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	<title>no-media // portugal &#187; Regionalismo</title>
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		<title>Alberto João Jardim &#8211; «O PSD não tem juízo!»</title>
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		<pubDate>Sat, 17 Apr 2010 21:34:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Recortes de imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Regionalismo]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/1450/alberto-joao-jardim-%c2%abo-psd-nao-tem-juizo%c2%bb" title="Alberto João Jardim &#8211; «O PSD não tem juízo!»"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/uploads/yapb_cache/albertojoaojardim.bv1zsz2x0408c8swcw44cw8gc.9wzo4bhiyewwwccsss80skos.th.jpeg" width="80" height="53" alt="Alberto João Jardim &#8211; «O PSD não tem juízo!»" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a><div>
<p>Quando se explica ao presidente do  Governo Regional da Madeira os temas da entrevista, a resposta corta  qualquer dúvida pela raiz: «Pergunte o que quiser.» É o género de  afirmação que o entrevistador gosta de ouvir e de, durante o diálogo,  ver como é que Jardim reage às questões mais inesperadas. Umas vezes faz  um breve silêncio para encaixar a pergunta, outras ajeita-se na cadeira  e pesa as palavras e, quando acha que foi longe de mais e que pode  haver uma suavização das suas palavras, aponta o dedo para o gravador e  avisa: «Isto é para sair mesmo como eu disse.» Certo, senhor presidente,  será feita a sua vontade e quem se sentir ofendido que reclame  directamente para a Quinta da Vigia.</p>
</div>
<p>DA VARANDA DO  PALÁCIO vê-se o «jardim» que Alberto João, o eterno presidente do  Governo Regional, controla há mais de três décadas. Chamam-lhe Madeira e  também Pérola do Atlântico, tem hotéis por todo o lado, está furada por  dezenas de túneis ligados a viadutos como um queijo suíço e o povo vota  sempre nele. Por isso ninguém lhe faz frente na ilha, não teme o  Governo da República e aprecia brincar com os primeiros-ministros e  presidentes da República que os continentais elegem. Todos sabem que o  seu PSD tem o pé bem firme em cada metro quadrado da ilha e que nada se  faz sem a sua aprovação, mas ninguém lhe encontra os escândalos que  envolvem a classe política portuguesa nem lhe apontam um enriquecimento  por favorecer interesses.</p>
<p>Este fim-de-semana, Jardim recebe José  Sócrates, o seu mais recente amigo, que se desloca à região para  participar da Festa da Flor, em solidariedade com a tragédia que se  abateu em Fevereiro sobre a Madeira. Na semana passada falhou o  congresso que entronizava o novo presidente social-democrata. São dois  passos da última cartada que joga antes de se reformar de uma vida em  grande parte dedicada à política, desde que em Maio de 1974 foi um dos  fundadores do PPD.</p>
<p>Administra a Madeira a partir de um palácio  onde os turistas entram sem pedir autorização, tiram fotografias para  recordar o momento e podem abordar Alberto João Jardim ao cruzarem-se  com ele. Faz questão de ter o portão sempre aberto e não esconde o que  lhe vai na alma logo na sala onde se aguarda pela hora de subir ao seu  gabinete. Nessa sala estão posters, cartões e fotografias espalhados  pela parede que entretêm a breve espera.</p>
<p>O primeiro que chama a  atenção é um postal de boas-festas que tem a assinatura de José  Sócrates. Seguem-se outros cartões, com frases: «Tenho sempre razão»;  «Vida longa aos inimigos para que assistam de pé à minha vitória»;  «Porquê questionar? Deixem-me seguir o meu próprio caminho» ou «Mais  tarde ou mais cedo os visionários provaram ser verdadeiros realistas».</p>
<p>Esta  última máxima é do antigo chanceler alemão Helmut Kohl, as anteriores  são ditados populares, frases que interpretam o instinto político  matador e os ideários de governabilidade de João Jardim, também expostos  em fotografias inesperadas como uma em que surge com a bandeira do  Partido Comunista Português nas mãos. No final do encontro, enquanto se  passeia pelos jardins do palácio, dirá uma frase que sustenta a sua  orientação económica: «Salazar defendia o equilíbrio orçamental. Viu-se o  resultado em Abril de 1974.»</p>
<p>Alberto João Jardim acabou de  almoçar mas não lhe falta apetite para a sobremesa. Coloca na ementa a  «inexistente» oposição madeirense, o velho e o novo PSD de Pedro Passos  Coelho, o apoio à reeleição de Cavaco Silva e a candidatura de Manuel  Alegre, entre outras questões polémicas. O presidente do Governo  Regional vai provando as sugestões do cardápio mas acaba por degustar  com mais prazer os pratos fortes e polémicos. De lado fica a obstinação  de Sócrates em legalizar o casamento gay com o argumento de que não vai  estragar a convergência que neste momento é necessária para discutir a  questão mas evita considerá-la uma garotice porque, diz, «cada um tem as  suas ideias e valores».</p>
<p>Quando se lhe faz a pergunta que está  dentro da cabeça de todos os portugueses – se alguma vez alguém o vai  meter na ordem? – a resposta é desabrida: «Espero que Nosso Senhor Jesus  Cristo, quando eu chegar ao céu. Porque senão vai ser uma marabunta lá  para cima.»</p>
<p><strong>Sai da tragédia que ocorreu na Madeira em  Fevereiro com um novo fôlego. Porquê?</strong><br />
Sim, reconheço que a  adrenalina subiu porque é um desafio enorme que tenho de vencer.  Primeiro pelo imprevisto, depois pela dimensão do que é preciso fazer.  Não é por acaso que os médicos me dizem que a minha melhor forma física é  quando faço eleições!</p>
<p><strong>Naqueles dias estava mais tenso e  preocupado do que o normal?<br />
</strong>Não era para menos.</p>
<p><strong>Foi  um dos momentos da sua vida mais&#8230;</strong><br />
Mais duros de  enfrentar. É uma ocasião em que perdemos o direito a chorar ou lamentar,  temos de demonstrar força, autoridade, capacidade e velocidade de  decisão. Nessas alturas, se queremos queixar-nos é com nós próprios e  junto da almofada.</p>
<p><strong>Neste novo presidente pós-temporal  também se nota uma alteração em relação ao primeiro-ministro da  República. É para durar?<br />
</strong>Não há um novo presidente  pós-temporal. Há uma pessoa que, conforme as responsabilidades que lhe  estão atribuídas, tem obrigação de actuar em função das circunstâncias  novas sem pôr de parte a ideologia e os valores em que acredito. Há, de  facto, uma convergência com o primeiro-ministro nos esforços para  reabilitar a Madeira e, também, em tudo aquilo em que eu possa ajudar o  Estado a não ser perturbado em termos de comprometer o auxílio à  Madeira.</p>
<p><strong>Mas aceitou um entendimento diferente do que era  habitual?</strong><br />
Perante a disponibilidade que o primeiro-ministro  revelou seria absolutamente imoral da minha parte não saber  corresponder.</p>
<p><strong>Até disse: «Serei aliado do engenheiro  Sócrates nem que seja contra o PSD.»</strong><br />
Não era a primeira vez.  A minha concepção da vida política define-se do seguinte modo: a  Madeira é o meu partido e Portugal a minha pátria. Repare que não digo  Estado ou país, digo pátria. A Madeira é o meu partido e Portugal a  minha pátria. Os partidos políticos em si são instrumentos para eu  concretizar o que entendo dever ser o meu serviço à Madeira e à pátria, a  partir daqui é só tirar as consequências.</p>
<p><strong>Não é a  primeira vez que está em desacordo com o PSD!<br />
</strong>Estar em  desacordo não significa conspirar. É a coisa mais natural no mundo  democrático haver pessoas que são do topo do partido e discordam do  líder ou da direcção política nacional. Isto não tem nada de dramático,  só em Portugal é que se fazem dramas com estas pequenas coisas. Quando  Cavaco Silva escolheu Freitas do Amaral para candidato a Presidente da  República eu apoiei Mário Soares por razões que então dei; quando Cavaco  apoiou Soares eu não apoiei ninguém e não votei em Soares. Tem havido  comportamentos autónomos porque o partido [na Madeira] é autónomo nos  estatutos do PSD e as decisões que visem a região são tomadas  autonomamente. Não estou a defender partidos regionais – obviamente uma  constituição democrática não proíbe partidos de qualquer tipo ou é  indecorosa –, nem preciso de criar um assim ou que tenha a sede em  Lisboa.</p>
<p><strong>Foi pelo interesse da Madeira que o vimos fazer  as pazes com José Sócrates?<br />
