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	<title>no-media // portugal &#187; Recortes de imprensa</title>
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		<title>Quão livres nos mantemos?</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Apr 2010 08:26:15 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/1460/quao-livres-nos-mantemos" title="Quão livres nos mantemos?"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/uploads/yapb_cache/25deabril.cvuj7swwvyo8kow40coks0k4g.9wzo4bhiyewwwccsss80skos.th.jpeg" width="80" height="106" alt="Quão livres nos mantemos?" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a>Comemorado o 36º aniversário do 25 de Abril, em que ponto se encontra a nossa liberdade? É um balanço que muito poucos têm feito, alarmante para os poucos que o fazem. No que diz respeito ao campo partidário, Portugal é dos países europeus onde mais exigências se fazem para a fundação de um novo partido, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/1460/quao-livres-nos-mantemos" title="Quão livres nos mantemos?"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/uploads/yapb_cache/25deabril.cvuj7swwvyo8kow40coks0k4g.9wzo4bhiyewwwccsss80skos.th.jpeg" width="80" height="106" alt="Quão livres nos mantemos?" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a><p>Comemorado o 36º aniversário do 25 de Abril, em que ponto se encontra a nossa liberdade? É um balanço que muito poucos têm feito, alarmante para os poucos que o fazem. No que diz respeito ao campo partidário, Portugal é dos países europeus onde mais exigências se fazem para a fundação de um novo partido, é verdade que isso evita que surjam entre nós partidos tão folclóricos como o Partido da Cerveja (comum em muitas nações europeias) ou o Partido Anarquista Pogo (partido existente na Suíça, na Áustria e na Alemanha com propósito humorístico), mas evita também que surjam partidos legítimos, com ideias novas.</p>
<p>No que toca à liberdade de imprensa, embora pontualmente surjam casos mediáticos como o de Mário Crespo, não existe qualquer regulação política. Contudo, a comunicação social de massas encontra-se dependente de duas prerrogativas: 1) é preciso manter a publicidade milionária que mantém os jornais, afinal estamos num país no qual os hábitos de leitura são quase inexistentes; 2) para manter a dita publicidade há que evitar irritar ou provocar os anunciantes e fazer com que a publicação venda mais que os concorrentes, logo a opção é captar a atenção do potencial leitor, chocar em vez de informar. Hoje, como antes, a imprensa local e regional é a que maior liberdade detém.</p>
<p>Agora passemos ao crucial, pelo menos o que nos tem preocupado, aos poucos que se têm dado ao trabalho de analisar as novas leis europeias, nem mencionarei aqui as quotas recentemente impostas à Polícia de Segurança Pública, prefiro nem pensar o que poderá acontecer quando, chegando perto do final do prazo para as cumprir, esta opte por deter e multar ao desbarato só para as cumprir. Pois bem, passemos então às leis europeias, que têm primazia sobre as leis nacionais. Curioso que todas as medidas mais “radicais” da famosa Constituição Europeia constem dos anexos, e não do corpo da própria Constituição (ou Tratado de Lisboa, como foi rebaptizada para ser aprovada sem recurso a referendo).</p>
<p>Liberdade de expressão e de informação: esta passa a poder ser sujeita a diversas formalidades, condições e restrições, de entre elas destaco “a defesa da ordem” e a “protecção da moral”, a “protecção da reputação” (caso já estivesse em vigor, sempre nos tinha poupado do triste espectáculo do processo da Casa Pia) e “impedir a divulgação de informações confidenciais” (os jornalistas de investigação bem se podem reformar, as negociatas e as corrupções por norma são confidenciais, logo mais vale dedicarem-se à pesca). Estes são só alguns pontos que realço de uma lista maior.</p>
<p>No que diz respeito à vigilância, é permitida também a vigilância dos cidadãos europeus – nos quais, portugueses e açorianos, nos incluímos – por razões de “segurança nacional (…) defesa da ordem (…) protecção da moral”. PIDE quanto baste, dirão alguns, vago o suficiente para sermos todos, ou quase, vigiados por uma qualquer polícia dos costumes.</p>
<p>Aliás, o ponto anterior é reforçado noutro ponto que permite a detenção de quaisquer cidadãos sob suspeita de uma possível infracção e, numeram no anexo 12, pessoas consideradas &#8220;contagiosas&#8221;, &#8220;alienadas&#8221;, &#8220;toxicómanas&#8221; ou &#8220;vagabundos&#8221;!!!??</p>
<p>Finalmente, a União Europeia na qual, individualmente, nenhum dos países membros mantém a pena de morte como punição, um exemplo humanista como há poucos, é a mesma UE que, por intermédio do Tratado de Lisboa, reintroduz a pena de morte em todos os países membros… Isso mesmo, “em caso de sublevação, insurreição ou ameaça de guerra” passa a ser aplicada a pena de morte! Será considerada uma insurreição quando um país decida abandonar a União Europeia? Uma greve, como a que houve dos camionistas, que paralise o país será considerada uma sublevação? Esperemos que não. É só o que podemos fazer.</p>
<p>Há também uma cláusula interessante sobre a requisição de qualquer cidadão para trabalhos forçados como “parte das obrigações cívicas normais”.</p>
<p>Poderemos manter as liberdades de Abril sem abandonar a União Europeia?<br />
<em><br />
<a href="http://www.jornalincentivo.com/">Incentivo</a></em><br />
26 de Abril, 2010</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Quanto custa uma bandeira?</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Apr 2010 08:24:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Recortes de imprensa]]></category>

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		<description><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/1458/quanto-custa-uma-bandeira" title="Quanto custa uma bandeira?"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/uploads/yapb_cache/valenca.5j3ilibl0oow4oc4cwk0ck48o.9wzo4bhiyewwwccsss80skos.th.jpeg" width="80" height="38" alt="Quanto custa uma bandeira?" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a>Creio que a maior parte da população nacional, mesmo entre aqueles que ainda pensam em Portugal como sendo uma Pátria de pleno direito e não como uma mera região administrativa dos Estados Unidos da Europa, não se apercebeu plenamente do risco inerente dos últimos actos, espero que irreflectidos, ocorridos em Valença. Uma “comissão de utentes” [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/1458/quanto-custa-uma-bandeira" title="Quanto custa uma bandeira?"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/uploads/yapb_cache/valenca.5j3ilibl0oow4oc4cwk0ck48o.9wzo4bhiyewwwccsss80skos.th.jpeg" width="80" height="38" alt="Quanto custa uma bandeira?" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a><p>Creio que a maior parte da população nacional, mesmo entre aqueles que ainda pensam em Portugal como sendo uma Pátria de pleno direito e não como uma mera região administrativa dos Estados Unidos da Europa, não se apercebeu plenamente do risco inerente dos últimos actos, espero que irreflectidos, ocorridos em Valença.</p>
<p>Uma “comissão de utentes” insatisfeitos com o encerramento do Serviço de Atendimento Permanente por parte do governo português decidiu demonstrar o seu descontentamento adquirindo, desconhecemos precisamente onde, mil bandeiras espanholas e hasteá-las por toda a cidade, a começar pela fortaleza local.</p>
<p>E se é certo que compreendemos a legítima indignação da população valenciana, escusado será dizer que os sectores espanhóis mais entusiastas da anexação de Portugal – e como conferencista habitual, quer de entidades de esquerda, quer de direita, nas terras de sua majestade Juan Carlos, estou plenamente a par da transversalidade de tal sentimento – ficaram deliciados com tamanho desprezo para com a nossa independência.</p>
<div>Transversal legado franquista?</div>
<p>Já em 1940 o ditador espanhol, Francisco Franco, pedira ao seu Estado Maior que elaborasse um plano para a invasão de Portugal, estes factos deveriam estar relativamente frescos na mente do público português uma vez que ainda no ano passado foi publicada a obra “A Grande Tentação: Os Planos de Franco Para Invadir Portugal”, da autoria de Manuel Rós Agudo, pela Casa das Letras.</p>
<p>Em diversos órgãos iberistas, na ausência de um termo geopolítico mais correcto – dado que pelo termo iberismo se subentende a posterior existência de uma qualquer federação de nações ibéricas enquanto que na eventualidade de uma anexação passaríamos a ser uma província do Reino de Espanha, logo o termo não é o mais correcto – a euforia não podia ser maior, o periódico Minuto Digital vangloriava-se com a manchete “Portugueses salen a la calle al grito de ¡Viva España!”, que nem me dignarei a traduzir, enquanto que no fórum Hispanismo, frequentado quer por franquistas espanhóis quer por ‘portugueses’ defensores de uma integração no Reino da Espanha, os ânimos estavam em alta com diversos utilizadores a recordar que já nem em Barcelona se assiste a tal fervor ‘patriótico’ espanholista, salvo quando joga a selecção (aparentemente, um mal semelhante ao nosso).</p>
<p>Para os leitores que tenham dúvidas acerca do igual fervor iberista por parte da esquerda espanhola, e deste poder ser de igual modo um legado franquista, gostaria de vos chamar a atenção para uma obra ainda inédita em Portugal, “Yo Tenía Un Camarada”, da autoria de César Alonso de los Rios, publicado pela Áltera em 2007, em cujo esclarecedor trabalho ficamos a par do passado de muitos dos principais intelectuais de esquerda espanhóis, franquistas convictos no anterior regime, socialistas e antifascistas credenciados na actual democracia monárquica.</p>
<p>Conclui-se pois que, no que toca ao entusiasmo de voltar a ver Portugal como mera província do Reino de Espanha, a transversalidade da extrema-esquerda à extrema-direita origina numa mesma escola partilhada no anterior regime é certo, mas também dum desejo recalcado que conta já com algumas centenas de anos.</p>
<div>Espanha avança!</div>
<p>Caso a coisa tivesse morrido por aqui, com a Guarda Nacional Republicana a velar somente para que não se hasteassem bandeiras espanholas nos edifícios públicos, um ultraje punido com dois anos de prisão, não haveriam quaisquer consequências de maior.</p>
<p>Por mais que possamos compreender a legítima indignação da população para com o Estado português pelo encerramento do SAP, tamanho protesto irreflectido – embora dada a quantidade de bandeiras reunidas em tão pouco tempo, o protesto aparente ser o resultado de uma prévia planificação – indicia, aos sectores iberistas dispersos por toda a administração civil e pelas Forças Armadas, uma certa receptividade. Recordo que já em 2006 o resultado de uma sondagem, de acordo com o semanário Sol, demonstrava que 28% dos portugueses, note-se que se trata de mais de um quarto da nossa população, preferiam ser espanhóis.</p>
<p>Acontece que a coisa não morreu por aqui, no passado dia 8 a Lusa anunciou uma preocupante novidade: com base num acordo celebrado entre o governo de José Sócrates e o reino espanhol na Cimeira Ibérica de Zamora, em Janeiro do ano passado, publicado na edição de 19 de Março do Diário da República, uma associação constituída por cinco municípios do Alto Minho e dezasseis municípios galegos, anunciaram que irão avançar com um estudo que possibilite a utilização dos serviços de saúde transfronteiriços.</p>
<p>O alcaide de Tui, do outro lado da fronteira, prestou-se a oferecer aos cidadãos portugueses o usufruto do Centro de Saúde do lado espanhol da fronteira, no qual tampouco é necessário o pagamento de quaisquer taxas moderadoras, tendo inclusive prometido um reforço de médicos e restante pessoal auxiliar.</p>
<div>Suicídio geopolítico?</div>
<p>Fazendo eu parte de uma inclinação geopolítica que defende o correcto reconhecimento da Galiza como nação lusófona com direito a assento na CPLP, estou plenamente consciente que a actual situação desencadeou um risco que nenhum de nós ponderara: a utilização da Galiza como porta de entrada do espanholismo. Não foram bandeiras galegas as hasteadas em Valença, foram bandeiras do Reino de Espanha. Os próprios galegos quando protestam possuem bandeira própria, não hasteiam a bandeira da monarquia espanhola. Como referiu ao JN um turista galego que se encontrava em Valença aparentemente avesso ao protesto dos locais, “por coisa nenhuma poria uma bandeira portuguesa hasteada em casa”.</p>
