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	<title>no-media // portugal &#187; História</title>
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		<title>Em Nome da Pátria</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Nov 2009 18:04:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Tribuna Livre]]></category>

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		<description><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/1422/em-nome-da-patria" title="Em Nome da Pátria"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/uploads/yapb_cache/emnomedapatria.dec122kx6gowowwww8cgw4ckk.9wzo4bhiyewwwccsss80skos.th.jpeg" width="80" height="123" alt="Em Nome da Pátria" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a>O nosso Amigo (todos os amigos de Portugal  são nossos Amigos), o Sr. Tenente Coronel Aviador João José Brandão Ferreira, escreveu um livro que foi lançado no mercado há bem pouco tempo. Acho que todo o Português patriota não deve deixar de o ler. Comecei a lê-lo anteontem. Ainda só vou na página 106 e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/1422/em-nome-da-patria" title="Em Nome da Pátria"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/uploads/yapb_cache/emnomedapatria.dec122kx6gowowwww8cgw4ckk.9wzo4bhiyewwwccsss80skos.th.jpeg" width="80" height="123" alt="Em Nome da Pátria" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a><p>O nosso Amigo (todos os amigos de Portugal  são nossos Amigos), o Sr. Tenente Coronel Aviador João José Brandão Ferreira, escreveu um livro que foi lançado no mercado há bem pouco tempo. Acho que todo o Português patriota não deve deixar de o ler. Comecei a lê-lo anteontem. Ainda só vou na página 106 e por enquanto apenas me surgem no espírito  estas duas palavras: &#8220;Verdade e Lucidez&#8221;. Parece que estou a ver o passado revivido através dum filme bem contado: as eleições de 58, a bravata anti-salazarista de Humberto Delgado, que fora um eminente apoiante do grande estadista; a aventura dum emocionalmente desequilbrado Henrique Galvão, o ex-menino bonito de Salazar (&#8220;Este Henrique é tão inteligente que nem parece tropa&#8221;, teria dito Salazar, que inteligente como era também se enganou&#8230;); o incidente do Santa Cruz, que também me levou uns dias para a ilha do Sal, nas tripulações dos três aviões da TAP &#8212; os Lockheeed Superconstellation &#8212; que aí ficaram parados (Três Aviões Parados) à espera de grandes acontecimentos, que não aconteceram; a invasão de Goa, que me apanhou nesse território português, e do qual escapei em circunstâncias dramáticas no CS-TBA, que voou sem luzes  para Karachi  de noite a 500 pés de altitude, felizmente com tempo óptimo e um luar esplendoroso num céu limpo que me permitiu fazer duas posições-astro (Comandante Manuel Reis, já falecido, Copiloto Major Ribeiro, já falecido, Mecânicos de Voo Coragem e Hipólito, já falecidos, Navegador P. Reis, ainda não falecido; do resto dos tripulantes não conheço a sorte.). Os Goeses deixaram-me saudades. Vi-os chorar quando o aviso Afonso de Albuquerque foi posto fora de combate pelos navios de guerra indianos postados ao largo. Alguns deles vieram connosco para Lisboa gratuitamente.Eram Portugueses! A mentira venceu-nos, como nos vence no tempo actual. Nunca o governo do Estado Novo reconheceu Goa anexada como território indiano. Foi precisa para o reconhecer como tal a traição do 25 de Abril e a traição de Mário Soares, o democrata da corda, que não teve pejo de ir à Índia pavonear-se de turbante na cabeça em cima  dum elefante e de visitar  Damão, onde teve esta exclamação idiota perante damaneses: &#8220;Ah, vocês ainda falam português?!&#8221; Etc., etc.</p>
<p>Para já, só quero citar Brandão Ferreira, quando escreve:</p>
<p>&#8220;&#8230; durante 600 anos, os Portugueses lutaram em quase todos os continentes e mares do planeta na defesa dos seus objectivos nacionais e dos perincípios em que acreditavam&#8230;..&#8221;</p>
<p>&#8220;Todavia, o que nunca tinha acontecido na História de Portugal foi a rendição incondicional, a meio de um conflito de baixa intensidade (que ainda por cima controlávamos e do qual estávamos a  sair viotoriosos), com a entrega precipitada e leviana de todo o património, interesses e ideais que sucessivas gerações de Portugueses se haviam batido por defender durante tantos anos.<br />
E tudo isso no meio  de um clima geral de aparente contentamento e euforia! A desorientação foi (e é) tanta que, numa atitude nunca vista, assumimos oficialmente a esmagadora maioria dos argumentos defendidos pelos nossos inimigos&#8230;</p>
<p>Afinal, talvez a opinião que tinha Salazar a respeito dos tropas não fosse errada, excepções à parte, uma das quais é sem dúvida o nosso Amigo Brandão Ferreira.</p>
<p>&#8220;&#8230; os combatentes começaram por ser execrados e condenados por lutarem numa guerra &#8220;imperialista&#8221;, ao serviço dos &#8220;colonialistas&#8221; e de um &#8220;governo fascista&#8221;. Foi-lhes imposto um condicionalismo psicológico e cerca de  um milhão de homens ficou arrumado nas prateleirasd do esquecimento e da ignomínia. Exaltaram-se os desertores.&#8221;</p>
<p>&#8220;Entretanto, surgiu inclusivamente um militar e académico  americano, imparcial,  que decidiu estudar o &#8220;modo português de fazer a guerra&#8221; para depois concluir que as FA portuguesas tinham levado a cabo &#8220;um notável feito de armas&#8221; que superara mesmo a actuação de grandes potências noutros teatros de guerra contemporâneos.</p>
<p>Até breve!</p>
<p>&#8220;Em nome da Pátria&#8221;, de João José Brandão Ferreira: Portugal, o Ultramar e a Guerra Justa</p>
<p>Muitos parabéns, Sr. Tenente-Coeronel! Como Português muito lhe agradeçol!</p>
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		<title>Rolão Preto: “Isto vai, com Deus!”</title>
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		<pubDate>Sat, 24 Oct 2009 15:57:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Recortes de imprensa]]></category>

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		<description><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/1414/rolao-preto-%e2%80%9cisto-vai-com-deus%e2%80%9d" title="Rolão Preto: “Isto vai, com Deus!”"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/plugins/yet-another-photoblog/YapbThumbnailer.php?post_id=1414&amp;w=80" width="80" height="113" alt="Rolão Preto: “Isto vai, com Deus!”" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a>A ideia de que só a esquerda é revolucionário nasce da incultura histórica de uns e da propaganda de outros. A equação direita = conservadorismo é uma simplificação grosseira. O caso de Rolão Preto mostra-o bem. Quis uma Revolução Nacional a duas velocidades, tranquila e veloz. Não contava tal motor anímico com uma embraiagem legalista [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/1414/rolao-preto-%e2%80%9cisto-vai-com-deus%e2%80%9d" title="Rolão Preto: “Isto vai, com Deus!”"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/plugins/yet-another-photoblog/YapbThumbnailer.php?post_id=1414&amp;w=80" width="80" height="113" alt="Rolão Preto: “Isto vai, com Deus!”" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a><p>A ideia de que só a esquerda é revolucionário nasce da incultura histórica de uns e da propaganda de outros. A equação direita = conservadorismo é uma simplificação grosseira. O caso de Rolão Preto mostra-o bem. Quis uma Revolução Nacional a duas velocidades, tranquila e veloz. Não contava tal motor anímico com uma embraiagem legalista chamada António de Oliveira Salazar. Em 1934 a União Nacional proclamava a homogeneidade e a coesão. No ano seguinte Rolão Preto revoltava-se e era preso. Queremos o Rei e os Sovietes, foi um dos seus lemas. Magnífico!</p>
<p>Em 1916 um jovem português estudante da Universidade de Toulouse recebia a visita de uma ilustre figura bem mais velha do que ele, um dos Apóstolos da República de 1910.</p>
<p>O visitante chamava-se Sebastião Magalhães Lima, o visitado Francisco Barcelos Rolão Preto. Este nascera em 1893 – alguns dizem 1894, outros 1896 &#8211; , aquele em 1851, o primeiro era socialista, jacobino e maçon – seria desde 1907 Grão-Mestre daquela obediência – o segundo, fundador do Integralismo Lusitano e anarco-sindicalista, nacionalista sempre.</p>
<p>Num livro que publicaria em 1942 e a que chamou ‘Para Além da Guerra’ – a Segunda Guerra Mundial estava então no auge – Rolão Preto dá conta desse encontro. Lima procurara-o “para conhecer o verdadeiro sentido de inquietação da Mocidade do meu tempo”.</p>
<p>“Ao velho apóstolo assaltara-o amargo de receio de que a minha geração fosse fútil e vã, não conseguindo libertar-se, esboçada uma atitude do pecado de snobismo e superficialidade de que a acusavam”, confidencia.</p>
<p>Nesse instante o jovem estudante formava-se interiormente para a Nova Ordem, contra o individualismo burguês de um Estado de eleitores, contra o capitalismo de uma Nação de mercadores amorais.</p>
<p>Idealista inflamado, ainda estudante saíra de Portugal para se unir às forças de Paiva Couceiro que, a partir da Galiza, protagonizara um levantamento contra a República. Oficial distinto, Henrique Mitchell de Paiva Couceiro, apoiante de João Franco, liderara as incursões monárquicas contra o regime republicano e chefiara a Monarquia do Norte em 1919. O seu carácter bravio levou a que o alcunhassem como ‘O Paladino’. Estaria condenado ao exílio pelo Salazarismo.</p>
<p>Exilado na Bélgica, Rolão Preto muito jovem ainda seria o fundador em 1913 da revista ‘Alma Portuguesa’, órgão oficial do Integralismo Lusitano, de que seria secretário. Estudante em Lovaina, faria um bacharelato em Direito em França, na Universidade de Toulouse. Formara no estrangeiro o seu Patriotismo e o desdém pelo provincianismo complacente do seus concidadãos.</p>
<p>Cada vez mais activo no plano político colabora com o general Gomes da Costa, um dos chefes do 28 de Maio de 1926, sendo autor do manifesto programático distribuído em Braga que balizaria as principais ideias do Movimento.</p>
<p>Progressivamente mais radical fundaria em 1932 o jornal ‘Revolução’ e o ‘Movimento Nacional Sindicalista’. No tumulto organizacional que se desenvolveu até 1934 esteve sempre do lado activista, militante, combativo.</p>
<p>Comparativamente com movimentos congéneres na Alemanha e na Itália, o nacional-sindicalismo era, porém, de inspiração cristã. As próprias insígnias o demonstravam, a cruz de Cristo como emblema por cima das camisas azuis. A rondar o teocrático, a palavra de ordem do ‘isto vai, com Deus’, que se tornou em torno da sua milícia, o grito de guerra pelo revigoramento da Pátria, balizava as novas chegas de Ourique.</p>
<p>Revolucionário, Preto por um lado demarcava-se do intelectualismo de Sardinha e dos demais integralistas para privilegiar a acção política, por outro pela ênfase à área social e à movimentação das massas trabalhadoras, incompatibilizava-se com quantos queriam uma agitação a nível apenas da consciência das elites letradas da inteligência nacional.</p>
<p>Centrado numa zona em que a tradição cultural latina era vértice, e nisso afastado do nacional-socialismo alemão, Rolão Preto insiste em que o operariado haveria de ser subtraído à esfera de influência dos socialistas da Internacional, dos anarquistas e a partir de 1917 dos comunistas bolcheviques em favor, primeiro de um ‘sindicalismo orgânico’ e mais tarde de um ‘corporativismo integral’, sob um mando carismático. Ulteriormente, enfim, seduzido pelos avanços dos fascistas italianos, torna-se nacionalista puro, enquadrando como tal alguns dos que seriam os ‘tenentes do 28 de Maio’.</p>
<p>Seguro de que a ameaça revolucionária bolchevique estaria contida no nosso País por um pequenas burguesia conservadora, Rolão Preto constrói a militância precisamente no mesmo terreno sindical, com uma retórica análoga. Na aparência dos conceitos e na lógica do discurso é uma camaradagem socialista com a diferença de que tem os olhos postos em Deus e não na Dialéctica.</p>