</strong>Não se trata de fazer pazes, até  porque isso dá uma impressão de guerras entre comadres. O que se passou  foi uma convergência no interesse nacional, que era recuperar do que se  tinha passado numa das parcelas do seu território.</p>
<p><strong>Mas é  uma convergência para continuar?</strong><br />
É uma convergência para  continuar desde que ninguém quebre os seus compromissos.</p>
<p><strong>José  Sócrates terá em si um companheiro durante esta legislatura?<br />
</strong>Sim,  considero que seria altamente negativo para a Madeira haver  instabilidade governativa na República.</p>
<p><strong>Considera, então,  que esta legislatura deve ir até ao fim?<br />
</strong>Vamos aguardar  pelas eleições presidenciais e, também, ver se a situação do país evolui  no sentido positivo. Porque, se daqui a um ano estivermos ainda pior do  que hoje, o pragmatismo e sobretudo o patriotismo obrigam-nos a uma  nova reflexão.</p>
<p><strong>Até porque o poder em Portugal costuma  alternar entre o PS e o PSD.</strong><br />
Desculpe, a Madeira é Portugal e  aqui não alterna.</p>
<p><strong>É a excepção?</strong><br />
Essa história  de se dizer que a alternância é uma regra da democracia não é bem  assim, o que é regra da democracia é que se expresse a vontade do povo  livremente.</p>
<p><strong>Deixe-me refazer a pergunta…</strong><br />
Não, a  pergunta é perfeita! Muitas vezes tem-se acusado a Madeira de défice  democrático porque até agora não houve alternância governativa, mas essa  é a prova de que a democracia não reside aí senão fazia-se isso por  decreto e não era preciso gastar dinheiro em eleições! A democracia  reside no povo escolher em liberdade.</p>
<p><strong>Acha que este PSD  teria capacidade, no continente, de substituir o actual Governo PS?</strong><br />
<em>(Com  esta pergunta confirma-se que a digestão do almoço não perturba Alberto  João Jardim. Imediatamente contrapõe que a entrevista poderia ser  publicada após o congresso que iria realizar-se no fim-de-semana passado  mas que as suas declarações eram feitas por antecipação. Portanto, «se  eu dissesse que tem capacidade estava a cair em demagogia». Mas,  salvaguarda: «Se eu dissesse que não tinha capacidade também estava a  ter má vontade com o rapaz.» Diz-se que com a sua experiência política e  o conhecimento que tem de Passos Coelho já terá noção se este PSD  poderá ou não ser capaz de ser alternativa no continente. Só então  responde.)<br />
</em>Poderei ter sentimentos pessoais para avaliar uma  determinada situação, mas como político direi de uma maneira já  objectiva que é cedo para poder ter um juízo.</p>
<p><strong>Não foi ao  congresso do PSD porque não se justificava?<br />
</strong>O anterior era  mais importante porque fui um dos que o defenderam em nome da discussão  sobre o partido. No entanto, eles foram para lá e nem discutiram coisa  nenhuma. Andaram em campanha eleitoral e depois é  maria-vai-com-as-outras e já vejo tudo no mesmo cesto. Eu não entro  nisso e não quero fazer parte desse espectáculo.</p>
<p><strong>Deu o seu  apoio a Paulo Rangel, que foi escolhido por Passos Coelho para ser o  cabeça de lista ao Conselho Nacional. Gostou?<br />
</strong>Não tenho de  gostar ou deixar de gostar! São feitios que eu não tenho.</p>
<p><strong>Paulo  Rangel seria o seu homem no PSD?<br />
</strong>Desculpe, mas homens não  tenho e mulheres só uma, por isso não estou ligado por qualquer vínculo a  personalidades do PSD.</p>
<p><strong>Não estranhou que Aguiar-Branco  tivesse aceite fazer revisão do programa do PSD?<br />
</strong>Eu não  percebo o que é rever o programa do PSD. É um partido social-democrata  de raiz social cristã que o distingue dos outros partidos da  Internacional Socialista cuja matriz é a luta de classes do século XIX.  Não estou a ver, portanto, o que é que vão mudar agora no programa do  PSD. Serei um dos que não admitirão que se toque nos valores e  princípios que trouxeram à fundação, à existência e à vida do PSD em  Portugal. Se há intenção de transformar o PSD num partido liberal, pode  contar com a minha guerra.</p>
<p><strong>A sua única sugestão é «deixe-o  ficar como está»?<br />
</strong>Aceito que se veja em função da evolução  tecnológica porque é cada vez mais acelerada, ou seja, uma actualização e  não uma revisão do programa. As tecnologias evoluíram muito mas as  ideologias não tiveram qualquer evolução, pelo contrário, o  reaparecimento do neoliberalismo deu o resultado que estamos todos a  pagar agora. Os orçamentistas ainda nem se penitenciaram ou perceberam o  que têm de fazer para que o mundo recupere e, portanto, se não surgiu  nada depois da fundação do PSD que ideologicamente permita contestar  alguma coisa no plano dos valores e princípios do partido, não vejo  razão para se lhes tocar porque são mais do que actuais! O que apareceu  depois é uma autêntica chachada.</p>
<p><strong>No seu íntimo receia que  haja uma deriva de liberalismo na revisão?</strong><br />
No meu íntimo já  assisti a tudo em Portugal. A um povo inteiro a andar nas ruas contra o  primeiro-ministro e a seguir reelegê-lo e a outras coisas mais  fantásticas e absurdas. Depois de Durão Barroso ir para Bruxelas assisti  a uma vida kafkiana dentro do PSD, parece que só me falta ver um porco  andar de bicicleta!</p>
<p><strong>Quanto tempo de liderança dá a Pedro  Passos Coelho?<br />
</strong>Aquele tempo que a capacidade dele merecer.</p>
<p><strong>Muito  raramente tem estado a favor das lideranças do PSD. Como será desta  vez?</strong><br />
Uma vez eleito um líder nunca vi a partir da Madeira  qualquer conspiração para derrubar os dirigentes nacionais, mesmo às  vezes discordando, e estive sempre ao lado deles mesmo quando foram  derrotados por concorrentes ao cargo. Nunca me viram meter uma faca nas  costas do partido a nível nacional! Discordar é uma coisa, trair é  outra. O que se tem passado é: o partido na Madeira é autónomo e, como  disse, para mim o que conta é a Madeira e a pátria, os partidos são um  instrumento. E quando entendo discordar do partido discordo mesmo, mas  não traio.</p>
<p><strong>Manuela Ferreira Leite foi uma excepção na  relação consigo?</strong><br />
Fiquei-lhe devedor de duas coisas. Teve a  coragem de chamar mentirosas às pessoas que deturpavam a realidade  madeirense por razões políticas, pessoais ou até do foro psiquiátrico.  Em segundo lugar, deu o grande exemplo de ética política ao perder as  eleições porque se atreveu a não dizer apenas aquilo que o povo quer  ouvir.</p>
<p><strong>Por que razão não conseguiu aguentar o PSD?<br />
</strong>Porque  o partido não tem juízo! Há dois anos e meio fui a Lisboa quando eram  três os concorrentes: Santana, Ferreira Leite e o Passos Coelho. E  disse-lhes: «Pego nisto, faço uma equipa com todas as tendências e ganho  ao engenheiro Sócrates. Serão eleições duras e sem politicamente  correctos.» A resposta foi se quisesse que me candidatasse e passasse a  ser o quarto candidato porque andarem à pancadaria uns com os outros é  que era a riqueza do partido. Como não estava para aturar esta gente,  peguei na malinha e voltei à Madeira. Passou-se exactamente o mesmo  agora com Marcelo Rebelo de Sousa e deram-lhe com os pés porque queriam  era mais um à pancada!</p>
<p><strong>Está-se longe do suicídio colectivo  apregoado por Pinto Balsemão?<br />
</strong>Não me peça para fazer  futurologia.</p>
<p><strong>Mesmo com a sua experiência política?</strong><br />
Vou  ser franco: com a minha experiência, aquilo que receio, embora esteja  atenuado porque também se verifica nos outros partidos, é que o efeito  da mediocrização que se deu em Portugal no interior de todos os  partidos, sem excepção, possa ter reflexo na estabilidade de todos esses  mesmos partidos. Foi uma mediocridade que resultou do progresso do país  e que fez que as pessoas se sintam mais aliciadas por outras  actividades profissionais que não a política. Também o facto de as  pessoas se sentirem vulneráveis na praça pública perante um certo tipo  de jornalismo – não digo todo – que se fez e faz em Portugal, através do  qual de um momento para o outro, estando inocentes, vêem-se acusadas  das coisas mais inqualificáveis. E se há pessoas como eu que têm feitio  para andar à porrada, há outras que não o têm. Se os partidos se  mediocrizaram, fatalmente a democracia mediocrizou-se e o esforço de  qualquer líder nacional terá de ser no sentido de ir buscar os melhores  quadros para o bem do país e da qualidade da vida política.</p>