<p>Caso os valencianos desconheçam porque razões chegaram a tamanho desespero, permitam-me partilhar convosco os resultados das últimas legislativas: PPD/PSD – 37,45% dos votos expressos, PS – 35,17%. E vejamos as anteriores, em 2005: PS – 44,06% dos votos expressos, PPD/PSD – 34,92%.</p>
<p>E fico-me por aqui. Caríssimos conterrâneos, compreendo a vossa indignação, mas não seria mais fácil deixar de votar nos do costume do que renegar a nacionalidade do mais antigo Estado-Nação europeu hasteando um milhar de bandeiras de uma potência estrangeira?</p>
<p><em><a href="http://jornalodiabo.blogspot.com/">O Diabo</a></em><br />
13 de Abril, 2010</p>
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		<title>Alberto João Jardim &#8211; «O PSD não tem juízo!»</title>
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		<pubDate>Sat, 17 Apr 2010 21:34:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Recortes de imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Regionalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/1450/alberto-joao-jardim-%c2%abo-psd-nao-tem-juizo%c2%bb" title="Alberto João Jardim &#8211; «O PSD não tem juízo!»"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/uploads/yapb_cache/albertojoaojardim.bv1zsz2x0408c8swcw44cw8gc.9wzo4bhiyewwwccsss80skos.th.jpeg" width="80" height="53" alt="Alberto João Jardim &#8211; «O PSD não tem juízo!»" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a>Quando se explica ao presidente do Governo Regional da Madeira os temas da entrevista, a resposta corta qualquer dúvida pela raiz: «Pergunte o que quiser.» É o género de afirmação que o entrevistador gosta de ouvir e de, durante o diálogo, ver como é que Jardim reage às questões mais inesperadas. Umas vezes faz um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/1450/alberto-joao-jardim-%c2%abo-psd-nao-tem-juizo%c2%bb" title="Alberto João Jardim &#8211; «O PSD não tem juízo!»"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/uploads/yapb_cache/albertojoaojardim.bv1zsz2x0408c8swcw44cw8gc.9wzo4bhiyewwwccsss80skos.th.jpeg" width="80" height="53" alt="Alberto João Jardim &#8211; «O PSD não tem juízo!»" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a><div>
<p>Quando se explica ao presidente do  Governo Regional da Madeira os temas da entrevista, a resposta corta  qualquer dúvida pela raiz: «Pergunte o que quiser.» É o género de  afirmação que o entrevistador gosta de ouvir e de, durante o diálogo,  ver como é que Jardim reage às questões mais inesperadas. Umas vezes faz  um breve silêncio para encaixar a pergunta, outras ajeita-se na cadeira  e pesa as palavras e, quando acha que foi longe de mais e que pode  haver uma suavização das suas palavras, aponta o dedo para o gravador e  avisa: «Isto é para sair mesmo como eu disse.» Certo, senhor presidente,  será feita a sua vontade e quem se sentir ofendido que reclame  directamente para a Quinta da Vigia.</p>
</div>
<p>DA VARANDA DO  PALÁCIO vê-se o «jardim» que Alberto João, o eterno presidente do  Governo Regional, controla há mais de três décadas. Chamam-lhe Madeira e  também Pérola do Atlântico, tem hotéis por todo o lado, está furada por  dezenas de túneis ligados a viadutos como um queijo suíço e o povo vota  sempre nele. Por isso ninguém lhe faz frente na ilha, não teme o  Governo da República e aprecia brincar com os primeiros-ministros e  presidentes da República que os continentais elegem. Todos sabem que o  seu PSD tem o pé bem firme em cada metro quadrado da ilha e que nada se  faz sem a sua aprovação, mas ninguém lhe encontra os escândalos que  envolvem a classe política portuguesa nem lhe apontam um enriquecimento  por favorecer interesses.</p>
<p>Este fim-de-semana, Jardim recebe José  Sócrates, o seu mais recente amigo, que se desloca à região para  participar da Festa da Flor, em solidariedade com a tragédia que se  abateu em Fevereiro sobre a Madeira. Na semana passada falhou o  congresso que entronizava o novo presidente social-democrata. São dois  passos da última cartada que joga antes de se reformar de uma vida em  grande parte dedicada à política, desde que em Maio de 1974 foi um dos  fundadores do PPD.</p>
<p>Administra a Madeira a partir de um palácio  onde os turistas entram sem pedir autorização, tiram fotografias para  recordar o momento e podem abordar Alberto João Jardim ao cruzarem-se  com ele. Faz questão de ter o portão sempre aberto e não esconde o que  lhe vai na alma logo na sala onde se aguarda pela hora de subir ao seu  gabinete. Nessa sala estão posters, cartões e fotografias espalhados  pela parede que entretêm a breve espera.</p>
<p>O primeiro que chama a  atenção é um postal de boas-festas que tem a assinatura de José  Sócrates. Seguem-se outros cartões, com frases: «Tenho sempre razão»;  «Vida longa aos inimigos para que assistam de pé à minha vitória»;  «Porquê questionar? Deixem-me seguir o meu próprio caminho» ou «Mais  tarde ou mais cedo os visionários provaram ser verdadeiros realistas».</p>
<p>Esta  última máxima é do antigo chanceler alemão Helmut Kohl, as anteriores  são ditados populares, frases que interpretam o instinto político  matador e os ideários de governabilidade de João Jardim, também expostos  em fotografias inesperadas como uma em que surge com a bandeira do  Partido Comunista Português nas mãos. No final do encontro, enquanto se  passeia pelos jardins do palácio, dirá uma frase que sustenta a sua  orientação económica: «Salazar defendia o equilíbrio orçamental. Viu-se o  resultado em Abril de 1974.»</p>
<p>Alberto João Jardim acabou de  almoçar mas não lhe falta apetite para a sobremesa. Coloca na ementa a  «inexistente» oposição madeirense, o velho e o novo PSD de Pedro Passos  Coelho, o apoio à reeleição de Cavaco Silva e a candidatura de Manuel  Alegre, entre outras questões polémicas. O presidente do Governo  Regional vai provando as sugestões do cardápio mas acaba por degustar  com mais prazer os pratos fortes e polémicos. De lado fica a obstinação  de Sócrates em legalizar o casamento gay com o argumento de que não vai  estragar a convergência que neste momento é necessária para discutir a  questão mas evita considerá-la uma garotice porque, diz, «cada um tem as  suas ideias e valores».</p>
<p>Quando se lhe faz a pergunta que está  dentro da cabeça de todos os portugueses – se alguma vez alguém o vai  meter na ordem? – a resposta é desabrida: «Espero que Nosso Senhor Jesus  Cristo, quando eu chegar ao céu. Porque senão vai ser uma marabunta lá  para cima.»</p>
<p><strong>Sai da tragédia que ocorreu na Madeira em  Fevereiro com um novo fôlego. Porquê?</strong><br />
Sim, reconheço que a  adrenalina subiu porque é um desafio enorme que tenho de vencer.  Primeiro pelo imprevisto, depois pela dimensão do que é preciso fazer.  Não é por acaso que os médicos me dizem que a minha melhor forma física é  quando faço eleições!</p>
<p><strong>Naqueles dias estava mais tenso e  preocupado do que o normal?<br />
</strong>Não era para menos.</p>
<p><strong>Foi  um dos momentos da sua vida mais&#8230;</strong><br />
Mais duros de  enfrentar. É uma ocasião em que perdemos o direito a chorar ou lamentar,  temos de demonstrar força, autoridade, capacidade e velocidade de  decisão. Nessas alturas, se queremos queixar-nos é com nós próprios e  junto da almofada.</p>
<p><strong>Neste novo presidente pós-temporal  também se nota uma alteração em relação ao primeiro-ministro da  República. É para durar?<br />
</strong>Não há um novo presidente  pós-temporal. Há uma pessoa que, conforme as responsabilidades que lhe  estão atribuídas, tem obrigação de actuar em função das circunstâncias  novas sem pôr de parte a ideologia e os valores em que acredito. Há, de  facto, uma convergência com o primeiro-ministro nos esforços para  reabilitar a Madeira e, também, em tudo aquilo em que eu possa ajudar o  Estado a não ser perturbado em termos de comprometer o auxílio à  Madeira.</p>
<p><strong>Mas aceitou um entendimento diferente do que era  habitual?</strong><br />
Perante a disponibilidade que o primeiro-ministro  revelou seria absolutamente imoral da minha parte não saber  corresponder.</p>
<p><strong>Até disse: «Serei aliado do engenheiro  Sócrates nem que seja contra o PSD.»</strong><br />
Não era a primeira vez.  A minha concepção da vida política define-se do seguinte modo: a  Madeira é o meu partido e Portugal a minha pátria. Repare que não digo  Estado ou país, digo pátria. A Madeira é o meu partido e Portugal a  minha pátria. Os partidos políticos em si são instrumentos para eu  concretizar o que entendo dever ser o meu serviço à Madeira e à pátria, a  partir daqui é só tirar as consequências.</p>
<p><strong>Não é a  primeira vez que está em desacordo com o PSD!<br />
</strong>Estar em  desacordo não significa conspirar. É a coisa mais natural no mundo  democrático haver pessoas que são do topo do partido e discordam do  líder ou da direcção política nacional. Isto não tem nada de dramático,  só em Portugal é que se fazem dramas com estas pequenas coisas. Quando  Cavaco Silva escolheu Freitas do Amaral para candidato a Presidente da  República eu apoiei Mário Soares por razões que então dei; quando Cavaco  apoiou Soares eu não apoiei ninguém e não votei em Soares. Tem havido  comportamentos autónomos porque o partido [na Madeira] é autónomo nos  estatutos do PSD e as decisões que visem a região são tomadas  autonomamente. Não estou a defender partidos regionais – obviamente uma  constituição democrática não proíbe partidos de qualquer tipo ou é  indecorosa –, nem preciso de criar um assim ou que tenha a sede em  Lisboa.</p>
<p><strong>Foi pelo interesse da Madeira que o vimos fazer  as pazes com José Sócrates?<br />
</strong>Não se trata de fazer pazes, até  porque isso dá uma impressão de guerras entre comadres. O que se passou  foi uma convergência no interesse nacional, que era recuperar do que se  tinha passado numa das parcelas do seu território.</p>
<p><strong>Mas é  uma convergência para continuar?</strong><br />
É uma convergência para  continuar desde que ninguém quebre os seus compromissos.</p>
<p><strong>José  Sócrates terá em si um companheiro durante esta legislatura?<br />
</strong>Sim,  considero que seria altamente negativo para a Madeira haver  instabilidade governativa na República.</p>
<p><strong>Considera, então,  que esta legislatura deve ir até ao fim?<br />
</strong>Vamos aguardar  pelas eleições presidenciais e, também, ver se a situação do país evolui  no sentido positivo. Porque, se daqui a um ano estivermos ainda pior do  que hoje, o pragmatismo e sobretudo o patriotismo obrigam-nos a uma  nova reflexão.</p>
<p><strong>Até porque o poder em Portugal costuma  alternar entre o PS e o PSD.</strong><br />
Desculpe, a Madeira é Portugal e  aqui não alterna.</p>
<p><strong>É a excepção?</strong><br />
Essa história  de se dizer que a alternância é uma regra da democracia não é bem  assim, o que é regra da democracia é que se expresse a vontade do povo  livremente.</p>
<p><strong>Deixe-me refazer a pergunta…</strong><br />
Não, a  pergunta é perfeita! Muitas vezes tem-se acusado a Madeira de défice  democrático porque até agora não houve alternância governativa, mas essa  é a prova de que a democracia não reside aí senão fazia-se isso por  decreto e não era preciso gastar dinheiro em eleições! A democracia  reside no povo escolher em liberdade.</p>
<p><strong>Acha que este PSD  teria capacidade, no continente, de substituir o actual Governo PS?</strong><br />
<em>(Com  esta pergunta confirma-se que a digestão do almoço não perturba Alberto  João Jardim. Imediatamente contrapõe que a entrevista poderia ser  publicada após o congresso que iria realizar-se no fim-de-semana passado  mas que as suas declarações eram feitas por antecipação. Portanto, «se  eu dissesse que tem capacidade estava a cair em demagogia». Mas,  salvaguarda: «Se eu dissesse que não tinha capacidade também estava a  ter má vontade com o rapaz.» Diz-se que com a sua experiência política e  o conhecimento que tem de Passos Coelho já terá noção se este PSD  poderá ou não ser capaz de ser alternativa no continente. Só então  responde.)<br />