<p>O triunfo atinge-o em 19 de Fevereiro de 1933 com um gigantesco banquete de mais de setecentas pessoas em pleno Parque Eduardo VII. Comício de exaltação e fé, com discursos vibrantes e palavras de ordem musculadas, o evento marca uma batalha pelo país. A própria Coimbra cinzenta e boémia, alfobre de caloiros, tricanas e veteranos, do CADC que dera ao País Salazar e Cerejeira, abre promissoramente alas em prol dos novos cruzados. O professorado radicaliza-se: Luís Cabral de Moncada, Carlos Moreira e João da Costa Leite Lumbrales, em Direito, Lopes de Almeida e Gonçalves Rodrigues em Letras, Eusébio Tamagnini em Ciências, todos se inscrevem e arregimentam. É “a preia-mar nacional-sindicalista”, escreve João Medina que o entrevistaria nos anos do fim.</p>
<p>Depressa, cada vez mais depressa, o movimento teria, porém, morte anunciada. Em 1934 Salazar marca o caminho. Organiza-se o IX Congresso da União Nacional. O lema é agregador e sobretudo esclarecedor dos caminhos que vai trilhar a Revolução Nacional, transformada agora em Estado Novo, dissuasor ostensivo de aventuras: “unidade, coesão, homogeneidade!</p>
<p>Pelas duas da madrugada do diz 12 Julho desse ano Rolão Preto, preso, é colocado com Alberto Monsaraz na fronteira espanhola. A ameaça que pairava sobre Salazar, pondo-lhe em causa a sobrevivência política, encontrava assim resposta. A PVDE de Agostinho Lourenço defendia o Chefe, localizando conspirações, em que o encontra referenciado.</p>
<p>Em 29 de Julho uma nota à imprensa convida os nacional-sindicalistas a integrarem a agremiação única. O grupo de José Cabral aderiria de bom grado. Assim falou Salazar. Sintomaticamente a Censura corta numa reportagem do jornal O Século sobre o Congresso uma menção a que, durante este, haveriam sido dados vivas a Rolão Preto. O regime começava a viver ‘tranquilamente’ depois de ter vivido ‘perigosamente’, ‘Tudo pela Nação, Nada Contra a Nação’.</p>
<p>O movimento nacional-sindicalista entra agora em clandestinidade. Um novo hino da Maria da Fonte circula, verdadeiro grito de revolta: “Viva Viva Rolão Preto/Que há-de salvar a Nação/Das garras do Usurário/E dar-lhe justiça e pão/Nesta luta tão renhida entre o Estado e a Nação/A vitória há-de ser desta/Comandada por Rolão!”.</p>
<p>Não foi. O princípio dos tempos iludira-o. Mas como ele diria mais numa carta a João Medina, escrita em 1975: “No princípio todos os deuses têm sede”.</p>
<p>In <a href="http://jornalodiabo.blogs.sapo.pt/" target="_blank"><em>O Diabo</em></a>, 23 de Outubro de 2009.</p>
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		<title>Luta e Vitória, Comandante!</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Oct 2009 19:29:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/1409/luta-e-vitoria-comandante" title="Luta e Vitória, Comandante!"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/uploads/yapb_cache/gabrieleadinolfi.2f1pex0ck05c48sswsw8c4cs4.9wzo4bhiyewwwccsss80skos.th.jpeg" width="80" height="53" alt="Luta e Vitória, Comandante!" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a>Há 40 anos (NdT: este artigo foi escrito em 2007) morria Che Guevara. Por que é que os fascistas o homenageiam? Há 40 anos morria Che Guevara. O comandante guerrilheiro havia tentado exportar o fenómeno revolucionário cubano, tanto em África como na América Latina que, sendo ele argentino, considerava no seu todo um pouco como [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/1409/luta-e-vitoria-comandante" title="Luta e Vitória, Comandante!"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/uploads/yapb_cache/gabrieleadinolfi.2f1pex0ck05c48sswsw8c4cs4.9wzo4bhiyewwwccsss80skos.th.jpeg" width="80" height="53" alt="Luta e Vitória, Comandante!" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a><p><strong>Há 40 anos (NdT: este artigo foi escrito em 2007) morria Che Guevara. Por que é que os fascistas o homenageiam?</strong></p>
<p>Há 40 anos morria Che Guevara. O comandante guerrilheiro havia tentado exportar o fenómeno revolucionário cubano, tanto em África como na América Latina que, sendo ele argentino, considerava no seu todo um pouco como a sua pátria. As chamas de guerrilha deveriam acender a revolução: É essa chama que fascinaria Giangiacomo Feltrinelli, muito pouco leninista mas romântico e garibaldino.</p>
<p><strong>O Che e os Fascistas</strong></p>
<p>Em quarenta anos o Che foi objecto de todas as desvalorizações, foi reduzido a logótipo publicitário, a símbolo de reconhecimento de tribos urbanas ultracapitalistas. Mas quando morre, ou antes ainda, quando abraçou o seu sonho revolucionário abandonando um ministério em Cuba, Ernesto Guevara podia contar com muitas antipatias, muitas das quais entre os fariseus do seu próprio campo, mas também com muitas simpatias entre aqueles cuja estúpida lógica dos esquemas estáticos via como seus adversários. Quando a demência e a esclerose do dogmatismo à tartufo não estava na moda entre os herdeiros da Revolução Nacionalista, foram muitos a apoiar o Che. Desde Jean Thiriart, fundador da Jeune Europe e do Partido Nacional Europeu, que seria voluntário na Palestina, a Juan Peron. Costui, fascista entre os fascistas, exilado em Espanha depois de ter sido perseguido pela oligarquia clérico-militar ligada a Washington havia estabelecido um pacto estratégico com Fidel Castro e elogiava particularmente o Che cuja luta, segundo o seu parecer oficial, utilizava o marxismo como puro e simples instrumento para um ideal superior. Foi o próprio Peron, último dos estadistas fascistas, a acolher o Che na Espanha franquista – com o beneplácito do caudilho – e a colocá-lo em contacto na Argélia com Boumedienne. De resto, Guevara havia apoiado Peron contra os comunistas poucos anos antes na Argentina e uma das suas acções de guerrilha foi obra dos peronistas. Com o Che vivo a nata do fascismo pós-bélico estava com ele, com o Che morto foram-lhe dedicadas muitas reflexões e algumas hagiografias, como “Une passion pour El Che” de Jean Cau, autor de sensibilidade nacional-socialista.</p>
<p><strong>Brancos ou Negros?</strong></p>
<p>Poderei portanto homenagear o Che no seguimento dos meus ilustres predecessores e sentir-me por isso muito mais fascista do que os fascistas que o denigrem. Mas não seria suficiente nem correcto. Não o quero homenagear só porque os melhores dos fascistas o fizeram mas porque o merece por si. Conheço as objecções, sinto-as continuamente: desde que o fascismo caiu na sombra reaccionária do conservadorismo burguês e perdeu a sua alma – e o seu mais profundo significado existencial e sacro – as banalidades sucedem-se. Uma dessas é que não se pode homenagear o Che, não se pode não ficar contente pela morte do Che, porque ele batia-se para destruir os nossos valores. Nossos? Valores? Brincamos? O Che batia-se por libertar o seu continente da ocupação americana, da opressão oligárquica e das injustiças. Podemos não compartilhar a direcção dada pelo Che à sua luta, o seu posicionamento ideológico e programático, mas não podemos não sentir como nossa a sua luta, e se não a sentimos das duas uma: ou daquela luta não sabemos <a href="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/uploads/chens.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1410" title="Che Guevara" src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/uploads/chens.jpg" alt="" width="264" height="299" /></a>nada ou enganámos-nos de campo, somos “guarda branca” e não “camisa negra”.<br />
<strong><br />
Luta e Vitória</strong></p>
<p>Enfim, não se pode deixar de homenagear o Che porque um homem que abandona cargos, honrarias, dinheiro e privilégios para ir viver para a selva, no meio dos montes, com um punhado de companheiros de luta, passando dias inteiros a pão e água, um homem que sonha e permanece fiel ao seu sonho metendo carne, músculo e nervos ao seu serviço, não pode deixar de ser homenageado. Dita-o claramente aquele sentimento da vida, da honra e do sacro que está na base da visão do mundo que fez grande a nossa antiguidade e a nossa mais recente “primavera”. Aquela ideia do mundo que – do Bhagavad Gita passando pelos sacerdotes das lupercálias, as legiões mitraicas, a cavalaria medieval até aos comandos Werwolf – representou o melhor que a memória do homem recorda e que se condensa na “Doutrina ariana de Luta e Vitória” (que não é a do sucesso tangível mas a da vitória sobre si mesmo)(*). Quem não perdeu o sentido daquele filão não pode deixar de respeitar e homenagear o herói de Santa Clara. Honra ao Che: Luta e Vitória, Comandante!</p>
<p>9 de Outubro de 2007</p>
<p>(*) Cf. Julius Evola</p>
<p>Retirado de <a href="http://ofogodavontade.wordpress.com" target="_blank">O Fogo da Vontade</a>.</p>
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		<title>&#8220;Lanceiro&#8221; volta à carga</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Mar 2009 13:20:39 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Curtas]]></category>
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		<description><![CDATA[O «Lanceiro» volta à carga, desde o último número do jornal publicado em Novembro de 2007, agora com novo formato e o subtítulo “Cadernos Militares”. O n.º 1 foi-me oferecido pelo meu amigo Roberto de Moraes, autor do excelente artigo “Noventa Anos do Armistício. Algumas considerações sobre a Primeira Guerra Mundial”. Este número, dedicado à [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O «<a href="http://lanceiromor.googlepages.com/">Lanceiro</a>» volta à carga, desde o último número do jornal publicado em Novembro de 2007, agora com novo formato e o subtítulo “Cadernos Militares”. O n.º 1 foi-me oferecido pelo meu amigo Roberto de Moraes, autor do excelente artigo “Noventa Anos do Armistício. Algumas considerações sobre a Primeira Guerra Mundial”. <span id="more-1259"></span>Este número, dedicado à Cavalaria, a Lanceiros, à PM/PE, à Guerra do Ultramar (inclui as CPM e PPM que serviram em Angola e o nome de todos os seus oficiais) e à Vida Militar é enviado gratuitamente em formato .pdf, como divulgação, mediante pedido para o endereço electrónico <a href="mailto:jornallanceiro@gmail.com">jornallanceiro@gmail.com</a>. O preço da versão impressa é € 5 e a periodicidade é semestral.</p>
<div>O «<a href="http://lanceiromor.googlepages.com/">Lanceiro</a>» tem um objectivo claro, como nos diz a nota de abertura deste n.º 1: “<em>Para que não se esqueça e não se faça tábua rasa da nossa História que como disse Mouzinho &#8220;foi obra de soldados&#8221; fazemos uma publicação paratodos os que sentem e vivem &#8220;os interesses permanentes e vitais da Pátria e têm o culto da sua História&#8221;, tenham ou não passado pelas fileiras</em>”.</div>
<div></div>
<div>In <a href="http://penaeespada.blogspot.com" target="_blank"><em>Pena e Espada</em></a>, 27 de Fevereiro de 2009</div>
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		<title>Estaline mandou matar John Wayne</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Feb 2009 16:43:15 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Recortes de imprensa]]></category>

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		<description><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/1226/estaline-mandou-matar-john-wayne" title="Estaline mandou matar John Wayne"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/plugins/yet-another-photoblog/YapbThumbnailer.php?post_id=1226&amp;w=80" width="80" height="97" alt="Estaline mandou matar John Wayne" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a>Furioso com o anticomunismo ferrenho de um celebérrimo actor de Hollywood, um impiedoso ditador de Leste ordena o seu assassínio pelos serviços secretos. Podia ser o enredo de um mau filme anticomunista da Hollywood dos anos 50. Só que foi mesmo verdade. Cinéfilo de carteirinha, José Estaline gostava muito de westerns, sobretudo se fossem interpretados [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/1226/estaline-mandou-matar-john-wayne" title="Estaline mandou matar John Wayne"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/plugins/yet-another-photoblog/YapbThumbnailer.php?post_id=1226&amp;w=80" width="80" height="97" alt="Estaline mandou matar John Wayne" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a><p>Furioso com o anticomunismo ferrenho de um celebérrimo actor de Hollywood, um impiedoso ditador de Leste ordena o seu assassínio pelos serviços secretos. Podia ser o enredo de um mau filme anticomunista da Hollywood dos anos 50. Só que foi mesmo verdade.</p>