<p><strong>É  o chamado rejuvenescimento do PSD, uma nova geração como Passos Coelho,  Sócrates ou Portas?</strong><br />
Que eu saiba, eles não são assim tão  novos! Esta coisa de chamar renovação geracional aos cinquentões é um  pedacito caricato.</p>
<p><em>(João Jardim aproveita para falar da sua  renovação geracional: «Façam como eu fiz no meu segundo governo. Fui  buscar gente com vinte e tal anos e todos eles estão na política  activa.» Para o presidente, a reforma geracional é uma «panaceia que se  arranjou agora» e que significa apenas «saneiem os velhos». É, no seu  entender, mais uma forma de se desviar as atenções e dizer que o que  conta é a idade e não a qualidade: «É mais um modo de enganar os  portugueses» porque «há gente de qualidade muito nova como há gente  tonta bastante nova». Ou seja, diz, «é mais um bluff para empurrar o  país para a massificação e retirar qualidade à vida política»)</em></p>
<p><strong>Nem  o seu governo precisa de ser rejuvenescido?<br />
</strong>Os meus  governos têm durado três mandatos com a mesma equipa mas obedeço sempre à  regra de um terço de juventude e caras novas. Não há reforma geracional  se a par da nova geração não estiver a experiência e a qualidade.</p>
<p><strong>Depois  deste temporal, considera que ainda tem muito para dar à Madeira?<br />
</strong>Costumo  dizer que essas coisas pertencem a Deus – porque sou crente – e ao povo  madeirense.</p>
<p><strong>Antes admitira cessar funções em 2011, mas  agora refere uma solução intermédia. Qual é?</strong><br />
Essa era a  minha hipótese anterior porque antes disto ter sucedido estava tudo  encaminhado para já não concorrer nem à direcção do partido nem a  presidente do governo. Entretanto, deu-se o que se deu e seria  vergonhoso da minha parte, com tanto drama que havia aí, aparecer a  dizer «agora amanhem-se que eu daqui a um ano vou-me embora». Não, essa é  a altura em que ninguém pode dizer «eu vou abandonar» mas sim de  afirmar «atenção, que eu não decidi abandonar!»</p>
<p><strong>Como será  então?<br />
</strong>As eleições regionais são em Outubro de 2011, temos  ano e meio para eu e o partido reflectirmos. Como se diz na Madeira,  nada de pôr o carro à frente dos bois. Mas, para já, a palavra sair ou  abandonar…</p>
<p><strong>Estão riscadas?<br />
</strong>Estão riscadas do  vocabulário, até porque há muitas maneiras de estar.</p>
<p><strong>O que  quer dizer com uma solução intermédia?<br />
</strong>Já disse tudo: há  muitas maneiras de estar.</p>
<p><strong>Explique a quem conhece menos a  política madeirense…</strong><br />
A Madeira é um sistema parlamentar,  como no continente&#8230;</p>
<p><strong>Portanto, manter-se-á como deputado?<br />
</strong>Isso  depois vê-se.</p>
<p><strong>Mas é uma opção?<br />
</strong>Há várias  hipóteses. Estive a conceber várias hipóteses porque eu raciocino sempre  de uma forma militar – opção A, B, C e D – e cheguei à conclusão de que  o ideal seria fazer o congresso regional depois da Páscoa de 2011, a  cinco meses de eleições regionais, onde será eleita a comissão política  que terá pela frente escolher o governo que sairá das eleições de 2011  se o PSD ganhar na Madeira. Terá também de escolher os autarcas, porque  há muitos a atingir o final de mandato permitido por lei, e candidatos a  outras eleições.</p>
<p><em>(João Jardim gosta de personalizar a  entrevista e ao questioná-lo se tem dúvidas sobre o PSD continuar a  ganhar na Madeira faz a seguinte tirada: «Como é que pode não ter  dúvidas se não é eleitor na Madeira?» Respondo que a tendência de todas  as eleições é no sentido do reforço dos resultados mas a resposta é: «Se  eu raciocinasse assim tornava-me um preguiçoso.» Continua o vaivém e  digo-lhe que vê-se que aproveitou bem o tempo em que foi oficial de  Acção Psicológica na vida militar: «Olhe, eu saí do curso de Direito  sabendo pouco e mal, com as teorias todas do senhor tal e do senhor tal  que na vida prática valiam zero. De facto devo à minha vida militar ter  aprendido muitas coisas.»)</em></p>
<p><strong>Quem vai ser o seu delfim?<br />
</strong>Por  definição, enquanto não houver um novo presidente da comissão política  regional, Alberto João Jardim é o delfim do Alberto João Jardim. É  preciso ver que não sou eu quem vai designar o sucessor, são os  militantes do PSD. Foi o primeiro sítio no país onde se fez isto, o voto  universal, individual e secreto de todos os militantes. Não me digam  que um partido que já está no poder na Madeira desde 1976 ao fim de 34  anos não tem maturidade suficiente para fazer uma mudança de líder na  maior paz do mundo.</p>
<p><strong>E a sociedade madeirense vai aceitar  essa mudança de líder?<br />
</strong>Aí é que está a grande questão. Não é  por acaso que me farto de dizer no partido – e era bom que o PSD a  nível nacional primeiro se convencesse disto – que quem vota não são os  filiados do partido, que elegem direcções partidárias, mas sim o povo  soberano. Até podem pintar de ouro o líder que quiserem escolher, quem  vai decidir é o povo e ainda bem que assim é.</p>
<p><strong>E o povo vai  pedir-lhe opinião ao confrontar-se com a sucessão?<br />
</strong>Se o  povo me pedir opinião eu terei de ser, porque se trata de umas eleições,  solidário com o meu partido. Agora, o povo que me conhece muito bem –  até por um simples trejeito de beiços – vai ver se estou convencido do  que estou a dizer ou não. O povo vai acreditar no que eu estou dizendo  ou não vai acreditar no que eu estou dizendo.</p>
<p><strong>Livre da  Madeira, ainda o teremos como candidato a presidente da República?<br />
</strong>Eu  conheço o princípio de Peter, o que muita gente em Portugal não sabe!  Para mim isso é um assunto resolvido! O professor Cavaco deve  candidatar-se e eu vou apoiá-lo. Nem sequer me preocupo a pensar nisso.  Algumas vezes discordei dele enquanto primeiro-ministro, mas como  Presidente só uma vez, quando promulgou a anterior Lei das Finanças  Regionais, que era francamente inconstitucional. Não sei se a promulgou  em nome daquilo que na altura se chamava de forma engraçadíssima a  «cooperação estratégica». De resto, nunca o tive por pessoa  irresponsável, pelo contrário, se há pedra que não se lhe pode atirar é a  de falta de responsabilidade. E não acredito que, com o sentido de  responsabilidade que tem, por vontade própria, alguma vez se recusasse à  recandidatura. Não me passa sequer pela cabeça.</p>
<p><strong>Já se  aborreceu muito com ele, até lhe chamou senhor Silva.<br />
</strong>Desculpe,  no avião ninguém o trata por doutor nem por engenheiro. As hospedeiras  dizem a toda a gente «senhor tal». Eu aprendi com as hospedeiras.</p>
<p><strong>A  sua forma de ser traz-lhe problemas?<br />
</strong>Eu acarretei sobre mim  ódios históricos em certos sectores da colónia britânica da Madeira.  Havendo dois jornais diários na Madeira e um sendo propriedade de  empresários britânicos, esse diário bate-me todos os dias desde que em  Outubro de 1974 eu assumi a direcção do outro, o Jornal da Madeira, do  qual só saí em 1978 para tomar posse como presidente do governo.</p>
<p><strong>Não  deve ter gostado da mentira do 1 de Abril que o Diário de Notícias da  Madeira fez?</strong><br />
Gostei mais da do Jornal da Madeira, que dizia  que o PS já estava a preparar as listas e que o facto de deixar de fora  jornalistas e empresários que nos apoiam tinha dado resultado. Vinha lá o  nome de todos os jornalistas que eram contra o PSD e que iam fazer  parte das listas do PS. E acrescentava que os ingleses, os seus  proprietários, só não faziam parte porque cidadãos estrangeiros não  podem concorrer às eleições regionais. Penso que esta tem mais piada do  que estar há vinte anos a criticar eu usar a residência oficial a que  tenho direito no Porto Santo só porque eles, coitados, não têm  residência no Porto Santo. A inveja…</p>
<p><strong>O Diário de Notícias  da Madeira acaba por ser a sua Manuela Moura Guedes?<br />
</strong>Desculpe,  mas ela tem mais qualidade. Eu diria até outra coisa, e aí é um elogio  que lhes faço porque também sei ver as qualidades dos adversários: a  oposição da Madeira é tão medíocre que se o Diário não a fizesse todos  os dias, o povo podia dizer que não havia oposição na Madeira! Até  porque é o jornal que dá o mote dos assuntos que a oposição depois  levanta.</p>
