5kcwcog00k0koogw.9wzo4bhiyewwwccsss80skos.th.jpeg" width="80" height="105" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a><p><span style="font-family: Calibri; font-size: small;">Li  algures que alguém não gostava de Salazar e do Estado Novo predominantemente  por duas razões: a primeira era a “censura” e a “perseguição  política”, a segunda era o “fanatismo religioso”. Esse sujeito  tem todo o direito de não gostar, em retrospectiva,  de Salazar  nem do Estado Novo, por essas ou quaisquer outras razões. Surpreende-me  um pouco, porém, que se tenha desgosto por um estadista e por um regime  político já desaparecidos, o estadista, da vida política, há 40  anos, e o regime político há 34 anos. Tanto mais que a “censura  e perseguição política” e o “fanatismo religioso” não os senti  eu que vivi sempre em Portugal desde o meu nascimento em 1929 até à  “revolução dos cravos” em 1974. Também nunca me apercebi do “fanatismo  religioso”. </span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Calibri; font-size: small;">É  claro que todos temos os nossos preconceitos e os nossos gostos. Eu,  por exemplo, não gosto da democracia e deste governo, por estas simples  razões:</span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Calibri; font-size: small;"> <span style="text-decoration: underline;"> 1º-A democracia como ideal político  é uma utopia</span>. Isto tem sido largamente comprovado desde há muito  tempo, e particularmente nos tempos que correm.</span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Calibri; font-size: small;"><span style="text-decoration: underline;">2º-O  regime político que chamam “democrático”  é simplesmente uma mentira e um ludíbrio</span>. Só favorece os oportunistas  e os desonestos. E desilude amargamente os inocentes que acreditaram  nas suas promessas.</span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Calibri; font-size: small;">Por  isso, eu não quereria para o meu país nem a democracia, nem este governo  democrático. Eu quereria, se fosse possível e o permitissem os corifeus  da democracia, simplesmente, só, apenas isto : um bom governo, um governo  que prestasse atenção ao Povo do meu País e tudo fizesse para elevar  o seu nível de vida de todos os pontos de vista: cultural, cívico,  económico, educacional, sanitário, etc., etc.</span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Calibri; font-size: small;">Para  isso os governantes deviam ser honestos, sinceros, magnânimos, e não  andassem por aí a gastar os dinheiros do Povo nem a arrotar postas  de pescada com falsas promessas. Deviam ser modestos, discretos, profícuos  e altruístas Deviam ser Amigos do Povo que este saberia retribuir com  Amizade. Deviam ser verdadeiramente MINISTROS, que é o mesmo que SERVIDORES.</span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Calibri; font-size: small;">Logo,  dizer que não se gosta de Salazar e do Estado Novo, que se não foram  perfeitos, foram honestos na medida do possível neste país de aldrabões,  como se vê, é apenas “<em>to pay lip service</em>”, como se diz  em inglês, aos mandões hodiernos, não vão eles pensar que somos  “fascistas”. A Verdade liberta, mas muitos portugueses ainda não  o sabem e vivem presos nesta “liberdade” democrática.</span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Calibri; font-size: small;">Dia de Todos os Santos</span></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pt.no-media.info/902/gostos/feed</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>Para uma visão não maniqueísta do Estado Novo: nove breves notas</title>
		<link>http://pt.no-media.info/883/para-uma-visao-nao-maniqueista-do-estado-novo-nove-breves-notas</link>
		<comments>http://pt.no-media.info/883/para-uma-visao-nao-maniqueista-do-estado-novo-nove-breves-notas#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 28 Oct 2008 22:36:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>goncalvf</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[História]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pt.no-media.info/?p=883</guid>
		<description><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/883/para-uma-visao-nao-maniqueista-do-estado-novo-nove-breves-notas"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/plugins/yet-another-photoblog/cache/mil2.9bm3qklpczk08s40k4gg4g848.9wzo4bhiyewwwccsss80skos.th.jpeg" width="80" height="113" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a>1. Nunca gostei do Salazar ou do Estado Novo. Sobretudo, por duas razões:
- pela censura e pela perseguição política (a que sou radicalmente avesso: sou contra a criminalização de qualquer opinião política)
- pelo conservadorismo social e beatismo religioso (como também já devem ter percebido…).