</em>Poderei ter sentimentos pessoais para avaliar uma  determinada situação, mas como político direi de uma maneira já  objectiva que é cedo para poder ter um juízo.</p>
<p><strong>Não foi ao  congresso do PSD porque não se justificava?<br />
</strong>O anterior era  mais importante porque fui um dos que o defenderam em nome da discussão  sobre o partido. No entanto, eles foram para lá e nem discutiram coisa  nenhuma. Andaram em campanha eleitoral e depois é  maria-vai-com-as-outras e já vejo tudo no mesmo cesto. Eu não entro  nisso e não quero fazer parte desse espectáculo.</p>
<p><strong>Deu o seu  apoio a Paulo Rangel, que foi escolhido por Passos Coelho para ser o  cabeça de lista ao Conselho Nacional. Gostou?<br />
</strong>Não tenho de  gostar ou deixar de gostar! São feitios que eu não tenho.</p>
<p><strong>Paulo  Rangel seria o seu homem no PSD?<br />
</strong>Desculpe, mas homens não  tenho e mulheres só uma, por isso não estou ligado por qualquer vínculo a  personalidades do PSD.</p>
<p><strong>Não estranhou que Aguiar-Branco  tivesse aceite fazer revisão do programa do PSD?<br />
</strong>Eu não  percebo o que é rever o programa do PSD. É um partido social-democrata  de raiz social cristã que o distingue dos outros partidos da  Internacional Socialista cuja matriz é a luta de classes do século XIX.  Não estou a ver, portanto, o que é que vão mudar agora no programa do  PSD. Serei um dos que não admitirão que se toque nos valores e  princípios que trouxeram à fundação, à existência e à vida do PSD em  Portugal. Se há intenção de transformar o PSD num partido liberal, pode  contar com a minha guerra.</p>
<p><strong>A sua única sugestão é «deixe-o  ficar como está»?<br />
</strong>Aceito que se veja em função da evolução  tecnológica porque é cada vez mais acelerada, ou seja, uma actualização e  não uma revisão do programa. As tecnologias evoluíram muito mas as  ideologias não tiveram qualquer evolução, pelo contrário, o  reaparecimento do neoliberalismo deu o resultado que estamos todos a  pagar agora. Os orçamentistas ainda nem se penitenciaram ou perceberam o  que têm de fazer para que o mundo recupere e, portanto, se não surgiu  nada depois da fundação do PSD que ideologicamente permita contestar  alguma coisa no plano dos valores e princípios do partido, não vejo  razão para se lhes tocar porque são mais do que actuais! O que apareceu  depois é uma autêntica chachada.</p>
<p><strong>No seu íntimo receia que  haja uma deriva de liberalismo na revisão?</strong><br />
No meu íntimo já  assisti a tudo em Portugal. A um povo inteiro a andar nas ruas contra o  primeiro-ministro e a seguir reelegê-lo e a outras coisas mais  fantásticas e absurdas. Depois de Durão Barroso ir para Bruxelas assisti  a uma vida kafkiana dentro do PSD, parece que só me falta ver um porco  andar de bicicleta!</p>
<p><strong>Quanto tempo de liderança dá a Pedro  Passos Coelho?<br />
</strong>Aquele tempo que a capacidade dele merecer.</p>
<p><strong>Muito  raramente tem estado a favor das lideranças do PSD. Como será desta  vez?</strong><br />
Uma vez eleito um líder nunca vi a partir da Madeira  qualquer conspiração para derrubar os dirigentes nacionais, mesmo às  vezes discordando, e estive sempre ao lado deles mesmo quando foram  derrotados por concorrentes ao cargo. Nunca me viram meter uma faca nas  costas do partido a nível nacional! Discordar é uma coisa, trair é  outra. O que se tem passado é: o partido na Madeira é autónomo e, como  disse, para mim o que conta é a Madeira e a pátria, os partidos são um  instrumento. E quando entendo discordar do partido discordo mesmo, mas  não traio.</p>
<p><strong>Manuela Ferreira Leite foi uma excepção na  relação consigo?</strong><br />
Fiquei-lhe devedor de duas coisas. Teve a  coragem de chamar mentirosas às pessoas que deturpavam a realidade  madeirense por razões políticas, pessoais ou até do foro psiquiátrico.  Em segundo lugar, deu o grande exemplo de ética política ao perder as  eleições porque se atreveu a não dizer apenas aquilo que o povo quer  ouvir.</p>
<p><strong>Por que razão não conseguiu aguentar o PSD?<br />
</strong>Porque  o partido não tem juízo! Há dois anos e meio fui a Lisboa quando eram  três os concorrentes: Santana, Ferreira Leite e o Passos Coelho. E  disse-lhes: «Pego nisto, faço uma equipa com todas as tendências e ganho  ao engenheiro Sócrates. Serão eleições duras e sem politicamente  correctos.» A resposta foi se quisesse que me candidatasse e passasse a  ser o quarto candidato porque andarem à pancadaria uns com os outros é  que era a riqueza do partido. Como não estava para aturar esta gente,  peguei na malinha e voltei à Madeira. Passou-se exactamente o mesmo  agora com Marcelo Rebelo de Sousa e deram-lhe com os pés porque queriam  era mais um à pancada!</p>
<p><strong>Está-se longe do suicídio colectivo  apregoado por Pinto Balsemão?<br />
</strong>Não me peça para fazer  futurologia.</p>
<p><strong>Mesmo com a sua experiência política?</strong><br />
Vou  ser franco: com a minha experiência, aquilo que receio, embora esteja  atenuado porque também se verifica nos outros partidos, é que o efeito  da mediocrização que se deu em Portugal no interior de todos os  partidos, sem excepção, possa ter reflexo na estabilidade de todos esses  mesmos partidos. Foi uma mediocridade que resultou do progresso do país  e que fez que as pessoas se sintam mais aliciadas por outras  actividades profissionais que não a política. Também o facto de as  pessoas se sentirem vulneráveis na praça pública perante um certo tipo  de jornalismo – não digo todo – que se fez e faz em Portugal, através do  qual de um momento para o outro, estando inocentes, vêem-se acusadas  das coisas mais inqualificáveis. E se há pessoas como eu que têm feitio  para andar à porrada, há outras que não o têm. Se os partidos se  mediocrizaram, fatalmente a democracia mediocrizou-se e o esforço de  qualquer líder nacional terá de ser no sentido de ir buscar os melhores  quadros para o bem do país e da qualidade da vida política.</p>
<p><strong>É  o chamado rejuvenescimento do PSD, uma nova geração como Passos Coelho,  Sócrates ou Portas?</strong><br />
Que eu saiba, eles não são assim tão  novos! Esta coisa de chamar renovação geracional aos cinquentões é um  pedacito caricato.</p>
<p><em>(João Jardim aproveita para falar da sua  renovação geracional: «Façam como eu fiz no meu segundo governo. Fui  buscar gente com vinte e tal anos e todos eles estão na política  activa.» Para o presidente, a reforma geracional é uma «panaceia que se  arranjou agora» e que significa apenas «saneiem os velhos». É, no seu  entender, mais uma forma de se desviar as atenções e dizer que o que  conta é a idade e não a qualidade: «É mais um modo de enganar os  portugueses» porque «há gente de qualidade muito nova como há gente  tonta bastante nova». Ou seja, diz, «é mais um bluff para empurrar o  país para a massificação e retirar qualidade à vida política»)</em></p>
<p><strong>Nem  o seu governo precisa de ser rejuvenescido?<br />
</strong>Os meus  governos têm durado três mandatos com a mesma equipa mas obedeço sempre à  regra de um terço de juventude e caras novas. Não há reforma geracional  se a par da nova geração não estiver a experiência e a qualidade.</p>
<p><strong>Depois  deste temporal, considera que ainda tem muito para dar à Madeira?<br />
</strong>Costumo  dizer que essas coisas pertencem a Deus – porque sou crente – e ao povo  madeirense.</p>
<p><strong>Antes admitira cessar funções em 2011, mas  agora refere uma solução intermédia. Qual é?</strong><br />
Essa era a  minha hipótese anterior porque antes disto ter sucedido estava tudo  encaminhado para já não concorrer nem à direcção do partido nem a  presidente do governo. Entretanto, deu-se o que se deu e seria  vergonhoso da minha parte, com tanto drama que havia aí, aparecer a  dizer «agora amanhem-se que eu daqui a um ano vou-me embora». Não, essa é  a altura em que ninguém pode dizer «eu vou abandonar» mas sim de  afirmar «atenção, que eu não decidi abandonar!»</p>
<p><strong>Como será  então?<br />
</strong>As eleições regionais são em Outubro de 2011, temos  ano e meio para eu e o partido reflectirmos. Como se diz na Madeira,  nada de pôr o carro à frente dos bois. Mas, para já, a palavra sair ou  abandonar…</p>
<p><strong>Estão riscadas?<br />
</strong>Estão riscadas do  vocabulário, até porque há muitas maneiras de estar.</p>
<p><strong>O que  quer dizer com uma solução intermédia?<br />
</strong>Já disse tudo: há  muitas maneiras de estar.</p>
<p><strong>Explique a quem conhece menos a  política madeirense…</strong><br />
A Madeira é um sistema parlamentar,  como no continente&#8230;</p>
<p><strong>Portanto, manter-se-á como deputado?<br />
</strong>Isso  depois vê-se.</p>
<p><strong>Mas é uma opção?<br />
</strong>Há várias  hipóteses. Estive a conceber várias hipóteses porque eu raciocino sempre  de uma forma militar – opção A, B, C e D – e cheguei à conclusão de que  o ideal seria fazer o congresso regional depois da Páscoa de 2011, a  cinco meses de eleições regionais, onde será eleita a comissão política  que terá pela frente escolher o governo que sairá das eleições de 2011  se o PSD ganhar na Madeira. Terá também de escolher os autarcas, porque  há muitos a atingir o final de mandato permitido por lei, e candidatos a  outras eleições.</p>
<p><em>(João Jardim gosta de personalizar a  entrevista e ao questioná-lo se tem dúvidas sobre o PSD continuar a  ganhar na Madeira faz a seguinte tirada: «Como é que pode não ter  dúvidas se não é eleitor na Madeira?» Respondo que a tendência de todas  as eleições é no sentido do reforço dos resultados mas a resposta é: «Se  eu raciocinasse assim tornava-me um preguiçoso.» Continua o vaivém e  digo-lhe que vê-se que aproveitou bem o tempo em que foi oficial de  Acção Psicológica na vida militar: «Olhe, eu saí do curso de Direito  sabendo pouco e mal, com as teorias todas do senhor tal e do senhor tal  que na vida prática valiam zero. De facto devo à minha vida militar ter  aprendido muitas coisas.»)</em></p>
<p><strong>Quem vai ser o seu delfim?<br />
</strong>Por  definição, enquanto não houver um novo presidente da comissão política  regional, Alberto João Jardim é o delfim do Alberto João Jardim. É  preciso ver que não sou eu quem vai designar o sucessor, são os  militantes do PSD. Foi o primeiro sítio no país onde se fez isto, o voto  universal, individual e secreto de todos os militantes. Não me digam  que um partido que já está no poder na Madeira desde 1976 ao fim de 34  anos não tem maturidade suficiente para fazer uma mudança de líder na  maior paz do mundo.</p>
<p><strong>E a sociedade madeirense vai aceitar  essa mudança de líder?<br />
</strong>Aí é que está a grande questão. Não é  por acaso que me farto de dizer no partido – e era bom que o PSD a  nível nacional primeiro se convencesse disto – que quem vota não são os  filiados do partido, que elegem direcções partidárias, mas sim o povo  soberano. Até podem pintar de ouro o líder que quiserem escolher, quem  vai decidir é o povo e ainda bem que assim é.</p>
<p><strong>E o povo vai  pedir-lhe opinião ao confrontar-se com a sucessão?<br />
</strong>Se o  povo me pedir opinião eu terei de ser, porque se trata de umas eleições,  solidário com o meu partido. Agora, o povo que me conhece muito bem –  até por um simples trejeito de beiços – vai ver se estou convencido do  que estou a dizer ou não. O povo vai acreditar no que eu estou dizendo  ou não vai acreditar no que eu estou dizendo.</p>
<p><strong>Livre da  Madeira, ainda o teremos como candidato a presidente da República?<br />