<p><strong>Até o seu «amigo» ministro Santos Silva reclamou  sobre os apoios ao Jornal da Madeira.</strong><br />
Foi uma manobra do  anterior governo socialista e uma tentativa de fechar toda a imprensa  que não fosse da cor do PS. Um assunto, aliás, que hoje está em equação  na vida pública portuguesa e não está esclarecido.</p>
<p><strong>Vê-se  que não esqueceu o seu tempo de jornalista!<br />
</strong>É uma paixão.  Tenho dois amores: a política e o jornalismo.</p>
<p><strong>Ainda sonha  voltar ao jornalismo?<br />
</strong>Por amor de Deus!</p>
<p><strong>Está  vacinado contra jornalistas?<br />
</strong>Adoro os jornalistas porque  preciso de me pegar com eles.</p>
<p><strong>A Festa da Flor serve para  mostrar que Alberto João sabe tratar bem do seu jardim?<br />
</strong>A  floricultura não tem uma grande expressão mas é um sector de venda e de  exportação em franca expansão e, como a Madeira é um destino turístico,  temos de ter vários eventos programados. A Festa da Flor é um deles.</p>
<p><strong>Como  é que convenceu José Sócrates a vir à Festa da Flor?</strong><br />
Tenho  muito prazer em que ele venha e compreendo o seu interesse porque vai  fazer dois meses que aconteceu o temporal e o primeiro-ministro quererá  ver o que é que estes tipos conseguiram fazer. Também o interpreto como  um gesto de solidariedade para com o povo da Madeira e, julgo, que se o  primeiro-ministro compreender como é que nós aqui trabalhamos também vai  ajudar na Lei de Meios que o Governo vai apresentar à Assembleia da  República para tratar especificamente da reconstrução na região  autónoma.</p>
<p><strong>Sentiram uma solidariedade inesperada do  continente?<br />
</strong>Não era inesperada, eu sempre disse que não  havia um conflito entre a Madeira e o continente mas sim com certos  sectores da comunicação social e da classe política.</p>
<p><strong>Quanto  mais longe estão do Funchal, mais as pessoas se queixam sobre a demora  da recuperação. Porquê este atraso?<br />
</strong>Passado o susto, há umas  pessoas que se entretêm a reclamar porque antes já reclamavam por outra  coisa qualquer. Compreendo que não é agradável estar na situação deles  mas, em vez de me refugiar em justificações tontas, vou ser muito  franco: a primeira coisa a fazer era limpar o Funchal porque é a  primeira imagem da região autónoma. Logo que estava a ser concluída a  limpeza do Funchal, foi desviada toda a maquinaria e pessoal para as  outras zonas afectadas, e ainda não recebemos apoios do Estado nem da  União Europeia.</p>
<p><strong>Para além de encontrar petróleo, o que é  que gostaria que acontecesse mais na Madeira?<br />
</strong>Não encontrar  petróleo! Porque iria servir para um confronto com o Governo da  República quando chamasse a si os proventos. Na Madeira já há o petróleo  branco porque tem muita água e dentro de cinquenta anos ela será mais  cara que o petróleo.<br />
<strong>Confissões políticas</strong><br />
«Não  teria preconceito em ser primeiro-ministro de uma coligação com o PCP»</p>
<p>Quando  se lembra a João Jardim que disse que os partidos comunistas deviam ser  eliminados da Constituição a resposta é: «Não foi isso! O que disse foi  que se a Constituição andava a proibir indecorosamente qualquer tipo de  ideologia, então tinha de proibir as totalitárias. Foi a esquerda que  chegou à conclusão de que o Partido Comunista Português (PCP) era  totalitário e não eu, que disse exactamente o contrário. A democracia,  embora sendo o regime que pelos seus valores éticos e morais tem às  vezes certas fragilidades, não tem de ter medo de qualquer tipo de  partidos mesmo quando eles são totalitários.»</p>
<p>Não será por acaso  que no Palácio está uma fotografia bem à vista onde Jardim segura uma  bandeira do PCP. Diz que é uma brincadeira mas que não tem preconceitos  sobre o tema: «Se calhar é um pouco escandaloso o que vou dizer, mas eu  não teria qualquer preconceito em ser primeiro-ministro de uma coligação  que tivesse o Partido Comunista. Agora há uma coisa que garanto, não  era eu a fazer a vontade ao PCP, como se via em 1974/75, era o Partido  Comunista que tinha que cumprir os compromissos assumidos comigo.»  Concorda-se que seria um acordo a necessitar de uma boa vigilância mas  isso não preocupa o presidente pois, garante, «não sou de dar água a  pintos».</p>
<p>Saindo de cenários hipotéticos, João Jardim recorda  situações históricas que se assemelham: «Quando uma coligação de  partidos que ia desde o Bloco de Esquerda, Partido Comunista, PSD e CDS –  ficando apenas de fora o PS – aprovou a nova Lei das Finanças  Regionais, que o Presidente da República promulgou, o que se passou foi  como na história recente de Itália – um compromesso storico. Eu alertei  que ao fazer-se esse compromisso histórico tinha acabado o mito de que  não havia uma alternativa maioritária ao governo minoritário socialista.  Claro que isto provocou escândalos e até no Conselho Nacional do PSD, a  12 de Fevereiro, vários elementos da tendência liberal Passos Coelho  atacaram-me acusando de querer fazer alianças com o PCP. Estou  convencido de que tendo o sistema político da III República falhado só  podemos recuperar o país através de um grande compromisso que envolva as  bases de todos os partidos e que leve todos a sentirem-se motivados  para dar um impulso positivo ao país.» Reafirma: «Como vê, não tenho  preconceitos.»</p>
<p><strong>Confissões presidenciais</strong><br />
«Preferia  Manuel Alegre a aturar uma tontaria qualquer»</p>
<p>A pergunta é  directa: Manuel Alegre nunca será seu candidato? A resposta é mais vaga e  percebe-se o porquê: «Eu gosto muito de uma coisa em Manuel Alegre, o  facto de rever-me um pouco naquela rebeldia face à disciplina  partidária. Identifico-me com ele na defesa sagrada do que é um regime  democrático e na maneira libertária de ver a vida.» E na ideologia?  «Claro que não me identifico com ele na ideologia política, mas se  aparecesse outra pessoa que não o professor Cavaco, e que eu julgasse  que ia aturar uma tontaria qualquer, eu era capaz também de considerar  essa hipótese.»</p>
<p>Quando se questiona se acha que Alegre pode ser um  bom presidente, Jardim é cauteloso: «Tenho muitos amigos poetas. O meu  receio é que a condução do Estado não seja compatível com os mecanismos  mentais de um poeta.» Mas também escreve romances, replica: «Estou a  dizer isto em tom de caricatura, obviamente, porque tenho muito respeito  pelos poetas e pelos grandes poetas que Portugal tem. O que quero dizer  é que a política é muito “pés na terra” e às vezes um excesso de  idealismo pode comprometer a eficiência da política.»</p>
<p><strong>Confissões  da juventude</strong><br />
«Ainda hoje, feito velho tonto, adoro  recordar-me da vida de estudante em Lisboa e Coimbra.»</p>
<p>Quando se  fala dos seus tempos de estudante, inicia-se a pergunta com um «sei que  passou dez anos em Coimbra». Alberto João Jardim corta a palavra e repõe  a verdade: «É mentira, foram oito. E não foram oito em Coimbra, calma  aí. Foram três em Lisboa, onde me diverti à grande e fiz apenas quatro  cadeiras do primeiro ano. Os outros cinco, fiz em Coimbra e as duas  últimas cadeiras já no regime militar. Claro que a oposição diz sempre  dez anos mas são oito.» Fica o acinte da oposição esclarecido apesar de  não ter sido essa a intenção.</p>
<p>Pergunta-se onde é que se divertiu  mais se em Lisboa ou em Coimbra? «Diverti-me mais em Lisboa, é que a  vida boémia de Coimbra é diferente. Na capital não é restrita a qualquer  grupo enquanto a boémia de Coimbra está mais fechada nas classes  estudantil e da academia.» Passada esta análise, sorri e acaba por se  denunciar: «Com o meu feitio, fui bem feliz tanto na boémia de Lisboa  como na de Coimbra. E não me arrependo!» Ainda tem mais para dizer: «Se  alguma coisa sei hoje devo-o ao tempo passado a ler e a conhecer um  pouco do que era o povo e a vida cultural portuguesa. Eu saí da ilha em  1960, de onde só se podia sair de barco e aonde só se vinha duas vezes  por ano em férias, e se hoje ainda tem constrangimentos em relação às  regiões continentalizadas, o que não seria nessa altura&#8230; Ainda hoje,  feito velho tonto com 67 anos, adoro recordar-me da vida de Lisboa e de  Coimbra enquanto estudante.»</p>
<p><strong>Confissões memorialistas</strong><br />
«Os  malucos que eu conheci»</p>