2. Dito isto, a lenga-lenga maniqueísta que, em geral, o PC (Politicamente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/883/para-uma-visao-nao-maniqueista-do-estado-novo-nove-breves-notas"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/plugins/yet-another-photoblog/cache/mil2.9bm3qklpczk08s40k4gg4g848.9wzo4bhiyewwwccsss80skos.th.jpeg" width="80" height="113" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a><p>1. Nunca gostei do Salazar ou do Estado Novo. Sobretudo, por duas razões:<br />
- pela censura e pela perseguição política (a que sou radicalmente avesso: sou contra a criminalização de qualquer opinião política)<br />
- pelo conservadorismo social e beatismo religioso (como também já devem ter percebido…).</p>
<p>2. Dito isto, a lenga-lenga maniqueísta que, em geral, o PC (Politicamente Correcto) produz sobre o Estado Novo é algo que me irrita, desde logo pela ignorância histórica que denota…</p>
<p>3. Assim, antes de mais, importa situar o regime no seu quadro histórico: a instauração da Ditadura Militar, a que se seguiu o Estado Novo, foi uma resposta aos caos (político e financeiro) a que nos levou a I República. Resposta, de resto, saudada por grande parte da população, bem como por grande parte dos intelectuais da época, incluindo o Pessoa…</p>
<p>4. Mesmo os aspectos mais negativos do regime (acima referidos) eram relativamente comuns na época. E não falo apenas dos regimes fascistas (que o Estado Novo não foi), nem dos regimes ditos “democráticos de leste”. Falo, igualmente, dos regimes “democráticos ocidentais”, ainda que em menor escala: o conservadorismo social, por exemplo, era mais ou menos igual em todo o lado…</p>
<p>5. No final da década de quarenta, com o final da Guerra, as coisas, de facto, começaram a mudar. E aí o regime beneficiou da clivagem gerada pela Guerra Fria…</p>
<p>6. No início da década de sessenta começou a guerra colonial. E isso, numa primeira fase, fortaleceu o regime: houve até bastantes republicanos da velha guarda que calaram as suas críticas ao regime em nome da defesa do Império (para quem não saiba, o regime republicano era fortemente “colonialista”).</p>
<p>7. A guerra, contudo, jamais poderia ser ganha militarmente, como se verificou no terreno. Mas a situação era muito delicada, como depois se demonstrou com a descolonização: em (quase) todos os locais, ocorreram guerras civis, particulamente sangrentas…</p>
<p>8. A “tragédia”, que eu acho que o Marcello Caetano intimamente sentia, era essa: qualquer que fosse o caminho, o resultado seria mau… Para além do peso de quinhentos anos de Império que ele sentia sobre os seus ombros (é favor não se rirem…).</p>
<p>9. E isso bloqueou tudo, inclusive uma transição democrática por via pacífica, como aconteceu em Espanha…</p>
<p>In <a href="http://novaaguia.blogspot.com" target="_blank"><em>Nova Águia</em></a>, 27 de Outubro de 2008</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pt.no-media.info/883/para-uma-visao-nao-maniqueista-do-estado-novo-nove-breves-notas/feed</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>Liberdade para a História</title>
		<link>http://pt.no-media.info/854/liberdade-para-a-historia</link>
		<comments>http://pt.no-media.info/854/liberdade-para-a-historia#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 20 Oct 2008 00:38:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>goncalvf</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[História]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pt.no-media.info/?p=854</guid>
		<description><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/854/liberdade-para-a-historia"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/plugins/yet-another-photoblog/cache/historia.5b1eif1yhr0gk0kgk80ossg40.9wzo4bhiyewwwccsss80skos.th.jpeg" width="80" height="80" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a>Excelente editorial de José Manuel Fernandes, hoje no Público, que fala sobre o último delírio de Baltasar Garzón que, numa necessidade crónica de protagonismo, se lembrou de &#8220;julgar o franquismo&#8221;. Mas não é a tentação dos juízes fazerem política que merece a minha atenção, antes o controlo da &#8220;memória histórica&#8221;. Refere muito bem o director [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/854/liberdade-para-a-historia"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/plugins/yet-another-photoblog/cache/historia.5b1eif1yhr0gk0kgk80ossg40.9wzo4bhiyewwwccsss80skos.th.jpeg" width="80" height="80" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a><p>Excelente editorial de José Manuel Fernandes, hoje no <em>Público</em>, que fala sobre o último delírio de Baltasar Garzón que, numa necessidade crónica de protagonismo, se lembrou de &#8220;julgar o franquismo&#8221;. Mas não é a tentação dos juízes fazerem política que merece a minha atenção, antes o controlo da &#8220;memória histórica&#8221;. Refere muito bem o director do <em>Público</em> o artigo de Timothy Garton Ash, &#8220;<a href="http://www.lph-asso.fr/articles/46.html">The freedom of historical debate is under attack by the memory police</a>&#8220;, publicado no <em>Guardian</em> no passado dia 16 de Outubro, sobre &#8220;<em>as tentativas de se criminalizar, nalguns países, versões da história diferentes das aceites pela maioria dos historiadores&#8221;, </em>acrescentando: &#8220;<em>Isto quando eles se põem de acordo, pois já o Presidente Truman disse um dia que nunca conseguia encontrar dois historiadores que estivessem totalmente de acordo e que o pior era ambos terem a certeza absoluta de ser a sua versão a certa</em>&#8220;.</p>
<p>Esta tentativa de controlo e de imposição de &#8220;versões oficiais&#8221; da história, levou, em 2005, o falecido René Rémond e um grupo de historiadores a criar a associação &#8220;<a href="http://www.lph-asso.fr/">Liberté pour l&#8217;Histoire</a>&#8220;, hoje presidida por Pierre Nora que considera &#8220;<a href="http://www.lph-asso.fr/tribunes/44.html">A verdade legal, uma prática dos regimes totalitários</a>&#8220;.</p>
<p>Repito, em conclusão, aquilo que escrevi há uns anos: “<a href="http://penaeespada.blogspot.com/2005/12/fruto-proibido.html">a minha formação em História diz-me que proibir a investigação, por mais loucas ou disparatadas que sejam as suas conclusões, é errado. (…) Devem, isso sim, ser debatidas e, se necessário for, contrariadas com argumentos e provas, em resumo, com outras investigações, nunca com leis</a>”.</p>
<p>In <a href="http://jantardasquartas.blogspot.com" target="_blank"><em>Jantar das Quartas</em></a>, 18 de Outubro de 2008.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pt.no-media.info/854/liberdade-para-a-historia/feed</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>Che, além da imagem</title>
		<link>http://pt.no-media.info/800/800</link>
		<comments>http://pt.no-media.info/800/800#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 08 Oct 2008 23:37:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>goncalvf</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[História]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pt.no-media.info/?p=800</guid>
		<description><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/800/800"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/plugins/yet-another-photoblog/cache/cheguevaraestatua.e3bforb9ga0o8cc88o480sccs.9wzo4bhiyewwwccsss80skos.th.jpeg" width="80" height="106" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a>De repente, o portão não resistiu, cedeu. Uma multidão furiosa partiu pra cima de Guevara, como se fosse estraçalhar o corpo. A polícia assistiu, inerte, como que gostando. A três metros do cadáver, no entanto, como se obedecesse a uma ordem muda, a turba estancou. Podia então ver um rosto terno, calmo, desprotegido, quase sorrindo. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/800/800"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/plugins/yet-another-photoblog/cache/cheguevaraestatua.e3bforb9ga0o8cc88o480sccs.9wzo4bhiyewwwccsss80skos.th.jpeg" width="80" height="106" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a><p>De repente, o portão não resistiu, cedeu. Uma multidão furiosa partiu pra cima de Guevara, como se fosse estraçalhar o corpo. A polícia assistiu, inerte, como que gostando. A três metros do cadáver, no entanto, como se obedecesse a uma ordem muda, a turba estancou. Podia então ver um rosto terno, calmo, desprotegido, quase sorrindo. ‘Então era esse o demônio de que nos falavam?’. As mulheres foram se destacando, tomando a frente. Logo uma disse: ‘que magro!’. Uma outra sussurrou: ‘Tan lindo!’. Uma terceira: ‘Es como Cristo!’. Sem ninguém para dar ordem, a multidão de mulheres e homens rudes, humildes, entrou em fila organizada para passar, serenamente, diante daquele corpo, como se faz em guarda de morto querido”.</p>