</strong>Eu  conheço o princípio de Peter, o que muita gente em Portugal não sabe!  Para mim isso é um assunto resolvido! O professor Cavaco deve  candidatar-se e eu vou apoiá-lo. Nem sequer me preocupo a pensar nisso.  Algumas vezes discordei dele enquanto primeiro-ministro, mas como  Presidente só uma vez, quando promulgou a anterior Lei das Finanças  Regionais, que era francamente inconstitucional. Não sei se a promulgou  em nome daquilo que na altura se chamava de forma engraçadíssima a  «cooperação estratégica». De resto, nunca o tive por pessoa  irresponsável, pelo contrário, se há pedra que não se lhe pode atirar é a  de falta de responsabilidade. E não acredito que, com o sentido de  responsabilidade que tem, por vontade própria, alguma vez se recusasse à  recandidatura. Não me passa sequer pela cabeça.</p>
<p><strong>Já se  aborreceu muito com ele, até lhe chamou senhor Silva.<br />
</strong>Desculpe,  no avião ninguém o trata por doutor nem por engenheiro. As hospedeiras  dizem a toda a gente «senhor tal». Eu aprendi com as hospedeiras.</p>
<p><strong>A  sua forma de ser traz-lhe problemas?<br />
</strong>Eu acarretei sobre mim  ódios históricos em certos sectores da colónia britânica da Madeira.  Havendo dois jornais diários na Madeira e um sendo propriedade de  empresários britânicos, esse diário bate-me todos os dias desde que em  Outubro de 1974 eu assumi a direcção do outro, o Jornal da Madeira, do  qual só saí em 1978 para tomar posse como presidente do governo.</p>
<p><strong>Não  deve ter gostado da mentira do 1 de Abril que o Diário de Notícias da  Madeira fez?</strong><br />
Gostei mais da do Jornal da Madeira, que dizia  que o PS já estava a preparar as listas e que o facto de deixar de fora  jornalistas e empresários que nos apoiam tinha dado resultado. Vinha lá o  nome de todos os jornalistas que eram contra o PSD e que iam fazer  parte das listas do PS. E acrescentava que os ingleses, os seus  proprietários, só não faziam parte porque cidadãos estrangeiros não  podem concorrer às eleições regionais. Penso que esta tem mais piada do  que estar há vinte anos a criticar eu usar a residência oficial a que  tenho direito no Porto Santo só porque eles, coitados, não têm  residência no Porto Santo. A inveja…</p>
<p><strong>O Diário de Notícias  da Madeira acaba por ser a sua Manuela Moura Guedes?<br />
</strong>Desculpe,  mas ela tem mais qualidade. Eu diria até outra coisa, e aí é um elogio  que lhes faço porque também sei ver as qualidades dos adversários: a  oposição da Madeira é tão medíocre que se o Diário não a fizesse todos  os dias, o povo podia dizer que não havia oposição na Madeira! Até  porque é o jornal que dá o mote dos assuntos que a oposição depois  levanta.</p>
<p><strong>Até o seu «amigo» ministro Santos Silva reclamou  sobre os apoios ao Jornal da Madeira.</strong><br />
Foi uma manobra do  anterior governo socialista e uma tentativa de fechar toda a imprensa  que não fosse da cor do PS. Um assunto, aliás, que hoje está em equação  na vida pública portuguesa e não está esclarecido.</p>
<p><strong>Vê-se  que não esqueceu o seu tempo de jornalista!<br />
</strong>É uma paixão.  Tenho dois amores: a política e o jornalismo.</p>
<p><strong>Ainda sonha  voltar ao jornalismo?<br />
</strong>Por amor de Deus!</p>
<p><strong>Está  vacinado contra jornalistas?<br />
</strong>Adoro os jornalistas porque  preciso de me pegar com eles.</p>
<p><strong>A Festa da Flor serve para  mostrar que Alberto João sabe tratar bem do seu jardim?<br />
</strong>A  floricultura não tem uma grande expressão mas é um sector de venda e de  exportação em franca expansão e, como a Madeira é um destino turístico,  temos de ter vários eventos programados. A Festa da Flor é um deles.</p>
<p><strong>Como  é que convenceu José Sócrates a vir à Festa da Flor?</strong><br />
Tenho  muito prazer em que ele venha e compreendo o seu interesse porque vai  fazer dois meses que aconteceu o temporal e o primeiro-ministro quererá  ver o que é que estes tipos conseguiram fazer. Também o interpreto como  um gesto de solidariedade para com o povo da Madeira e, julgo, que se o  primeiro-ministro compreender como é que nós aqui trabalhamos também vai  ajudar na Lei de Meios que o Governo vai apresentar à Assembleia da  República para tratar especificamente da reconstrução na região  autónoma.</p>
<p><strong>Sentiram uma solidariedade inesperada do  continente?<br />
</strong>Não era inesperada, eu sempre disse que não  havia um conflito entre a Madeira e o continente mas sim com certos  sectores da comunicação social e da classe política.</p>
<p><strong>Quanto  mais longe estão do Funchal, mais as pessoas se queixam sobre a demora  da recuperação. Porquê este atraso?<br />
</strong>Passado o susto, há umas  pessoas que se entretêm a reclamar porque antes já reclamavam por outra  coisa qualquer. Compreendo que não é agradável estar na situação deles  mas, em vez de me refugiar em justificações tontas, vou ser muito  franco: a primeira coisa a fazer era limpar o Funchal porque é a  primeira imagem da região autónoma. Logo que estava a ser concluída a  limpeza do Funchal, foi desviada toda a maquinaria e pessoal para as  outras zonas afectadas, e ainda não recebemos apoios do Estado nem da  União Europeia.</p>
<p><strong>Para além de encontrar petróleo, o que é  que gostaria que acontecesse mais na Madeira?<br />
</strong>Não encontrar  petróleo! Porque iria servir para um confronto com o Governo da  República quando chamasse a si os proventos. Na Madeira já há o petróleo  branco porque tem muita água e dentro de cinquenta anos ela será mais  cara que o petróleo.<br />
<strong>Confissões políticas</strong><br />
«Não  teria preconceito em ser primeiro-ministro de uma coligação com o PCP»</p>
<p>Quando  se lembra a João Jardim que disse que os partidos comunistas deviam ser  eliminados da Constituição a resposta é: «Não foi isso! O que disse foi  que se a Constituição andava a proibir indecorosamente qualquer tipo de  ideologia, então tinha de proibir as totalitárias. Foi a esquerda que  chegou à conclusão de que o Partido Comunista Português (PCP) era  totalitário e não eu, que disse exactamente o contrário. A democracia,  embora sendo o regime que pelos seus valores éticos e morais tem às  vezes certas fragilidades, não tem de ter medo de qualquer tipo de  partidos mesmo quando eles são totalitários.»</p>
<p>Não será por acaso  que no Palácio está uma fotografia bem à vista onde Jardim segura uma  bandeira do PCP. Diz que é uma brincadeira mas que não tem preconceitos  sobre o tema: «Se calhar é um pouco escandaloso o que vou dizer, mas eu  não teria qualquer preconceito em ser primeiro-ministro de uma coligação  que tivesse o Partido Comunista. Agora há uma coisa que garanto, não  era eu a fazer a vontade ao PCP, como se via em 1974/75, era o Partido  Comunista que tinha que cumprir os compromissos assumidos comigo.»  Concorda-se que seria um acordo a necessitar de uma boa vigilância mas  isso não preocupa o presidente pois, garante, «não sou de dar água a  pintos».</p>
<p>Saindo de cenários hipotéticos, João Jardim recorda  situações históricas que se assemelham: «Quando uma coligação de  partidos que ia desde o Bloco de Esquerda, Partido Comunista, PSD e CDS –  ficando apenas de fora o PS – aprovou a nova Lei das Finanças  Regionais, que o Presidente da República promulgou, o que se passou foi  como na história recente de Itália – um compromesso storico. Eu alertei  que ao fazer-se esse compromisso histórico tinha acabado o mito de que  não havia uma alternativa maioritária ao governo minoritário socialista.  Claro que isto provocou escândalos e até no Conselho Nacional do PSD, a  12 de Fevereiro, vários elementos da tendência liberal Passos Coelho  atacaram-me acusando de querer fazer alianças com o PCP. Estou  convencido de que tendo o sistema político da III República falhado só  podemos recuperar o país através de um grande compromisso que envolva as  bases de todos os partidos e que leve todos a sentirem-se motivados  para dar um impulso positivo ao país.» Reafirma: «Como vê, não tenho  preconceitos.»</p>
<p><strong>Confissões presidenciais</strong><br />
«Preferia  Manuel Alegre a aturar uma tontaria qualquer»</p>
<p>A pergunta é  directa: Manuel Alegre nunca será seu candidato? A resposta é mais vaga e  percebe-se o porquê: «Eu gosto muito de uma coisa em Manuel Alegre, o  facto de rever-me um pouco naquela rebeldia face à disciplina  partidária. Identifico-me com ele na defesa sagrada do que é um regime  democrático e na maneira libertária de ver a vida.» E na ideologia?  «Claro que não me identifico com ele na ideologia política, mas se  aparecesse outra pessoa que não o professor Cavaco, e que eu julgasse  que ia aturar uma tontaria qualquer, eu era capaz também de considerar  essa hipótese.»</p>
<p>Quando se questiona se acha que Alegre pode ser um  bom presidente, Jardim é cauteloso: «Tenho muitos amigos poetas. O meu  receio é que a condução do Estado não seja compatível com os mecanismos  mentais de um poeta.» Mas também escreve romances, replica: «Estou a  dizer isto em tom de caricatura, obviamente, porque tenho muito respeito  pelos poetas e pelos grandes poetas que Portugal tem. O que quero dizer  é que a política é muito “pés na terra” e às vezes um excesso de  idealismo pode comprometer a eficiência da política.»</p>
<p><strong>Confissões  da juventude</strong><br />
«Ainda hoje, feito velho tonto, adoro  recordar-me da vida de estudante em Lisboa e Coimbra.»</p>
<p>Quando se  fala dos seus tempos de estudante, inicia-se a pergunta com um «sei que  passou dez anos em Coimbra». Alberto João Jardim corta a palavra e repõe  a verdade: «É mentira, foram oito. E não foram oito em Coimbra, calma  aí. Foram três em Lisboa, onde me diverti à grande e fiz apenas quatro  cadeiras do primeiro ano. Os outros cinco, fiz em Coimbra e as duas  últimas cadeiras já no regime militar. Claro que a oposição diz sempre  dez anos mas são oito.» Fica o acinte da oposição esclarecido apesar de  não ter sido essa a intenção.</p>
<p>Pergunta-se onde é que se divertiu  mais se em Lisboa ou em Coimbra? «Diverti-me mais em Lisboa, é que a  vida boémia de Coimbra é diferente. Na capital não é restrita a qualquer  grupo enquanto a boémia de Coimbra está mais fechada nas classes  estudantil e da academia.» Passada esta análise, sorri e acaba por se  denunciar: «Com o meu feitio, fui bem feliz tanto na boémia de Lisboa  como na de Coimbra. E não me arrependo!» Ainda tem mais para dizer: «Se  alguma coisa sei hoje devo-o ao tempo passado a ler e a conhecer um  pouco do que era o povo e a vida cultural portuguesa. Eu saí da ilha em  1960, de onde só se podia sair de barco e aonde só se vinha duas vezes  por ano em férias, e se hoje ainda tem constrangimentos em relação às  regiões continentalizadas, o que não seria nessa altura&#8230; Ainda hoje,  feito velho tonto com 67 anos, adoro recordar-me da vida de Lisboa e de  Coimbra enquanto estudante.»</p>
<p><strong>Confissões memorialistas</strong><br />
«Os  malucos que eu conheci»</p>
<p>Com uma vida cheia de tantas peripécias,  decerto Alberto João Jardim tem matéria para fazer um livro de memórias.  Não o pensa escrever porque acha que não vai ter tempo de vida para  isso. Considera que tem uma certa despreocupação com a história e a  posteridade e tem razão: «Destruí toda a correspondência privada com  políticos porque entendo que quando as cartas são privadas nem os meus  filhos têm o direito de ver o que é que o senhor A, B ou C me disseram a  certa altura.» Após a confissão fica a pensar e acaba por revelar que  só o faria «se não fosse uma coisa maçuda». Acrescenta que, a fazê-lo,  «seriam contadas com um certo humor». Sugere-se um registo à Eça de  Queirós a Jardim, que acaba por revelar o título: «Os malucos que eu  conheci.»</p>
<p>Enquanto não tem tempo para escrever as recordações de  muitas décadas de política activa, a Fundação Social-Democrata da  Madeira comprou a casa onde nasceu para fazer uma Casa-Museu onde João  Jardim vai deixar todo o seu espólio. Muitos livros que tem dentro de  caixotes que não abriu por falta de espaço na sua casa, comprada «ainda  estudante em Coimbra com a herança do meu pai».</p>
<p><em>Notícias Sábado</em>, 17 de Abril de 2010</p>
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		<title>Rolão Preto: “Isto vai, com Deus!”</title>
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		<pubDate>Sat, 24 Oct 2009 15:57:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Recortes de imprensa]]></category>