<p>Com uma vida cheia de tantas peripécias,  decerto Alberto João Jardim tem matéria para fazer um livro de memórias.  Não o pensa escrever porque acha que não vai ter tempo de vida para  isso. Considera que tem uma certa despreocupação com a história e a  posteridade e tem razão: «Destruí toda a correspondência privada com  políticos porque entendo que quando as cartas são privadas nem os meus  filhos têm o direito de ver o que é que o senhor A, B ou C me disseram a  certa altura.» Após a confissão fica a pensar e acaba por revelar que  só o faria «se não fosse uma coisa maçuda». Acrescenta que, a fazê-lo,  «seriam contadas com um certo humor». Sugere-se um registo à Eça de  Queirós a Jardim, que acaba por revelar o título: «Os malucos que eu  conheci.»</p>
<p>Enquanto não tem tempo para escrever as recordações de  muitas décadas de política activa, a Fundação Social-Democrata da  Madeira comprou a casa onde nasceu para fazer uma Casa-Museu onde João  Jardim vai deixar todo o seu espólio. Muitos livros que tem dentro de  caixotes que não abriu por falta de espaço na sua casa, comprada «ainda  estudante em Coimbra com a herança do meu pai».</p>
<p><em>Notícias Sábado</em>, 17 de Abril de 2010</p>
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		<title>A propósito da «Convention Identitaire»</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Oct 2009 21:05:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Recortes de imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Regionalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/1407/a-proposito-da-%c2%abconvention-identitaire%c2%bb" title="A propósito da «Convention Identitaire»"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/plugins/yet-another-photoblog/YapbThumbnailer.php?post_id=1407&amp;w=80" width="80" height="26" alt="A propósito da «Convention Identitaire»" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a>Muitos dos nossos «identitários» infelizmente são algo exóticos, de visão e composição fundamentalmente urbanas, género «Berloque de esquerda» mas de «Herança Céltica» e «Cultura Ariana» de livro ou Álbum ilustrado. Infelizmente, nas suas ideias e práticas parecem esforçar-se por não considerar ou até desejar desmembrar o carácter unitário do nosso Estado-Nação e ignorar a dimensão [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/1407/a-proposito-da-%c2%abconvention-identitaire%c2%bb" title="A propósito da «Convention Identitaire»"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/plugins/yet-another-photoblog/YapbThumbnailer.php?post_id=1407&amp;w=80" width="80" height="26" alt="A propósito da «Convention Identitaire»" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a><p>Muitos dos nossos «identitários» infelizmente são algo exóticos, de<br />
visão e composição fundamentalmente urbanas, género «Berloque de<br />
esquerda» mas de «Herança Céltica» e «Cultura Ariana» de livro ou Álbum ilustrado.</p>
<p>Infelizmente, nas suas ideias e práticas parecem esforçar-se por não<br />
considerar ou até desejar desmembrar o carácter unitário do nosso Estado-Nação e ignorar a dimensão universal da nossa cultura<br />
considerando romanticamente «regiões» que não existem, alegando um<br />
&#8216;localismo&#8217; que aqui é apenas pretexto e não se afigura relevante como<br />
enquadramento político no combate ao Sistema.</p>
<p>No fundo, manifestam apenas muita ignorância e o inevitável espírito<br />
fragmentador, para poder ser &#8216;chefes&#8217; em &#8216;causa própria&#8217;&#8230;</p>
<p>Além disso não têm autenticidade e imaginação bastantes para se<br />
afirmarem como portugueses, ou, pelo menos, verdadeiros&#8217;regionalistas&#8217;, através de símbolos próprios, e usam imagens de &#8216;javalis&#8217;, semelhantes às que se usam em França e em Espanha, por exemplo.</p>
<p>É mais um exemplo de cópia do estrangeiro – que para os bacocos é<br />
sempre «bom», mais um traço actual da mediocridade e do provincianismo<br />
&#8216;lusitano&#8217; que também os contagia, a denunciar de uma forma explícita e indiscutível o seu carácter &#8216;desenraízante&#8217;, a sua «não-identidade», nada local e pseudo-europeia&#8230; Felizmente o Vlaams Belang, a Lega Nord, os grupos da Normandia , da Lorena e da Bretanha e tantos outros, assumem uma identidade real e na escala própria, muito mais bem ajustados à realidade que os «nossos»&#8230;</p>
<p>Tenho ou não razão?</p>
<p>Política e culturalmente somos uma ‘região’ da Europa que coincide<br />
com um dos mais velhos Estados-Nação.</p>
<p>Mas se como nacionalistas somos defensores da «identidade maior»,<br />
feita de todas as outras e maior que a soma das partes, não deixaremos de assumir a bandeira da defesa dos singularismos étnicos e culturais, mas a sério, defendida por uma concepção política e cultural séria, que integre todas as comunidades naturais, municipais ou locais num plano de representação autêntica, numa assembleia própria, não partidária e nunca manipulada por políticos profissionais. Numa palavra, verdadeiros Identitários somos nós – na luta pela Nação integral e pela única força que pode garantir a defesa política, económica e cultural dos portugueses, a todos os níveis: um Estado orgânico enraizado na comunidade nacional.</p>
<p>Não podemos ignorar este movimento que se espalha pela Europa e<br />
vem afirmar identidades legítimas que importa defender e reunir no mesmo movimento geral da resistência à mundialização.</p>
<p>In <em>A Oeste Tudo de Novo</em>, nº 18, Outubro de 2009.</p>
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		<title>PPM/Açores vai propor que Portugal seja um Estado Federal</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Aug 2009 22:02:08 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/1387/ppmacores-vai-propor-que-portugal-seja-um-estado-federal" title="PPM/Açores vai propor que Portugal seja um Estado Federal"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/plugins/yet-another-photoblog/YapbThumbnailer.php?post_id=1387&amp;w=80" width="80" height="69" alt="PPM/Açores vai propor que Portugal seja um Estado Federal" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a>A transformação de Portugal num Estado Federal é uma das propostas que Paulo Estêvão, cabeça de lista do PPM nos Açores, vai defender na próxima revisão constitucional, caso seja eleito para a Assembleia da República. «O PPM proporá, no âmbito da próxima revisão constitucional, a transformação de Portugal num Estado Federal, sendo que os Açores [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/1387/ppmacores-vai-propor-que-portugal-seja-um-estado-federal" title="PPM/Açores vai propor que Portugal seja um Estado Federal"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/plugins/yet-another-photoblog/YapbThumbnailer.php?post_id=1387&amp;w=80" width="80" height="69" alt="PPM/Açores vai propor que Portugal seja um Estado Federal" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a><p>A transformação de Portugal num Estado Federal é uma das propostas que Paulo Estêvão, cabeça de lista do PPM nos Açores, vai                   defender na próxima revisão constitucional, caso seja eleito para a Assembleia da República.</p>
<p>«O PPM proporá, no âmbito da próxima revisão constitucional, a transformação de Portugal num Estado Federal, sendo que os Açores e a Madeira deverão ser elevados à dignidade de Estados Federados», defendeu Paulo Estêvão, numa declaração em que anuncia a sua candidatura ao parlamento nacional, citado pela agência Lusa.</p>
<p>Nesse sentido, acrescentou que os Açores devem assumir «novas e vastas competências, desde a criação de uma polícia própria até ao poder de veto nas negociações de tratados internacionais» que digam respeito ao território açoriano.</p>
<p>Paulo Estêvão revelou ainda que vai reivindicar um «referendo sobre a natureza do regime», considerando que os portugueses devem poder optar «de forma directa, livre e democrática» sobre a natureza institucional do Estado.</p>
<p>Paulo Estêvão, que é líder regional do PPM e vice-presidente da Comissão Política Nacional, frisou a importância do partido concorrer sozinho às eleições legislativas, considerando que assim fica garantida a «plena independência» dos deputados que vier a eleger.</p>
<p>A este propósito, recordou que os dois deputados do PPM, integrados no Grupo Parlamentar do PSD, se abstiveram na votação do Estatuto Político-Administrativo dos Açores, «contrariando a posição assumida» pelo partido na Região.</p>