<p>A narração acima é da jornalista Helle Alves e está no livro Jornalistas: 1937 a 1997, escrito por José Hamilton Ribeiro. Além do furo internacional – a jornalista, o fotógrafo Antônio Benedito Moura e o cinegrafista Walter Gianello foram os primeiros a reportar a morte de Che – aquele era o primeiro impacto que um dos maiores nomes da esquerda mundial causaria após sua morte. Mas não foi só uma legião de camponeses bolivianos que mudou sua concepção de mundo a partir dele. Embora sua imagem seja forte em todo o planeta, nem todos sabem a extensão do seu legado, principalmente no campo do pensamento político e da interpretação do marxismo, sendo mais notável a sua figura de herói rebelde.</p>
<p>No campo político, um dos principais desafios de Che foi lutar contra o dogmatismo e o burocratismo do sistema soviético, em especial fazendo o contraponto ao stalinismo. Ele alertava para os riscos que Cuba corria ao absorver aspectos que condenava em abril de 1962. “Surgiu em todo o país como um vício nefasto que devemos banir por completo: o afastamento das massas, o dogmatismo, o sectarismo. Por sua causa, o burocratismo nos ameaçava”, diz em seus Textos Políticos.</p>
<p>“O internacionalismo revolucionário, combinado por um sentimento de justiça, o manteve eqüidistante tanto do capitalismo quanto do socialismo soviético”, explica Frei Betto. “Estive três vezes na União Soviética e sou testemunha de que o nome do Che fora proscrito pela nomenklatura. Referia-se a ele como ‘terrorista’. Isso porque, na Conferência de Argel, no início dos anos 60, ele criticou o ‘social-imperialismo da URSS’”, completa. Betto se refere ao famoso “discurso de Argel”, feito em fevereiro de 1965, que evidencia a ruptura de Che com a URSS, e também se trata de uma crítica à política cubana.</p>
<p>Àquela altura, Cuba discutia acordos comerciais com os soviéticos. Che, apesar de reconhecer no discurso o aumento do fornecimento de açúcar ao Leste Europeu, ressaltava que os meios de pagamento eram deficitários para Cuba, reproduzindo de alguma forma os termos de intercâmbio clássicos entre os países centrais e periféricos (um fornece equipamentos e máquinas enquanto o outro fornece matérias-primas). A diferença é que isso se estava dando não entre nações capitalistas e sim socialistas. “Como se pode chamar de ‘benefício mútuo’ a venda, aos preços do mercado mundial, de produtos brutos que custam aos países subdesenvolvidos esforços e sofrimentos sem limite e a compra, também aos preços do mercado mundial, de máquinas produzidas nas grandes fábricas automatizadas da atualidade?”, criticava. “Se estabelecermos esse tipo de relacionamento entre dois grupos de países, temos que reconhecer que os países socialistas são, até certo ponto, cúmplices da exploração capitalista.”</p>
<p>As críticas que já fazia internamente em Cuba agora eram ditas em alto e bom som em uma conferência internacional, com a presença de observadores soviéticos. E era coerente com falhas que Che tinha atentado no pensamento de Marx, uma omissão de dois elementos considerados fundamentais por ele: a teoria do imperialismo e a da pauperização.</p>
<p>De acordo com Manolo Monereo Pérez, em seu Che Guevara: Contribuição ao Pensamento Revolucionário, o revolucionário “considera que um dos erros mais graves de Marx é não levar em conta, em sua análise do capitalismo, o imperialismo e seu caráter polarizador; e, portanto, não situar no centro a contradição entre países imperialistas e países subdesenvolvidos ou dependentes e como esta contradição afeta a oposição entre capital e trabalho nos paí­ses centrais. Partia da análise de Lênin quanto a uma ordem hierárquica e um desenvolvimento desigual da cadeia imperialista”.</p>