<p>Cinéfilo de carteirinha, José Estaline gostava muito de westerns, sobretudo se fossem interpretados por dois dos seus actores favoritos: Clark Gable e Spencer Tracy. De acordo com documentos do Comité Central do Partido Comunista da União Soviética, e papéis pessoais de Estaline tornados públicos em Moscovo, e consultados pelo escritor e historiador britânico Simon Sebag Montefiore, apesar de tecer grandes críticas ao conteúdo ideológico dos filmes de cowboys, o ditador soviético queria sempre ver mais westerns. Ao que parece, identificava-se com as figuras do pistoleiro solitário ou do vaqueiro corajoso que fazem justiça pela lei da bala.</p>
<p>Estaline também gostava muito dos filmes de John Ford e de John Wayne. Mas tomou o Duke de ponta por causa do seu feroz anticomunismo. Segundo Montefiore, citando uma fonte mencionada num dos documentos referidos, &#8220;Estaline disse certa vez, no final da projecção de um filme, que Wayne, um anticomunista sonoro, era uma ameaça à causa do comunismo e devia ser assassinado&#8221;.</p>
<p>O autor de Stalin: The Court of the Red Tsar conta que não há maneira de se saber se Estaline estava embriagado ou sóbrio quando disse isto. No entanto, &#8220;o seu poder era tal que, fosse como fosse, uma ordem dele era para ser executada&#8221;. O autor britânico adianta que terão sido enviados agentes do KGB a Los Angeles, mas ou nem sequer tentaram ou então falharam na sua tentativa de assassinar John Wayne, algum tempo antes da morte de Estaline, em Março de 1953.</p>
<p>A verdade é que, quando Nikita Kruschev foi apresentado a Wayne em 1958, durante a visita que fez aos EUA em plena era do &#8220;degelo&#8221; nas relações com a URSS, revelou-lhe esta decisão de Estaline e disse-lhe que tinha sido tomada &#8220;nos seus últimos anos de loucura&#8221;. Acrescentando, como que para sossegar o actor: &#8220;Mandei anular esta ordem.&#8221;</p>
<p>Façamos agora um pequeno exercício de especulação político- -cinematográfica. Imaginemos que John Wayne e Howard Hawks decidiam &#8220;responder&#8221; à ordem do ditador vermelho com um filme em que aquele, acompanhado por Dean Martin, Walter Brennan e Ricky Nelson, vai buscar Estaline ao Kremlin para o prender. E decalquemos para Moscovo a cena climática de Rio Bravo: John Wayne de espingarda em punho, perto do Kremlin, a gritar: &#8220;Stalin! Joe Stalin!&#8221; (em vez de &#8220;Burdette! Nathan Burdette!&#8221;, como em Rio Bravo), e perto dele, Walter Brennan, a cacarejar de riso, pronto a atirar os cartuchos de dinamite para Wayne os detonar a tiro. Já viram que grande filme se perdeu?</p>
<p>In <strong><em>Diário de Notícias</em></strong>, 07 de Fevereiro de 2009</p>
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		<title>A primeira reportagem de Tintim</title>
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		<pubDate>Sat, 10 Jan 2009 19:10:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>goncalvf</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>

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		<description><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/1167/a-primeira-reportagem-de-tintim" title="A primeira reportagem de Tintim"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/plugins/yet-another-photoblog/YapbThumbnailer.php?post_id=1167&amp;w=80" width="80" height="82" alt="A primeira reportagem de Tintim" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a>Banda desenhada. Faz amanhã 80 anos que um jovem repórter chamado Tintim partiu para a Rússia soviética. Começava a publicação de &#8216;Tintim no País dos Sovietes&#8217;, a primeira aventura do herói de Hergé, no &#8216;Le Petit Vingtième&#8217;, suplemento para crianças do diário belga &#8216;Le Vingtième Siècle&#8217; Herói não voltou mais a escrever No dia 10 [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/1167/a-primeira-reportagem-de-tintim" title="A primeira reportagem de Tintim"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/plugins/yet-another-photoblog/YapbThumbnailer.php?post_id=1167&amp;w=80" width="80" height="82" alt="A primeira reportagem de Tintim" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a><p><strong>Banda desenhada.</strong> Faz amanhã 80 anos que um jovem repórter chamado Tintim partiu para a Rússia soviética. Começava a publicação de &#8216;Tintim no País dos Sovietes&#8217;, a primeira aventura do herói de Hergé, no &#8216;Le Petit Vingtième&#8217;, suplemento para crianças do diário belga &#8216;Le Vingtième Siècle&#8217;</p>
<p><strong>Herói não voltou mais  a escrever </strong></p>
<p>No dia 10 de Janeiro de 1929, faz amanhã 80 anos, partia da gare da estação de comboios de Bruxelas, para a Rússia soviética, em serviço do <em>Le Petit Vingtième</em>, o suplemento infanto-juvenil do diário católico e conservador <em>Le Vingtième Siècle</em>, &#8220;um dos seus melhores repórteres&#8221;, Tintim, acompanhado por Milu, o seu fiel <em>fox-terrier </em>branco.</p>
<p>Trajando sobretudo, calças à golfe e casaco de padrão escocês, e com um boné na cabeça, Tintim prometia enviar &#8220;postais, caviar e <em>vodka</em>&#8221; aos camaradas e amigos que se tinham ido despedir dele, enquanto o seu redactor-chefe dizia: &#8220;Boa viagem! Seja prudente e mantenha-nos ao corrente de tudo.&#8221;</p>
<p>Começava assim a primeira prancha de <em>Tintim no País dos Sovietes</em>, desenhada a preto e branco por um jovem ilustrador chamado Hergé (pseudónimo de Georges Rémi). Começava também a fazer-se história da banda desenhada (BD), pois esta seria a primeira aventura daquele que se tornaria no maior, mais popular e mais universal herói da Nona Arte.</p>
<p>Tintim nasceu porque o recém-criado<em> Le Petit Vingtième</em> precisava de ter um herói-âncora a protagonizar uma história de longa duração que apaixonasse os pequenos leitores deste suplemento infanto-juvenil.</p>
<p>Hergé criou-o em poucos dias, indo buscar o escuteiro Totor, que tinha criado antes para uma revista escuta, <em>Le Boy-Scout Belge</em>, modificando-o e dando-lhe a companhia de Milu. Tintim permite-lhe também escapar à corveia que é desenhar <em>Les Aventures de Flup, Nénesse, Poussette e Cochonnet</em>, que não entrará para a história da BD&#8230;</p>
<p>O desenhador tinha o fascínio dos Estados Unidos, mas o abade Norbert Wallez, director do <em>Le Vingtième Siècle</em>, e criador do <em>Le Petit Vingtiéme</em>, anticomunista fervoroso, decidiu orientar a primeira reportagem de Tintim para a União Soviética, então a viver &#8220;numa espécie de caos mais ou menos organizado&#8221;, como escreveu Michael Farr em <em>Tintin, le rêve et la realité</em> (Moulinsart). Tinham passado apenas 12 anos sobre a Revolução de Outubro, e o mundo estava cada vez mais temeroso dos seus efeitos.</p>
<p>Recordou Hergé: &#8220;Fui assim inspirado pelo ambiente que se respirava no jornal mas também por um livro intitulado <em>Moscou sans voiles</em>, de Joseph Douillet [1928], ex-cônsul da Bélgica em Rostov-sobre-o-Don, que denunciava com veemência os vícios e as infâmias do regime&#8221;. No futuro, Hergé documentar-se-á cuidadosamente antes de desenhar os álbuns de Tintim.</p>
<p>Como escreve Pol Vandromme em <em>Le Monde de Tintin</em>, para este jovem repórter com espírito de escoteiro, &#8220;a Rússia leninista é uma invenção infernal&#8221;, e a história de estreia da personagem, que já não é Totor mas ainda não é bem Tintim, &#8220;ilustra uma Rússia de pesadelo. Mais exactamente: uma Rússia que não é senão um pesadelo viscoso e sangrento&#8221;.</p>
<p>Cento e trinta e seis pranchas de sátira anticomunista e peripécias depois, Tintim regressou triunfalmente à Gare du Nord de Bruxelas. No papel como na vida real, uma multidão acorreu a acolhê-lo. Seria a sua primeira e única reportagem.</p>
<p>In <strong><em>Diário de Notícias</em></strong>, 09 de Janeiro de 2009</p>
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		<title>“Católico e maçon, será possível?”</title>
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		<pubDate>Sat, 10 Jan 2009 18:07:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>viktortora</dc:creator>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/1165/%e2%80%9ccatolico-e-macon-sera-possivel%e2%80%9d" title="“Católico e maçon, será possível?”"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/plugins/yet-another-photoblog/YapbThumbnailer.php?post_id=1165&amp;w=80" width="80" height="82" alt="“Católico e maçon, será possível?”" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a>Aquando da publicação de posts neste blogue sobre o problema do domínio quase-absoluto do poder político português pela Maçonaria, vários leitores pediram informação mais detalhada sobre a natureza da organização. Recomendo &#8220;El Secreto Masónico Desvelado&#8221; de José Antonio Ullate Fabo, publicado em Madrid em 2007 pela editora LibrosLibres. Todavia, faltava uma síntese mais curta para [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/1165/%e2%80%9ccatolico-e-macon-sera-possivel%e2%80%9d" title="“Católico e maçon, será possível?”"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/plugins/yet-another-photoblog/YapbThumbnailer.php?post_id=1165&amp;w=80" width="80" height="82" alt="“Católico e maçon, será possível?”" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a><div>Aquando da publicação de posts neste blogue sobre o problema do domínio quase-absoluto do poder político português pela <strong>Maçonaria</strong>, vários leitores pediram informação mais detalhada sobre a natureza da organização. Recomendo &#8220;<a href="http://www.libroslibres.info/ficha_libro.cfm?id=169"><em>El Secreto Masónico Desvelado&#8221; </em>de José Antonio Ullate Fabo, publicado em Madrid em 2007 pela editora LibrosLibres</a>. Todavia, faltava uma síntese mais curta para os leitores, o que agora trago, numa perspectiva católica fundamentada.</p>
<p>O meu amigo Prof. Dr. Gérard Leroux &#8211; a quem agradeço penhorado em meu nome e dos leitores -, teve a paciência, o esforço e o cuidado de traduzir, após pedir permissão ao autor, o opúsculo <strong>&#8220;<em>Catholique et franc-maçon, est-ce possible?</em>&#8221; de Maurice Caillet</strong> que abaixo publico. O dr. Maurice Caillet é também o autor de <a href="http://www.libroslibres.info/ficha_libro.cfm?id=221">&#8220;<em>Yo Fui Masón</em>&#8221; publicado pela editora LibrosLibres em Dezembro de 2008</a>.</div>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="font-size: 130%;"></span></strong><strong><span> </span></strong></p>
<p style="text-align: center;"><span><span style="font-size: 130%;"><strong></strong><strong><span style="font-size: large;">&#8220;Católico e maçon, será possível?<br />
</span></strong><span style="font-size: 78%;"><br />
</span><span style="font-size: large;"><strong>pelo Dr. Maurice Caillet,<br />
</strong><span style="font-size: 100%;">médico cirurgião, ginecologista e urologista</span></span></span></span></p>
<p><strong></strong><strong>Introdução</strong>
</p>
<p align="justify"><strong>Antigo interno nos Hospitais de Paris e, mais tarde, cirurgião em Rennes, na Bretanha, nasci numa família inicialmente cristã mas que acabara por rejeitar toda a espécie de religião e que, por isso, não julgou necessário que eu fosse baptizado. Fui educado em escolas e liceus laicos.</strong></p>