<p>Para o futuro, Paulo Estêvão defendeu a formação de uma coligação, «na República e nos Açores», de uma coligação parlamentar envolvendo PSD, CDS/PP e PPM como «única formula que dá garantias ao país num cenário de ausência de maioria absoluta».</p>
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		<title>Congresso no final do ano pode salvar PDA da extinção</title>
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		<pubDate>Mon, 17 Aug 2009 21:26:21 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/1381/congresso-no-final-do-ano-pode-salvar-pda-da-extincao" title="Congresso no final do ano pode salvar PDA da extinção"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/plugins/yet-another-photoblog/YapbThumbnailer.php?post_id=1381&amp;w=80" width="80" height="108" alt="Congresso no final do ano pode salvar PDA da extinção" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a>Num ano com três actos eleitorais &#8211; Europeias, Legislativas e Autárquicas &#8211; o Partido Democrático do Atlântico (PDA), o único partido com sede nas Regiões Autónomas, não está em nenhum deles. José Ventura, líder do partido desde 2002, está de saída, por razões de saúde e o PDA está neste momento “paralisado”. Com a comissão [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/1381/congresso-no-final-do-ano-pode-salvar-pda-da-extincao" title="Congresso no final do ano pode salvar PDA da extinção"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/plugins/yet-another-photoblog/YapbThumbnailer.php?post_id=1381&amp;w=80" width="80" height="108" alt="Congresso no final do ano pode salvar PDA da extinção" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a><p>Num ano com três actos eleitorais &#8211; Europeias, Legislativas e Autárquicas &#8211; o Partido Democrático do Atlântico (PDA), o único partido com sede nas Regiões Autónomas, não está em nenhum deles. José Ventura, líder do partido desde 2002, está de saída, por razões de saúde e o PDA está neste momento “paralisado”.</p>
<p>Com a comissão política inactiva desde as últimas eleições Regionais, em Outubro de 2008, período a seguir ao qual José Ventura começou a ter problemas de saúde, a realização de um congresso para definir “o que é que os açorianos pensam e querem do PDA” apresenta-se agora como a única salvação para a possível extinção do partido.</p>
<p>Congresso esse que está nas mãos de um líder histórico do partido, Carlos Melo Bento (na foto), que garantiu no entanto ao Açoriano Oriental estar disponível para o convocar até ao final deste ano “para encontrar soluções alternativas em termos de pessoas para a continuação do partido”.</p>
<p>Carlos Melo Bento, que preside interinamente ao Congresso do partido, diz que o PDA “não está dependente, nem da saúde do seu actual líder, nem de circunstâncias conjunturais”, desdramatizando também a situação actual do partido.</p>
<p>Segundo Melo Bento, “há outros campos de batalha onde se desenrola a luta do PDA” que não passam apenas pelas eleições, sobretudo as nacionais, uma vez que entende ser nas Regionais que o PDA se deve concentrar e estas ainda estão a mais de três anos de distância.</p>
<p>A extinção do partido é entendida por José Ventura como “um défice democrático para a Região” numa altura em que a próxima Revisão Constitucional até poderá abrir a porta aos partidos regionais, uma antiga pretensão do PDA.</p>
<p>“Temos pena que não haja partidos regionais, que trabalhem pela defesa do interesse dos Açores, porque os partidos são sucursais dos partidos nacionais”, lamenta José Ventura. Uma ideia que também é defendida por Melo Bento, para  quem o PDA “nasce da necessidade de dar à Autonomia das regiões insulares um instrumento político, que se torna essencial na medida em que os outros partidos têm sedes fora das Regiões Autónomas e, consequentemente, não dão garantias de defender, como nós, intransigentemente os interesses dos Açores e da Madeira”.</p>
<p>In <strong><em>Açoriano Oriental</em></strong>, 28 de Agosto de 2009</p>
<p><strong>Notícias relevantes:<br />
</strong><a href="http://pt.no-media.info/850/identitarios-acorianos-captam-07-do-voto-insular" target="_self">Identitários açorianos captam 0,7% do voto insular</a> por Flávio Gonçalves<br />
<a href="http://pt.no-media.info/706/chegou-a-altura-de-perguntar-ao-povo-como-quer-ser-tratado" target="_self">“Chegou a altura de perguntar ao povo como quer ser tratado”</a> por Paula Gouveia<br />
<a href="http://pt.no-media.info/758/onde" target="_self">Onde?</a> por Carlos Melo Bento<a href="http://pt.no-media.info/850/identitarios-acorianos-captam-07-do-voto-insular" target="_blank"></a></p>
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		<title>2009: ano de (quase) todas as eleições</title>
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		<pubDate>Sun, 25 Jan 2009 23:19:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>goncalvf</dc:creator>
				<category><![CDATA[Curtas]]></category>
		<category><![CDATA[Regionalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Ainda mal recuperados dos 53% de abstenção das mais recentes eleições regionais e já os partidos (e certamente também o povo) açorianos se andam a preocupar com a abundância de eleições que 2009 nos trará: autárquicas, legislativas e europeias. Pessoalmente preocupa-me que novamente fiquem em casa mais de metade dos eleitores destas invictas ilhas, qual [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ainda mal recuperados dos 53% de abstenção das mais recentes eleições regionais e já os partidos (e certamente também o povo) açorianos se andam a preocupar com a abundância de eleições que 2009 nos trará: autárquicas, legislativas e europeias. <span id="more-1181"></span></p>
<div><span style="font-size: 100%;">Pessoalmente preocupa-me que novamente fiquem em casa mais de metade dos eleitores destas invictas ilhas, qual a representatividade real de políticos eleitos por metade dos votos? Se já metade dos eleitores optou por não votar e metade dos que votaram optaram por votar em partidos da oposição, na prática três quartos dos eleitores (a maioria, portanto) não votaram nos políticos que, bem ou mal, a todos nós representam e sobre o nosso dia a dia decidem.</span></div>
<div><span style="font-size: 100%;"><br />
Pode indicar-se que é falta de prática democrática, afinal Portugal passou de monarquia para uma ditadura republicana, desta para uma ditadura militar seguindo-se o Estado Novo e por fim, só por fim, o actual regime considerado democrático – embora com algumas falhas. Pode ser que nos esteja nos genes, por habituação, o costume de deixar que outros decidam por nós, o hábito de confiar que quem está lá em cima, no poder, zele pelos nossos melhores interesses e possamos viver o dia a dia sem grandes preocupações a nível político.</span></div>
<div><span style="font-size: 100%;"><br />
Se o panorama açoriano, no que diz respeito ao eleitorado, deixou a desejar a verdade é que em matéria de partidos (e recordo que temos inclusive um partido cuja sede nacional é nos Açores: o Partido Democrático Açoriano) estamos bem representados, praticamente todos os partidos nacionais têm delegações regionais, salvo talvez os PNR, POUS e PH. A pluralidade saiu reforçada das eleições regionais com o regresso do PCP e as estreias do PPM e do BE na Assembleia Regional demonstrando que o trabalho contínuo e persistente acaba por dar frutos, algo que talvez o PDA e o MPT pudessem aplicar uma vez que o eleitor comum se depara com estes partidos apenas nos períodos eleitorais…</span></div>
<div><span style="font-size: 100%;"><br />
A blogosfera, creio eu, também ocupou uma posição determinante já que, curiosamente, os diversos candidatos optaram por manter blogues mais ou menos activos durante o período eleitoral, alguns já anteriormente activos e outros dedicados exclusivamente às eleições.</span></div>
<div><span style="font-size: 100%;"><br />
Se bem que há algo que me conforta na política açoriana: a capacidade de diálogo. Recordo, da minha juventude mas também reconfirmado em conversa que ouvi do Dr. Victor Hugo Forjaz, o facto de políticos e partidários de todos os quadrantes da política açoriana – dos extremos ao centro – terem a capacidade de se sentar à mesa e discutirem sem a animosidade e ataques pessoais que por vezes testemunhamos na arena política continental.</span></div>