<p>“Che rejeitou os modelos da Europa Ocidental de um socialismo que clama a ‘conquistar o capitalismo com seus próprios fetiches’”, esclarece Peter McLaren, professor da Universidade da Califórnia. “Também desafiou a visão economicista do socialismo, que considerava a esfera econômica como um sistema autônomo governado por suas próprias leis e valores ou pelo mercado, com uma visão mais política do socialismo, que coloca a idéia de que os preços e a produção são baseados em critérios sociais, éticos e políticos. O marxismo de Che era, nesse aspecto, essencialmente antidogmático.”</p>
<p>No discurso da Conferência de Argel, ele criticou ainda o que chamava de falta de “solidariedade internacional” em relação a países como o Vietnã, que pouco antes começara a ser bombardeado pelos estadunidenses, atacando de forma indireta a URSS e também a China. De novo, nada mais coerente com uma linha concebida por ele e adotada de forma prática.</p>
<p>O novo homem</p>
<p>Michael Löwy, em seu O Pensamento de Che Guevara, compreende que a interpretação de Che a respeito de O Capital, consegue resgatar a dimensão humana da obra de Marx, entendendo que isso não contraria seu caráter científico, “mas, pelo contrário, se encontra dialeticamente ligado a ele”. Isso fica claro em seus Textos Políticos, onde diz: “O peso desse monumento da inteligência humana é tal que nos faz esquecer freqüentemente o caráter humanista (no melhor sentido da palavra) das suas preocupações. O mecanismo das relações de produção e sua conseqüência, a luta de classes, escondem, em certa medida, o fator objetivo de serem os homens que se movem na atmosfera histórica”.<br />
De acordo com Löwy, Che distingue o humanismo de Marx de outros tipos de humanismo: o filantrópico, o burguês e o cristão tradicional. Para o autor, “tanto o humanismo de Che como o de Marx estão ‘empenhados’ explicitamente numa perspectiva da classe operária, contra todo o humanismo abstrato que se pretende ‘para além das classes’ (e que é, em última análise, burguês); opõem-se, pois, radicalmente, ao ‘mau humanismo’ por essa premissa fundamental: a libertação do homem e a realização das suas potencialidades não podem ser alcançadas senão pela revolução proletária, que elimina a exploração do homem pelo homem e instaura o domínio racional dos homens sobre seu processo de vida social”. Esse pensamento iria, aliás, ao encontro de Rosa Luxemburgo, que reconhece uma moral humanista do marxismo, mas observa que toda moral e todo humanismo tem, necessariamente, um caráter de classe, enquanto não for instaurado o comunismo.</p>
<p>Mas como definir o humanismo de Che diante de alguém que, ao mesmo tempo, defende a “morte impiedosa do opressor”? Essa aparente contradição é feita reiteradas vezes principalmente por políticos ligados à direita que, em geral, vêem sentido em ditaduras alinhadas a sua postura política mas tratam do revolucionário como “terrorista”. Löwy não vê tal contradição já que, para o humanismo revolucionário, a guerra empreendida pelo povo é a única resposta necessária e a única possível dos oprimidos contra os opressores que patrocinam a violência institucionalizada.</p>
<p>“Na atual conjuntura latino-americana, a luta armada só interessa aos fabricantes de armas e à extrema direita. No entanto, como princípio, defendido por Santo Tomás de Aquino e o papa Paulo VI na encíclica Populorum Progresio, ela é legítima, desde que não reste ao povo outro recurso para demover o tirano senão a legítima defesa das armas. Essa é uma interpretação humanista da tradição judaico-cristã, incorporada pelo marxismo”, entende Frei Betto.</p>
<p>Peter McLaren tece uma consideração interessante a respeito de como a teoria revolucionária de Che foi absorvida inclusive por setores católicos na América Latina. “Figuras religiosas como Dom Helder Camara e Oscar Romero falaram de ‘trindade de sangue’, três níveis de violência: violência estrutural, violência revolucionária e, por fim, reacionária”, explica. “O primeiro nível, ou violência do ‘pai’, seria a opressão social, econômica, política, do sistema militar e de arranjos, codificada na lei e nos hábitos e que é responsável por dezenas de milhares de mortes de inocentes em todo mundo diariamente. A violência revolucionária, o segundo tipo, ou violência do ‘filho’, seria a resposta à violência de primeiro nível, a estrutural. A reacionária, ou ‘diabólica’, consistiria na resposta do Estado a atos de revolta contra a violência estrutural”, descreve.</p>