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		<description><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/1414/rolao-preto-%e2%80%9cisto-vai-com-deus%e2%80%9d" title="Rolão Preto: “Isto vai, com Deus!”"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/plugins/yet-another-photoblog/YapbThumbnailer.php?post_id=1414&amp;w=80" width="80" height="113" alt="Rolão Preto: “Isto vai, com Deus!”" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a>A ideia de que só a esquerda é revolucionário nasce da incultura histórica de uns e da propaganda de outros. A equação direita = conservadorismo é uma simplificação grosseira. O caso de Rolão Preto mostra-o bem. Quis uma Revolução Nacional a duas velocidades, tranquila e veloz. Não contava tal motor anímico com uma embraiagem legalista [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/1414/rolao-preto-%e2%80%9cisto-vai-com-deus%e2%80%9d" title="Rolão Preto: “Isto vai, com Deus!”"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/plugins/yet-another-photoblog/YapbThumbnailer.php?post_id=1414&amp;w=80" width="80" height="113" alt="Rolão Preto: “Isto vai, com Deus!”" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a><p>A ideia de que só a esquerda é revolucionário nasce da incultura histórica de uns e da propaganda de outros. A equação direita = conservadorismo é uma simplificação grosseira. O caso de Rolão Preto mostra-o bem. Quis uma Revolução Nacional a duas velocidades, tranquila e veloz. Não contava tal motor anímico com uma embraiagem legalista chamada António de Oliveira Salazar. Em 1934 a União Nacional proclamava a homogeneidade e a coesão. No ano seguinte Rolão Preto revoltava-se e era preso. Queremos o Rei e os Sovietes, foi um dos seus lemas. Magnífico!</p>
<p>Em 1916 um jovem português estudante da Universidade de Toulouse recebia a visita de uma ilustre figura bem mais velha do que ele, um dos Apóstolos da República de 1910.</p>
<p>O visitante chamava-se Sebastião Magalhães Lima, o visitado Francisco Barcelos Rolão Preto. Este nascera em 1893 – alguns dizem 1894, outros 1896 &#8211; , aquele em 1851, o primeiro era socialista, jacobino e maçon – seria desde 1907 Grão-Mestre daquela obediência – o segundo, fundador do Integralismo Lusitano e anarco-sindicalista, nacionalista sempre.</p>
<p>Num livro que publicaria em 1942 e a que chamou ‘Para Além da Guerra’ – a Segunda Guerra Mundial estava então no auge – Rolão Preto dá conta desse encontro. Lima procurara-o “para conhecer o verdadeiro sentido de inquietação da Mocidade do meu tempo”.</p>
<p>“Ao velho apóstolo assaltara-o amargo de receio de que a minha geração fosse fútil e vã, não conseguindo libertar-se, esboçada uma atitude do pecado de snobismo e superficialidade de que a acusavam”, confidencia.</p>
<p>Nesse instante o jovem estudante formava-se interiormente para a Nova Ordem, contra o individualismo burguês de um Estado de eleitores, contra o capitalismo de uma Nação de mercadores amorais.</p>
<p>Idealista inflamado, ainda estudante saíra de Portugal para se unir às forças de Paiva Couceiro que, a partir da Galiza, protagonizara um levantamento contra a República. Oficial distinto, Henrique Mitchell de Paiva Couceiro, apoiante de João Franco, liderara as incursões monárquicas contra o regime republicano e chefiara a Monarquia do Norte em 1919. O seu carácter bravio levou a que o alcunhassem como ‘O Paladino’. Estaria condenado ao exílio pelo Salazarismo.</p>
<p>Exilado na Bélgica, Rolão Preto muito jovem ainda seria o fundador em 1913 da revista ‘Alma Portuguesa’, órgão oficial do Integralismo Lusitano, de que seria secretário. Estudante em Lovaina, faria um bacharelato em Direito em França, na Universidade de Toulouse. Formara no estrangeiro o seu Patriotismo e o desdém pelo provincianismo complacente do seus concidadãos.</p>
<p>Cada vez mais activo no plano político colabora com o general Gomes da Costa, um dos chefes do 28 de Maio de 1926, sendo autor do manifesto programático distribuído em Braga que balizaria as principais ideias do Movimento.</p>
<p>Progressivamente mais radical fundaria em 1932 o jornal ‘Revolução’ e o ‘Movimento Nacional Sindicalista’. No tumulto organizacional que se desenvolveu até 1934 esteve sempre do lado activista, militante, combativo.</p>
<p>Comparativamente com movimentos congéneres na Alemanha e na Itália, o nacional-sindicalismo era, porém, de inspiração cristã. As próprias insígnias o demonstravam, a cruz de Cristo como emblema por cima das camisas azuis. A rondar o teocrático, a palavra de ordem do ‘isto vai, com Deus’, que se tornou em torno da sua milícia, o grito de guerra pelo revigoramento da Pátria, balizava as novas chegas de Ourique.</p>
<p>Revolucionário, Preto por um lado demarcava-se do intelectualismo de Sardinha e dos demais integralistas para privilegiar a acção política, por outro pela ênfase à área social e à movimentação das massas trabalhadoras, incompatibilizava-se com quantos queriam uma agitação a nível apenas da consciência das elites letradas da inteligência nacional.</p>
<p>Centrado numa zona em que a tradição cultural latina era vértice, e nisso afastado do nacional-socialismo alemão, Rolão Preto insiste em que o operariado haveria de ser subtraído à esfera de influência dos socialistas da Internacional, dos anarquistas e a partir de 1917 dos comunistas bolcheviques em favor, primeiro de um ‘sindicalismo orgânico’ e mais tarde de um ‘corporativismo integral’, sob um mando carismático. Ulteriormente, enfim, seduzido pelos avanços dos fascistas italianos, torna-se nacionalista puro, enquadrando como tal alguns dos que seriam os ‘tenentes do 28 de Maio’.</p>
<p>Seguro de que a ameaça revolucionária bolchevique estaria contida no nosso País por um pequenas burguesia conservadora, Rolão Preto constrói a militância precisamente no mesmo terreno sindical, com uma retórica análoga. Na aparência dos conceitos e na lógica do discurso é uma camaradagem socialista com a diferença de que tem os olhos postos em Deus e não na Dialéctica.</p>
<p>O triunfo atinge-o em 19 de Fevereiro de 1933 com um gigantesco banquete de mais de setecentas pessoas em pleno Parque Eduardo VII. Comício de exaltação e fé, com discursos vibrantes e palavras de ordem musculadas, o evento marca uma batalha pelo país. A própria Coimbra cinzenta e boémia, alfobre de caloiros, tricanas e veteranos, do CADC que dera ao País Salazar e Cerejeira, abre promissoramente alas em prol dos novos cruzados. O professorado radicaliza-se: Luís Cabral de Moncada, Carlos Moreira e João da Costa Leite Lumbrales, em Direito, Lopes de Almeida e Gonçalves Rodrigues em Letras, Eusébio Tamagnini em Ciências, todos se inscrevem e arregimentam. É “a preia-mar nacional-sindicalista”, escreve João Medina que o entrevistaria nos anos do fim.</p>
<p>Depressa, cada vez mais depressa, o movimento teria, porém, morte anunciada. Em 1934 Salazar marca o caminho. Organiza-se o IX Congresso da União Nacional. O lema é agregador e sobretudo esclarecedor dos caminhos que vai trilhar a Revolução Nacional, transformada agora em Estado Novo, dissuasor ostensivo de aventuras: “unidade, coesão, homogeneidade!</p>
<p>Pelas duas da madrugada do diz 12 Julho desse ano Rolão Preto, preso, é colocado com Alberto Monsaraz na fronteira espanhola. A ameaça que pairava sobre Salazar, pondo-lhe em causa a sobrevivência política, encontrava assim resposta. A PVDE de Agostinho Lourenço defendia o Chefe, localizando conspirações, em que o encontra referenciado.</p>
<p>Em 29 de Julho uma nota à imprensa convida os nacional-sindicalistas a integrarem a agremiação única. O grupo de José Cabral aderiria de bom grado. Assim falou Salazar. Sintomaticamente a Censura corta numa reportagem do jornal O Século sobre o Congresso uma menção a que, durante este, haveriam sido dados vivas a Rolão Preto. O regime começava a viver ‘tranquilamente’ depois de ter vivido ‘perigosamente’, ‘Tudo pela Nação, Nada Contra a Nação’.</p>
<p>O movimento nacional-sindicalista entra agora em clandestinidade. Um novo hino da Maria da Fonte circula, verdadeiro grito de revolta: “Viva Viva Rolão Preto/Que há-de salvar a Nação/Das garras do Usurário/E dar-lhe justiça e pão/Nesta luta tão renhida entre o Estado e a Nação/A vitória há-de ser desta/Comandada por Rolão!”.</p>
<p>Não foi. O princípio dos tempos iludira-o. Mas como ele diria mais numa carta a João Medina, escrita em 1975: “No princípio todos os deuses têm sede”.</p>
<p>In <a href="http://jornalodiabo.blogs.sapo.pt/" target="_blank"><em>O Diabo</em></a>, 23 de Outubro de 2009.</p>
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		<title>A propósito da «Convention Identitaire»</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Oct 2009 21:05:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Recortes de imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Regionalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/1407/a-proposito-da-%c2%abconvention-identitaire%c2%bb" title="A propósito da «Convention Identitaire»"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/plugins/yet-another-photoblog/YapbThumbnailer.php?post_id=1407&amp;w=80" width="80" height="26" alt="A propósito da «Convention Identitaire»" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a>Muitos dos nossos «identitários» infelizmente são algo exóticos, de visão e composição fundamentalmente urbanas, género «Berloque de esquerda» mas de «Herança Céltica» e «Cultura Ariana» de livro ou Álbum ilustrado. Infelizmente, nas suas ideias e práticas parecem esforçar-se por não considerar ou até desejar desmembrar o carácter unitário do nosso Estado-Nação e ignorar a dimensão [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/1407/a-proposito-da-%c2%abconvention-identitaire%c2%bb" title="A propósito da «Convention Identitaire»"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/plugins/yet-another-photoblog/YapbThumbnailer.php?post_id=1407&amp;w=80" width="80" height="26" alt="A propósito da «Convention Identitaire»" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a><p>Muitos dos nossos «identitários» infelizmente são algo exóticos, de<br />
visão e composição fundamentalmente urbanas, género «Berloque de<br />
esquerda» mas de «Herança Céltica» e «Cultura Ariana» de livro ou Álbum ilustrado.</p>
<p>Infelizmente, nas suas ideias e práticas parecem esforçar-se por não<br />
considerar ou até desejar desmembrar o carácter unitário do nosso Estado-Nação e ignorar a dimensão universal da nossa cultura<br />
considerando romanticamente «regiões» que não existem, alegando um<br />
&#8216;localismo&#8217; que aqui é apenas pretexto e não se afigura relevante como<br />
enquadramento político no combate ao Sistema.</p>
<p>No fundo, manifestam apenas muita ignorância e o inevitável espírito<br />
fragmentador, para poder ser &#8216;chefes&#8217; em &#8216;causa própria&#8217;&#8230;</p>
<p>Além disso não têm autenticidade e imaginação bastantes para se<br />
afirmarem como portugueses, ou, pelo menos, verdadeiros&#8217;regionalistas&#8217;, através de símbolos próprios, e usam imagens de &#8216;javalis&#8217;, semelhantes às que se usam em França e em Espanha, por exemplo.</p>
<p>É mais um exemplo de cópia do estrangeiro – que para os bacocos é<br />
sempre «bom», mais um traço actual da mediocridade e do provincianismo<br />
&#8216;lusitano&#8217; que também os contagia, a denunciar de uma forma explícita e indiscutível o seu carácter &#8216;desenraízante&#8217;, a sua «não-identidade», nada local e pseudo-europeia&#8230; Felizmente o Vlaams Belang, a Lega Nord, os grupos da Normandia , da Lorena e da Bretanha e tantos outros, assumem uma identidade real e na escala própria, muito mais bem ajustados à realidade que os «nossos»&#8230;</p>
<p>Tenho ou não razão?</p>
<p>Política e culturalmente somos uma ‘região’ da Europa que coincide<br />
com um dos mais velhos Estados-Nação.</p>
<p>Mas se como nacionalistas somos defensores da «identidade maior»,<br />