<p><span style="font-size: 100%;">A ver vamos se os faialenses optam por fazer valer o seu direito ao voto em 2009, e contra mim falo já que durante anos fui também desse partido da abstenção.</span></p>
<p>In <em>Fazendo</em>, 23 de Janeiro de 2009</p>
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		<item>
		<title>O tsunami</title>
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		<pubDate>Sat, 15 Nov 2008 18:40:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>goncalvf</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Recortes de imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Regionalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[O momento é incerto e perigoso. O capitalismo que tanta riqueza gerara no mundo ocidental, propagando-se à Ásia como fogo em pólvora, atravessa uma crise que arrasta o sistema que parecia sólido como rocha. O fantasma de Marx e a sua profecia apocalíptica surgem do sótão das coisas esquecidas, fazendo tremer os que julgavam o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O momento é incerto e perigoso. O capitalismo que tanta riqueza gerara no mundo ocidental, propagando-se à Ásia como fogo em pólvora, atravessa uma crise que arrasta o sistema que parecia sólido como rocha. <span id="more-962"></span>O fantasma de Marx e a sua profecia apocalíptica surgem do sótão das coisas esquecidas, fazendo tremer os que julgavam o materialismo dialéctico morto e enterrado. Uma grande abastança abatera-se sobre o mundo capitalista, com casas luxuosas, carros de milhares, cruzeiros de fantasia, saúde gratuita, ensino ao desbarato, comércio a rodos, tanto que, no delírio do consumo, as pessoas nem pensam nas dívidas que durante anos as amarram aos bancos e às suas hipotecas, às empresas de crédito contra incertas declarações de IRS, a troco de computadores, telemóveis, jogos electrónicos, vídeos e aparelhagens de preços e efeitos incríveis, internetes de mirabolantes e imediatas comunicações para qualquer ponto do planeta, GPS de orientação inaudita que até dispensam pilotos ou guias, ginásios que se esfalfam a desfazer as gorduras duma alimentação excessiva e barata que a todos deforma, e tudo o que nem a mais delirante imaginação podia prever. Inesperadamente, a banca, nervo e mola real do sistema, dá um grito de dor e parece submergir no meio duma overdose de lucros e progresso transformados em falências e burlas impensáveis. No aparente remanso do nosso cantinho, porém, vão chegar as ondas do tsunami que abalará a vivência idílica em que despreocupadamente temos vivido. Não duvidem.</p>
<p>In <strong><em>Açoriano Oriental</em></strong>, 04 de Novembro de 2008</p>
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		<title>A necessidade de um discurso securitário</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Nov 2008 23:44:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>goncalvf</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/921/a-necessidade-de-um-discurso-securitario" title="A necessidade de um discurso securitário"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/plugins/yet-another-photoblog/YapbThumbnailer.php?post_id=921&amp;w=80" width="80" height="104" alt="A necessidade de um discurso securitário" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a>Tenho-me deparado com a angústia de alguns locais, nomeadamente num artigo de opinião de José Decq Mota neste mesmo jornal e numa entrevista de Siegfried Eckleben ao Correio dos Açores, acerca do sentimento de insegurança que vem assolando os corações açorianos – e estou em crer que também de todos os restantes açorianos. Estando longe [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/921/a-necessidade-de-um-discurso-securitario" title="A necessidade de um discurso securitário"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/plugins/yet-another-photoblog/YapbThumbnailer.php?post_id=921&amp;w=80" width="80" height="104" alt="A necessidade de um discurso securitário" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a><p>Tenho-me deparado com a angústia de alguns locais, nomeadamente num artigo de opinião de José Decq Mota neste mesmo jornal e numa entrevista de Siegfried Eckleben ao Correio dos Açores, acerca do sentimento de insegurança que vem assolando os corações açorianos – e estou em crer que também de todos os restantes açorianos.</p>
<p>Estando longe e visitando parcamente a nossa terra já me tinha apercebido de que nem tudo ia bem na terra que me viu crescer, se os Açores sempre foram considerados pelas autoridades nacionais (e internacionais) como sendo um local de passagem do tráfico de droga que abastece as necessidades dos traficantes europeus, a verdade é que nunca foi local de consumo relevante. Que modificações têm vindo a ocorrer no tecido social açoriano nos anos mais recentes que têm criado esta situação?</p>
<p>Embora o clima de insegurança não reflicta, ainda, o nível do continente português – onde já se fala na criação de uma célula do Primeiro Comando da Capital, a mais bem trabalhada organização criminosa brasileira, na Margem Sul – já é notável a olho nu.</p>
<p>Recordo que nos meus tempos de aluno na anterior Escola Secundária Dr. Manuel de Arriaga era algo natural, não só para mim mas para todos nós, deixar os nossos pertences em qualquer lado sem o mínimo receio que estes se evaporassem, chegava a ir almoçar e a deixar nas mesas debaixo das arcadas diversos discos compactos, livros e até algum jogo electrónico. Voltando do almoço ou do passeio, encontrava os meus pertences no exacto mesmo local ou na mão de algum amigo mais ‘crava’ que aproveitava para me pedir emprestado esse pertence.</p>
<p>Assim foi durante praticamente todo o meu ensino, exceptuando o último ano em que os ‘desaparecimentos’ já eram constantes. O que sucedeu aqui? Em verdade vos digo que, não sendo criminólogo nem psicólogo, não consigo apontar uma qualquer causa isolada, não considero como responsáveis as autoridades públicas locais e regionais já que a atitude destas nas acções preventivas sempre se mantiveram e aumentaram inclusive.</p>
<p>Uma das causas que tenho apontado, causa que considero directa e extremamente relevante, tem sido o aumento de repatriados entre nós, pessoas vítimas das políticas de exclusão social e de repatriamento forçado dos Estados Unidos. Se muitos deles optam por mudar de vida habituando-se às limitações que as nossas pequenas comunidades constituem também é verdade que uma minoria extremamente activa tem aproveitado o ambiente social açoriano, no qual o crime organizado e de rua sempre foi praticamente inexistente, ambiente no qual não contam com qualquer concorrência e que certamente facilitou a sua implantação.</p>
<p>Pois se é certo que pelo repatriamento os EUA se livraram de elementos considerados incómodos – mas que foram criados pela sua sociedade, não pela nossa – também é certo que o repatriamento ocorre após o cumprimento da pena nas famosas cadeias estadunidenses, verdadeiras universidades do crime e das mais desumanas do planeta, e também é certo que muitos dos contactos – por vezes mantidos durante uma vida – dos repatriados no mundo do crime não se perdem de um momento para o outro.</p>
<p>Na verdade estas pessoas são tão vítimas de violência quanto nós! Alguém se imagina forçado a abandonar os amigos, a esposa, a casa e os familiares de toda uma vida e ser compulsivamente repatriado para uma zona isolada do globo que conhece apenas das histórias dos avós? A violência psicológica que tamanho isolamento causa parece-me pior que alguns anos de cadeia, destrói-se toda uma vida por vezes devido a pequenas penalidades, é óbvio que a revolta dos indivíduos será reflectida na comunidade que lhes é forçada.</p>
<p>Outra razão, esta apontada por alguns amigos reaccionários mas que certamente mereceu a minha atenção e posterior menção aqui como nota de rodapé, tem sido o aumento do acesso à televisão por cabo, dando a conhecer aos mais novos, e aos mais velhos mas influenciáveis, todo um mundo criminoso que no meu tempo de juventude (em que só havia a RTP Açores e era rara a casa com TV Cabo) não conhecíamos.</p>