<p>Ainda segundo o professor, a revolucionária é a única violência que pode ser justificada, pelo menos teoricamente, como forma dos trabalhadores defenderem suas famílias da agressão exercia pelos representantes ricos da violência de primeiro e terceiro níveis. “Mesmo a figura de Jesus revela alguma simpatia com os objetivos da violência de segundo nível, já que ele era bastante simpático à insurreição contra a ocupação romana, embora tenha praticado a resistência da não-violência”, pontua.</p>
<p>Luiz Bernardo Pericás, em Che Guevara e o Debate Econômico em Cuba, acredita que esse tipo de enfoque pode levar à interpretação de Che como um homem conduzido por inspirações éticas ou quase “religiosas”. Ele adota a definição do cubano Raúl Fornet-Betancourt como a que melhor expõe a relação entre Guevara e o que entende por humanismo revolucionário. “Já que, segundo Guevara, o comunismo de Marx representa um programa humanista, cuja especificidade consiste em que este ‘objetivo de humanidade só pode ser alcançado conscientemente’, ele interpreta a teoria de Marx no sentido do humanismo e do novo homem, para, com isso, acentuar precisamente a decisiva importância da subjetivação do homem no desenvolvimento histórico, como resultado de um processo conscientemente executado de autolibertação. Pois o humanismo do novo homem significa, para Guevara, progresso no curso daquela dialética da emancipação que, exatamente, é libertadora porque é executada pelo homem concreto na sua situação histórica”.</p>
<p>A imagem que perdura</p>
<p>A presença de Che ainda pode ser vista em inúmeras citações por líderes de esquerda de todo o mundo, em camisetas e objetos dos mais variados e também na produção cultural principalmente dos países da América Latina. Um feito para alguém morto há 40 anos. No entanto, é na América Latina que o revolucionário deixa sua impressão mais forte. Che é citado freqüentemente, por exemplo, pelo presidente venezuelano Hugo Chávez como um dos inspiradores de seu “socialismo do século XXI”. Ele ainda se faz notar em inúmeras outras áreas.</p>
<p>É importante ressaltar que outra contribuição importante de Che à esquerda é justamente o fato de ter sido um dos primeiros teóricos do marxismo a deslocar o foco do setor urbano e dar importância fundamental aos camponeses. Isso explica o fato de ter influenciado a Frente Sandinista na Nicarágua, o exército zapatista no México e o MST no Brasil. Cada qual adaptou a sua maneira os ideais guevaristas, mas a sua marca é nítida em todos eles.</p>
<p>“A sua presença no imaginário latino-americano se deve à força e à multiplicidade de representações que o cerca: há muitos ‘Ches’: Che mártir, herói, santo, guerrilheiro, irmão etc. Isso ocorre após sua morte e a divulgação, muito impactante, da foto de seu cadáver, seu rosto com expressão sofrida e os olhos entreabertos, que lembra muito a imagem de Cristo”, analisa a historiadora Mariana Villaça. “Sua figura passa a ser moldada às ansiedades de cada contexto de luta política: para a esquerda cristã, ele é o exemplo de homem abnegado, humilde, solidário; para os grupos guerrilheiros ele é o soldado implacável, eficiente, que conhece as montanhas e sabe usar como ninguém sua metralhadora, e assim por diante”.</p>
<p>Villaça elaborou uma tese de doutorado que tem como tema As Representações de Che Guevara na Canção Latino-Americana e descreve também como ele enxergava o papel dos artistas na luta revolucionária. “Che partia do princípio de que, em geral, os artistas e intelectuais não eram revolucionários autênticos, pois haviam sido marcados pela formação burguesa, então, esses segmentos deveriam se livrar dessa mácula nociva que ele chamava de ‘pecado original’ e para isso deveriam trabalhar a serviço da revolução em qualquer função que lhes fosse atribuída, esquecer suas expectativas individuais, a liberdade formal, as buscas estéticas, os experimentalismos, a fim de promover a educação do povo através de uma arte pedagógica”, conta. “Naturalmente, sua ideologia deve ser contextualizada: nos anos 60, em Cuba, a prioridade ‘zero’ era fazer a revolução ter êxito e se manter a todo custo”.<br />