feita de todas as outras e maior que a soma das partes, não deixaremos de assumir a bandeira da defesa dos singularismos étnicos e culturais, mas a sério, defendida por uma concepção política e cultural séria, que integre todas as comunidades naturais, municipais ou locais num plano de representação autêntica, numa assembleia própria, não partidária e nunca manipulada por políticos profissionais. Numa palavra, verdadeiros Identitários somos nós – na luta pela Nação integral e pela única força que pode garantir a defesa política, económica e cultural dos portugueses, a todos os níveis: um Estado orgânico enraizado na comunidade nacional.</p>
<p>Não podemos ignorar este movimento que se espalha pela Europa e<br />
vem afirmar identidades legítimas que importa defender e reunir no mesmo movimento geral da resistência à mundialização.</p>
<p>In <em>A Oeste Tudo de Novo</em>, nº 18, Outubro de 2009.</p>
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		<title>Desgraça americana?</title>
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		<pubDate>Wed, 05 Aug 2009 19:26:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Recortes de imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/1374/desgraca-americana" title="Desgraça americana?"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/plugins/yet-another-photoblog/YapbThumbnailer.php?post_id=1374&amp;w=80" width="80" height="52" alt="Desgraça americana?" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a>Ao observador atento não passa despercebido que os Estados Unidos se preparam para a possibilidade de novas guerras a nível externo e interno. Caso tal aconteça, e tudo assim o indica, não vai ser uma nova Guerra Civil entre uma União de Estados do Norte e uma Confederação de Estados do Sul. Vai ser algo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/1374/desgraca-americana" title="Desgraça americana?"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/plugins/yet-another-photoblog/YapbThumbnailer.php?post_id=1374&amp;w=80" width="80" height="52" alt="Desgraça americana?" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a><p>Ao observador atento não passa despercebido que os Estados Unidos se preparam para a possibilidade de novas guerras a nível externo e interno.</p>
<p>Caso tal aconteça, e tudo assim o indica, não vai ser uma nova Guerra Civil entre uma União de Estados do Norte e uma Confederação de Estados do Sul. Vai ser algo muito diferente.</p>
<p>Os Governos distanciaram-se de tal modo das populações, cujos interesses deviam defender, que o divórcio parece inevitável e violento!</p>
<p>Antigamente, escolhiam-se os melhores e mais aptos para governar e confiava-se na democracia. Hoje, perdeu-se a confiança tanto nos indivíduos e nos partidos, como no sistema em si. Mas nada se faz para mudar esta situação.</p>
<p>Os norte-americanos não se dedicam a revoluções! Até na altura da sua Declaração de Independência, pouco apoio interno tiveram. Sendo, em grande parte, descendentes de “desenraizados”, que deixaram as suas terras de origem em busca de algo melhor, são uma espécie de “fugitivos de guerras não assumidas”. Não podendo melhorar as suas pátrias ancestrais, desistiram da defesa dos seus habitantes naturais, transformando-se em eternos peregrinos, em busca de mais e de melhor. Muitos perderam a sua ligação cultural; outros, porém, tentam cultivá-la e retransmiti-la aos seus filhos.</p>
<p>Quem os governa soube aproveitar o “caldeirão” de diferentes origens, injectando um patriotismo artificial, balofo, criado de cima para baixo, que não passa de uma frágil casca de ovo, que liberta monstros egocêntricos quando se quebra.</p>
<p>Colocar milhões de bandeiras idênticas numa aglomeração de estados, sem lhes ensinar o respeito, não passa de um acto publicitário de baixo nível. Quando se permite que um grande nadador olímpico, merecedor de todas as medalhas de ouro que recebeu, se apresente no pódio, usando a bandeira nacional como calção de banho, fica demonstrado que há algo de muito errado!</p>
<p>Sem respeito, não há identidade e sem identidade não há pátria!</p>
<p>Então para que serve toda esta “palhaçada” em que transformaram o saudável patriotismo americano?</p>
<p>Vive-se uma espécie de Carnaval permanente, onde já não se sabe o que é realidade ou apenas ficção!</p>
<p>Não sabendo mudar o que acha inaceitável, distanciou-se grande parte da população americana do sistema de governação, ao ponto de se desligar, não apenas emocionalmente, mas também na prática diária, da classe política, que, abertamente, considera sua inimiga.</p>
<p>Cerca de metade de todos os eleitores americanos inscritos nunca votaram para actos eleitorais.</p>
<p>Mais de metade dos congressistas americanos não possuem passaporte, nem nunca viajaram para o estrangeiro. Também não conseguem identificar os nomes dos 50 estados que representam, mas consideram-se aptos a definir políticas planetárias.</p>
<p>O americano, genericamente falando, é bem intencionado e vive, como uma criança ingénua, na sua bola de sabão azul, branco e vermelha, cheio de boas intenções.</p>
<p>Não sabe dos males mundialmente praticados em seu nome, por sistemática omissão no ensino.</p>
<p>Descendente, também em boa parte, de grupos auto-exilados por perseguições religiosas, considera-se um protector da fé, não se apercebendo que os lugares de chefia de muitas das suas igrejas já foram usurpados por gente sem escrúpulos, que os exploram e manipulam.</p>
<p>Na prática, a religião tornou-se, para muitos, num fanatismo baseado em superstições.</p>
<p>O materialismo venceu o espiritualismo!</p>
<p>Deus foi substituído pelo dollar!</p>
<p>Não é pois de admirar que muitas igrejas norte-americanas sejam vistas, pelas Agências de Defesa do estado, como “potenciais ninhos de terrorismo”.</p>
<p>O caso WACO (Texas), da Igreja Davidiana, foi um forte aviso em relação ao que em breve nos espera. Em 1993 desentenderam-se as autoridades com os seguidores de uma das muitas auto-proclamadas igrejas americanas. Uma tentativa de busca domiciliária foi recebida com armas de fogo. Houve mortes a lamentar, de ambas as partes duma contenda totalmente desnecessária. Os funcionários públicos julgaram-se no direito de intervir, a qualquer custo, e os seguidores de um culto julgaram-se com o direito de autodefesa contra tal intromissão. Infelizmente, não surgiu quem conseguisse pacificar ambas as partes. Pior do que isso: a prepotência juntou-se à raiva e seguiu-se um cerco de 51 dias, que acabou da pior maneira possível. Por ordem superior, Forças da Ordem utilizaram tanques equipados com lança-chamas e os edifícios arderam, com todos no seu interior. Morreram perto de 80 pessoas, muitas delas crianças e algumas mulheres grávidas.</p>
<p>Hollywood, sempre pronta a distorcer a verdade, tentou dar a interpretação de que estes fanáticos religiosos se teriam suicidado e provocado o incêndio ao qual as Forças da Ordem apenas assistiram, sem contudo intervir.</p>
<p>Os factos reais, porém, foram outros, e para grande parte da população americana os seguidores da Igreja Davidiana (de cuja existência poucos sabiam), tornaram-se mártires dos direitos individuais.</p>
<p>“Remember WACO!” é uma frase de aviso tão enraizada na geração americana actual, que os defensores do direito à autodefesa se levantam para prestar homenagem aos que caíram nesta “guerra entre o individualismo e a prepotência do Estado”. As Forças da Ordem utilizam a mesma frase, mas no sentido inverso, para fazer medo aos individualistas e avisá-los do que lhes pode acontecer.</p>
<p>Muitos americanos, opositores individuais do regime instalado, até mencionam como sequência simbólica da prepotência e mentira estatal: “WACO / OKLAHOMA BOMBING / 9-11 “.</p>
<p>Estes três termos, encontram-se gravados em muitas almas e nem as tentativas da indústria cinematográfica em dar outra versão dos acontecimentos lhes tira a convicção de que terão de se preparar para enfrentar o “Gigante Demolidor da Liberdade“, como eles o entendem.</p>
<p>Para muitos americanos, a Constituição é a sua Bíblia Política. Nunca a leram, mas sabem que “My home is my castle (a minha casa é o meu castelo)” e que possuem “The Right to bear Arms (o direito de estar armado)”.</p>
<p>Tirar-lhes o direito à autodefesa é carregar num botão muito sensível, de consequências inimagináveis.</p>
<p>Para o comum dos europeus, arrepia a ideia do linchamento público de um ladrão de cavalos. Aos americanos não! Muitos até o aplaudem. O cavalo foi o seu principal meio de transporte durante séculos. O “cowboy”, que para um europeu não passa dum vaqueiro montado, personifica, nos Estados Unidos, uma figura glorificada, comparável ao cavaleiro medieval, com armadura e lança em riste.</p>
<p>Apenas nos Estados Unidos se coleccionam os diferentes modelos de arame farpado, símbolo do avanço da “civilização organizada” sobre um “Wild West“, por muitos visto como um caos de liberdade sem leis!</p>
<p>Na Europa também houve tempos em que se previa a autodefesa. No reinado de D. Sebastião, obrigava-se cada cidadão livre a possuir mosquete de mecha, devidamente apetrechado, e a mostrar, uma vez por ano, ser destro no seu manejo. Porém apenas podia ser utilizado “em Defesa da Pátria e da Fé”. Hoje, delegou-se na Europa a defesa do estado às Forças Armadas e a defesa pública a forças da ordem para este fim criadas.</p>
<p>Nos Estados Unidos também existem estas forças, mas grande parte da população não confia nelas, preferindo assim manter-se quieta, mas equipada para uma eventual necessidade de autodefesa.</p>
<p>O Estado mostra cada vez mais sinais de medo da sua própria população e prepara-se para um eventual confronto. As escutas telefónicas, as investigações bancárias e outras demonstram, desde longa data, que não é apenas o ladrão que as Forças da Ordem perseguem, mas qualquer indivíduo rotulado de “potencialmente ‘criminoso’ contra a vontade do Estado”.</p>
<p>Neste contexto, classificam-se todos os defensores dos direitos individuais, da constituição, do direito de autodefesa ou de sinais de patriotismo, como “inimigo potencial”.</p>
<p>Obviamente, também a origem étnica é tida em conta. Na 2ª Guerra Mundial, os americanos levantaram, nos Estados Unidos, muitos Campos de Concentração (na altura chamados Campos de Internamento), para japoneses, alemães, austríacos e seus familiares. Muitos internados morreram aí.</p>
<p>Prepararam-se, agora, estas antigas instalações, há muito abandonadas, para receberem, de novo, grandes quantidades de internados. Desta vez, parece que serão os potenciais opositores ao regime que serão presos.</p>
<p>Isto está em contradição total com a ideia da democracia e das liberdades individuais, tão caras à forma de ser americana. Mas, ao que parece, estes idealismos irão ruir no dia em que a constituição for posta na gaveta. Para isto, basta um novo ataque provocado debaixo de falsa bandeira, apenas para legitimar a anulação da constituição.</p>
<p>Não são apenas os antigos Campos de Internamento, nos desertos americanos, que estão a ser reaproveitados. Também, muitas instalações militares, fora de uso, estão a ser adaptadas para prender grande quantidade de pessoas. Construíram-se até vagões de comboio especiais para transportar presos acorrentados, sentados em longos bancos de alumínio, em dois pisos, todos presos a tubagens. O nome que deram aos novos Campos de Concentração é MDC (Military Detention Center), encontrando-se todos debaixo de alçada e jurisdição militar.</p>
<p>Ao que parece, a governação será feita pela FEMA (Federal Emergency Management Agency), que não deixou boa memória pela sua actuação na catástrofe de New Orleans.</p>
<p>Não se sabe hoje por quem, ou quando, será despoletada esta situação de emergência, que pode levar a máquina do estado a prender grande parte da sua população. Que tanto o Governo como as suas agências se preparam para isto parece ser, cada vez mais, verdade, assim como o armar-se de parte da população, que, em total desespero de causa, se vê empurrada para esta situação.</p>
<p>Parece pois que WACO se pode repetir, mas numa dimensão apocalíptica!</p>
<p>Durante a governação Clinton, pretenderam os democratas diminuir as facilidades de acesso a armas, pensando assim diminuir os crimes. Resolveram então que a venda de armas a civis seria sujeita a regras; impôs-se um prazo entre a aquisição e a entrega da arma e o registo de posse foi sujeito a aprovação policial. Visto que cada lei tem alguns meses até entrar em vigor, aconteceu uma corrida à aquisição de armas sem registo, como nunca houve até então. Os armeiros americanos esvaziaram os seus stocks em poucos dias. Do Canadá e do México, enviou-se tudo o que disparava. Vendeu-se tudo. Da Grã-Bretanha, da Bélgica, da República Checa, da Eslovénia e do Brasil, enviaram-se aviões fretados para levar armas para os Estados Unidos e venderam-se todas.</p>