<p><strong>Racionalista, acreditando na omnipotência da ciência, aderi às teses de Jacques Monod sobre « o acaso e a necessidade » no que diz respeito às origens químicas, aleatórias e espontâneas da vida, e fui um pioneiro da contracepção artificial, das esterilizações e da interrupção voluntária da gravidez, paralelamente com a prática da cirurgia ginecológica e urológica.</strong></p>
<p><strong>Interessei-me por numerosas formas de esoterismo e ocultismo : maçonaria, rosa-cruz AMORC (Antiga e Mística Ordem Rosae Crucis), xamanismo, magia branca, técnicas dos curandeiros, radioestesia, magnetismo, yoga, taï-chi e qi-gong, espiritismo…</strong></p>
<p align="justify"><strong>Fui, sobretudo, um activo <em>maçon</em> durante quinze anos, venerável de loja, 18.º grau, delegado no convento, membro da «fraternal» dos altos funcionários.</strong></p>
<p><strong>A frequentação assídua destes meios levou-me a verificar que todos os esoterismos são herdeiros da <em>gnose,</em> que quis corromper o cristianismo logo no início, nele introduzindo elementos das filosofias pagãs, dos mitos e dos símbolos que se tornaram obsoletos, inúteis, depois da Revelação de Jesus Cristo e da sua Ressurreição.</strong></p>
<p><strong>É verdade que alguns destes símbolos se encontram nas nossas igrejas e catedrais, construídas pela maçonaria operativa. </strong></p>
<p align="justify"><strong>Os maçons referem-se frequentemente à Bíblia, mas vêem nela um texto nem menos nem mais sagrado do que outros como os Upanishads, a Bhagavad-Gita ou o Livro dos Mortos dos Egípcios.</strong></p>
<p align="justify"><strong>Todos falam de Deus — de resto os espíritos maus também O conhecem —, mas reduzem Jesus a um simples iniciado ou profeta, colocando-o no mesmo plano que Buda, Confúcio ou Lao-tseu.</strong></p>
<p align="justify"><strong>A maçonaria é particularmente nociva para o cristianismo, porque não tem as aparências de uma seita mas sim de uma inocente associação filosófica (quotizações razoáveis, organização democrática dos três primeiros graus, aparente ausência de coacção ou de lavagem ao cérebro); porém, de há 250 anos a esta parte, ela tem vindo a impregnar progressiva e profundamente as ideias e as legislações de todos os países modernos : laicidade, clubismo, divórcio, contracepção, licença dos costumes (ao abrigo do liberalismo), aborto, PACS (Pacto Civil de Solidariedade), despenalização das drogas leves, eutanásia, etc.</strong></p>
<p align="justify"><strong>A maçonaria pretende procurar a verdade, mas ela advoga o relativismo : com efeito, para ela não existe <em>uma</em> mas sim <em>várias</em> verdades, tanto no plano religioso como no plano moral.</strong></p>
<p align="justify"><strong>Ela pretende conferir a <em>Luz</em> aos seus iniciados ; porém ela actua no segredo das lojas e recusa terminantemente admitir que Jesus é «a Luz, a Verdade e a Vida».</strong></p>
<p align="justify"><strong>Eu tinha cinquenta anos quando levei a minha mulher, gravemente doente, a Lourdes. Fi-lo em desespero de causa, na esperança de um choque psicológico ou cosmo-telúrico benéfico… Aí, na cripta da basílica, assisti pela primeira vez da minha vida a uma missa, e fui convertido em poucos minutos ao ouvir a Palavra de Deus que diz : «Pedi, e ser-vos-á dado; procurai, e encontrareis; batei, e hão-de abrir-vos» (S. Mateus 7, 7), seguida de uma locução do Espírito Santo.</strong></p>
<p align="justify"><strong>Fui pedir imediatamente o baptismo. Frequentei, durante três anos, a Igreja Ortodoxa Galicana. Até que descobri os ensinamentos de imenso valor do Papa João Paulo II, o que me levou à Igreja Católica Romana, onde a minha mulher e eu casámos sacramentalmente, por um indulto especial do Santo Padre.</strong></p>
<p align="justify"><strong>Pouco tempo depois, recebemos a efusão do Espírito Santo, no quadro da Renovação Carismática, na Comunidade das Bem-Aventuranças. Abandonei então todas as minhas práticas esotéricas e ocultas, ao descobrir que eram incompatíveis com a Fé católica.</strong></p>
<p align="justify"><strong>Desde que me reformei, tenho dado o meu testemunho público em aproximadamente sessenta conferências públicas, entrevistas radiofónicas e televisivas. Escrevi artigos e livros (cf. <a href="http://www.cailletm.com/">http://www.cailletm.com/</a>). Tornei-me sócio da Associação dos Escritores Católicos de Língua Francesa e sou membro do comité de honra da Aliança para os Direitos da Vida.</strong></p>
<p align="justify"><strong></strong><strong>Porém, eu não seria nada sem a graça divina que vem para nos salvar. </strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong></strong><strong>Será possível ser católico e maçon ?<br />
</strong>
</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>É a pergunta que tenho feito perante inúmeros auditórios, sem animosidade particular contra a maçonaria, mas com um desejo de grande clareza. Nada, com efeito, é mais prejudicial do que a confusão, do que o sincretismo que mistura espiritualidades inconciliáveis e leva, ao fim e ao cabo, à destruição dos valores religiosos e morais. É necessário haver tolerância, ninguém o discute. Mas o sincretismo é inaceitável, tanto para a razão como para a inteligência. Respeito o islão, mas quem defenderia a ideia peregrina de que é possível ser ao mesmo tempo católico e muçulmano ?</strong></p>
<p align="justify"><strong>A questão não é nova, já que menos de vinte anos somente depois da criação da maçonaria moderna — especulativa, intelectual —, o Papa Clemente XII, em 1730, a condenava por uma constituição «válida perpetuamente», condenação reiterada por numerosos Papas até João Paulo II inclusivamente, sob proposta do Cardeal Joseph Ratzinger, em Novembro de 1983. No entanto, sempre houve, entre os leigos e, até, entre os eclesiásticos, quem achasse de bom tom distanciar-se das motivadas advertências do Magistério. O galo francês está sempre muito orgulhoso da sua independência, e não canta apenas nas galinheiras mas também nas sacristias!</strong></p>
<p><strong>E a verdade é que tivemos ocasião de ver, nos anos 60, o Reverendo Padre Michel Riquet, jesuíta, e o jornalista Alec Mellor fazerem a apologia da maçonaria. Vinte anos mais tarde, era a vez de D. Jean-Charles Thomas, bispo de Versailles, « namorar » Jean-Jacques Gabut, Grão-Mestre da <em>Grande Loge de France,</em> indo ao ponto de afirmar que o Cardeal Ratzinger constituía </strong><strong>« um sério empecilho no seio do Vaticano »</strong>. E, em 9 de Dezembro de 1999, era com espanto que se podia ler, no jornal <em>Le Figaro,</em> a notícia necrológica do Padre Jean-Claude Desbrosse, <strong>com todos os seus títulos maçónicos.</strong> Este, aliás, foi publicamente defendido, no jornal <em>La Croix,</em> pelo seu antigo superior, D. Armand Le Bourgeois, o «bispo vermelho», sendo este último logo contraditado pelo seu sucessor na diocese de Autun, D. Raymond Séguy. </p>
<p align="justify"><strong>Desde então, outros bispos franceses, não dos menos influentes, têm defendido o ponto de vista romano : D. Jean Bonfils, bispo de Nice (cf. <em>Les Nouvelles Religieuses</em>, n.º 161) ; D. Henri Brincard, bispo de Le Puy-en-Velay (cf. o site Internet daquela diocese); D. Dominique Rey, bispo de Toulon (cf. revista <em>La Nef,</em> Dezembro de 2004) ; D. Maurice de Germiny, bispo de Blois; etc.</strong></p>
<p align="justify"><strong>De notar que estes bispos não são nada <em>ultramontanos,</em> isto é, partidários da extensão sem limite dos poderes espirituais do Papa.</strong></p>
<p><strong><br />
</strong></p>
<p><strong></strong><strong>O que é a maçonaria ?<br />
</strong></p>
<p align="justify">Oficialmente, trata-se de uma associação filosófica e filantrópica que, sob a forma «especulativa» (isto é, dedicada ao estudo das coisas teóricas), surgiu no início do século XVIII. Esta associação é constituída por <em>obediências,</em> ou federações de lojas. Em França, todas as cidades com certa importância possuem uma ou várias lojas.</p>
<p align="justify">Em cada obediência existem pelo menos três estruturas paralelas de natureza distinta :</p>
<p align="justify">
<ul>
<li>
<div>Uma estrutura que se pode qualificar de democrática, que reune <em>oficinas,</em> ou <em>lojas azuis,</em> ou ainda <em>lojas de S. João,</em> e que gera os três primeiros graus : aprendiz, companheiro, mestre. Os oficiais e o venerável que dirigem os trabalhos da oficina, o delegado no convento (isto é o deputado à assembleia nacional anual), os membros do Conselho da Ordem, o Grão-Mestre e os seus adjuntos, são todos eleitos e não podem ser reconduzidos para além de dous ou três anos. Estas lojas de base devem ser declaradas, em conformidade com a Lei de 1901 sobre as associações, junto das prefeituras departamentais, e aparecem com frequência na primeira página dos jornais, com fotografia do Grão-Mestre, como se não houvesse qualquer secretismo ; a este nível, existe uma constituição, estatutos e uma justiça maçónica encarregada de julgar os litígios entre maçons.</div>
</li>
<li>
<div>Uma segunda estrutura, iniciática essa, muito menos conhecida, ignorada, até, dos « profanos », isto é dos que não foram iniciados ; trata-se das <em>oficinas de aperfeiçoamento,</em> divididas em quatro níveis estanques, do 4.º até ao 33.º graus segundo certos ritos (REEA — Rito Escocês Antigo e Aceito), 25, 6 ou 7 segundo outros ritos, sem comunicação das oficinas superiores para as inferiores ; aí o recrutamento faz-se por cooptação, e a gestão desta pirâmide é assegurada por um colégio de <em>grandes iniciados,</em> desconhecidos dos maçons da base — e mais ainda da Imprensa — e presidido por um Grande Comendador vitalício.<br />
(De referir aqui a afirmação feita, em Julho de 1889, por um Grande Comendador americano, Albert Pike, e referida por Jean-Claude Lozach&#8217;meur no seu livro : <em>Fils de la veuve : Essai sur le symbolisme maçonnique,</em> Villegenon, Editions Sainte Jeanne d&#8217;Arc, 1990, p. 120-121 : « Lúcifer, Deus da Luz e Deus do Bem, luta pela humanidade contra Adonai, Deus da Obscuridão e do Mal. » Mais discreto, Oswald Wirth, outro grande iniciado e iniciador, escreveu no <em>Livre du Compagnon :</em> « A Serpente, instigadora da desobediência, da insubordinação e da revolta, foi amaldiçoada pelos antigos teocratas, enquanto era honrada pelos iniciados.»)</div>
</li>
<li>
<div>A terceira estrutura nem sequer tem estatuto oficial nas obediências. Trata-se das chamadas « fraternais », que reunem os maçons conforme as suas profissões ou interesses, o que abre a porta, segundo um antigo Grão-Mestre, Alain Bauer, a todo o tipo de compromissos e corrupções, porquanto se encontram nelas maçons pertencentes a obediências diferentes que, em público, não hesitam em lançar-se anátemas (como, por exemplo, o de pertencerem a « obediências irregulares », etc.). Para se convencer disto, basta consultar, na Internet, o site Hiram, realizado por maçons enojados por estas práticas e que procuram obviar a certas « derivas » políticas ou económicas, como aconteceu nos casos Robert Boulin, René Lucet, Elf-Aquitaine, Mouillot, Renard, etc.</div>
</li>
<li>
<p align="justify">
<p align="justify">Finalmente, sete mestres podem constituir uma loja « selvagem », que não tem contas a prestar a ninguém, e onde se pratica frequentemente a magia. Fui solicitado para fazer parte de algumas delas. Existem ainda clubes especificamente maçónicos, como, por exemplo, os <em>Clubs des cinquante</em> — cinquenta maçons entre os mais influentes das grandes cidades de França, que se reunem nos melhores restaurantes e não nas lojas.</p>
</li>
</ul>
<p style="text-align: center;"><strong>Tudo opõe a filosofia maçónica e a religião católica<br />
</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>1 — Historicamente<br />
</strong><br />
Cada um sabe quem foi São Pedro, chefe dos Apóstolos, primeiro bispo de Roma, a quem Jesus confiou a sua Igreja.