Em relação às inúmeras canções que se inspiram em Che, Villaça observa que “pelo que averigüei, muitas músicas sul-americanas exaltam o mártir, com uma aura cristã (que é diferente do herói ou do militante): se fala de Che como daquele que deu a vida conscientemente, em sacrifício, para defender o povo. Mas em Cuba, por exemplo, a imagem recorrente nas canções é a do herói que morreu em plena luta, o ‘comandante’, o bravo revolucionário que precisa ser vingado”, explica, lembrando que as canções proliferam principalmente após sua morte, com uma significativa produção que se inicia no fim de 1967 e avança por todo o ano de 1968, embora se estenda por anos.</p>
<p>Pela recorrência de sua imagem em produtos como camisetas e outros objetos, estaria a imagem de Che sendo banalizada em detrimento de suas idéias? O sociólogo Emir Sader é peremptório ao afirmar que não. “Che ainda permanece hoje por conta de sua idéia de rebeldia, indignação moral e militância generosa, pelos seus critérios políticos e éticos e, principalmente, pela sua audácia revolucionária”, assegura. Ele refuta que sua figura tenha sido absorvida pela sociedade de consumo. “A imagem dele é diferente da de um Michael Jordan ou do Ronaldinho Gaúcho. É justamente por passar um ideal de rebeldia que faz com que ele seja a imagem mais vista do mundo”, acredita.</p>
<p>Já Frei Betto tem uma avaliação mais cautelosa. Ele acredita que “o sistema aprendeu que cooptar um símbolo é a melhor maneira de neutralizar seu significado. Assim, faz de Francisco de Assis um mero amigo dos animais e pioneiro da ecologia, encobrindo seu gesto contra o capitalismo nascente; de Gandhi um mero pacifista, encobrindo sua luta contra o império britânico; de Che um retrato charmoso estampado na camiseta, encobrindo sua opção revolucionária pela libertação da América Latina”.</p>
<p>“Por que a vida de Che virou uma commodity de modo tão intenso? Porque se segue o mesmo processo de tentar transformar em mercadoria até o ar que respiramos”, ironiza Peter McLaren. Ele acrescenta que é importante, apesar disso, permanecer tendo os ideiais guevaristas como um farol para o ideário da esquerda. “Ele buscou criar as condições necessárias para uma sociedade qualitativamente diferente da capitalista, uma alternativa verdadeiramente libertadora ao capital em todas as suas formas, uma revolução total que poderia transcender o valor do trabalho”, diz. “Che não viveu para ver sua missão completa e é pouco provável que nós vivamos para isso, o que não significa que possamos diminuir nossos esforços. Na verdade, devemos aumentá-los para trazer um futuro socialista trabalhando para construir uma sociedade socialista no presente.”</p>
<p>O maior político argentino do século XX</p>
<p>Embora tenha se notabilizado pela trajetória construída fora da Argentina, onde nasceu, Che Guevara foi eleito por seus conterrâneos o maior político e personagem histórico do século XX no país. Ele obteve 59,8% dos votos dos 2 milhões de participantes de uma enquete realizada pelo programa de televisão “El gen argentino”. Ele deixou para trás nomes como o de Evita Perón e também de seu marido, Juan Perón, que comandou o país em três ocasiões distintas.</p>
<p>Mariana Gainza, natural de Buenos Aires e doutoranda em Filosofia na Universidade de São Paulo (USP), esclarece que a figura do revolucionário foi resgatada em seu país juntamente com o colapso do modelo neoliberal no fim dos anos 90. “Ele foi resgatado como um ícone quando o povo saiu às ruas. Houve uma grande aceitação dele em vários grupos com diferentes orientações”, conta. “Acredito que isso aconteceu para se poder refletir sobre as mudanças que tinham que ser feitas e pelas idéias e nobreza que ele inspirava.”</p>
<p>In <a href="http://www.revistaforum.com.br" target="_blank"><em>Revista Fórum</em></a>, nº 55, Outubro de 2007</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pt.no-media.info/800/800/feed</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>A actualidade de Tintim</title>
		<link>http://pt.no-media.info/755/a-actualidade-de-tintim</link>
		<comments>http://pt.no-media.info/755/a-actualidade-de-tintim#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 27 Sep 2008 16:59:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>goncalvf</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[História]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pt.no-media.info/755/a-actualidade-de-tintim</guid>