<p>O Governo Clinton (então com 280 milhões de habitantes nos Estados Unidos) estimou que o número de armas modernas em mãos de civis era de cerca de 350 milhões! Nestas contagens não se incluíram as de pequeno calibre nem as de cano liso.</p>
<p>Agora, após o 9-11, estimou-se de novo, o número de armas em mãos de civis norte-americanos. É importante frisar que não se incluem as armas das Forças Armadas ou Policiais, nem as das Agências ou forças para-militares e muito menos ainda as armas em mãos de mafiosos ou criminosos de delitos comuns. Desta vez, porém, incluíram as armas de pequeno calibre e as de canos lisos. O número a que chegaram é verdadeiramente assustador. Hoje existem cerca de 300 milhões de habitantes nos Estados Unidos com uma posse particular de cerca de 600 milhões de armas, ou seja, duas por habitante!</p>
<p>Há centenas de feiras de armas nos Estados Unidos, que se realizam com grande frequência. Estas estão sujeitas às legislações dos respectivos estados, que variam muito. Basta, por exemplo, andar mais alguns quilómetros e parar num parque de estacionamento de um estado vizinho, para se transaccionar, legalmente, directamente do porta-bagagem, os mais sofisticados modelos, com a quantidade de munição que se quiser.</p>
<p>É voz corrente entre os membros da maior associação desportiva de armas nos Estados Unidos (que tem quatro milhões de membros inscritos), que cada pessoa deve ter, pelo menos, dez mil balas, de cada calibre das suas armas.</p>
<p>Nas feiras de armas americanas vêem-se grandes camiões, em fileiras, para descarregar quantidades enormes de munições, porque o “livre mercado” assim o exige.</p>
<p>Durante as últimas duas décadas, as fábricas americanas de munições transferiram as suas instalações para a Ásia, em busca de mão-de-obra mais barata. É o lucro que os rege, não o patriotismo! Entretanto o “livre mercado” teve como consequência a abertura das portas aduaneiras americanas à importação de munição chinesa. Assim, estamos perante a situação, de as fábricas americanas falirem, sendo substituídas por chinesas. Tanto as forças policiais como os civis americanos utilizam hoje, maioritariamente, munições vindas da China. Mas isto parece não preocupar ninguém.</p>
<p>Uma das grandes molas reais da economia americana é o medo!</p>
<p>Causa-se medo e apresenta-se o produto para se proteger do eventual perigo!</p>
<p>Isto tanto se verifica com a introdução de medicamentos, supostamente seguros e eficazes, como na encomenda de armas sofisticadas. Um bom exemplo: os submarinos nucleares, hoje obsoletos, por serem facilmente detectáveis do espaço, por causa da linha de água quente que os motores de arrefecimento do reactor expulsam.</p>
<p>Nos anos 50 e 60 viveu-se o medo da Guerra Nuclear, surgindo indústrias americanas para construir abrigos particulares, comidas enlatadas e uma grande variedade de produtos eventualmente necessários para uma luta pela sobrevivência. Estes bunkers particulares ainda existem. Servem hoje de esconderijos para as grandes quantidades de munições que se guardam, para qualquer eventualidade.</p>
<p>Anda muito na moda fazer cursos de treino de sobrevivência em caso de “General Civil Uprising” (levantamentos populares), muito divulgados em jogos de vídeo.</p>
<p>Para se distanciar o mais possível da sistemática perseguição estatal, surgiu uma atitude, que, nesta dimensão, apenas se conhece nos Estados Unidos: “To become a non-citizen” (passar a ser um “não-cidadão”). Quando apenas dezenas de milhares sabiam disto, resolveu uma cadeia de televisão fazer um programa sobre esta temática, que, à primeira vista, parecia absurda. Deixaram legisladores e representantes das Forças da Ordem falar acerca do que estava a acontecer, mas também mostraram simples cidadãos, que, com alegria, rasgavam o seu cartão de segurança social (equivale nos EUA ao bilhete de identidade) e que iam viver para as montanhas. O programa teve consequências gravíssimas, porque um crescente número de espectadores se identificou a tal ponto com estes “desertores da civilização”, que acabaram por fazer o mesmo.</p>
<p>Agora são milhões, que vivem nos Estados Unidos afastados de tudo e de todos, sem cartões de identidade, sem impostos e com nomes inventados. Educam particularmente as suas crianças, para não as vacinar nem inscrever em escola alguma. Voltaram o relógio do tempo séculos atrás e sentem-se bem assim. Mas, sempre armados até aos dentes, para que ninguém ouse tirar-lhes a liberdade pela qual estão dispostos a morrer.</p>
<p>Nos Estados Unidos criticam-se como incompreensíveis os terroristas bombistas, que enfrentam no Médio Oriente (e com razão).</p>
<p>Não se dão conta, porém, que existe um grande paralelismo entre o fanatismo com que um muçulmano abraça a morte, para a qual pretende levar consigo o maior numero possível de inimigos, com a prontidão que muitos americanos têm em morrer algures, agarrados às suas armas, levando consigo o maior número possível de inimigos.</p>
<p>Será que realmente ninguém apreendeu com WACO?</p>
<p>Terão morrido tantos em vão?</p>
<p>O homem é, supostamente, o único “animal”, que tropeça duas vezes na mesma pedra! Mesmo que seja verdade, tal não nos obriga a repetir erros tão graves.</p>
<p>Peço ao leitor que veja nestes meros apontamentos um grito de alerta para uma situação preocupante para toda humanidade.</p>
<p>A esperança mantém a hipótese de que surja quem ainda possa pacificar a situação.</p>
<p>Nenhuma guerra é inevitável!</p>
<p>Se ela acontece é porque houve quem a quisesse e não houve quem ousasse evitá-la!</p>
<p>O destino não está escrito, nem nos é ditado, mas é por nós formado!</p>
<p>O divórcio entre a governação e grande parte da população, pode facilmente levar à DESGRAÇA AMERICANA, com consequências para todo mundo.</p>
<p>Mas nada tem de ser!</p>
<p>Fonte: <a href="http://www.grifo.com.pt/index.php?option=com_content&amp;task=view&amp;id=279&amp;Itemid=1" target="_blank"><em>Projecto Grifo</em></a>.</p>
<p>*O autor visitou o Continente Norte-Americano durante décadas. Leccionou e deu palestras como “visiting professor” no Smithonian Institut de Washington; na Arizona Historical Society de Phoenix; no Harvard Club de New York e em instituições culturais e de ensino de um grande número de Estados Americanos.</p>
<p>Em 1977 foi eleito “Honorary Member” (o 3º não americano) pela associação de mais prestígio entre os americanos coleccionadores de armaria antiga.</p>
<p>Em 1986 recebeu o “Certificat of Commendation” da NASE (National Academy For School Executives) “for the Enrichment of the Expertise and Skills of School Executives through Professional Development Programs”.</p>
<p>Em 2001, foi a sua intervenção nas Nações Unidas na “First International Conference on Small Arms”, que ajudou a estabelecer a diferença no tratamento de armas antigas das modernas.</p>
<p>Em 2005 foi declarado “One of the Top 100 Scientists of Scientific and Historical Research”, pela Cambridge.</p>
<p>Desde 1972 representa Portugal nos congressos internacionais de coleccionismo de armaria.</p>
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		<title>&#8220;Um homem, um povo&#8221;</title>
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		<pubDate>Sun, 17 May 2009 22:19:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>goncalvf</dc:creator>
				<category><![CDATA[Recortes de imprensa]]></category>

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		<description><![CDATA[Este livro consiste de uma extensa entrevista levada a cabo por Marta Harnecker, socióloga e marxista chilena, a Hugo Chávez, o revolucionário e mediático presidente da República Bolivariana da Venezuela. O valor deste livro recai muito sobre o esforço da entrevistadora que em vez de repetir as perguntas habituais teve o cuidado de pesquisar todas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Este livro consiste de uma extensa entrevista levada a cabo por Marta Harnecker, socióloga e marxista chilena, a Hugo Chávez, o revolucionário e mediático presidente da República Bolivariana da Venezuela. O valor deste livro recai muito sobre o esforço da entrevistadora que em vez de repetir as perguntas habituais teve o cuidado de pesquisar todas as entrevistas já publicadas bem como obras biográficas de Chávez de modo a complementar a informação já existente e a inovar nas questões colocadas.</p>
<p>O resultado é este livro de leitura fácil editado pela editora portuense Campo das Letras, 224 páginas que se devoram quase de um só fôlego e que nos saciam a curiosidade relevante ao processo revolucionário em curso na Venezuela.</p>
<p>O que mais me impressionou nesta obra, além do cuidado documental da entrevistadora, foi o à vontade de Hugo Chávez em falar de temáticas incómodas, de apostas perdidas, de políticas que falharam, página sim página não são constantes as menções a erros do seu próprio governo, decisões erradas suas, coisas que ainda faltam fazer, outras que foram mal efectuadas, enfim, tudo aquilo que os políticos ocidentais se esforçam por ocultar, esquecer e fazer desaparecer dos seus currículos o mandatário bolivariano partilha descomplexadamente assumindo os seus erros e tentando, sempre, melhorar e evoluir.</p>
<p>E se os erros foram muitos, a verdade é que os sucessos também têm sido de saudar. Aqui está um livro para todos aqueles, curiosos, que desejem desvendar os altos e baixos da construção da “democracia participativa” que se encontra a decorrer na Venezuela, a primeira revolução efectuada nas urnas e na qual o exército e os militares não sucumbiram ao cliché sul-americano do golpe de Estado e da ditadura militar</p>
<p>In <strong><em>Fazendo</em></strong>, 14 de Maio de 2009</p>
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		<title>A lista anti-semita do cómico francês</title>
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		<pubDate>Sun, 17 May 2009 22:16:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>goncalvf</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ou a França perdeu o sentido de humor ou o humorista Dieudonné M&#8217;Bala M&#8217;Bala descobriu os limites do sarcasmo como arma contra o politicamente correcto. Há vários anos que as piadas cáusticas do comediante sobre negros, muçulmanos e judeus deixaram de provocar gargalhadas. Nas salas de teatro, as denúncias do cómico contra o lóbi judaico [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ou a França perdeu o sentido de humor ou o humorista Dieudonné M&#8217;Bala M&#8217;Bala descobriu os limites do sarcasmo como arma contra o politicamente correcto. Há vários anos que as piadas cáusticas do comediante sobre negros, muçulmanos e judeus deixaram de provocar gargalhadas. Nas salas de teatro, as denúncias do cómico contra o lóbi judaico em França suscitam agora sorrisos amarelos, anulações de espectáculos, manifestações violentas, processos e con- denações em tribunal por incitação ao ódio racial.</p>
<p>A sua última aposta política são as europeias de 7 de Junho, mas a sua lista &#8220;anticomunitária&#8221; e &#8220;anti-sionista&#8221; já esteve para ser interdita pelo Governo francês.</p>
<p>O humorista franco-camaronês de 43 anos, que no início dos anos 90 divertia o país com uma dupla insólita, ao lado de um comediante judeu, tornou-se hoje no protagonista das tensões comunitárias e do racismo que se habitou a caricaturar sobre o palco. No popular duo Élie &amp; Dieudonné, o actor encarnava o personagem Bokassa, um negro, lado a lado com Cohen, um judeu, numa paródia aos preconceitos sobre as duas comunidades e ao discurso xenófobo da Frente Nacional de Jean Marie Le Pen. Uma provocação num país atormentado pela memória da deportação de judeus para campos de concentração nazis, pelo passado colonialista em África e pela tensão entre muçulmanos e judeus inflamada pelo conflito israelo-palestiniano. Mas a ousadia de tentar reconciliar duas comunidades através do humor acabaria por levar à ruptura do duo, em 1997, oficialmente por razões &#8220;mais pessoais que profissionais&#8221;. Desde então, os sketches contra o racismo e a discriminação alimentam o discurso de um Dieudonné convertido em &#8220;resistente&#8221; e político militante.</p>