<p>Não sei se a criação duma polícia municipal, o aumento dos efectivos da PSP ou a criação duma polícia regional teria os efeitos desejados, mas junto a minha voz ao coro de que realmente nos encontramos num momento de mudança no tecido social açoriano e é necessária alguma espécie de acção, embora aponte o dedo à política de repatriamento duma nação que acolhe milhares dos nossos cidadãos e a uma televisão privada cujo objectivo único é o lucro, creio que o remédio virá da própria comunidade, assim o espero e anseio, que saberá em última instância proteger e cuidar dos seus, esperemos apenas que, desta vez, sem a famosa Justiça da Noite…</p>
<p>In <strong><em>Tribuna das Ilhas</em></strong>, 31 de Outubro de 2008</p>
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		<title>Identitários açorianos captam 0,7% do voto insular</title>
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		<pubDate>Sun, 19 Oct 2008 23:53:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>goncalvf</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/850/identitarios-acorianos-captam-07-do-voto-insular" title="Identitários açorianos captam 0,7% do voto insular"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/plugins/yet-another-photoblog/YapbThumbnailer.php?post_id=850&amp;w=80" width="80" height="53" alt="Identitários açorianos captam 0,7% do voto insular" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a>O Partido Democrático do Atlântico, após resistir à infiltração liberal em Portugal continental e tendo-se apresentado em praticamente todos os círculos eleitorais do arquipélago, não ultrapassou a barreira dos 0,7% no total e 1,1% na ilha de São Miguel. Uma derrota assumida por José Ventura que contava, graças ao círculo compensatório, conseguir eleger um deputado. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/850/identitarios-acorianos-captam-07-do-voto-insular" title="Identitários açorianos captam 0,7% do voto insular"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/plugins/yet-another-photoblog/YapbThumbnailer.php?post_id=850&amp;w=80" width="80" height="53" alt="Identitários açorianos captam 0,7% do voto insular" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a><p>O <a href="http://pdanacional.blogs.sapo.pt/">Partido Democrático do Atlântico</a>, após resistir à infiltração liberal em Portugal continental e tendo-se apresentado em praticamente todos os círculos eleitorais do arquipélago, não ultrapassou a barreira dos 0,7% no total e 1,1% na ilha de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ilha_de_S%C3%A3o_Miguel">São Miguel</a>.<br />
<a href="http://www.acorianooriental.pt/noticias/view/175889">Uma derrota assumida por José Ventura</a> que contava, graças ao círculo compensatório, conseguir eleger um deputado. Mesmo assim triplicou a sua votação se comparado com as legislativas de 2004.<br />
A minha sugestão: mais activismo fora do período eleitoral e uma maior presença na internet, principalmente na blogosfera que, cada vez mais, pesa bastante nas opções políticas da população &#8211; por coincidência os vencedores <a href="http://anibalpires.blogspot.com/">Aníbal Pires</a> e <a href="http://pauloestevao1.blogspot.com/">Paulo Estêvão</a> contam com blogues pessoais activos quanto baste.</p>
<p>In <a href="http://admiravelmundonovo-1984.blogspot.com" target="_blank"><em>Admirável Mundo Novo</em></a>, 20 de Outubro de 2008</p>
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		<title>Onde?</title>
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		<pubDate>Sun, 28 Sep 2008 18:50:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>goncalvf</dc:creator>
				<category><![CDATA[Curtas]]></category>
		<category><![CDATA[Regionalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Um dia destes a Câmara realizou, na Urbanização do Paim, ao Papa-terra, uma interessante cerimónia de descerramento de placas toponímicas de grandiosas praças com nomes da Autonomia Constitucional, da primeira Assembleia e do primeiro Governo autonómicos. Tudo com elegantes colunas com os nomes dos pioneiros dessas instituições. A cerimónia terminou com pompa e circunstância com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um dia destes a Câmara realizou, na Urbanização do Paim, ao Papa-terra, uma interessante cerimónia de descerramento de placas toponímicas de grandiosas praças com nomes da Autonomia Constitucional<span id="more-758"></span>, da primeira Assembleia e do primeiro Governo autonómicos. Tudo com elegantes colunas com os nomes dos pioneiros dessas instituições. A cerimónia terminou com pompa e circunstância com tribuna, passadeira vermelha e um importante discurso do Pai da Autonomia constitucional, João Bosco da Mota Amaral. Presentes o antigo deputado Carlos Teixeira, os primeiros Secretários das Obras Públicas, João Bernardo Rodrigues e do Trabalho, António Lagarto. Presentes também o antigo Deputado europeu Vasco Garcia e o outrora Secretário do Trabalho Octaviano Mota. Ausentes todos os outros. Ausente a televisão. Ausente a multidão que antigamente acompanhava, subserviente, Mota Amaral por todo o lado. Ausentes tantos que o seguiam pelas estradas políticas que desbravou, tirando-os do anonimato e da penúria. Do governo socialista actual nem vivalma! Dos outros partidos apenas se viu José Ventura do PDA. Como é curta a memória dos homens! E escassa a elegância dos adversários! E inconcebível o desprezo da comunicação social pública e paga por todos que outrora rastejou a seus pés até à náusea. É difícil engolir na nossa terra estas posturas invertebradas sem um grito de revolta. Onde pára a velha cepa açoriana? Há momentos na vida dos Povos que não é a luta política que prevalece mas a unidade que faz a força e a história.</p>
<p>In <strong><em>Açoriano Oriental</em></strong>,  15 de Setembro de 2008</p>
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		<title>Volúpias</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Sep 2008 16:39:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>goncalvf</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/719/volupias" title="Volúpias"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/plugins/yet-another-photoblog/YapbThumbnailer.php?post_id=719&amp;w=80" width="80" height="104" alt="Volúpias" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a>O lançamento de 6 grossos (quase mil páginas cada) volumes das Genealogias de S. Miguel e Santa Maria do rigoroso e profundo Rodrigo Rodrigues, além de cerimónia bonita, foi momento importante nestas coisas do pensamento. Falecido há décadas, o autor foi sempre referido, pois sabiam os entendidos que a obra era imensa e irrepetível. Seu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<a href="http://pt.no-media.info/719/volupias" title="Volúpias"><img src="http://pt.no-media.info/cms/wp-content/plugins/yet-another-photoblog/YapbThumbnailer.php?post_id=719&amp;w=80" width="80" height="104" alt="Volúpias" style="float:left;padding:0 10px 10px 0;" ></a><p>O lançamento de 6 grossos (quase mil páginas cada) volumes das Genealogias de S. Miguel e Santa Maria do rigoroso e profundo Rodrigo Rodrigues, além de cerimónia bonita, foi momento importante nestas coisas do pensamento. Falecido há décadas, o autor foi sempre referido, pois sabiam os entendidos que a obra era imensa e irrepetível. Seu neto, o distinto médico Henrique Aguiar Rodrigues, preparou a espectacular edição, num trabalho colossal, a ponto de se poder dizer que nunca veria a luz do dia se não fosse ele. Há um ano, outra obra de igual fôlego, foi lançada na nossa Terra: Genealogias da Ilha Terceira, dos Drs. António Ornelas Mendes e Jorge Forjaz, em 9 volumes de igual tamanho e valia, fruto duma vida inteira de amor ao nosso Povo e de muito trabalho sem remuneração material. Mas, se eles sentiram com isso a mesma volúpia que sinto ao escrever a História dos Açores, não tenho pena deles, pois ficam a ganhar. Uma coisa é certa, estas obras são monumentos gigantescos e um serviço sem preço prestado ao nosso Povo. Se Ernesto do Canto nos legou o Arquivo dos Açores, delícia dos investigadores em todo o mundo, Rodrigo Rodrigues, Aguiar Rodrigues, Ornelas Mendes e Jorge Forjaz legam-nos amplas varandas sobre as nossas famílias, ricos e pobres, comuns e aristocratas, intelectuais e iletrados e, através delas, podemos ver saltando, durante séculos, de ilha em ilha, a gerar, educar e tecer este querido Povo que tanto amamos. Ditosa Terra que tais filhos tem.</p>
<p>In <strong>Açoriano Oriental</strong>, 30 de Agosto de 2008</p>
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