		<description><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/755/a-actualidade-de-tintim"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/plugins/yet-another-photoblog/cache/aestrelamisteriosa.nyy9g5w535co48o4o84s848k.9wzo4bhiyewwwccsss80skos.th.jpeg" width="80" height="111" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a>O Mundo vive uma crise económico-financeira de proporções ainda não quantificáveis, porque está para ficar e durar. Começou nos Estados Unidos da América, rapidamente chegou à Europa, e neste momento não há Continente ou País que já não sinta os seus efeitos. Sete anos de Capitalismo Selvagem, selvática e criminosamente fomentado e protegido pela Administração [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/755/a-actualidade-de-tintim"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/plugins/yet-another-photoblog/cache/aestrelamisteriosa.nyy9g5w535co48o4o84s848k.9wzo4bhiyewwwccsss80skos.th.jpeg" width="80" height="111" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a><p>O Mundo vive uma crise económico-financeira de proporções ainda não quantificáveis, porque está para ficar e durar. Começou nos Estados Unidos da América, rapidamente chegou à Europa, e neste momento não há Continente ou País que já não sinta os seus efeitos. Sete anos de Capitalismo Selvagem, selvática e criminosamente fomentado e protegido pela Administração liderada por George W. Bush, são os responsáveis por tudo o que se está a passar. E a impunidade da Plutocracia é evidente em todo o processo!</p>
<p>Wall Street é o símbolo da usura, tão bem definida por Ezra Pound. A ela se devem as maiores crises, desde o Crash de 1929. Com o fim de Primeira Guerra Mundial, o centro económico-financeiro passou de Londres para Nova Iorque, da City para Wall Street, e nunca a instabilidade dos mercados foi tantas vezes posta à prova. E tudo por culpa da Oligarquia Financeira Transnacional!</p>
<p>Em 1942, o repórter Tintin envolve-se em mais uma aventura. Naquela noite fazia um calor insuportável. Passeando com Milu, Tintin percebe que uma enorme estrela brilhava na constelação da Ursa Maior. A estrela misteriosa aumentava a cada instante, tornando mais forte o calor.<br />
No Observatório, Tintim descobre que se tratava de um gigantesco meteorito vindo em direcção à Terra. A colisão acarretaria o fim do mundo! Contudo, o mundo não termina, porque o meteorito passa a raspar a Terra. Mas um pedaço dele cai no oceano Árctico, originando um pequeno terramoto.</p>
<p>Um astrónomo descobre no meteorito um metal desconhecido - o calystène. Então, uma expedição científica, comandada pelo capitão Haddock, vai atrás do precioso meteorito.</p>
<p>Mas o interesse pela exploração económica do calystène leva também uns aventureiros sem escrúpulos a tentar apossar-se dele. Tintin e seus amigos terão de enfrentá-los nessa corrida, em que seus inimigos usam de toda sorte de golpes baixos para chegar na frente.</p>
<p>Os inimigos da expedição organizada pelos Fonds Européen de Recherches Scientifiques, F.E.R.S., da qual faz parte o Físico e Professor da Universidade de Coimbra Pedro João dos Santos, estão representados, originalmente, pelo Banco Blumenstein, do banqueiro Blumenstein que financia e dirige à distância a expedição do PEARY.</p>
<p>E quando o Kentucky Star se aproxima do meteorito, desce um escaler, no qual, originalmente, é bem visível a bandeira dos EUA! Mas do Aurore já tinha sido um hidroavião com Tintin a bordo que vai descer em pára-quedas no solo do meteorito em primeiro lugar, ficando a posse do dito nas mãos da F.E.R.S..</p>
<p>Nada de mais simbólico e actual. Hergé, ao escrever esta aventura, em plena Segunda Guerra Mundial, como que antecipa o futuro. O Capitalismo é o vencedor da contenda, quer o Capitalismo de Mercado simbolizado pelos EUA, quer o Capitalismo de Estado simbolizado pela então URSS.</p>
<p>Nesta batalha pela posse do meteorito não são os EUA e a sua Banca que ganham. Aqui a lei do mais forte não venceu!</p>
<p>E agora, como será?</p>
<p>In <a href="http://avozportalegrense.blogspot.com/2007/11/desabafos_09.html" target="_blank"><em>A Voz Portalegrense</em></a>, 25 de Setembro de 2008</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pt.no-media.info/755/a-actualidade-de-tintim/feed</wfw:commentRss>
		</item>
	</channel>
</rss>