</p>
<p align="justify">As origens da maçonaria são muito mais escuras. No entanto, historiadores admitem que a sua criação resultou da transformação e fusão de quatro lojas da maçonaria operativa (a dos construtores de catedrais) em Londres, em 1717, sob o impulso de dois pastores protestantes, James Anderson (presbiteriano) e Jean-Théophile Desaguliers (anglicano), e sob a influência discreta de Isaac Newton, cientista famoso mas herético notório, adito à magia e à alquimia, e admirador de Nostradamus e… dos filósofos da Luz — o que é pelo menos contraditório !</p>
<p align="justify">Aliás, as Constituições fundadoras, ditas de Anderson (1723), só mencionam Deus uma única vez, num título, e nunca a Santíssima Trindade, ou o pecado, ou a salvação, a Ressurreição, a Ascenção ou o Pentecostes (isto é, a descida do Espírito Santo).</p>
<p align="justify">Em França, a maçonaria surge logo em 1725, designadamente em Bordéus : nela aparece filiado Montesquieu ; e todos os seus membros — fidalgos, grandes burgueses, eclesiásticos até — são galicanos, isto é, opostos à preeminência do bispo de Roma, o Papa, sobre os outros bispos.</p>
<p align="justify">Como já disse, a maçonaria, seja ela operativa ou especulativa, é uma ressurgência da <em>gnose,</em> sistema de pensamento já condenado por Santo Ireneu no séc. II, mas cuja influência permanece viva em todas as ordens iniciáticas.</p>
<p style="text-align: justify;" align="justify">
<p align="justify"><strong>2 — As origens<br />
</strong>
</p>
<p align="justify">Para o cristianismo, a origem é o <em>kerigma,</em> isto é, o anúncio público, por testemunhas oculares (entre as quais o Apóstolo São João), da morte e ressurreição de Jesus para a nossa salvação.</p>
<p align="justify">Para a maçonaria, a origem são as fábulas, os mitos, entre os quais o mito central de Hiram, arquitecto do templo de Salomão, que teria sido morto por três maus companheiros — uma lenda desprovida de toda a base escriturária ou histórica, como o é também a da pretensa transmissão por São João de um ensinamento secreto de Jesus transmitido pelas ordens de cavalaria, passando pelos Templários, com um lapso de mais de mil anos…</p>
<p align="justify">Ora, Jesus, falando perante o Sinédrio, declarou : « Falei ao mundo abertamente, sempre ensinei nas Sinagogas e no Templo (…) e não disse nada em segredo » (S. João 18, 20).</p>
<p align="justify">Mais inverosímil ainda é a hipótese de uma transmissão secreta de ritos iniciáticos desde a antiguidade egípcia até aos maçons modernos, hipótese recentemente espalhada pelo talentoso romancista maçon, Christian Jacq.</p>
<p style="text-align: justify;" align="justify">
<p align="justify"><strong>3 — Os fundamentos<br />
</strong>
</p>
<p align="justify">O cristianismo é uma religião revelada pelo próprio Deus, primeiro a Moisés, depois por e em Jesus Cristo, o Messias. Comporta um certo número de dogmas, isto é, de pontos doutrinais essenciais, enunciados no Credo, que um católico bem formado e coerente não pode contestar sem renegar a sua Fé : Deus trinitário, Encarnação, Ressurreição, Ascensão, Imaculada Conceição e Assunção da Virgem Maria.</p>
<p align="justify">A Igreja afirma, na base da Revelação (Escritura e Tradição), deter a verdade sobre as relações entre Deus e o Homem.</p>
<p align="justify">Finalmente, o cristão apoia-se mais na graça misericordiosa de Deus do que nas suas próprias obras para conseguir a salvação.</p>
<p align="justify">Pelo contrário, a maçonaria advoga uma filosofia humanista, principalmente preocupada com o Homem, e dedicada, é certo, à procura da verdade, mas uma verdade que afirma ser finalmente inacessível. Rejeita liminarmente toda a ideia de uma revelação, bem como toda e qualquer espécie de dogma, defendendo <strong>o relativismo</strong>:</p>
<p align="justify">
<ul>— relativismo religioso, ou indiferentismo, que coloca todas as religiões no mesmo plano, ao mesmo tempo que se eleva acima delas (já em 1723), como <strong>centro de união</strong> ;</p>
<p align="justify">— relativismo moral, uma vez que nenhuma regra ética é de origem divina e, portanto, definitiva e intangível ; assim, a moral evolui consoante o consenso das sociedades.</p>
</ul>
<p align="justify">O Papa Leão XIII, ao qualificar, em 1884, a maçonaria de « seita », define assim a atitude desta perante a moral : <strong>«Em todas as coisas, a natureza ou a razão deve ser mestra e soberana.»</strong></p>
<p>Ora, é precisamente esta ideia que vemos defendida pelo antigo senador Henri Caillavet, maçon muito influente e ferrenho defensor da eutanásia : <strong>«Não existe moral universal, com fundamento divino; a moral é essencialmente contingente; evolui, não é transcendental; aquilo que é verdadeiro hoje será falso amanhã.»</strong></p>
<p align="justify">Por outras palavras, e qualquer que seja a obediência, é sempre a independência do Homem em relação a Deus ; é a cidade terrestre como a define Santo Agostinho : <strong>«O amor de si mesmo levado até ao desprezo de Deus.»</strong></p>
<p align="justify">A recusa da Revelação e da transcendência divina implica também, obviamente, a recusa de todo o fenómeno sobrenatural : teofanias, aparições, milagres.</p>
<p style="text-align: justify;" align="justify">
<p align="justify"><strong>4 — Os ensinamentos<br />
</strong>
</p>
<p align="justify">Na Igreja Católica, os ensinamentos são acessíveis a todos : Catecismo da Igreja Católica, Actas dos Concílios, Encíclicas (dirigidas aos bispos, mas divulgadas <em>urbi et orbi </em>[à Cidade (Roma) e ao Mundo]).</p>
<p align="justify">Na maçonaria, uma formação esotérica, secreta, é dada aos iniciados conforme os seus graus, formação no decurso da qual são progressivamente revelados os mistérios supostamente escondidos pelos dignitários da religião exotérica, isto é os responsáveis da Igreja Católica Romana. (Sendo assim, poder-se-á perguntar porque é que as igrejas ortodoxas e as comunidades protestantes dissimularam os mesmos mistérios, já que combatem há tanto tempo a Igreja Romana ?)</p>
<p align="justify">Todos os rituais fazem reluzir aos olhos dos iniciados um pretenso «conhecimento» de uma pretensa «tradição primordial», prehistórica, e de uma «Luz» que, quando muito, será a de um melhor conhecimento de si mesmo pelo iniciado, mas, em caso nenhum, a da Transfiguração de Jesus no Monte Tabor (cf. S. Mateus 17, 1-9) ou a de um São Serafim de Sarov na presença de Motovilov , ou a de outros Santos.</p>
<p style="text-align: justify;" align="justify">
<p align="justify"><strong>5 — O próprio conceito de Deus é profundamente diferente<br />
</strong>
</p>
<p align="justify">Para um cristão, Deus é um ser pessoal : três Pessoas num só Deus, que mantêm uma relação de amor com a criatura humana. É o que os teólogos chamam <em>teísmo.</em></p>
<p align="justify">Para o maçon, Deus será, quando muito, «o Grande Arquitecto do Universo», ou «o Mestre Relojoeiro» (Desaguliers), imagens sem substância verdadeira, mas difundidas, em particular, por Voltaire, «iniciado » em idade provecta. Esta concepção é a do <em>deísmo.</em> A este Grande Arquitecto pede-se — assim se pode dizer — para não intervir nos assuntos dos homens. Aliás, nem sequer é mencionado nas Constituições de Anderson.</p>
<p style="text-align: justify;" align="justify">
<p align="justify"><strong>6 — A escatologia; os novíssimos<br />
</strong>
</p>
<p align="justify">No cristianismo, o fim da vida é a Vida Eterna, concedida por graça, numa <strong>adoração</strong> e num <strong>louvor</strong> sem fim, face a face amoroso com o Senhor.</p>
<p align="justify">Na maçonaria, é a morte, chamada « passagem para o Oriente Eterno », a qual escapa a toda a definição ou descrição.</p>
<p style="text-align: justify;" align="justify">
<p align="justify"><strong>7 — O aperfeiçoamento do Homem<br />
</strong>
</p>
<p align="justify">Para o cristão, o aperfeiçoamento consiste em caminhar, com o auxílio de Deus e dos sacramentos da Igreja, para a santidade, na imitação de Jesus Cristo, da sua humildade e caridade.</p>
<p align="justify">Para o maçon, é o acesso à elite dos iniciados, através dos graus sucessivos. É, segundo René Guénon, grande iniciado, e Mircea Eliade, historiador das religiões, uma forma de animismo. O « bem » nunca aparece definido, já que a moral evolui constantemente. Os maçons falam em « sinceridade », mas esta não é sinónimo de verdade. Na realidade, o maçon não passa de um <em>self-made man. </em>É alguém que se cria a si próprio, com a ajuda dos seus « irmãos », independentemente de toda a graça divina : isto relembra o <strong>pelagianismo,</strong> tão combatido, no seu tempo, por Santo Agostinho.</p>
<p align="justify"><strong>8 — A relação com as religiões<br />
</strong>
</p>
<p align="justify">Para o católico, tem que haver respeito pelos crentes das outras religiões, na tolerância devida às pessoas que não foram ainda iluminadas pelo Espírito Santo, mas na preservação escrupulosa da doutrina da Igreja, transmitida pelos Apóstolos e pelos seus Sucessores ; é este o verdadeiro espírito do Encontro de Assis em 1986.</p>
<p align="justify">Para o maçon, a relação com as religiões baseia-se numa tolerância geral para com todas as crenças (e filosofias), com uma tendência nítida pelo <strong>sincretismo,</strong> isto é, pela combinação, nem sempre muito coerente, das diversas doutrinas espirituais — volta-se assim, mais uma vez, à <em>gnose,</em> que não passa de uma subversão da verdadeira Fé, de uma tentativa para tornar o sal da terra insípido.</p>
<p style="text-align: justify;" align="justify">
<p align="justify"><strong>9 — A relação com o corpo e com o prazer<br />
</strong>
</p>
<p align="justify">Para o católico, esta relação não é puritana, como era, por exemplo, para os cátaros e para os jansenistas. Não o é, designadamente, nos escritos do Papa João Paulo II, que celebra o acto conjugal como um « verdadeiro acto de adoração » ; mas o uso do corpo e dos sentidos deve obedecer à consciência e à lei moral, e permanecer subordinado ao amor verdadeiro.</p>
<p align="justify">Para os maçons, a atitude face ao corpo e ao prazer deve ser de uma total liberdade (entre adultos coniventes) ; a maçonaria valoriza o prazer, e é este hedonismo que a tem levado a promover as leis favorecendo a libertinagem sexual, a homossexualidade, o divórcio, a contracepção, o aborto, os PACS&#8217;s, as manipulações de embriões e, até, a despenalização das drogas ditas leves, bem como a eutanásia. <strong>« É todo o conceito de família que está a afundar-se »,</strong> disse um dia o Dr. Pierre Simon, médico, antigo Grão-Mestre da Grande Loja de França.</p>
<p style="text-align: justify;" align="justify">
<p align="justify"><strong>10 — A universalidade<br />
</strong>
</p>
<p align="justify">Convém ainda referir a oposição entre o carácter universal da religião católica, que espera a conversão e a salvação de todos os homens, e o universalismo maçónico, que tem por objectivo o governo mundial (por iniciados), objectivo esse sustentado de modo subterrâneo por múltiplas organizações internacionais orientadas por maçons : Trilateral, Bilderberg, B&#8217;naï B&#8217;rith, etc..</p>
<p style="text-align: justify;" align="justify"><strong><br />
11 — Conclusão<br />
</strong><br />
O católico não deve deixar-se seduzir pelos ideais maçónicos — os da República Francesa : Liberdade, Igualde, Fraternidade —, que não têm o mesmo sentido para um cristão e para um maçon.