<p>Nas regionais de 1998, o comediante lidera a campanha de uma lista baptizada &#8220;utópicos&#8221;, contra a Frente Nacional, de extrema-direita, em 2004 cria a lista &#8220;Europalestina&#8221;, para defender a causa palestiniana, em Março deste ano e em resposta à polémica em torno das suas declarações &#8220;anti-semitas&#8221;, decide reunir as figuras &#8220;pouco recomendáveis&#8221; do país numa lista &#8220;anticomunitarista e anti-sionista&#8221; às eleições europeias.</p>
<p>Ao contrário de Coluche, que nos anos 80 se candidatara às presidenciais francesas para parodiar a política, Dieudonné vai perder o sorriso ao transformar o palco em tribuna. Em 2003, um sketch à TV pública vai causar a ira da comunidade judaica. Disfarçado de judeu ultra-ortodoxo e entoando Heil Israel, Dieudonné afirma: &#8220;Incito os jovens nos subúrbios a converterem-se como eu (&#8230;) juntem-se ao eixo do bem, o eixo americano-sionista&#8221;. Desde então, as aparições em palco do actor rivalizam com as convocações em tribunal. As diversas condenações levaram salas de espectáculos como o Olympia a cancelarem os espectáculos do humorista e o presidente da Câmara de Paris, Bertrand Delanoë, a defender a proibição dos seus espectáculos na capital.</p>
<p>Uma polémica que vai marcar o novo repertório do artista que num espectáculo na Argélia classifica o Holocausto como &#8220;pornografia memorial&#8221;, citando uma historiadora israelita para se interrogar sobre as razões pelas quais &#8220;não se assinalam também os 400 anos de escravatura?&#8221; Apresentando-se como politicamente &#8220;anti-sionista&#8221; para denunciar o apoio francês a Israel ou para defender em público movimentos islamitas como o Hamas palestiniano ou o Hezbollah libanês, o comediante rejeita as acusações de anti-semitismo.</p>
<p>Banido da televisão, criticado pelas associações de luta contra o racismo e anti-semitismo, refugiado no Teatro de la Main d&#8217;Or, que adquiriu em Paris, só as declarações polémicas de Dieudonné vão continuar a ser notícia nos media, quando critica a &#8220;submissão dos dirigentes franceses ao conselho dos judeus de França&#8221;, ou afirma &#8220;preferir o carisma de Ussama Ben Laden ao de George W. Bush&#8221;. No final de 2008, em pleno espectáculo, atribuiu ao filósofo Robert Faurisson o prémio &#8220;da insolência&#8221; pelas teses negacionistas do Holocausto.</p>
<p>Um humor negro que cativa um novo público entre os jovens dos subúrbios pobres do país. Entre provocação e insolência, a apresentação da sua lista &#8220;anti-sionista&#8221; levou o chefe de gabinete do Presidente Sarkozy a exigir há dias a interdição da candidatura. No elenco de personalidades &#8220;pouco frequentáveis encontram-se dissidentes da extrema-direita, o fundador de um partido anti-sionista e até um escritor que põe em causa a tese dos atentados do 11 de Setembro.</p>
<p>Vinte e nove anos antes da polémica criada por Dieudonné, o humorista Coluche já afirmava que &#8220;os homens políticos são artistas de espectáculo, por isso qualquer artista pode ser político&#8221;.</p>
<p>In <strong><em>Diário de Notícias</em></strong>, 17 de Maio de 2009.</p>
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		<title>Le Pen reafirma que câmaras de gás foram &#8220;um detalhe&#8221; da Segunda Guerra</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Mar 2009 09:16:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>asantos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/1283/le-pen-reafirma-que-camaras-de-gas-foram-um-detalhe-da-segunda-guerra" title="Le Pen reafirma que câmaras de gás foram &#8220;um detalhe&#8221; da Segunda Guerra"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/plugins/yet-another-photoblog/YapbThumbnailer.php?post_id=1283&amp;w=80" width="80" height="78" alt="Le Pen reafirma que câmaras de gás foram &#8220;um detalhe&#8221; da Segunda Guerra" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a>O líder da extrema-direita francesa, Jean Marie Le Pen, reafirmou hoje no Parlamento Europeu que é &#8220;uma evidência&#8221; que as câmaras de gás foram &#8220;um detalhe&#8221; da história da Segunda Guerra Mundial, declaração que já valeu ao político uma condenação em França. No centro de uma polémica no Parlamento Europeu de Estrasburgo sobre a possibilidade [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/1283/le-pen-reafirma-que-camaras-de-gas-foram-um-detalhe-da-segunda-guerra" title="Le Pen reafirma que câmaras de gás foram &#8220;um detalhe&#8221; da Segunda Guerra"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/plugins/yet-another-photoblog/YapbThumbnailer.php?post_id=1283&amp;w=80" width="80" height="78" alt="Le Pen reafirma que câmaras de gás foram &#8220;um detalhe&#8221; da Segunda Guerra" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a><p>O líder da extrema-direita francesa, Jean Marie Le Pen, reafirmou hoje no Parlamento Europeu que é &#8220;uma evidência&#8221; que as câmaras de gás foram &#8220;um detalhe&#8221; da história da Segunda Guerra Mundial, declaração que já valeu ao político uma condenação em França.</p>
<p>No centro de uma polémica no Parlamento Europeu de Estrasburgo sobre a possibilidade de presidir a próxima sessão inaugural, Le Pen afirmou ter sido vítima de &#8220;acusações difamatórias&#8221; da parte do líder da bancada socialista, Martin Schulz. Ontem, Schulz chamou Le Pen &#8220;velho fascista&#8221; e &#8220;negacionista do Holocausto&#8221;.</p>
<p>&#8220;Limitei-me a dizer que as câmaras de gás foram um detalhe da história da guerra mundial, algo que é uma evidência&#8221;, declarou Le Pen no Europarlamento, sob as vaias dos presentes.</p>
<p>&#8220;Lembro que nessa ocasião fui condenado a pagar 200.000 euros, o que prova o estado no qual se encontra a liberdade de expressão na Europa e em França&#8221;, acrescentou, exigindo ao presidente do grupo socialista &#8220;que peça de boa vontade desculpas por uma acusação que é mentirosa&#8221;.</p>
<p>As suas novas declarações de hoje diante dos seus colegas do Parlamento Europeu reavivaram a controvérsia que agita a instituição desde o início da semana. A esquerda procura impedir que Le Pen possa presidir a próxima sessão inaugural do Parlamento, após as eleições europeias de Junho.</p>
<p>Le Pen celebrará 81 anos no mês das eleições e é membro do Parlamento Europeu desde 1984. Se for novamente eleito na liderança da Frente Nacional, será o deputado mais velho do próximo Parlamento. O regulamento interno prevê que o decano dos políticos presida a sessão inaugural da nova assembleia. Algo que Martin Schulz, apoiado pelos Verdes, propôs ontem alterar.</p>
<p>&#8220;Que aqueles que não querem que esse homem dirija a sessão inaugural do Parlamento Europeu aprovem a minha proposta de modificar o regulamento&#8221;, disse hoje Schulz, pedindo que a Presidência do Parlamento tome &#8220;medidas&#8221; após as propostas &#8220;inaceitáveis&#8221; de Le Pen.</p>
<p>Já o líder dos conservadores, Joseph Daul, considerou que Le Pen está &#8220;deslocado&#8221; e exigiu &#8220;respeito&#8221; às vítimas dos campos de concentração. Rejeitada pelo líder dos liberais Graham Watson, a proposta de Schulz será &#8220;analisada&#8221; pelos conservadores, prometeu Joseph Daul.</p>
<p>Esta não é a primeira vez que Jean-Marie Le Pen reitera tais afirmações. Fê-lo pela primeira vez numa estação de rádio francesa em Setembro de 1987, o que lhe valeu uma multa de 183.200 euros. Em 2005 repetiu as afirmações, e novamente em 2008 na revista &#8220;Bretons&#8221;.</p>
<p><a href="http://noticias.sapo.pt/info/artigo/986372.html" target="_blank"><em>Notícias Sapo</em></a>, 25 de Março de 2009</p>
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		<title>&#8216;Skin&#8217; revela &#8216;offshores&#8217; de tio de Sócrates</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Mar 2009 22:29:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Recortes de imprensa]]></category>

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		<description><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/1275/skin-revela-offshores-de-tio-de-socrates" title="&#8216;Skin&#8217; revela &#8216;offshores&#8217; de tio de Sócrates"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/plugins/yet-another-photoblog/YapbThumbnailer.php?post_id=1275&amp;w=80" width="80" height="61" alt="&#8216;Skin&#8217; revela &#8216;offshores&#8217; de tio de Sócrates" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a>Documentos foram colocados no &#8216;site&#8217; Fórum Nacional São 67 páginas de documentos bancários de Celestino Monteiro, irmão de Júlio Monteiro, ambos tios de José Sócrates, que Mário Machado, líder dos Hammerskins portugueses, colocou na Internet. Os papéis publicados vão desde os certificados de constituição de uma offshore até aos movimentos bancários efectuados durante alguns meses [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/1275/skin-revela-offshores-de-tio-de-socrates" title="&#8216;Skin&#8217; revela &#8216;offshores&#8217; de tio de Sócrates"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/plugins/yet-another-photoblog/YapbThumbnailer.php?post_id=1275&amp;w=80" width="80" height="61" alt="&#8216;Skin&#8217; revela &#8216;offshores&#8217; de tio de Sócrates" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a><p>Documentos foram colocados no &#8216;site&#8217; Fórum Nacional São 67 páginas de documentos bancários de Celestino Monteiro, irmão de Júlio Monteiro, ambos tios de José Sócrates, que Mário Machado, líder dos Hammerskins portugueses, colocou na Internet. Os papéis publicados vão desde os certificados de constituição de uma <em>offshore</em> até aos movimentos bancários efectuados durante alguns meses do ano de 2001. Entre compra e venda de acções, o valor global das transacções do tio materno do primeiro-ministro ultrapassou os cem milhões de euros.</p>
<p>Os documentos mostram a constituição de uma empresa <em>offshore</em>, a Medes, no estado do Wyoming, nos EUA, e de algumas subsidiárias, como uma em Gibraltar. Contactado pelo DN, o Banco Popular, entidade que absorveu o antigo Banco Nacional de Crédito, pelo qual, através da BNC International, foram feitas as transacções, não negou a veracidade dos documentos.</p>
<p>Rejeitou, isso sim, qualquer responsabilidade numa eventual violação do sigilo bancário: &#8220;Acabámos de tomar conhecimento desta situação. Os documentos, com data de 2001, não indiciam qualquer quebra de sigilo bancário&#8221; por parte da instituição bancária, afirmou Paulo Frutuoso, do departamento de comunicação. Isto porque, segundo a mesma fonte, se trata de &#8220;correspondência enviada ao cliente&#8221;. E adiantou: &#8220;A BNC Cayman foi desactivada pelo Banco Popular no início de 2006.&#8221;</p>
<p>Por sua vez, Maria Teixeira, advogada que representou Júlio Monteiro no processo Freeport, mostrou-se surpreendida com a revelação e com o teor dos documentos. Impossibilitada de contactar Celestino Monteiro (o DN também procurou contactar o empresário, mas sem sucesso), a advogada garantiu, ainda assim, que &#8220;o caso vai ser seguido&#8221;, remetendo para hoje uma reacção formal.</p>
<p>Já Mário Machado, líder dos Hammerskins portugueses, descreveu desta forma como teve acesso à documentação: &#8220;Estava em casa, tocaram duas vezes à campainha. Quando abri a porta, vi um cobertor. Desenrolei-o e lá dentro estava a documentação. Se for chamado, será isto que direi na Polícia Judiciária.&#8221;</p>
<p>Mário Machado disse ainda estar preparado para assumir todas as consequências que a publicação dos documento possa envolver.</p>
<p>In <strong><em>Diário de Notícias</em></strong>, 13 de Março de 2009</p>
<p><a href="http://www.forumnacional.net/showthread.php?t=34495" target="_blank">Fórum Nacional &#8211; ligação directa relevante ao artigo.</a></p>
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