</p>
<p align="justify">A <em>liberdade,</em> para um cristão, é um meio concedido por Deus ao Homem para se dirigir para o bem e para o amor. Para um maçon, é um objectivo sem finalidade, que serve para deitar abaixo todos os tabús e todos os interditos da moral tradicional. Ora, como bem advertiu o Cardeal Ratzinger numa comunicação à <em>Académie des Sciences Morales et Politiques,</em> em Paris, em 1992 : <strong>« Uma liberdade cujo único conteúdo consistiria na possibilidade de satisfazer os seus desejos deixaria de ser uma liberdade humana : passaria a pertencer ao domínio animal. »</strong></p>
<p align="justify">A <em>igualdade,</em> para os cristãos, resulta do facto de serem todos filhos de um mesmo Pai, e irmãos e irmãs de Jesus Cristo. Para um maçon, tal igualdade não passa de uma ilusão, já que há que distinguir entre profanos e iniciados, alguns destes pertencentes a numerosos graus — 33 nalguns ritos!</p>
<p align="justify">A <em>fraternidade</em> cristã é universal e traduz-se, de há muitos séculos a esta parte, por inumeráveis organizações caritativas e humanitárias fundadas em todo o planeta ; a dos maçons limita-se, ou concentra-se, no círculo restrito dos iniciados.</p>
<p align="justify">Recentemente (2 de Março de 2007), Mons. Gianfranco Girotti, secretário da Penitenciaria Apostólica, relembrou a condenação romana de 1983 : o católico filiado numa organização maçónica encontra-se « em estado de pecado grave » e « não pode ter acesso à comunhão », devido à incompatibilidade entre a fé cristã e a filosofia maçónica.</p>
<p>Em 20 de Setembro de 2007, D. Dominique Rey, bispo de Fréjus-Toulon, reafirmou esta incompatibilidade (cf. o seu livro, <em>Peut-on être chrétien et franc-maçon ?,</em> Paris, Salvator, 2007).</p>
<p>Já em Fevereiro de 1936, a vidente Marthe Robin (cuja processo de beatificação está presentemente em estudo em Roma) declarou ao Padre Georges Finet que <strong>« entre os erros que vão proximamente soçobrar, há o comunismo, o laicismo e a maçonaria »</strong> (cf. Raymond Perret, <em>Prends ma vie, Seigneur : la longue messe de Marthe Robin,</em> Paris, Desclée de Brouwer, 1985, p. 139). Efectivamente, o comunismo já não tem futuro. Rezemos, pois, para a conversão dos maçons, que se encontram no erro e nas trevas, quando julgam, com boa fé, ter recebido a «Luz»!</p>
<p align="justify"><strong>A Luz que ilumina todo o homem é Jesus Cristo, não é Lúcifer ! </strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>ORAÇÃO<br />
</strong>
</p>
<p align="justify">Pai de infinita bondade, vês no segredo dos corações e das lojas. Sabes que muitos maçons, iludidos por uma filosofia enganadora, procuram vãs verdades. Liberta-os, Senhor, dos espíritos que os abusam. Que o Espírito Santo, Espírito de Verdade, abra a sua inteligência e o seu coração e lhes revele a Verdade prima e última, o Alfa e o Ómega, o teu Filho, Jesus Cristo, a sua Vida e os seus ensinamentos, a Boa Nova do teu Amor. Ámen.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Perguntas frequentes nas minhas conferências<br />
</strong></p>
<p><strong>P. Quais as razões que levaram o Padre Michel Riquet, jesuíta, a defender a maçonaria? </strong>
</p>
<p align="justify"><strong>R.</strong> O Padre Riquet frequentou maçons no período da Resistência (1940-1945) ; alguns deles tornaram-se seus amigos ; nada mais natural. Mais tarde, ele aceitou, com toda a ingenuidade, um convite de uma loja, em Laval, em 1961, e ficou seduzido pela parte do ritual que aceitaram revelar-lhe, pois os maçons nunca mostram a totalidade do ritual a um profano. Não sei se ele tinha autorização dos superiores da Companhia de Jesus, mas o seu caso não foi único. Há outros jesuítas, ainda hoje, a defender a ideia de que é possível ser católico e maçon. Por exemplo, o Padre José António Ferrer Benimelli, historiador em Saragoça. O Padre Jean-Marie Glé, do serviço <em>Incroyance et foi.</em> O Padre Étienne Perrot, em Genebra (cf. o seu artigo em <em>Croire aujourd&#8217;hui,</em> de 15-4-2006), e outros. Confundem tolerância e sincretismo — uma « açorda » espiritual ! O diálogo é sempre desejável, mas não deve levar a abalar os fundamentos da Fé. Aliás, houve reuniões, nos anos 1970/1980, entre a Igreja Católica e as Grandes Lojas Unidas da Alemanha, e chegaram à conclusão, em ambos os lados, que não é possível, razoavelmente, pertencer, simultaneamente, à Igreja e à maçonaria. E o debate incidia apenas sobre os três primeiros graus da iniciação, por os maçons se terem recusado a abordar os graus superiores…</p>
<p align="justify"><strong>P. Já sofreu pressões ou ameaças por parte de maçons? </strong></p>
<p align="justify"><strong>R.</strong> Sim. Mais precisamente depois da minha conversão e quando tinha ainda responsabilidades na Segurança Social. Recebi, até, uma ameaça de morte por parte de um responsável da <em>Grande Loge de France,</em> quando manifestei a minha intenção de apresentar queixa nos <em>Prud&#8217;hommes</em> [tribunal profissional]. Devo confessar que há, no entanto, idealistas incorrigíveis entre os maçons, como, por exemplo, este irmão 33.º grau que, depois de ler o meu primeiro livro, me escreveu : « Congratulo-me por teres encontrado a Luz que eu próprio procuro há tanto tempo!»</p>
<p align="justify"><strong>P. Já participou em missas negras?</strong></p>
<p><strong></strong><strong>R.</strong> Não, nunca. Mas sabe-se que tem havido profanações desse género, sobretudo no início do século xx. Basta ler os testemunhos da Madre Yvonne-Aimée de Jesus, prioresa-geral das agostinhas hospitaleiras de Malestroit, na Bretanha, a quem o próprio Jesus informava da presença de hóstias consagradas em casas de certos profanadores. Ela ia buscá-las, para grande espanto dos culpados . Por outro lado, fiquei bastante impressionado com o ritual da minha última iniciação, 18.º grau, Cavaleiro Rosa-Cruz : esta, com o nome de « Ceia », tem lugar na noite de Quinta-Feira Santa, com partilha de pão e de vinho, sem consagração felizmente ! O Senhor preservou-me de conhecer directamente os rituais dos graus superiores ; mas sei que no 30.º (Grande Eleito Cavaleiro Kadosh) — e isto foi também confirmado por D. Joseph Stimpfle, bispo de Augsburgo, que participou nas já referidas reuniões, na Alemanha —, <strong>o iniciado lança no chão a tiara do Papa. </strong></p>
<p align="justify"><strong>P. Será possível definir a maçonaria como uma seita? </strong></p>
<p align="justify"><strong>R.</strong> É a designação que lhe dá o Papa Leão XIII, na sua encíclica <em>Humanum genus</em> (1884). No que diz respeito às lojas de base, não se pode falar em seita, porque o seu funcionamento é democrático, em todos os níveis da pirâmide hierárquica. Agora, os altos graus funcionam por cooptação e com progressivo secretismo. A influência intelectual e psicológica dos graus superiores sobre os inferiores induz um « efeito Janis » , ou pensamento gregário, em que cada um tende a conformar-se com o « espírito da casa » para aceder aos escalões superiores. Seja como for, é pouco provável que a maçonaria venha a ser catalogada como seita, pois, em França, a UNADFI (Union Nationale des Associations de Défense des Familles et de l&#8217;Individu Victimes des Sectes), que combate as seitas, é presidida por Catherine Picard, filiada na maçonaria!<strong> </strong></p>
<p align="justify"><strong>P. É possível deixar de ser maçon? </strong></p>
<p align="justify"><strong>R.</strong> As Constituições e Regulamentos prevêem a possibilidade de abandonar as lojas de base, e também os altos graus, mas, na realidade, o maçon que se demite volta a ser constantemente contactado ; os responsáveis da loja vêm dizer-lhe que as iniciações o marcaram de maneira indelével — o que é falso —, e que poderá, a todo o momento, retomar o seu lugar « sobre as colunas », sem ser obrigado a recomeçar as iniciações — o que é verdade. Eu próprio, fui contactado por ex-amigos e irmãos, que me diziam que a minha conversão não impedia o meu regresso à loja. A minha resposta deixava-os sem voz : « O que é que havia de encontrar agora na loja, eu que encontrei Jesus Cristo ? » Mas os maçons comprometidos em casos políticos ou financeiros podem ser sujeitos a chantagem por parte dos seus « irmãos » e hesitar em deixá-los por medo das represálias. Em todo o caso, são raros os que ousam dizer publicamente que abandonaram as lojas. Conhece-se o caso do Reverendo Michel Viot, protestante, que se tornou padre da Igreja Católica depois de abandonar a maçonaria.</p>
<p align="justify"><strong>P. A este propósito, porque é que as relações entre o protestantismo e a maçonaria não são conflituosas? </strong></p>
<p align="justify">R. Primeiro, porque a maçonaria moderna foi fundada por dois pastores protestantes, um anglicano e o outro presbiteriano, e porque, durante muito tempo, os dignitários das comunidades anglicanas tiveram responsabilidades na maçonaria anglo-saxónica. Assim, o rei de Inglaterra é, de direito, Grão-Mestre da maçonaria (a actual rainha faz-se representar pelo duque de Kent, pois a maçonaria inglesa não admite mulheres sobre as suas « colunas »). Convém, no entanto, referir que, ultimamente, a <em>High Church</em> tem desaconselhado a dupla filiação, a exemplo da Igreja Romana. Por outro lado, a independência de consciência do maçon em relação a Deus coaduna-se muito bem com o livre exame do protestante, de maneira que estes são bastante numerosos nas lojas. Os judeus também.</p>
<p align="justify"><strong>P. Existe alguma aliança entre o judaismo e a maçonaria?</strong></p>
<p align="justify"><strong>R.</strong> Católicos integristas defendem a ideia de uma conspiração judeo-maçónica para a conquista do mundo ; não acredito nisto, nem no famoso <em>Protocolo dos Sábios de Sião,</em> que não passa de uma falsificação escrita por um russo mais que iluminado. Tão-pouco se deve dar crédito às <em>Instruções da maçonaria aos bispos maçons :</em> a pobreza do texto basta para o desacreditar ; não é digno nem dos bispos nem dos maçons. O facto de a maçonaria estar a ser frequentemente instrumentalizada por Satanás não nos deve levar a diabolizá-la exageradamente, pois o que é excessivo é insignificante ; basta recomendar aos católicos que não entrem na maçonaria, pois nela não há qualquer espécie de vantagem espiritual que se possa encontrar… A não ser que se procurem vantagens materiais… mas com prejuízo da sua alma.</p>
<p align="justify"><strong>P. Haverá ligações entre a maçonaria e clubes como o Rotary Club e o Lion&#8217;s Club ?<br />
</strong>
</p>
<p align="justify"><strong>R.</strong> Não se pode negar que estes clubes foram criados nos Estados Unidos da América por maçons dos altos graus (que encontramos também na origem dos Mormons e das Testemunhas de Jeová). Nestes clubes, de fachada mundana e aparência inócua, existe um certo número de maçons encarregados de aliciar discretamente as individualidades «interessantes».</p>
<p align="justify"><strong>P. Como é que os maçons se reconhecem uns aos outros? </strong></p>
<p align="justify"><strong>R.</strong> Conforme os graus, o iniciado aprende « sinais e toques » que lhe permitem reconhecer os irmãos numa assembleia de profanos. São saudações especiais, apertos de mão significativos… Por outro lado, na maioria das cidades francesas, os mestres dispõem de um pequeno guia com os nomes e os endereços dos irmãos que podem servir de albergue. Podem também inserir na sua assinatura pequenos sinais que o iniciado reconhece facilmente.</p>
<p align="justify"><strong>P. Quais são as relações entre a maçonaria e o islão? </strong></p>
<p align="justify"><strong>R.</strong> Tirando alguns intelectuais árabes a viver nos países ocidentais, os muçulmanos não têm a ingenuidade, ou a inconsideração, de quererem entrar na maçonaria… Os únicos países muçulmanos onde houve lojas maçónicas foram o Líbano, devido ao seu cosmopolitismo, o Egipto, no tempo da ocupação inglesa, e a Turquia, mais ocidentalizada do que os seus vizinhos.</p>
<p align="justify"><strong>P. Qual foi a situação da maçonaria durante a ocupação da França pelos nazis?<br />
</strong>
</p>
<p align="justify"><strong>R.</strong> O governo de Vichy proibiu a maçonaria e ordenou perquisições nas lojas ; os arquivos viriam a ser encontrados, mais tarde, na Alemanha… Maçons foram presos e deportados. Isso explica a animosidade dos maçons em relação ao regime de Vichy e o seu acentuado secretismo depois da Libertação.</p>
<p align="justify"><strong>P. Os rituais da maçonaria comportam elementos de magia, de ocultismo ?<br />
</strong>
</p>
<p align="justify"><strong>R.</strong> Sim, e, muitas vezes, os próprios maçons não têm consciência disso. É assim que a « cadeia de união », que reúne os irmãos no fim de cada reunião ou sessão branca, visa, na realidade, a reforçar a <em>egrégore,</em> isto é, a força mental do grupo com vista à transformação do mundo profano à sua volta. Além disso, venera-se nas lojas a serpente Uroboros, instigadora da desobediência. Já falei dos rituais « pouco católicos » dos graus superiores ao 18.º.</p>
<p align="justify"><strong>P. Qual é a influência da maçonaria na política francesa ?<br />
</strong>
</p>
<p align="justify"><strong>R.</strong> Esta influência tem variado consoante as épocas. Foi muito forte durante a III República (1871-1940), com inúmeros Presidentes da República e Presidentes do Conselho oriundos das lojas. Maçons como Jules Ferry e Émile Combes estiveram na origem das leis de separação da Igreja e do Estado, em 1905. Durante a IV República (1946-1958) e a V (a actual), a influência não se tem feito sentir tão fortemente como dantes, sendo porém talvez mais perniciosa, chegando a perverter o sistema democrático. Houve alturas em que, no Parlamento, os maçons eram tão numerosos à direita como à esquerda (exceptuando o Partido Comunista e a Frente Nacional). A lei Veil sobre o aborto foi adoptada por um voto maciço dos maçons de esquerda e de direita, independentemente das suas divergências ideológicas no plano político. Foi por isso que preconizei, em 2005, a separação da maçonaria e do Estado (cf. <em>L&#8217;Homme Nouveau,</em> n.<sup>o</sup> 1356).</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Incompatibilidade entre a adesão à Fé Católica e a filiação na maçonaria<br />
</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><br />
Declaração da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé sobre a maçonaria </strong>
</p>
<p align="justify">Foi perguntado se mudou o parecer da Igreja a respeito da maçonaria pelo facto de, no novo Código de Direito Canónico, ela não vir expressamente mencionada como no Código anterior.</p>
<p>Esta Sagrada Congregação quer responder que tal circunstância é devida a um critério redaccional seguido também em relação às outras associações igualmente não mencionadas, uma vez que estão compreendidas em categorias mais amplas.</p>
<p>Permanece portanto imutável o juízo negativo da Igreja a respeito das associações maçónicas, pois os seus princípios foram sempre considerados inconciliáveis com a doutrina da Igreja e por isso permanece proibida a inscrição nelas. Os fiéis que pertencem às associações maçónicas estão em estado de pecado grave e não podem aproximar-se da Sagrada Comunhão.</p>
<p align="justify">Não compete às autoridades eclesiásticas locais pronunciarem-se sobre a natureza das associações maçónicas com um juízo que implicaria derrogação de quanto foi acima estabelecido, e isto segundo a mente da Declaração desta Sagrada Congregação, de 17 de Fevereiro de 1981 (cf. <em>AAS </em>73, 1981, p. 240-241).</p>
<p align="justify">O Sumo Pontífice João Paulo II, durante a audiência concedida ao subscrito Cardeal Prefeito, aprovou a presente Declaração, decidida na reunião ordinária desta Sagrada Congregação, e ordenou a sua publicação.</p>
<p align="justify">Roma<strong>, </strong>da Sede da Sagrada Congregação para<strong> </strong>a Doutrina da Fé, 26 de Novembro<strong> </strong>de 1983.</p>
<p style="text-align: center;">Joseph Card. RATZINGER,  <em>Prefeito<br />
</em>
</p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-family: Times;">†</span> Fr. Jérôme Hamer, O. P.<em> , Secretário</em></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><strong>A Igreja e a maçonaria<br />
</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Declaração dos Bispos da Alemanha<br />
</strong></p>
<div>Entre 1974 e 1980, tiveram lugar, entre a Igreja Católica e as Grandes Lojas Unidas da Alemanha, conversações oficiais com a finalidade de verificar se a posição da maçonaria em relação à Igreja Católica se tinha modificado e se, eventualmente, era doravante possível admitir a compatibilidade entre a adesão à maçonaria e a adesão à Igreja Católica. As conversações, que tiveram lugar num clima de abertura, incidiram designadamente sobre o estudo dos rituais maçónicos. No documento a seguir publicado, a Conferência Episcopal Alemã dá a conhecer o resultado final destas conversações. A sua conclusão é que a visão do mundo da maçonaria, o seu conceito de verdade e a sua ideia de Deus não tendo sofrido alterações substanciais,<strong> permanece excluída a possibilidade de se pertencer ao mesmo tempo à Igreja Católica e à maçonaria, mesmo no caso de esta dar provas de benevolência para com a Igreja.</strong></p>
<p align="justify"><strong></strong></p>
<p>As conversações oficiais entre a Conferência Episcopal Alemã e as Grandes Lojas Unidas da Alemanha tiveram lugar entre 1974 e 1980.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>O mandato<br />
</strong></p>
<p>A Conferência Episcopal Alemã tinha dado ao grupo de contacto o seguinte mandato:</p>
<ol style="margin-left: 54pt;">
<li>
<div style="text-align: justify;">Verificar as mudanças ocorridas no interior da maçonaria alemã ;</div>
</li>
<li>
<div style="text-align: justify;">Estudar a compatibilidade entre a adesão à Igreja Católica e a adesão à maçonaria ;</div>
</li>
<li>
<div style="text-align: justify;">Em caso de resposta positiva a estas questões, estudar a maneira de dar a conhecer ao grande público as mudanças verificadas.</div>
</li>
</ol>
<p style="text-align: center;"><strong>Resultado das conversações<br />
</strong></p>
<p>Não se verificou qualquer mudança da maçonaria na sua essência. O facto de a ela se aderir põe em causa os fundamentos da existência cristã.
</p>
<p align="justify">Por outro lado, o estudo aprofundado dos rituais maçónicos, da especificidade maçónica e da ideia, ainda hoje inalterada, que a maçonaria tem de si própria, revela claramente que <strong>a adesão à Igreja Católica e a adesão à maçonaria excluem-se mutuamente.</strong></p>
<p align="justify"><strong></strong></p>
<p>Os maçons negam a possibilidade de um conhecimento objectivo da verdade.</p>
<p align="justify">O carácter relativo de toda a « verdade » constitui, pois, a base da maçonaria. Como os maçons recusam toda a fé dogmática, não admitem qualquer espécie de dogma nas suas lojas (cf. Dr. Th. Vogel, <em>KNA,</em> 11 de Fev. de 1960, p. 6).</p>
<p align="justify">O que se pede a um maçon, é, pois, que seja um homem livre, « que não admite qualquer submissão a qualquer dogma ou espécie de paixão » (Lennhoff-Posner, <em>Internationales Freimaurer Lexikon,</em> Wien, Amalthea Verlag, 1975, p. 524 <em>et seq.</em>).</p>
<p align="justify">Tal atitude implica a rejeição em absoluto de todas as posições dogmáticas, o que se traduz, na língua dos maçons, da forma seguinte : « Todas as instituições assentes numa base dogmática, sendo a Igreja Católica a mais representativa delas, exercem uma coacção de fé » (Lennhoff-Posner, p. 374).</p>
<p align="justify"><strong>Tal conceito da verdade não é compatível com o conceito católico de verdade, nem do ponto de vista da teologia natural, nem do ponto de vista da teologia revelada. </strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>O conceito de religião nos maçons<br />
</strong></p>
<div>O conceito maçónico de religião é <strong>relativista.</strong> As religiões não passam de tentativas concorrentes para exprimir a verdade sobre um Deus que, afinal, é inacessível. De facto, a única coisa conforme à « verdade de Deus » é a linguagem polissémica [em que as palavras possuem mais de um sentido], cabendo a cada maçon dar a estas palavras o sentido que entender, na base dos símbolos maçónicos. Mas não é sem razão que, no interior da loja, a discussão sobre os problemas religiosos é severamente proibida.</p>
<p>É verdade que, antigamente, os maçons eram obrigados a aderir à religião maioritária do seu país, ou do seu povo, mas hoje é aconselhado aderir à religião « em que todos os homens estão de acordo », deixando a cada um as suas convicções particulares (cf. <em>Die Alten Pflichten von 1723,</em> Hamburg, Bauhütten Verlag, 1972, p. 10).</div>
</p>
<p align="justify">O conceito de religião « em que todos os homens estão de acordo » implica uma concepção relativista da religião que não é compatível com a convição fundamental do cristianismo.</p>
<p align="justify">Nos rituais maçónicos, o conceito de « Grande Arquitecto do Universo » ocupa um lugar central. Trata-se — apesar da vontade de abertura ao religioso « no seu conjunto » — de uma concepção eivada de <strong>deísmo.</strong></p>
<p align="justify">De acordo com esta concepção, não há qualquer conhecimento objectivo de Deus, no sentido do Deus pessoal do <strong>teísmo.</strong> O « Grande Arquitecto do Universo » é um <em>das</em> (isto) neutro, indefinido, aberto a toda a interpretação. Cada um pode pôr nele a sua representação de Deus, seja ela cristã ou muçulmana, confucianista ou animista, etc. Para o maçon, o « Grande Arquitecto do Universo » não é um ser no sentido de um Deus pessoal. (…) Este conceito do « Grande Arquitecto do Universo », pontificando num longínquo deísmo, destrói pela base a representação que todo o católico tem de Deus e a resposta que Lhe dá quando se dirige a Ele como Pai e Senhor.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>O conceito de revelação<br />
</strong></p>
<div>O conceito de Deus na maçonaria exclui liminarmente a ideia de uma auto-revelação de Deus, tal como é confessada por todos os cristãos. Pior ainda, o conceito de « Grande Arquitecto do Universo » reconduz as relações do Homem com Deus para posições anteriores ao próprio deísmo. O facto de, na maçonaria, se ligar expressamente o cristianismo à religião astral dos babilónios e sumérios, está em total contradição com a Fé revelada (cf. <em>Ritual II,</em> p. 47).</div>
</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Tomada de posição final<br />
</strong></p>
<div>Embora a maçonaria, em parte devido às perseguições sofridas durante o período do regime nazi, tenha manifestado ultimamente maior abertura em relação a certos sectores da sociedade, nem por isso deixou de permanecer fiel a si própria na sua mentalidade, convicções fundamentais e actividades.</div>
</p>
<p align="justify">As divergências verificadas incidem sobre os próprios fundamentos da existência cristã. E as pesquisas efectuadas sobre os rituais e a espiritualidade maçónicos evidenciam claramente que permanece excluída toda a adesão simultânea à Igreja Católica e à maçonaria.</p>
<p style="text-align: center;">Os Bispos alemães,</p>
<p style="text-align: center;">12 de Maio de 1980&#8243;</p>
<p><strong>(Trad. Prof. Dr. Gérard Leroux.) </strong></p>
<p><a href="http://doportugalprofundo.blogspot.com/">http://doportugalprofundo.blogspot.com/</a></p>
<div>O conceito de verdade nos maçons</div>
<div>As conversações</div>
</div>
<blockquote></blockquote>
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		<title>O FIM DA EUROPA</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Jan 2009 17:45:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>viktortora</dc:creator>
				<category><![CDATA[Curtas]]></category>
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		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Ainda que eu jamais tivesse adivinhado o irreparável, uma olhadela à Europa bastaria para me fazer estremecer. Preservando-me do vago, ela justifica, atiça e adula os meus terrores, e desempenha para mim a função atribuída ao cadáver na meditação do monge. No seu leito de morte, Filipe II mandou chamar o filho e disse-lhe: &#8220;Vê [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="post-body entry-content">&#8220;Ainda que eu jamais tivesse adivinhado o irreparável, uma olhadela à Europa bastaria para me fazer estremecer. Preservando-me do vago, ela justifica, atiça e adula os meus terrores, e desempenha para mim a função atribuída ao cadáver na meditação do monge.<span id="more-1149"></span><br />
No seu leito de morte, Filipe II mandou chamar o filho e disse-lhe: &#8220;Vê como tudo acaba, até a monarquia.&#8221; À cabeceira desta Europa, não sei que voz me adverte: &#8220;Vê como tudo acaba, até a civilização&#8221;. &#8211; E.M.Cioran, <em>A Tentação de Existir, </em>Relógio d&#8217;Água, 1988.</div>
<div class="post-body entry-content"><a href="http://acidadedosossego.blogspot.com/">http://acidadedosossego.blogspot.com/</a></div>
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		<title>Comediante premeia negacionista do Holocausto</title>
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		<pubDate>Fri, 02 Jan 2009 13:34:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>goncalvf</dc:creator>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Recortes de imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/1112/comediante-premeia-negacionista-do-holocausto" title="Comediante premeia negacionista do Holocausto"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/plugins/yet-another-photoblog/YapbThumbnailer.php?post_id=1112&amp;w=80" width="80" height="57" alt="Comediante premeia negacionista do Holocausto" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a>O comediante negro francês, Dieudonné, provocou o ultrage geral neste fim-de-semana ao atribuir um “prémio por heroísmo” em palco perante uma plateia de 5.000 pessoas a um veterano negacionista do Holocausto. Dieudonné, de 42 anos, já condenado por ter efectuado afirmações consideradas anti-semitas, entregou o galardão por “inaceitabilidade social e insolência” a Robert Faurisson, um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/1112/comediante-premeia-negacionista-do-holocausto" title="Comediante premeia negacionista do Holocausto"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/plugins/yet-another-photoblog/YapbThumbnailer.php?post_id=1112&amp;w=80" width="80" height="57" alt="Comediante premeia negacionista do Holocausto" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a><p>O comediante negro francês, Dieudonné, provocou o ultrage geral neste fim-de-semana ao atribuir um “prémio por heroísmo” em palco perante uma plateia de 5.000 pessoas a um veterano negacionista do Holocausto.</p>
<p>Dieudonné, de 42 anos, já condenado por ter efectuado afirmações consideradas anti-semitas, entregou o galardão por “inaceitabilidade social e insolência” a Robert Faurisson, um académico octogenário detentor de uma série de condenações, na França, por negar a existência de campos da morte nazis na Segunda Guerra Mundial.</p>
<p>Entre uma plateia eclética no Le Zenith, o maior palco musical e auditório teatral de Paris, encontravam-se o líder da extrema-direita Jean-Marie Le Pen, diversas figuras da extrema-esquerda francesa e um popular apresentador de concursos de televisão, Julien Lepers.</p>
<p>O prémio foi entregue ao Sr. Faurisson – sob enormes aplausos – por um auxiliar de palco vestido como um judeu deportado, com uma estrela amarela no peito.</p>
<p>Dieudonné – cujo nome completo é Dieudonné M’bala M’bala – foi outrora uma espécie de Lenny Henry francês. Nascido no seio de uma família de classe média com ascendência bretã e dos Camarões, os seus espectáculos de comédia stand up satirizavam o preconceito racial, tanto de brancos como de negros. Nos últimos cinco anos, o seu espectáculo de um homem só tem vindo a simbolizar – e alguns dizem a fomentar – uma nova corrente de anti-semitismo na França entre a juventude árabe e negra e na extrema-esquerda “branca”.</p>
<p>Outrora um virulento crítico do Sr. Le Pen, Dieudonné tem-se aproximado cada vez mais do líder da Frente Nacional nos últimos dois anos. No Le Zenith na sexta-feira o Sr. Le Pen, a sua esposa, Jany, e a sua filha mais velha, Marie-Caroline, estavam sentados, bizarramente, a alguns lugares de distância do líder radical negro Kémi Seba e de um activista trotskysta pró-palestiniano, Ginette Skandrani.</p>
<p>No final do seu espectáculo, “J’ai fait le com” (Fiz papel de parvo), Dieudonné chamou o Sr. Faurrisson da audiência. O ex professor e literatura, com 80 anos, tinha um ar surpreso quando lhe entregaram o “prémio por inaceitabilidade social e insolência”.</p>
<p>“Não estou habituado a este tipo de recepção”, afirmou perante a audiência em rubro. “Supostamente sou um historiador fora-da-lei”.</p>
<p>O Sr. Faurisson foi condenado diversas vezes em França por negar a existência dos campos de morte Nazis e a existência de qualquer plano da Alemanha nazi cuja intenção fosse a destruição dos judeus, dos ciganos ou outros “subhumanos” e indesejáveis. Também minimizou a culpa dos europeus no esclavagismo de africanos: comércio este ao qual Dieudonné se refere frequentemente como sendo algo mais maléfico do que o Holocausto.</p>
<p>Questionado acerca da razão pela qual honrou o Sr. Faurisson, o comediante tentou resolver esta aparente contradição. “Não concordo com todas as suas ideias”, afirmou. “Ele tem, por exemplo, negado que os escravos eram vendidos na ilha de Gorée, vindos do Dakar (no Senegal). Mas, para mim, o mais importante de tudo é a liberdade de expressão.”</p>
<p>Alguns comentadores franceses acusam Dieudonné de utilizar o anti-semitismo como um meio para obter publicidade para os seus espectáculos. Outros realçam que a simpatia do comediante por políticas extremistas arruinou em grande parte uma carreira de sucesso como comediante de stand up e actor cinematográfico (aparecendo em, entre outros, “Astérix e Cleópatra”).</p>
<p>Quando o Sr. Faurisson apareceu no palco do Le Zenith, Dieudonné dirigiu-se à audiência: “Os vossos aplausos vão ser ouvidos muito longe daqui? Só este aperto de mão em si é já um escândalo.”</p>
<p>Numa entrevista com o The Independent em 2006, Dieudonné repudiou as afirmações de que era anti-semita:</p>
<p>“Continuo tão profundamente anti-racista como sempre”, afirmou. “O Holocausto foi algo terrível e chocante, mas houve mais sofrimento na História e há mais sofrimento hoje em dia num mundo dirigido pelo poder do dinheiro. Os sionistas perverteram os valores da República (francesa) de modo a que apenas o sofrimento dos judeus seja reconhecido oficialmente em vez de, por exemplo, o sofrimento dos negros durante o comércio de escravos.”</p>
<p>In <a href="http://www.independent.co.uk/news/world/europe/comedian-gives-award-to-holocaust-denier-1214725.html" target="_blank"><em>The Independent</em></a>, 28 de Dezembro de 2008</p>
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		<title>MADRID</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Jan 2009 23:59:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>viktortora</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A convite do CISNE, fui a Madrid para uma conferência sobre os &#8220;fascismos&#8221; lusos, que correu muito bem, juntando pessoas de várias proveniências e diferentes faixas etárias. Uma excelente oportunidade para dar a conhecer um pouco de uma realidade totalmente nova para o país vizinho. Aproveitei para ficar na capital espanhola por alguns dias, rever [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="post-body">
<div>A convite do <a href="http://www.novaeuropa.org/"><span style="color: #5588aa;">CISNE</span></a>, fui a Madrid para uma conferência sobre os &#8220;fascismos&#8221; lusos, que correu muito bem, juntando pessoas de várias proveniências e diferentes faixas etárias. Uma excelente oportunidade para dar a conhecer um pouco de uma realidade totalmente nova para o país vizinho.<span id="more-1101"></span></p>
<p>Aproveitei para ficar na capital espanhola por alguns dias, rever amigos e fazer algum turismo. Museus, gastronomia, passeio e compras, tudo por entre as multidões que asfixiavam as principiais artérias de <span style="font-style: italic;">la Movida </span>devido às compras <span style="font-style: italic;">navideñas</span>.</p>
<p>Sobre as alterações demográficas bastante visíveis, lembrei-me da troca de comentários ocorrida <a href="https://www.blogger.com/comment.g?blogID=6857792&amp;postID=710427885842001420"><span style="color: #5588aa;">aqui</span></a>. Sobre outras experiências falarei em <span style="font-style: italic;">posts</span> seguintes.</div>
<div><a href="http://penaeespada.blogspot.com/">http://penaeespada.blogspot.com/</a></div>
</div>
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